MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

terça-feira, 13 de junho de 2017

Morre vítima de terrorismo no Brasil. O autor do texto foi agente da KGB, Ancelmo Gois. Deveria escrever na Voz Operária.

Aos Kamaradas
O texto abaixo foi publicado hoje em averdadesufocada.com.
Acrescento que esse cara, que hoje tem uma coluna de fofocas no jornal O GLOBO, recebeu treinamento na Escola do Konsomol, na União soviética.
Deveria, portanto, estar escrevendo, no máximo, na Voz Operária, do PCB, ou na Classe Operária, do PC do B.
Azamba

Ex-jogador que morreu ontem ficou famoso ao perder a perna em atentado terrorista

Detalhes
Categoria: Luta armada
 Criado: 01 Junho 2017
 Acessos: 17
Ex-jogador que morreu ontem ficou famoso ao perder a perna em atentado terrorista
POR ANCELMO GOIS
 O Globo - 30/05/2017 10:00
O Canhão do Arruda
Faleceu, ontem, em Pernambuco, Sebastião Tomaz de Aquino, 85 anos, o Canhão do Arruda. Ele ganhou o apelido por ter sido um dos famosos artilheiros do Santa Cruz, do Recife.
Mas...
Seu nome ganhou as manchetes em 25 de julho de 1966, quando teve uma perna amputada após a explosão de uma bomba no Aeroporto de Guararapes (PE), num ato terrorista da Ação Popular, de esquerda. No atentado, morreram o jornalista Edson Regis de Carvalho e o almirante Nelson Gomes Fernandes.
O alvo era a comitiva de Costa e Silva, então ministro do Exército e já escolhido para suceder.
Observação do site www.averdadesufocada.: Ancelmo Góis, aliviando para a sua ideologia, omitiu o nome do mentor e dos autores do crime e o fato de que mais 15 pessoas ficaram feridas gravemente, além de Sebastião Tomaz de Aquino, do General Silvio da Silva , então coronel  e de uma criança.
Se quiser conhecer mais detalhes, faça buscas no site , colocando em busca atentado a Guararapes ou leia no livro A Verdade Sufocada - a história que a esquerda não quer que o Brasil conheça - 13ª ed.- o capítulo " As sete bombas que abalaram Recife"
Os dias eram assim , atentados a bomba , assaltos, assassinatos de civis e militares, ataques a rádio patrulhas da polícia , carros incendiados, sequestros de diplomatas e aviões , emboscadas, o verdadeiro caos  provocado pelas organizações terroristas cujos membros passaram a ser "vendidos " pela doutrinação como " inocentes estudantes , heróis que lutavam pela liberdade ". A Globo continua com a doutrinação vergonhosa, omitindo os crimes  que os " meninos" praticavam antes mesmo do AI-5.


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TERRORISMO: 
DE GUARARAPES A BOSTON
Félix Maier 

05/06/2013

Em 15 de abril de 2013, houve um covarde atentado terrorista em Boston, ocorrido ao final de uma maratona, com explosões de duas bombas caseiras feitas com panelas de pressão recheadas de rolamentos de esferas de aço. O vil ato foi perpetrado por dois irmãos de origem chechena, Tamerlan Tsarnaev, de 26 anos, e Kzhokhar, de19. O terror deixou três mortos e centenas de feridos, entre os quais dezenas de pessoas que tiveram membros amputados. Caçados pela polícia americana, o mais velho foi morto em uma troca de tiros, enquanto que o mais novo foi baleado e preso. 


