MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

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Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

terça-feira, 13 de junho de 2017

A Inteligência Artificial e o Direito

A Inteligência artificial e o Direito

Como a computação cognitiva impactará nas atividades dos profissionais do Direito.


Alexandre Atheniense, Advogado
Publicado por Alexandre Atheniense
A Inteligncia artificial e o Direito
A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E O DIREITO
Como a computação cognitiva impactará nas atividades dos profissionais do Direito
Alexandre Atheniense
RESUMO
A inteligência artificial, ou computação cognitiva, é a tecnologia que torna uma máquina capaz de tomar decisões baseadas nas informações por ela processadas e nas experiências anteriores, em constante autoaprendizado, de forma semelhante ao que acontece no cérebro humano. Dessa forma, ela muda a relação e o nível de interação das pessoas com a informação digital, além de poder trazer amplas implicações para a vida em sociedade e para as atividades de empresas e negócios. Atualmente, o uso da inteligência artificial tem se transformado em um serviço, com a pretensão de ser oferecido em larga escala para atender às diferentes necessidades dos clientes, de diferentes setores e perfis, dentre eles o setor jurídico. Atingindo principalmente os escritórios de advocacia, mas também órgãos públicos e outros setores, a inteligência artificial pode alavancar os negócios e aumentar a produtividade do trabalho jurídico. Além disso, o uso da computação cognitiva nos leva a repensar a nossa concepção do Direito, inclusive em suas áreas mais clássicas. Isso sem falar na abertura de debates profundos sobre a eticidade das relações homem-máquina e suas implicações jurídicas. Este artigo pretende demonstrar a aplicabilidade da inteligência artificial no âmbito jurídico, demonstrando os casos já existentes e o espaço que pode ainda ser por ela abarcado, além de trazer discussões sobre suas implicações.
Palavras chave: inteligência artificial, computação cognitiva, advocacia, direito digital, tecnologia da informação, robô advogado, Watson, Ross.
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A computação cognitiva é o nome de uma tecnologia que dá a computadores e equipamentos relacionados a capacidade de reter informações, analisá-las e agir a partir delas sem a necessidade de serem programadas para isso.
Essa habilitação ocorre em razão do sistema cognitivo das máquinas, que usam uma tecnologia capaz de processar informações, aprender com elas e melhorar o seu desemprenho, sem a necessidade de intervenção humana. Por meio desse sistema, um computador é capaz de tomar decisões baseadas nas informações por ele processadas e em experiências anteriores, o que implica em constante melhoramento e auto aprendizado de forma semelhante ao que acontece no cérebro humano.
Essa tecnologia muda a relação e o nível de interação das pessoas com a informação digital, além de poder trazer amplas implicações para a vida em sociedade e para as atividades de empresas e negócios.
O uso da inteligência artificial tem ampliado a sua funcionalidade e transformado num serviço, com a pretensão de ser oferecido em larga escala para atender às diferentes necessidades dos clientes, de diferentes setores e perfis.
Por consequência estes serviços atingiram também o setor jurídico, principalmente os escritórios de advocacia[1], que vem se utilizando de inteligência artificial para alavancar os negócios e aumentar a produtividade.
Nesse contexto, os sistemas de inteligência artificial superam os simples mecanismos de buscas ou pesquisa tradicionais e não se confundem com os programas de gestão de processos e negócios, já comuns há algum tempo, nesta atividade.
Na inteligência artificial, os computadores por intermédio de um software específico exerce uma atividade cognitiva, ou seja, de contínuo aprendizado no sentido de coletar, processar, pesquisar, analisar semanticamente o conteúdo, compreendendo-o, e realizando tarefas a partir das informações obtidas a partir desse processo, como classificar e apresentar perspectivas de resultados práticos, como sugestões de ação ou tomada decisões.
No âmbito jurídico, isso vem sendo utilizado de várias formas, funcionando como um assistente virtual da equipe de profissionais, propiciando no processo de captação de dados e análise de documentos de diversas fontes de consulta tais como legislação, artigos doutrinários, jurisprudência buscas que revelam tendências com rapidez e eficiência podendo abarcar inclusive outras atividades jurídicas[2].
Fato é que o mundo jurídico brasileiro é fonte geradora de um grande volume de dados diários, que constitui verdadeiro big data, ou seja, termo utilizado para designar grande volume e variedade de dados grandes ou complexos, estruturados e não estruturados, oriundos de uma diversidade de fontes e em velocidade sem precedentes[3].
