MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Minha visão geopolítica da Guerra do Paraguai

Minha visão geopolítica da Guerra do Paraguai 

Gelio Fregapani - coronel do Exército

     Olhando o mapa de hoje não há como entender a Guerra do Paraguai. Como um país pobre, com uma pequena população e território diminuto pode ter desafiado quase dois terços da América do Sul,, incluindo os dois maiores e mais poderosos do continente além de um terceiro com o qual ele nem tinha fronteiras? Que loucura! E continuar lutando até o completo esgotamento, muito depois da certeza da derrota?
     Para entender voltemos ao passado. Os Jesuítas, aldeando os índios ensinaram a eles tudo que uma civilização precisa saber, menos o mais importante: a arte da guerra. Conseguiram desenvolvê-los superando em alguns aspectos o estágio da civilização que os rodeava na região, mas esqueceram que riquezas e debilidade militar sempre atrai desgraças e como resultado óbvio de seu pacifismo religioso foram assaltados pelas Bandeiras e viram sua civilização destruída pelas forças de Portugal e Espanha.Os padres reuniram os que puderam em Assunção e isto foi o embrião do Paraguai
Quando afinal reagiram contiveram os bandeirantes e com isto criaram confiança em sua força e no seu inconsciente coletivo vagamente sonhavam em recuperar seus antigos domínios que se estendiam outrora por parte da Argentina, do Brasil e pelo Uruguai, vastidões onde a herança étnica guarani ainda era muito forte.Foi isto que Solano Lopes tentou fazer.
     O plano de Solano Lopez nada tinha de irrealizável; ele formou então maior e melhor exército do hemisfério Sul. Aliou-se com governo do Uruguai e com o gen Urquiza,cadiloho da província  argentina de Corrientes,cuja cavalaria era tão famosa e agerrida como a cavalaria gaúcha, e esperava a adesão de parte do Rio Grande, ainda fumegando do incêndio farropilha, onde muitos descendentes dos guaranis. Então, com brilhante articulação diplomática, com tropas muito superiores as do Império e do governo portenho esperando contar com as adesões já citadas, aguardava apenas a hora adequada para levar a frente seus bem elaborados planos. Em termos geopolíticos havia montado uma coalizão potencialmente superior aos ses adversários - o Império do Brasil e os argentinos portenhos 
Acontece que as tropelias do governo uruguaio na nossa fronteira irritaram de tal modo os gaúchos que estes exigiram uma reação, ameaçando até com secessão se o Brasil não os protegesse, e a última coisa que o Império ia querer era uma nova Revolução Farropiha . Além da justiça da causa sería bem melhor uma pequena intervernção externa. Assim, intervimos e derrubamos o Governo do Uruguai – um dos aliado de Lopez       
     Solano Lopes deve ter sentido que sua coalizão estava em perigo. Seu aliado argentino – Urquiza venderia seus cavalos e sua famosa cavalaria estava a pé e de pouco auxílio lhe serviria. Sentido que  a boa hora estava passando, Lopes iniciou as operações, aprisionando navios brasileiros, invadindo nossa fronteira  Oeste e cruzando sem resistência as províncias de Corrientes e Entre Rios, simpáticas a ele, penetrou no território do Rio Grande. Estes fatos propiciaram uma aliança entre o novo governo do Uruguai e o governo Portenho (da Argentina) com o Império do Brasil.
    Dizer que era uma loucura não seria justo para com nosso inimigo; Lopez tinha o maior e melhor exército do continente e uma forte marinha adequada para o combate fluvial. Ele sabia do maior potencial do Império, mas a Argentina e o Uruguai estavam em clima de guerra civil, sendo que este último estava tão convulsionado que seu presidente – Venâncio Flores, teve que voltar da guerra e foi assassinado  no Uruguai.O exército de Lopez já havia tomado vastas áreas do Mato Grosso, as províncias argentinas de Corrientes e Entre Rio e invadido nossa fronteira no Rio Grande onde esperava uma vitória rápida. Preparara sua Marinha para enfrentar a Marinha Imperial. Então aconteceu a a primeira derrota – Riachuelo, que cortou os suprimentos de suas tropas que haviam invadido o sul do Brasil
      A nossa vitória apesar da primorosa emboscada paraguaia se deveu a inesperada iniciativa do grande Almirante Barroso, abalroando os navios de madeira do  inimigo, tática ultrapassada de séculos, mas tornada eficaz por nossos navios serem de ferro, para enfrentar o mar. De nada adiantou a bem montada armadilha, com baterias de artilharia nas barrancas, balsas artihadas, e milhares de homens prontos para a abordagem no local para onde atraiu a nossa esquadra, certos que ali muitos de nossos navios encalhariam (o que realmente aconteceu).
O resultado da batalha do Riachuelo impediu a navegação paraguaia no rio Paraná inviabilizando o suprimento de suas tropas no Rio Grande, que terminaram por se render. Agora o Paraguai é que teria que se defender e seria melhor por fim a aventura e talvez Lopez o soubesse pois bem que tentou, mas o presidente do Uruguai, em clima de guerra civil, recusou qualquer acordo e sendo proibindo paz em separado a guerra continuou.
O Paraguai estava bem preparado para se defender e havia fortificado toda as vias de acesso (que eram os rios) Os ataques aliados fracassam, o presidente do Uruguai tem que retornar para enfrentar nova revolução e o chefe portenho também retorna à sua Pátria com parte do se exército. Permanecemos num impasse vantajoso ao Paraguai até que o gênio de Caxias desbordou as fortificações, o que decidiu a vitória . 
O resto da História é bem conhecido e não necessita de interpretações.Geopoliticamente se verifica que as circunstâncias mudam e são por vezes  completamente modificadas pela sorte das armas, e que no caso estudado assinala-se a vitória de Riachuelo -uma surpresa com o uso improvisado de um material disponível e a passagem pelo chaco, considerado intransponível para um exército Bem, não foi a primeira vez nem seria a última que um exército vence uma batalha desta forma.

GF