Nota: Texto publicado no jornal INCONFIDÊNCIA, Belo Horizonte, nº 190 – Maio/2013, pg. 3. Veja fotos do massacre em Boston clicando em https://www.google.com.br/search?q=atentado+boston&tbm=isch&tbo=u&source=univ&sa=X&ei=xuOtUfDFBqby0wGItYDoBA&ved=0CEoQsAQ&biw=1173&bih=523. Leia o depoimento de Orlando Lovecchio Filho em www.youtube.com/watch?v=c8rJUr2_Xf8



Em 15 de abril de 2013, houve um covarde atentado terrorista em Boston, ocorrido ao final de uma maratona, com explosões de duas bombas caseiras feitas com panelas de pressão recheadas de rolamentos de esferas de aço. O vil ato foi perpetrado por dois irmãos de origem chechena, Tamerlan Tsarnaev, de 26 anos, e Kzhokhar, de 19. O terror deixou três mortos e centenas de feridos, entre os quais dezenas de pessoas que tiveram membros amputados. Caçados pela polícia americana, o mais velho foi morto em uma troca de tiros, enquanto que o mais novo foi baleado e preso.

O motivo alegado pelo terrorista sobrevivente foi a ingerência dos EUA no mundo muçulmano, os quais, a título de combater o terrorismo islâmico, promoveram guerras cruentas contra o Afeganistão e o Iraque.

O ataque em Boston nos faz lembrar do ataque terrorista perpetrado em 25 de julho de 1966 no Aeroporto de Guararapes (Recife) por membros ligados à Ação Popular.. O alvo era o presidente Costa e Silva, que se salvou porque não desembarcou no Aeroporto, como estava previsto. O saldo do terror brasileiro, o primeiro de muitos outros durante o governo dos generais-presidentes, deixou dois mortos, o jornalista Edson Régis de Carvalho e o almirante Nelson Gomes Fernandes, além de quinze feridos graves. Como em Boston, algumas vítimas tiveram membros amputados, a exemplo do ex-jogador de futebol Sebastião Thomaz de Aquino, o “Paraíba”, que perdeu uma perna, e o então tenente-coronel, hoje general reformado, Sylvio Ferreira da Silva, que sofreu amputação dos dedos da mão esquerda, além de graves ferimentos na coxa. A carnificina só não foi maior porque as cerca de 300 pessoas que aguardavam a chegada de Costa e Silva se dispersaram depois que os alto-falantes do Aeroporto informaram que ele não mais viria.

O mentor intelectual do atentado em Guararapes foi o então padre Alípio de Freitas. O executor foi Raimundo Gonçalves de Figueiredo. A Comissão de Mortos e Desaparecidos concedeu uma indenização acima de 1 milhão de reais ao padre assassino, além de lhe conceder uma pensão vitalícia, sem pagar imposto de renda. Figueiredo foi morto pela polícia do Recife em 1971, quando pertencia ao grupo terrorista VAR-Palmares, que teve em seus quadros a presidente Dilma Rousseff. Hoje, Raimundo Gonçalves de Figueiredo é nome de rua em Belo Horizonte.

A propósito, um dos objetivos do vergonhoso Plano Nacional de Direitos Humanos - 3 é substituir nomes de logradouros públicos, de militares e agentes de Estado que combateram o terrorismo no Brasil, por personalidades esquerdistas. O objetivo desses patifes é reescrever a história recente do Brasil, de modo a diabolizar os militares e enaltecer os terroristas. Assim, não será surpresa se a Rodovia Castello Branco mudar seu nome para Rodovia Carlos Lamarca e a Ponte Costa e Silva (Rio-Niterói) para Ponte Betinho. Eu sugiro que a Marginal Tietê tenha o nome de Marginal Lula, o Chefe do Mensalão petralha.
Outro atentado cometido por terroristas brasileiros de esquerda foi contra o QG do então II Exército, em São Paulo, no dia 26 de junho de 1968. Terroristas da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) de Carlos Lamarca e Dilma Rousseff explodiram um carro repleto de bombas, matando o recruta Mário Kozel Filho, que teve seu corpo totalmente dilacerado. Ficaram gravemente feridos o coronel Eldes de Souza Guedes e os soldados João Fernandes de Souza, Luiz Roberto Juliano, Edson Roberto Rufino, Henrique Chaikowksi e Ricardo Charbeau. Era o lema de Carlos Marighella levado às últimas consequências, preconizado em seu Minimanual do Guerrilheiro Urbano: ”O terrorismo é uma arma a que jamais o revolucionário pode renunciar. Ser assaltante ou terrorista é uma condição que enobrece qualquer homem honrado”É disso também que Dilma Rousseff se orgulha até hoje, já que por várias vezes repetiu que não se arrepende de nada o que fez nos grupos terroristas em que atuou. Ainda que ela tenha apenas servido cafezinho aos camaradas d'armas, suas mãos estão tingidas de sangue inocente.