Nos dias de hoje milhares de novos documentos jurídicos são produzidos em nosso país, a partir de documentos trazem informações importantes para os profissionais da área, pois revelam precedentes, argumentos jurídicos e posicionamentos de um determinado magistrado ou Tribunal que influem diretamente no resultado e na eficácia do trabalho do profissional da área jurídica.
Isso porque a atualização do advogado quanto às matérias que estão sendo discutidas nos Tribunais, no Legislativo e no Executivo, por exemplo, bem como quanto às novas correntes e publicações jurídicas, estão diretamente ligadas à eficácia e à qualidade do seu trabalho.
Assim, a análise eficiente e rápida dos documentos produzidos e das informações que eles contem é crucial no âmbito jurídico, por isto é uma demanda que pode ser suprida pela computação cognitiva.
O volume e a velocidade com que as informações são criadas e disponibilizadas, somados com a incapacidade humana de ter acesso total e eficiente ao seu conteúdo fazem do âmbito jurídico um campo interessante para a expansão dessa tecnologia.
Segundo Andrew Arruda[4], a pesquisa jurídica toma cerca de 20% do tempo médio das atividades de um advogado, elevando os valores dos seus honorários e tornando a advocacia um serviço restrito a somente uma parte da sociedade. Segundo ele, há uma necessidade latente de democratização da Justiça, que pode ser suprida pela inteligência artificial.
A utilização de computação cognitiva na advocacia já é realidade em alguns grandes escritórios dos Estados Unidos. Baseado na tecnologia Watson, o robô-advogado Ross é um exemplo de aplicabilidade da computação cognitiva no ramo jurídico e funciona como uma fonte de consulta avançada, capaz de responder perguntas dos colegas como uma espécie de biblioteca virtual e adquirindo conhecimento, progressivamente, à medida que se relaciona com os “colegas” advogados[5].
O robô-advogado possui uma capacidade de armazenamento hábil a arquivar toda a legislação, jurisprudência, precedentes, citações e qualquer outra fonte de informação jurídica estadunidense, além da capacidade diária de atualização do conteúdo armazenado[6].
A partir dessas informações e da capacidade de cognição de geração de dados a partir delas, Ross se torna importante ferramenta para auxiliar os advogados em suas atividades diárias, gerando respostas com fundamentação e sugerindo soluções jurídicas para os casos:
[...] a inteligência artificial é bem adaptada para analisar o significado dessa questão e procurar respostas em vários bilhões de documentos. O sistema analisa o significado e as relações entre palavras para entender os conceitos legais que eles formam. Para cada resposta, o sistema mostra o nível de confiança que tem sua resposta possui (tradução nossa)[7].
Esse tipo de pesquisa semântica não seria possível sem o advento da computação cognitiva, uma vez que os sistemas de pesquisas tradicionais, baseados em palavras-chaves, não são capazes de produzir os mesmos resultados. Segundo Ovbiagele:
“As tecnologias existentes, como a pesquisa por palavras-chave, fazem pouco sentido diante do volume, variedade, velocidade e veracidade dos dados legais. A capacidade de computação cognitiva da Watson habilita a inteligência de ROSS [...] ROSS pode não só classificar mais de um bilhão de documentos de texto a cada segundo, como também aprender com os feedbacks e ficar mais inteligente ao longo do tempo. Dito de outra forma, ROSS e Watson estão aprendendo a entender a lei, não apenas traduzir palavras e sintaxe em resultados de pesquisa. Isso significa que ROSS só se tornará mais valioso para seus usuários ao longo do tempo, proporcionando grande parte do trabalho pesado que foi delegado a todos aqueles infelizes associados (tradução nossa)[8].”
No JPMorgan, um dos maiores bancos norte-americanos, um programa chamado COIN (Contract Intelligence) está sendo usado para analisar acordos financeiros de empréstimo comercial, atividade que normalmente consumia 360 (trezentos e sessenta) mil horas de advogados por ano e é realizada pela máquina em segundos, com menor propensão a erro[9].
O COIN, que extrai dos documentos armazenados informações que o permitem identificar padrões e relacionamentos, permite que o banco reduza os erros de manutenção de empréstimos, cuja maior parte é resultante de erro de interpretação humano[10].
