MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

quarta-feira, 22 de março de 2017

TV Globo, facciosa como sempre, denigre o 31 de Março de 1964


No final de março, a TV Globo, como já foi divulgado, vai passar uma série tremendamente facciosa e apelativa sobre o regime militar e a luta armada, seguindo os moldes da linha dos "Goebbels tropicais vermelhos". Isto é, de um lado os agentes satânicos do Estado, que lutavam contra os democratas, e do outro os querubins vermelhinhos e coitadinhos, amantes da liberdade. Tenham dó!!!!

Na realidade, as Organizações Globo sempre navegaram conforme a maré, aproveitando-a em seu próprio benefício. Por falta de ética, princípios e convicções, perderam a credibilidade e o respeito da sociedade, embora ainda tenham muito poder para influencia-la. Usam do "patrulhamento ideológico", por meio de suas figuras mais importantes do meio artístico e da mídia, para fechar os espaços ao contraditório. 

Isso é liberdade de expressão e de imprensa, que enchem tanto a boca para exigir? Hipócritas!!!!
                                                                                                  REPASSEM
                                                                                               
Gen Rocha Paiva


ALENTOS PARA A VERDADE SUFOCADA I

General da Reserva Luiz Eduardo Rocha Paiva

Professor emérito e ex-comandante da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército e membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil

Ainda que tarde, é preciso desmentir inverdades exaustivamente disseminadas sobre o Movimento Civil-Militar de 31 de Março de 1964, o período de governos militares, a luta armada da esquerda revolucionária e a redemocratização do Brasil a partir de 1978. É um projeto que demanda uma sequência de textos onde sejam apresentadas ideias pouco exploradas, mas capazes de se oporem a paradigmas criados pela esquerda.

O Movimento Civil-Militar de 31 de Março de 1964 tinha o objetivo de implantar uma ditadura de direita no Brasil? Não.

O propósito foi impedir a implantação de uma ditadura comunista, por meio de um golpe de estado articulado pelo governo de Jango, o PCB e Brizola. Todos os presidentes militares reconheciam como de exceção o regime de 1964 e manifestavam publicamente o propósito de retorno à normalidade democrática. Uma ditadura jamais pregaria a própria extinção, o que comprova o perfil sui generis da “ditadura (?) militar” no Brasil.

Há ditaduras e “ditaduras”, assim como há democracias e “democracias”. Por paradoxal que seja, a Alemanha Oriental se denominava República Democrática Alemã e ainda há os que consideram a Venezuela de hoje uma democracia. Tais designações pouco objetivas e o importante é o que a legislação do país assegure em termos de liberdade e direitos fundamentais dos cidadãos. Ainda que sob uma lei de exceção, consubstanciada no AI-5, a maioria dos cidadãos designa aquele momento histórico de diversas formas: regime militar; período de governos militares; regime autoritário; ou até mesmo “ditabranda”. Nem todos o chamam de ditadura militar e praticamente ninguém o considera de regime totalitário. Este era, sem dúvida, o que vigorava nas catedrais comunistas, que orientavam a esquerda revolucionária brasileira, modelo sonhado pelos grupos armados da guerrilha no país. A controvérsia existe mas, no íntimo, a maioria sabe que foram preservados muitos direitos e liberdades individuais durante a vigência do AI-5, que pouco afetava o cidadão comum. Para a esquerda de Lula, Dilma, etc., o regime cubano é o exemplo de democracia, enquanto o regime militar no Brasil teria sido uma ditadura de chumbo. Hipócritas!  

O regime militar manteve os três Poderes da União e havia eleições livres e diretas para o Congresso Nacional e assembleias legislativas estaduais. Naquele período, podiam ser identificadas quatro correntes políticas em ação. Duas delas, democráticas, estavam no centro do espectro ideológico, abrigadas nos dois partidos reconhecidos. O MDB, oposicionista, cuja bandeira era a imediata redemocratização, e a ARENA, partido do governo, que defendia a redemocratização de forma gradual. À esquerda do MDB, havia a corrente revolucionária, cujo objetivo era implantar uma ditadura como a cubana, a soviética ou a chinesa. Essa linha radical ganhou força após o fracasso da estratégia de modelo soviético de tomada do poder pela “via pacífica” (subversão – infiltração – luta armada como último recurso) entre 1961 e 1964. A esquerda revolucionária se preparava para implantar a guerra de guerrilhas no Brasil desde o início dos anos 1960 com apoio da URSS, Cuba e China. As ações violentas de maior vulto começaram em 1966 e intensificaram-se a partir de 1968. A radicalização da esquerda revolucionária respaldou não só ao partido do governo, em seus propósitos de redemocratização mais lenta, como deu força à linha mais à direta do regime. 

Dessa forma, a volta à normalidade democrática demorou cerca de dez anos, tempo que demandou a neutralização completa da luta armada urbana e rural, num embate onde houve violações de ambos os lados. A volta à democracia não se deve à esquerda revolucionária, pois o governo militar só iniciou a redemocratização em 1978, após a completa derrota da luta armada. Na cruzada da redemocratização estavam o governo, os partidos políticos - ARENA e MDB - e diversos setores representativos da nação, todos atuando dentro da legalidade.

Em seu discurso de posse, em 2011, a ex-presidente Dilma cometeu um sério equívoco ao dizer: “Minha geração veio para a política em busca da liberdade, num tempo de escuridão e medo. Aos companheiros que tombaram nesta caminhada, minha comovida homenagem e minha eterna lembrança”. A presidente tomou a parte pelo todo, pois a imensa maioria de sua geração, e do povo brasileiro, não optou pela luta armada, mas sim apoiou o Estado na neutralização da esquerda revolucionária. Só a partir de 1975, uma grande parte da população aderiu aos segmentos políticos e sociais que buscavam acelerar a redemocratização pela via legal. Os guerrilheiros eram sempre denunciados pelos cidadãos e, por isso, viviam homiziados, não se sentindo seguros no meio do povo. Não fosse assim, a luta teria sido muito mais dura, como mostra a história quando uma guerrilha é popular. Da mesma forma, Dilma ainda insistiu em que ela e seus companheiros de luta armada estavam “em busca da liberdade”, após tantos deles reconhecerem que seu propósito era implantar uma ditadura nos moldes da soviética, da chinesa e da cubana. 

A esquerda revolucionária depôs as armas após ser derrotada e, uma vez anistiada, saiu da ilegalidade e aceitou as regras do jogo democrático. Na atualidade, muitos dos seus membros estão instalados em altos escalões dos Poderes da União onde alguns deixam claro que não mudaram de ideologia, apenas realizaram um recuo estratégico, haja vista sua atuação nos espaços que ocupam, as bandeiras que ainda empunham (vide o PNDH-3) e seu protagonismo no Foro de São Paulo, organismo que se propõe a reviver na América do Sul a experiência desastrosa do socialismo no leste europeu.   


Obs.: Para se informar sobre o Movimento de 1964, acesse MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964, uma coletânea de artigos, em http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=12991&cat=Ensaios (F. Maier).