Outro ato terrorista da VPR foi cometido em frente ao consulado dos EUA em São Paulo, no dia 19 de março de 1968. Orlando Lovecchio Filho, então com apenas 22 anos, perdeu uma perna, simplesmente porque estava no lugar errado e na hora errada. Durante muitos anos, Lovecchio foi suspeito do atentado. O verdadeiro autor foi o multiassassino Diógenes José Carvalho de Oliveira (que hoje atende pelo apelido de “Diógenes do PT”). Diógenes recebeu uma indenização de 400 mil reais, além de pensão vitalícia, enquanto Lovecchio recebe uma irrisória pensão mensal.

A VPR cometeu outro bárbaro assassinato no dia 12 de outubro de 1968, em São Paulo. A vítima foi o capitão norte-americano Charles Rodney Chandler, considerado pelos terroristas como agente da CIA no Brasil, que estaria assessorando a “repressão” militar. Na verdade, ele apenas estava realizando um curso na Escola de Sociologia e Política da Fundação Álvares Penteado. Um dos algozes foi o multiassassino Diógenes do PT, também envolvido em maracutaias durante o governo petista de Olívio Dutra, no Rio Grande do Sul.

Atualmente, o terrorismo continua proliferando abertamente no Brasil, com o apoio das autoridades do poder central. Como exemplo, podemos citar o MST, que promove o esbulho no campo, com incêndio de benfeitoiras e equipamentos agrícolas, além de sequestro e manutenção em cárcere privado de proprietários rurais, com ameaças de morte. Em São Paulo, em 2006, e no Rio de Janeiro, em 2010, presenciamos uma onda de atentados, com dezenas de ônibus incendiados e ataques contra policiais e delegacias de polícia, e com o “toque de recolher” imposto pelos bandidos. Em 2012 e 2013, o mesmo ocorreu em Santa Catarina, com inúmeros carros e ônibus incendiados.

Em 2012, pelo menos uma centena de policiais militares de São Paulo foi morta pela bandidagem, caçados e mortos apenas por serem PMs, configurando acabado ato de terrorismo contra o Estado Democrático de Direito. O governador não foi a um único enterro, para apoiar moralmente as famílias enlutadas. Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos, também não, ainda que tenha se “preocupado” com a morte de alguns mendigos em Goiânia.

Lembramos que a presidente Dilma Roussef enviou mensagem ao presidente dos EUA, Barack Obama, lamentando o atentado terrorista de Boston. Haja cinismo!

E no dia 13 de maio, por ocasião da visita do presidente da Alemanha, Joachim Gauck, ao Brasil, solicitou a colaboração do governo alemão para os trabalhos da Comissão Nacional da Verdade, que apura as violações aos direitos humanos cometidos de 1946 a 1988. É preciso ter muito cinismo, pois ela era integrante das duas organizações terroristas que praticaram crimes contra cidadãos alemães, a saber:

- O assassinato do Major Alemão Edward Ernest Tito Otto Maximilian von Westernhagen, aluno da ECEME (Escola de Comando e Estado-Maior do Exército), ocorrido na Gávea, Rio de Janeiro, a 01 de julho de 1968, por ter sido confundido com o Major Gary Prado do Exército Boliviano, responsável pela morte de Che Guevara. Autores: João Lucas Alves - morto, Severino Viana Collon - morto e mais um terceiro militante, até hoje não identificado, todos do Comando de Libertação Nacional (Colina), ao qual pertencia "Estela" (Dilma Rousseff).
- O sequestro do embaixador Ehrenfried Von Holleben, ocorrido no Rio de Janeiro, em Santa Tereza, a 11 de junho de 1970, executado por nove terroristas da VPR, deixando um morto, o agente da Polícia Federal Irlando de Souza Régis e dois feridos gravemente. O embaixador foi trocado por 40 militantes, banidos para Argélia, dos quais, 20 eram integrantes da VPR, sendo liberado na noite de 16 de junho.

Como Dilma Rousseff integrava essas duas organizações, Colina e VPR, ela mesma seria a pessoa mais indicada para prestar declarações à Comissão da Verdade e ao governo da Alemanha...

Convém ressaltar que a quase totalidade dos atentados terroristas acima citados ocorreram antes da promulgação do AI-5 (13/12/1968). Portanto, o endurecimento dos governos militares foi em consequência da violência esquerdista, não o contrário, como mentem os terroristas.

Por que, afinal, o governo não implementa uma lei antiterrorista no Brasil, especialmente nestes tempos quando acontecerão grandes eventos, como a Copa das Confederações, a Jornada Mundial da Juventude, a Copa do Mundo e as Olimpíadas no Rio? Ora, é pedir demais ao atual governo petista, composto por antigos terroristas, que apoiam incondicionalmente regimes propagadores do terrorismo, como Cuba, Coréia do Norte e o Irã. Afinal, o próprio MST se considera “braço armado do PT”.

Assim, está explicado por que o governo Dilma Rousseff pretende “importar” 6 mil médicos cubanos. Como denunciou a revista Veja, para cada grupo de 5 médicos, virá um espião em acréscimo. Isso já ocorre na Venezuela desde Hugo Chávez. É o Foro de São Paulo se consolidando de vez na América Latina.


Leia os textos de Félix Maier acessando:

Mídia Sem Máscara - http://www.midiasemmascara.org/  
Piracema - Nadando contra a corrente - http://felixmaier.blogspot.com/
Piracema II - Nadando contra a corrente – http://felixmaier1950.blogspot.com/
  
Leia as últimas postagens de Félix Maier em Usina de Letras clicando em 
http://www.usinadeletras.com.br/exibelotextoautor.php?user=FSFVIGHM 

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Escola do Komsomol


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I.S. Azambuja

Depoimentos de jovens que cursaram a Escola do Komsomol acabam com o mito de que o Partido Comunista da União Soviética era contrário ao terrorismo e à guerrilha, e que ministrava aos militantes dos partidos irmãos apenas treinamento político-ideológico. O jornalista Ancelmo Gois, de O Globo, que o diga... pois ele conhece bem a Escola do Komsomol, da qual foi aluno (Fonte: Jornal da ABI, n° 343, julho/2009, pp. 20-25)

Komsomol: Liga da Juventude Comunista Leninista.
Organização soviética responsável por recrutar jovens entre 14 e 28 anos e doutriná-los com a ideologia comunista” (essa definição é um mito, pois o Komsomol também ministra treinamento armado).

A partir de 1953, o Partido Comunista da União Soviética passou a ministrar cursos, em Moscou, a militantes do PCB. Cursos de treinamento militar e condicionamento político-ideológico. O último desses cursos foi em 1990, quatro anos após terem sido implantadas por Gorbachev as políticas de perestroika e glasnost.

Cerca de 700 militantes foram treinados na “Escola de Quadros”, como era mais conhecido o Instituto de Marxismo-Leninismo do PC Soviético, e na Escola do Komsomol (Juventude do PCUS), em cursos cuja duração variavam de 3 meses a 2 anos.

