MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

terça-feira, 23 de maio de 2017

DIES IRAE (DIA DA IRA)

DIES IRAE (DIA DA IRA)

Osmar José de Barros Ribeiro (*)

Não sou teólogo, sequer estudioso ou conhecedor das Sagradas Escrituras. Sou, apenas e tão somente, um octogenário que aprendeu, com seus pais, o valor do trabalho honesto. Daí, toda a revolta que me assalta ao ver a desonestidade ser recompensada com fortunas roubadas a um povo desassistido de educação, saúde, segurança, transporte decente e, mais que tudo, da oportunidade de crescer com dignidade, sem mendigar favores a políticos que visam, antes e acima de tudo, o poder pelo poder. Pouco me importam as motivações de tais crápulas, seja a implantação de ideologias que nunca deram certo em lugar algum do mundo, seja o vil metal a comprar carrões de luxo, mulheres fáceis ou a fama de santarrões “preocupadíssimos” com os pobres e os miseráveis.
Em sendo assim, entendo a preocupação do Padre Paulo Ricardo em desenvolver seu lúcido raciocínio religioso calcado em hino cujo inspirado autor, Mozart, fala do Dia do Juízo Final:"Esse dia será um dia da ira, dia de angústia e de aflição, dia de ruína e de devastação; dia de trevas e escuridão, dia de nuvens e de névoas espessas, dia de trombeta e de alarme, contra as cidades fortes e as torres elevadas".
Afirma o Padre que “A ‘ira’ de Deus consiste em uma expressão do seu amor, em uma forma de recordar aos homens que suas ações têm consequências. Faz parte da pedagogia de Deus corrigir o homem, enquanto se encontra neste mundo, a fim de que se salve.” Aqui, humilde e contritamente, abalanço-me a crer que apenas um milagre transformaria nossos políticos, nossos adoradores do Bezerro de Ouro, aqueles que buscam o poder pelo poder, em santos homens preocupados em salvar suas almas das penas futuras, sejam elas eternas ou não, consoante as crenças de cada um de nós.
Será que teremos de esperar pelo Fim dos Tempos para ver a Justiça ser feita? Até quando teremos de assistir a doutos advogados, procuradores, juízes, ministros, presidentes e que tais, ganharem verbas indecentes à luz de um salário mínimo que não chega a mil Reais, para não cederam à corrupção e a ela cederem “docemente constrangidos”? É muita mentira! Onde estão os Órgãos do Estado que castigam o pequeno contribuinte com penas severas e, assistem, passiva e tranquilamente, ao turismo de dólares, euros e outras moedas em direção a tranquilos e pacíficos paraísos fiscais?
Não, senhores! Não é mais possível, em nosso País, esperarmos pelo Dia do Juízo Final. Ele não haverá de tardar, eis que o Tempo de Deus não é o nosso. O Dele é longo e o nosso é curto.
Nesse nebuloso e mal explicado episódio, há muitas dúvidas e pouquíssimas certezas. Mas Deus existe e a Justiça da Cidade dos Homens será feita. E sê-lo-á não por bem falantes e melhor remunerados doutores mas por pessoas simples, sem carrões, amantes, fazendas e apartamentos de altíssimo luxo.
Breve, muito em breve, chegará o Dia da Ira. Tremei os culpados pois "Esse dia será um dia da ira, dia de angústia e de aflição, dia de ruína e de devastação; dia de trevas e escuridão, dia de nuvens e de névoas espessas, dia de trombeta e de alarme, contra as cidades fortes e as torres elevadas".

(*) Osmar JB Ribeiro é tenente-coronel do Exército e articulista do jornal Inconfidência (Belo Horizonte, MG).
23 de Maio de 2017
Autorizo a publicação