MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

As origens do ZUM ZARAVALHO

Aos Kamaradas

Carlos Ilich Santos Azambuja
ex-aluno 44-1132


As origens do ZUM ZARAVALHO

"E ao Colégio, tudo ou nada?
Tudo!
Então como é? Como é que é?
Zum, zaravalho, opum, zarapim, zoqüé,
Oqüé-qüé, oqüé-qüé, ZUM!
Pinguelim, pinguelim, pinguelim.
Zunga, zunga, zunga.
Cate marimbáu, cate marimbáu,
Eixáu, eixáu. Colégio!"
 

Uma hipótese !
Teria havido, entre as tribos do Paraguai, grande temor por um soldado brasileiro terrível matador de índios, o soldado Henrique Zaravalho que, no contexto da guerra, dizimava populações indígenas por todo o país. Contam os índios que seus antepassados fugiam desesperados ao verem a figura de Henrique Zaravalho se aproximando. Então, a saudação teria sido criada pelos soldados brasileiros como forma de enaltecer a força e a eficiência do jovem soldado Henrique. Segue-se o que seria uma interpretação da saudação.

Zum Zaravalho opum Zarapi Zoqué, o qué qué, o qué qué. Zum !
Por sua rapidez na hora do ataque, o soldado foi chamado pelos índios de Zum Zaravalho, onde a expressão Zum caracteriza uma onomatopeia, referente à velocidade de Henrique. O termo "opum" no dialeto da tribo significa "esfaquear, ferir com faca", logo, as tribos contam na saudação que Zaravalho esfaqueou o cacique Zarapi e o pajé Zoqué, em um ataque surpresa e veloz, acompanhado dos gritos assustados dos patos e marrecos que, da lagoa próxima, assistiam a tudo. Logo, "o qué qué, o qué qué" também é uma onomatopeia, referente ao som emitido pelos animais. Após o ataque rápido e mortal, Henrique sumiu pela floresta, com extrema velocidade, o que dá origem ao "zum" do final do trecho.

Pinguelim pinguelim pinguelim. 
Esse trecho refere-se à morte do cacique Zarapi que, após ser assassinado, ficou estirado em cima de uma pedra com o sangue pingando no solo: pinguelim... pinguelim... pinguelim... A repetição da palavra expressa a ideia do gotejar.

Zunga, zunga, zunga. Cate marimbau. Cate marimbau. Eixau eixau !
A palavra "zunga" nos dialetos de 4 das 7 tribos consultadas significa "matar, tirar a vida, arrancar a alma"; logo, sua repetição ilustra algo que se tornou constante na época da guerra: o soldado Henrique Zaravalho matando índios por todo o país. A expressão "marimbau" era o nome dado pelos indígenas a um colar feito de pedras preciosas, que apenas os índios guerreiros podiam carregar no pescoço. "Cate marimbau" significa que depois de matar guerreiros indígenas, o bravo soldado brasileiro catava seus colares. "Cate marimbau" se repete na saudação para expressar as muitas vezes em que o fato ocorreu. “Eixau" significa gritos de Henrique Zaravalho após mais uma matança. Isso porque o soldado tinha a mania de, em sua retirada, gritar, em tom de deboche, aos sobreviventes aterrorizados: "Êêê, Xau!!! Êêê, Xau!!! (tchau!!!)".
O brado "Colégio!!!" no final da saudação foi introduzido depois, quando a adaptaram para ser a saudação do Colégio Militar do Rio de Janeiro, criado para abrigar órfãos da guerra do Paraguai, entre eles Felipe Zaravalho, filho de Henrique, morto no último ano da guerra com uma flechada nas costas.
Haverá fundamento? Com a palavra os pesquisadores...
Zum Zaravalho !!!