Cerca de 1.300 outros brasileiros concluíram cursos superiores na Universidade de Amizade dos Povos Patrice Lumumba e em outras universidades soviéticas, em cujo currículo sempre constou a matéria marxismo-leninismo. Até mesmo em cursos de balé. As matrículas na UAPPL sempre foram efetuadas através da Seção de Educação do Comitê Central do PCB e também através do Instituto Cultural Brasil-URSS, um apêndice do PCB. Algumas dessas pessoas, no regresso ao Brasil, passaram a trabalhar em empresas estatais e, pelo menos um, formado em Medicina, como Oficial das Forças Armadas, nos anos 80.

Filhos e parentes próximos de dirigentes encastelados nanomenklatura do partido constituíram a maioria desses 1.300 brasileiros, pois sempre foram privilegiados para estudar, gratuitamente, na pátria do socialismo e em países do Leste-Europeu. Inúmeros exemplos podem ser dados, de filhos de dirigentes aquinhoados com bolsas-de-estudo nesses países. (Histórias quase Esquecidas, Carlos Ilich Santos Azambuja; Mídia Sem Máscara, 14 de fevereiro de 2003).

Os depoimentos dos dois jovens abaixo, que cursaram a Escola do Komsomol, põem por água abaixo o mito de que o Partido Comunista da União Soviética era contrário ao terrorismo e à guerrilha e ministrava aos militantes dos partidos irmãos apenas treinamento político-ideológico.

Um desses jovens, no regresso, assim narrou sua experiência naEscola do Komsomol:

“Iniciei meu curso no Komsomol em fins de 1975. Na parte mais interessante do mesmo, denominada Educação Patriótica Militar, foi ensinado o manejo armado de fuzil 22, pistola 22 automática, fuzil-metralhadora de distintos modelos, lança-foguetes anti-tanque, etc. Depois nos levaram a uma Unidade do Exército Soviético, uma Divisão de Tanques, cujo funcionamento nos foi explicado detalhadamente, inclusive com uma exibição de manobras. Também, como parte dessa matéria, visitamos uma fábrica de armas. Finalizando nossa preparação, participamos de uma simulação de ataque aéreo em uma cidade, que começou com o bombardeio da mesma. Depois, em simulação de ofensiva, em grupos de 10 homens, efetuamos a tomada de um povoado, tomando posição nos lugares principais.

Simultaneamente, nos ensinaram conhecimentos militares teóricos mediante diversos filmes didáticos. As películas referiam-se a operações de guerrilha como, por exemplo, desembarque em praias.

Explicaram, mediante audiovisuais, as dificuldades e soluções de problemas concretos, como o caso do desembarque na praia Girón (Cuba), operativos de guerra de guerrilhas na II Guerra Mundial, etc.

Os soviéticos nos resguardavam não carimbando os passaportes na chegada à União Soviética e aplicando outros carimbos falsos. Tinham vários, como por exemplo um que aplicaram em meu passaporte, assinalando meu ingresso na Suíça desde a Itália, que eu jamais realizei.

Ao chegar ao Brasil nos deram instruções sobre o trabalho clandestino, principalmente indicando-nos que ante nenhum companheiro deveríamos exibir os conhecimentos aprendidos na URSS, mas logo fui preso”.

Um outro jovem comunista deu as seguintes informações a respeito de seu treinamento na Escola do Komsomol:

“Jovens comunistas da França, Alemanha Federal, Argentina, Chile, Brasil, Paraguai, Uruguai e vários países da América Central, bem como de outros continentes recebem nessa Escola instrução militar intensiva para atuar em ações de guerrilha e em operações de terrorismo e sabotagem. Viajei em julho de 1973 para a RDA, acompanhado de outros jovens militantes. Nossa primeira missão era a de participar do Encontro da Federação Mundial da Juventude Democrática. Assim o fizemos até o mês de agosto. Depois, um grupo mais reduzido viajou a Moscou, por trem, lá chegando na manhã de 8 de agosto.