Com atuação parecida, a empresa NexLP usa inteligência artificial para analisar dados e identificar tendências, transformando-as em histórias, mesmo a partir de informações desestruturadas[11].
Outra plataforma criada para revisão automatizada de contratos é o LawGeex, criada em 2004 pelo advogado comercial Noorie Bechor. Pela plataforma, os seus clientes - em sua maioria departamentos jurídicos corporativos - enviam um contrato e recebem, em cerca de uma hora, um relatório detalhado indicando cláusulas faltantes e que exigem revisão. Isto significa uma economia de 80% do tempo de revisão e economia de custos[12].
Além dos escritórios de advocacia, já existem em uso alguns serviços da espécie "advogados online", que possuem como funcionalidade o acesso a aconselhamento jurídico por meio de computação cognitiva, com um custo bem mais baixo que os honorários de um advogado, porém de eficiência duvidosa.
Neste exemplo, por meio de um sistema de chat, a máquina fornece respostas para o cliente e sugere soluções com base nas informações obtidas em textos jurídicos e precedentes. Apesar de incipiente, é possível perceber a intenção e tendência de automatização do trabalho jurídico.
Outro programa que utiliza a computação cognitiva para resolver problemas jurídicos é o DoNotPay, um chatbot criado por um rapaz de 19 anos que auxilia motoristas que se sentem injustiçados em relação a multas de trânsito nas cidades de Londres e Nova Iorque.
Esse programa atua principalmente no preenchimento automático dos burocráticos formulários de contestação de multas dessas cidades. O criador da plataforma também pretende desenvolver um software que auxilia os usuários passageiros a pedir compensações pelos atrasos das companhias aéreas, além de uma plataforma para auxiliar refugiados a pedirem asilo político[13].
O uso de dados para previsão de resultados legais também já é realidade. Criado por professores de Direito dos Estados Unidos, um algoritmo é capaz de predizer as decisões da Suprema Corte daquele país em até 70% de precisão[14].
No Brasil, diante da necessidade da análise rápida e eficiente de documentos, principalmente no que diz respeito à atividade contenciosa de massa, visando analisar semanticamente todo o conteúdo de um documento jurídico e, a partir destes dados, fazer análises de probabilidades, comparações com conteúdos de ações simulares, tendências jurisprudenciais e avaliação de situações de fraudes, entre outras necessidades que ocorrem dentro de uma ação judicial.
A proposta é que a plataforma dê suporte a escritórios de advocacia e departamentos jurídicos de empresas e a todo o mercado, funcionando como uma espécie de assistente virtual que torna todo o processo de uma ação mais rápido e eficaz[15].
Diante do big data jurídico, somente com a utilização de robôs torna-se eficientemente possível a extração dos dados sobre os processos em tramitação, identificando novos casos e elaborando estatísticas. Apesar de pesquisas desse tipo já serem realizadas por advogados atualmente, não é possível obter o mesmo nível de confiança nos resultados obtidos, tendo em vista as informações estarem desestruturadas nos sites dos tribunais brasileiros, isso sem falar no tempo e nos recursos despendidos nesse sentido.
Com a obtenção desses dados, a máquina é capaz de sugerir se é mais vantajosa a interposição de um recurso ou uma proposta de acordo, por exemplo, de acordo com o tipo de ação, o valor e a cidade[16]. Também é possível saber de forma mais eficiente o posicionamento de cada juiz ou desembargador em casos semelhantes, quais teses são mais acolhidas, quais juízes arbitram maiores valores de indenização de danos morais, dentre outros[17]. Tendo em vista a força atribuída aos precedentes pelo Novo Código de Processo Civil, esse monitoramento de ações judiciais é altamente recomendável, influenciando diretamente no sucesso dos processos.
O uso da inteligência artificial na advocacia é visto como estratégico pelas sociedades de advogados e departamentos jurídicos, como forma de viabilizar negócios, principalmente no contencioso de massa e de casos repetitivos.
Essa preocupação se refletirá no anuário de 2017 do Centro de Estudos das Sociedades de Advogados (Cesa), que terá como tema a “Inteligência artificial na advocacia – Oportunidades e desafios”, segundo mencionou o presidente da entidade, Carlos José Santos da Silva, na última reunião do centro, em abril[18].
