MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Marcha sobre Brasília 2

Carlos Augusto Fernandes dos Santos
Data: 2 de abril de 2017 10:28
Assunto: ARTIGO
Para:


PREZADOS CAMARADAS
ASSUNTO: Artigo  MARCHA SOBRE BRASÍLIA 2
O jornal o GLOBO, edição de 02/04/2017, publicou na página central, excelente artigo  escrito pelo conhecido Cientista Político NELSON PAES LEME. O texto, escrito com fina ironia e magnífica oportunidade, mostra, principalmente para quem foi aluno/cadete, dos idos de 40/50 do século passado o verdadeiro significado do termo ACOXAMBRAÇÃO  (feitos nas coxas), ou , como querem e discutem outros lexicógrafos  ACOCHAMBRAÇÃO. 
O autor revela aquilo que todos nós sabemos, fazendo uma ligação virtuosa com a ZONA em que se país se transformou, hoje,  depois de tanta ACOXAMBRAÇÃO (PREFIRO ESSA GRAFIA). 
Em anexo, o excelente artigo. 
Espero que tenham gostado.
Abraços Santos


Telha feita "nas coxas" (significado original)


Marcha sobre Brasília 2

NELSON PAES LEME – Cientista Político 

Um ex-governador já encarcerado, um ex-presidente da Câmara idem, um ex-ministro da Fazenda também. Policiais grevistas revoltados invadindo o Congresso

Há, entre os lexicógrafos, algumas divergências sobre a natureza da palavra acoxambração, não reconhecida pelos corretores automáticos de texto dos programas de computador. Algumas pessoas utilizam o termo com ch, o que é condenado pela corrente morfológica que defende derivar de “feitas nas coxas”. Essa expressão, por sua vez, originária do Brasil Colônia, referia-se às telhas irregulares dos telhados das fazendas antigas que seriam moldadas em barro, tanto capas como bicas, nas coxas dos escravos, em contraste com a simetria das telhas produzidas em olarias ou em cerâmicas. Tanto com ch como com x, porém, o fato sociolexicográfico é que acoxambração passou a significar o tal “jeitinho brasileiro” de burlar o correto, o certo e o legal. Fazer “de qualquer maneira” ou adaptar o factual às conveniências para “quebrar um galho”. A Colônia era o urinol dos reinóis. E os brasileiros natos, os mazombos, que se virassem por aqui com as suas (nossas) acoxambrações.

Roberto DaMatta escreveria, com muito mais brilho e graça, claro, talvez um tratado sobre o tema, certamente como um robusto anexo ao seu insubstituível clássico de sociologia jurídica, “A casa e a rua”, onde escancara o perverso conceito brasileiro de não discernir entre o que é público e o que é privado. O que é republicano e o que é antirrepublicano, a partir de uma hipotética constatação em um desembarque mirífico de Alexis de Tocqueville em terras de Vera Cruz. O fato é que o mundo se estarrece até hoje com essas práticas nossas tupiniquins de tudo acoxambrar. E de nada levar a sério, gerando o vaticínio da famosa sentença do general Charles De Gaulle sobre o Brasil: “Ce n'est pas un pays sérieux.”

Pois não é que, diante das profundezas abissais da Lava-Jato, prevíamos um novo pacto, com a falência desta pútrida e decrépita República, ou uma Grande Concertação inovadora com um Congresso Constituinte já em 2018 e o que temos em vista é uma Grande Acoxambração? De um lado, a nação estarrecida, enojada e indignada com a inusitada avalanche de corrupção, materializada pelas propinas e pelos caixas 2 disseminados por quase todos os partidos políticos e empresas públicas, revelados pela atuação de um obstinado juiz, já seguido por outros e das forçastarefas do Ministério Público e da Polícia Federal. Um ex-governador já encarcerado, um ex-presidente da Câmara idem, um ex-ministro da Fazenda também. Policiais grevistas revoltados invadindo o Congresso, a acuar uma representação pífia e desacreditada. A Federação destroçada e falida. Recessão e desemprego nunca vistos. De outro, as lideranças políticas carcomidas dessa nefanda república em vômitos de agonia, a lutar por certa “anistia” parlamentar retroativa à roubalheira generalizada, com a conivência interpretativa, pasme-se, de juízes das mais altas cortes brasileiras e até de um ex-presidente, ele mesmo um conhecido sociólogo, laureado internacionalmente. O presidente do TSE, em vez de comportamento austero, sai xingando por aí o procurador da República. Isso tudo depois de a atual presidente do STF ter bradado em alto e bom som com todas as letras: “Caixa 2 é crime!” E que dizer da “reforma política” com a introdução do “voto em lista” em que Suas Excrescências denunciadas se escondem do eleitor que não sabe em quem votou? Um anonimato criminoso para continuar com foro privilegiado, outra aberração.

E crime aqui, na terra da acoxambração, por acaso não compensa? Então, o goleiro Bruno combina com seus asseclas confessos e encarcerados de fatiar e esquartejar a amante e entregar seus despojos aos cães para que nunca mais houvesse corpo, vai condenado por júri popular e, no auge da pena, um douto e austero ministro do Supremo — de empolado falar e abotoaduras luzentes por debaixo da toga de morcego — não o liberta? Portanto, vale rasgar os códigos todos onde estão capitulados os crimes de propina e caixas 2 sob os claríssimos termos jurídicos de advocacia administrativa, estelionato, falsidade ideológica, apropriação indébita, contabilidade paralela, enriquecimento ilícito, tráfico de influência, formação de quadrilha etc. A cultura da acoxambração (com x ou com ch) há de prevalecer, e seremos sempre a grande piada internacional. Valhacouto de outros Ronalds Biggs, o ladrão do trem postal inglês que aqui viveu impune até envelhecer, como atração turística do bairro carioca de Santa Teresa, dando entrevistas e rindo de tudo. Que Deus volte os olhos para essa nossa Terra de Santa Cruz. Cruzes! Marchemos, pois, urgente e organizadamente, sobre Brasília. É nosso dever e nossa salvação!