Ali tomamos contato com funcionários soviéticos que nos indicaram que iríamos participar de um curso intensivo na Escola Superior do Komsomol. Nessa mesma reunião, os funcionários ficaram com nossos passaportes, entregando-nos um documento provisório, com nomes falsos, que deveria ser utilizado durante nossa permanência em Moscou. Nos explicaram que isso se devia a razões de segurança e, no ano seguinte, quanto terminou a instrução e empreendemos o regresso, nos devolveram os passaportes com sinetes falsos das aduanas da França, Itália e Suíça. Nesse mesmo dia, nos obrigaram a devolver a documentação falsa e todos os textos e apontamentos referentes ao aprendizado, bem como revistaram nossa bagagem, arrancando as etiquetas e marcas soviéticas das roupas. Alguns companheiros, todavia, conseguiram esconder fotos e pequenos objetos, violando as normas de segurança.

O treinamento constou das seguintes matérias, teóricas e práticas: Economia Política, História do PCUS, Movimento Comunista Internacional, História do Komsomol e Educação Patriótica e Militar.

O curso de Educação Patriótica e Militar incluía as técnicas de guerrilha e, concretamente, organização de grupos, disposição de marchas, inspeção de armamento, cercos, saídas dos cercos, técnicas especiais de guerrilha rural e urbana, etc. A insurreição propriamente dita, isto é, sabotagem, ação de franco-atiradores, corte de energia e tomada de pontos estratégicos. Outra parte importante era o ensino do trabalho clandestino, onde se aprendem normas sobre o funcionamento de setores clandestinos do Partido Comunista, problemas de seguimentos, nomes códigos, etc. A Educação Patriótica incluía também audiovisuais – documentários e outros especialmente filmados para o treinamento teórico.

Os cursos militares consistiam em longas horas de treinamento no polígono de tiro com variados tipos de armas, montagem e desmontagem das mesmas. O instrutor era um alto oficial soviético que havia estado no Caribe durante a crise dos mísseis, em 1961.

Em fevereiro, quando terminou o curso, fizemos uma viagem pela URSS e chegamos de volta em abril de 1974.

A Escola do Komsomol, onde ficamos alojados, ocupa um amplo prédio de uns 250 por 300 metros, cujo endereço é E II Moscou Vekacha. A Escola consta de vários edificações. O Bloco G, o maior, de uns nove andares, é ocupado pelos alunos soviéticos e dos países europeus, com instalações confortáveis. O Bloco C, com dois andares, é onde residem os latino-americanos e funcionam os correios e a enfermaria. O Bloco X é o edifício central da Escola, com a direção, salas de administração, salão de atos, sala de projeções, biblioteca e tesouraria (que faz o pagamento mensal aos alunos). Bloco A: no térreo funcionam os serviços de identificação e segurança, e os andares restantes são destinados aos estudantes cubanos que fazem cursos mais prolongados, com três anos de duração. O Bloco B é destinado ao alojamento dos alunos procedentes de países comunistas, árabes e africanos. O Bloco V é o alojamento dos funcionários e do corpo docente. No Bloco E, com três andares, ficam as 15 salas de aula, sala de estudos e cafeteria, e o Bloco H serve de alojamento dos funcionários e guardas da Escola.

As instalações se completam com um polígono de tiro, onde se faz a prática do treinamento militar.

Quando fiz o curso, a população do Komsomol estava composta por uns 120 alunos de países europeus, 80 latino-americanos, 40 asiáticos, 50 africanos e 40 cubanos”.

É importante assinalar que não apenas a União Soviética, mas também a então RDA, China e Cuba capacitaram militarmente militantes comunistas de distintos países para atuar em operações insurrecionais em suas pátrias, guerra de guerrilhas ou ações de terrorismo. No Brasil, os militantes das organizações voltadas para a luta armada, mandados treinar em Cuba, eram selecionados de acordo com as instruções recebidas do Departamento América (órgão de Inteligência do Comitê Central do Partido Comunista Cubano)”.