No âmbito das investigações, a Polícia Federal brasileira pretende usar da inteligência artificial para realizar leitura e cruzamento de dados de forma rápida e eficiente. A proposta foi lançada pela Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), que constituiu um grupo de estudos em parceria com a Faculdade de Direito do IDP, em São Paulo, que conta com a participação de grandes especialistas em tecnologia da informação e uso da inteligência artificial cujo objetivo é desenvolver mecanismos que possam acelerar o combate à corrupção, fraudes e crimes cibernéticos. Isso é possível porque os softwares de última geração não apenas compreendem significados de conteúdos dentro dos documentos como também fazem correlações, sendo possível analisar milhares de páginas e estabelecer conexões automaticamente.
No caso das investigações, por exemplo, seria possível analisar contratos para identificar indícios de superfaturamento ou até mesmo elementos de lavagem de dinheiro.
No Ministério Público, um programa de inteligência artificial desenvolvido pela empresa Softplan tem auxiliado os promotores a organizarem e agilizarem o seu trabalho. Denominado de Assistente Digital do Promotor, o software ajuda a dar vazão ao grande volume de processos, além de fornecer análises mais eficientes e objetivas que servirão de base para as acusações e outros trabalhos do Parquet:
Nele, a busca de jurisprudência para fortalecer determinada tese é feita com recursos que chamam a atenção para o nível hierárquico da decisão, levando em conta se ela é recente ou não, o grau de similaridade com o caso concreto, entre outras. Além disso, o sistema identifica padrões em dois níveis. Compara o caso em análise com outros similares que já passaram pela promotoria, e também com registros em bancos de jurisprudência[19].
Como demonstrado, a inteligência artificial possui inúmeras aplicações na área jurídica, assistindo advogados, servidores públicos e até mesmo usuários do serviço jurídico. No entanto, a computação cognitiva pode tangenciar o Direito de outras formas, já que pode criar fatos e consequências que podem gerar algumas preocupações éticas, sociais e jurídicas.
É o exemplo, por exemplo, do @TayandYou, um perfil no Twitter criado pela Microsoft com o objetivo de aprender e aumentar o seu vocabulário ao interagir com adolescentes. No entanto, o perfil foi excluído com menos de 24h no ar, em razão de o perfil ter publicado inúmeros tweets racistas, homofóbicos, misóginos, nazistas, uma vez que absorveu os conteúdos das conversas com seus seguidores[20].
Essas publicações do @TayandYou, por exemplo, podem gerar diversas consequências jurídicas, até então não previstas no Direito. As hipóteses de responsabilização pelos danos causados por uma máquina, a humanos, nos leva a repensar a nossa concepção do Direito, inclusive em suas áreas mais clássicas, como é o caso da responsabilização civil. Isso sem falar na abertura de debates profundos sobre a eticidade das relações homem-máquina, no caso de fórmulas que repliquem preconceitos e discriminações.
Além disso, o desenvolvimento de máquinas com capacidade de busca e análise de dados nas dimensões aqui mencionadas trazem preocupações com a segurança das informações, a proteção da privacidade e intimidade da população, além da possibilidade do surgimento de novas modalidades de crimes cibernéticos.
Assim, é necessário se antecipar aos possíveis problemas causados pela inteligência artificial, colocando "rapidamente na agenda de discussões os impactos negativos e os ajustes necessários, para evitar consequências de grande alcance, pela própria natureza da internet"[21].
Outra preocupação pode se dar com as consequências da substituição do trabalho humano pelas máquinas num ritmo de disseminação exponencial, como vem acontecendo. Isso porque:
Quanto mais rápido surgirem as novas ondas de tecnologia e quanto mais baratas elas forem para serem implementadas, mais ampla será sua difusão, e mais rápida e profunda será a taxa de perda de emprego, com menos tempo de adaptação para as economias[22].
Essa desconfiança não se limita às atividades manuais e que exigem menor qualificação, pois com o desenvolvimento da computação cognitiva, as máquinas são capazes de reter conhecimento e aprender com ele, tomando decisões com base em experiências anteriores e podendo até mesmo agir de forma intuitiva.
Dessa forma, é possível que computadores exerçam atividades de alto nível como intelectuais, por exemplo, e até mesmo de chefia, conduzindo relações e trabalho humano.
