MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

BRASIL EM DESMANCHE, por General Luiz Eduardo Rocha Paiva

BRASIL EM DESMANCHE

General da Reserva Luiz Eduardo Rocha Paiva
   
  Uma causa longínqua, mas decisiva do desmanche do Brasil é a falência do sistema de ensino, precário na transmissão de conhecimentos, no desenvolvimento da cultura, na formação cívica do cidadão, na valorização da história e tradições, o que enfraquece o patriotismo, e na conscientização de princípios morais e éticos, fatores de fortalecimento da sociedade. Essas deficiências facilitaram a implantação e expansão no país da crise de valores, dos anos 1960-1970, que contaminou a instituição da família, globalmente, e abalou sociedades imaturas como a brasileira.
   Esse cenário foi explorado pela esquerda socialista, a partir dos anos 1960, permitindo-lhe o progressivo domínio do sistema de ensino. Os partidos e movimentos dessa ideologia acabaram por dominar, também, o meio artístico e grande parte da mídia. Com os formadores de opinião nas mãos, promoveram a satanização da maioria conservadora, falsamente acusada de radical, regressista e avessa a anseios da população carente. Na verdade, o conservador não é contra a evolução política e social, desde que se considere a experiência, a tradição, as virtudes e os valores construídos e consagrados ao longo da história. Condena revoluções sociais e políticas propostas por ideologias radicais e utópicas de viés socialista internacionalista ou nacionalista, esta última chamada de extrema direita e maliciosamente confundida com o conservadorismo.
   Democracias não se sustentam em nações sem consciência cívica, justiça legítima e eficaz e onde o Estado não provê as necessidades básicas à população e é gerido por lideranças desacreditadas. A esquerda socialista estava no poder desde 1994, primeiro a fabianista e depois a marxista, ambas parceiras de lideranças patrimonialistas. Essa aliança desacreditou a democracia e afundou o país no mar de lama que sufoca a nação. Com sua ultrapassada visão de Estado, governo e sociedade, os socialistas ditaram rumos desastrosos na busca do Estado do bem-estar social em um país sem o nível de riqueza capaz de sustentá-lo e manter o desenvolvimento. Imagine se tivessem tomado o poder nos anos 1960, quando o Brasil ainda era a 48ª economia mundial.
   A crise brasileira está no limite do suportável. A continuar o ritmo de deterioração política, econômica, moral e social a tendência será a eclosão de rebeliões generalizadas, comprometendo a unidade política do país. Eis o resultado de mais de uma década de danosas políticas populistas eleitoreiras, de gestão econômica irresponsável e insustentável e da estratégia de corrupção para perpetuar o PT no poder.
   O atual presidente da República e o PMDB foram parceiros da liderança petista e, por isso, também são responsáveis pela crise. Assim, embora o impeachment de Dilma Rousseff fosse o melhor para o país, e o processo tenha sido legal, era possível antever as dificuldades para o sucessor superar os óbices e recolocar o Brasil nos eixos.
   Hoje, o Estado não cumpre o papel que lhe delega a nação de garantir sua segurança, desenvolvimento e bem-estar. Na segurança pública, a situação é de pré-anomia, pois o Estado não demonstra autoridade e capacidade de controlar todo o território nacional, nem de exercer o comando e a disciplina sobre órgãos de segurança da população. A demora em controlar as revoltas em presídios do Norte e do Nordeste e o motim da PM do Espírito Santo revela leniência, indecisão e falta de vontade ou autoridade dos governos Federal e estaduais. A mistura dessas fraquezas com o não atendimento das necessidades básicas da população é um estopim para a disseminação de revoltas capazes de provocar o caos político-social e comprometer a segurança nacional.
   A efetiva reabilitação do Brasil, em todos os setores afetados, demandará mais de uma década, mas o ponto de partida e os alicerces da recuperação estão na economia. Será fundamental haver evidências seguras de reabilitação, nos próximos meses, para as tensões se amenizarem. Com isso, o governo terá folego para encaminhar as soluções aos problemas dos setores político e social.
   É justo reconhecer que o governo busca implantar medidas necessárias à recuperação econômica, mas precisa convencer a sociedade a aceitar sacrifícios. Ela concordaria em arcar com um pesado ônus para ajudar o Brasil a sair do abismo, desde que o andar de cima apertasse, e muito, o próprio cinto. Porém, a liderança nacional, nos três Poderes da União, não entende que o exemplo vem de cima e é a base moral da autoridade. Nos altos escalões do serviço público, da União e dos estados, existem mega-salários turbinados por benesses complementares, cuja legalidade sem legitimidade afronta a justiça. Asocialização equilibrada desse custo é a única forma de legitimar sacrifícios impostos a uma sociedade sem reservas para cortar.
   A deterioração da economia nos próximos meses geraria cenários de conflitos, pois as tensões sociais se agravariam, escalando para revoltas em diversas regiões e ameaçando os poderes constitucionais e a unidade nacional. O Executivo sem a confiança da nação, leniente, tímido e sem força política, ao lado do Legislativo desacreditado e descompromissado e do Judiciário dividido, terá muita dificuldade para pacificar o país com base no arcabouço legal vigente. Para aquilatar o provável nível de violência desses conflitos, basta lembrar que a unidade nacional é cláusula pétrea para as Forças Armadas.      
   A nação precisa entender que o poder da esquerda socialista, ideologia liberticida e fracassada, e da nossa liderança política fisiológica é fator de atraso e falência moral. Elas afundaram o Brasil, promoveram a quebra de valores morais e do princípio da autoridade, bases da paz social, incentivaram a indisciplina no serviço público e fraturaram a coesão nacional. Como deter o desmanche do país, dentro das normas legais, com a nação sujeita à forte influência socialista e sob o poder de lideranças fisiológicas tão difíceis de expelir? 



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