A propósito, eis o que declarou um dos militantes treinados em Cuba:

Em 1967 chegamos a Cuba, via Praga, com documentação falsa fornecida pela embaixada de Cuba nessa cidade. Ao chegar à Checoslováquia nos instalaram em um hotel. De Praga a Cuba viajamos em duas turmas pela Cubana de Aviación, com escalas na Islândia e Canadá. Em Havana fomos recebidos por uma pessoa que utilizava o codinome de “Fermin” (observação: “Fermin Rodriguez”, nome utilizado pelo então Major Fernando Ravelo Renedo que posteriormente, já como Coronel, foi embaixador de Cuba na Colômbia e depois na Nicarágua). Nos alojaram em uma casa no bairro de Siboney, onde ficamos cerca de um mês e meio. Durante 15 dias percorremos toda a Ilha e depois, nessa mesma casa de Siboney, fizemos diversos testes e exames físicos.

O curso foi iniciado na segunda quinzena de agosto de 1967. Fomos transportados para a Província de Pinar Del Rio e nos alojaram na zona rural em uma barraca de madeira com teto de zinco. Existiam outras duas barracas similares, completando as instalações que, intencionalmente, eram precárias. Uma das barracas servia de alojamento para os instrutores e a outra servia de refeitório e aulas. As aulas eram ministradas por um instrutor com dois ou três auxiliares, todos oficiais do Exército cubano.

A vida ali era muito ativa e tinha início às 5:30 da manhã, com o café e limpeza dos barracões. Às 8 horas tinham início as aulas teóricas: Tática, a cargo do Tenente Serôa, que consumia a maior parte do tempo, incluía marchas, acampamentos, ataque, defesa, etc; Armamento e Tiro, com montagem e desmontagem de diversos tipos de armas, como fuzil Springfield, Mauser, Fal, submetralhadora Thompson, M3, U21, MP40, metralhadoras ponto 30 e 50 e morteiros de 30 mm; Saúde: noção e prática de primeiros socorros; Explosivos, com estudos sobre o TNT soviético e norte-americano e explosivos plásticos norte-americanos C3 e C1, mechas e detonadores; Topografia, com leitura de cartas, curvas de nível, uso de bússolas e orientação no terreno; e Política, que consistia em aulas de marxismo-leninismo e história de Cuba.

A fase prática consistia em manobras nas imediações da Escola, práticas de tiro em polígono e, finalmente, uma marcha de 20 km durante 15 dias, ocasião em que se buscou pôr em prática tudo o que havia sido ensinado.

Terminado o curso de guerrilha rural, nos enviaram a um canavial e nos obrigaram a cortar cana de açúcar durante uma quinzena. Posteriormente também trabalhamos em um cafezal.

A seguir nos ministraram outro curso, este de guerrilha urbana, que consistia em defesa pessoal e karatê, fotografia, táticas de guerrilha urbana, informação e contra-informação, esconderijos, seguimentos, interrogatórios, etc.”.

Os militantes do PCB, para cursos de luta armada na URSS ou RDA, eram selecionados pela Seção de Educação do partido e seus nomes entregues ao “referente” (como era chamado o membro do Departamento de Relações Internacionais do PCUS, responsável pela assistência política ao PCB). E os militantes do Partido Comunista do Brasil e da Ação Popular, que foram mandados, respectivamente, no início de 1964 (ainda no governo Jango) e em meados da década de 60, receberem treinamento armado na Academia Militar de Pequim, os entendimentos ocorreram de partido para partido, ou seja, do PC do B e da AP com o Partido Comunista Chinês.

Um pouco de História não faz mal a ninguém.


Carlos I.S. Azambuja é Historiador.