Por outro lado, o avanço dessa tecnologia é um processo gradual e pouco previsível, já que depende de muitos fatores para sua efetivação de forma mais ampla, no mercado. Estudos apontam que a computação cognitiva não parece ameaçar tão profundamente o mercado nos próximos anos:
Em janeiro, a consultoria McKinsey divulgou um novo estudo dizendo que, embora quase metade de todas as tarefas possam ser automatizadas com a tecnologia atual, somente 5% dos empregos seriam inteiramente automatizados. Com base nesta definição, a McKinsey estima que 23% do trabalho de um advogado poderá ser automatizado[23].
Esses dados demonstram que é possível que a computação cognitiva desenvolva atividades complementares dentro de cada setor, auxiliando os profissionais no exercício de suas atividades, assessorando-os e tornando o trabalho mais fácil e rápido.
O advogado Alexandre Zavaglia Coelho, coordenador do IDP em São Paulo, não descarta a possibilidade de a tecnologia afetar postos de trabalho de advogados, mas afirma que isso afetará somente aqueles ligados a tarefas repetitivas, ao mesmo tempo em que surgirão diversas outras áreas de atuação, como o direito aplicado às novas relações surgidas a partir da tecnologia (consumidor, penal, trabalhista, civil e responsabilidade civil), direitos fundamentais (privacidade, imagem e informação), jurimetria e gestão de riscos e predição de resultados[24]. Segundo ele, “além disso, há um componente da estratégia profissional que nunca poderá ser substituído por robôs”.[25].
Dessa forma, é possível perceber que o uso da computação cognitiva no âmbito do Direito não é mera especulação, mas uma realidade, com possibilidade de se tornar ainda mais abrangente com o passar dos anos. Por essa razão, é necessário adaptação e abertura por parte dos juristas, no sentido de repensar a configuração de suas profissões, como forma de se adaptar às mudanças mencionadas.
A não adaptação do profissional pode implicar diretamente na (não) sobrevivência do profissional no mercado[26], no sentido em que afirma o autor italiano Renato Borruso, em seu livro Computer e Diritto, publicado em 1989:
"Se o jurista se recusar a aceitar o computador, que formula um novo modo de pensar, o mundo, que certamente não dispensará a máquina, dispensará o jurista. Será o fim do Estado de Direito e a democracia se transformará facilmente em tecnocracia."
É o que demonstra o Canadian Bar Association, no resultado de uma pesquisa realizada em 2014, que constatou que a chave para o exercício de uma profissão jurídica viável, competitiva e relevante é a inovação[27], necessitando de maiores gastos dos escritórios e setores jurídicos com pesquisa e desenvolvimento, abrindo mão da resistência dos profissionais em relação às novas tecnologias.
Além disso, o uso dessa tecnologia acarretará uma pressão pelo aprofundamento das discussões jurídicas que irão advir tendo em vista o acesso a informações cada vez mais estruturadas e sistematizadas, que permitam um conhecimento real sobre o complexo cenário jurídico[28] que se aproxima.

BIBLIOGRAFIA:
[1] BERTÃO, Naiara. Funções típicas de advogados já são feitas por softwares e robôs. Disponível em:. Acesso em 24 de maio de 2017.
[2] MERKER, Julia. Watson entra no setor jurídico. Disponível em:. Acesso em 24 de maior de 2017.
[3]CHEDE, Cezar. Você realmente sabe o que é Big Data? Disponível em:. Acesso em 25 de maio de 2017.
[4] ARRUDA, Andrew. The world’s first AI legal assistant. Disponível no youtube Acesso em 30 de maio de 2017.
[5] MELO, João Ozorio de. Escritório de Advocacia estreia primeiro “robô-advogado” nos EUA. Disponível em:. Acesso em 25 de maio de 2017.
[6] Ibidem.
[7] “[…] artificial intelligence is well-suited to parse out the meaning from this question and look for answers across billions of documents. The system analyzes the meaning and relationships between words to understand the legal concepts they form. For each answer, the system shows the level of confidence it has in its answer”. MEDIUM. How Watson helps lawyers find answers in legal research. Disponível em:. Acesso em 26 de maio de 2017.
[8] “Existing technologies such as keyword search poorly makes sense of the volume, variety, velocity and veracity of legal data. Watson’s cognitive computing capability enables ROSS’ intelligence. [...] Not only can ROSS sort through more than a billion text documents each second, it also learns from feedback and gets smarter over time. To put it another way, ROSS and Watson are learning to understand the law, not just translate words and syntax into search results. That means ROSS will only become more valuable to its users over time, providing much of the heavy lifting that was delegated to all those unfortunate associates”. SILLS, Anthony. ROSS and Watson tackle the law. Disponível em: < https://www.ibm.com/blogs/watson/2016/01/ross-and-watson-tackle-the-law/>. Acesso em 30 de maio de 2017.
[9] BICUDO, Lucas. Robô faz em segundos o que demorava 360 mil horas para um advogado. Disponível em: < https://conteudo.startse.com.br/mundo/lucas-bicudo/software-do-jpmorgan/>. Acesso em 25 de maio de 2017.
[10] Ibidem.
[11] SOBOWALE, Julie. How artificial intelligence is transforming the legal profession. Disponível em:. Acesso em 30 de maio de 2017.
[12] KOHN, Alice. An AI Law Firm Wants to ‘Automate the Entire Legal World’. Disponível em:. Acesso em 26 de maio de 2017.
[13] CAMARGO, Coriolano Almeida; CRESPO, Marcelo. Inteligência artificial, tecnologia e o Direito: o debate não pode esperar! Disponível em:. Acesso em 26 de maio de 2017.
[14] SOBOWALE, Julie. How artificial intelligence is transforming the legal profession. Disponível em:. Acesso em 30 de maio de 2017.
[15] FERREIRA, Wanise. IBM e Finch levam a computação cognitiva para a área juridica. Disponível em:. Acesso em 25 de maio de 2017.
[16] DINIZ, Laura; LEORATTI, Alexandre. Inovação digital – cases sobre o futuro do Direito. Disponível em: < https://jota.info/especiais/inovacao-digital-cases-sobreofuturo-do-direito-27052017>. Acesso em 29 de maio de 2017.
[17] DINIZ, Laura. Quarta Revolução Industrial no Direito. Disponível em:. Acesso em 29 de maio de 2017.
[18] DINIZ, Laura; LEORATTI, Alexandre. Inovação digital – cases sobre o futuro do Direito. Disponível em: < https://jota.info/especiais/inovacao-digital-cases-sobreofuturo-do-direito-27052017>. Acesso em 29 de maio de 2017.
[19] CONSULTOR JURÍDICO. Ministério Público começa a usar inteligência artificial para acusar. Disponível em: < http://www.conjur.com.br/2017-abr-28/mp-comeca-usar-inteligencia-artificial-elaborar-acusacoes>. Acesso em 26 de maio de 2017.
[20] CAMARGO, Coriolano Almeida; CRESPO, Marcelo. Inteligência artificial, tecnologia e o Direito: o debate não pode esperar! Disponível em:.
[21] COELHO, Alexandre Zavaglia Coelho. A judicialização na era da inteligência artificial cotidiana. Disponível em: < https://www.linkedin.com/pulse/judicializa%C3%A7%C3%A3o-na-era-da-intelig%C3%AAncia-artificial-zavag.... Acesso em 30 de maio de 2017.
[22] TAURION, Cezar. IA já chegou. Não a subestime! Disponível em: < https://www.linkedin.com/pulse/ia-j%C3%A1-chegou-n%C3%A3o-subestime-cezar-taurion>. Acesso em 26 de maio de 2017.
[23] LOHR, Steve. Saiba como a inteligência artificial pode ser usada a favor do direito. Disponível em:. Acesso em 26 de maio de 2017.
[24] DINIZ, Laura; LEORATTI, Alexandre. Inovação digital – cases sobre o futuro do Direito. Disponível em: < https://jota.info/especiais/inovacao-digital-cases-sobreofuturo-do-direito-27052017>. Acesso em 29 de maio de 2017
[25] Ibidem.
[26] SALMERÓN, Miriam Guardiola. 10 tecnologías que cambiarán la Abogacía. Disponível em: < http://www.abogacia.es/2017/03/01/10-tecnologias-que-cambiaran-la-abogacia/?lang=es>. Acesso em 30 de maio de 2017.
[27] SOBOWALE, Julie. How artificial intelligence is transforming the legal profession. Disponível em:. Acesso em 30 de maio de 2017.
[28] LIPPE, Paul; KATZ, Daniel Martin. 10 predictions about how IBM’s Watson will impact the legal profession. Disponível em: < http://www.abajournal.com/legalrebels/article/10_predictions_about_how_ibms_watson_will_impact/>. Acesso em 30 de maio de 2017.