MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

OPERAÇÃO CONJUNTA INVESTIGA FRAUDE NA REFORMA E REINTEGRAÇÃO JUDICIAL DE MILITARES

Resultado de imagem para foto armas nacionais

MINISTÉRIO DA DEFESA
EXÉRCITO BRASILEIRO
COMANDO MILITAR DO SUL
COMANDO DA 3ª REGIÃO MILITAR
(Gov das Armas Prov do RS/1821)

OPERAÇÃO CONJUNTA INVESTIGA FRAUDE NA REFORMA E REINTEGRAÇÃO JUDICIAL DE MILITARES

Exército Brasileiro, o Ministério Público Militar, a Polícia Federal e a Advocacia-Geral da União deflagraram, na manhã de hoje (21/08), a Operação Reformados, para combater esquema criminoso voltado para a obtenção fraudulenta de reintegrações e reformas judiciais de militares, especialmente dos militares temporários.

A Polícia Judiciária Militar, em conjunto com a Polícia Federal, cumpriu dois mandados de busca e apreensão, um mandado de prisão preventiva e três mandados de condução coercitiva nas cidades de Canoas e Novo Hamburgo, determinados pela Justiça Militar.

A fraude consistia na apresentação de atestados médicos ideologicamente falsos, com indicação de doenças psiquiátricas e outros artifícios, para iludir a Administração Militar, a Justiça Federal e a Justiça Militar. O objetivo era obter a reintegração judicial às Forças Armadas de militares temporários licenciados, para suposto tratamento de saúde e posterior reforma, com percepção vitalícia de vencimentos. Um escritório de advocacia estabelecido no município de Canoas promovia o suporte para a propositura de ações judiciais que sacramentavam as fraudes.

Durante as investigações, diligências flagraram pessoas com diagnósticos incapacitantes, por problemas físicos ou psíquicos, em uma rotina normal de vida, inclusive com ocupações remuneradas, indicando fraude para a obtenção de decisões judiciais. O contingente de reintegrados judiciais no Rio Grande do Sul alcança a cerca de 500 casos, com quase uma quarta parte alegando problemas psiquiátricos, e custa aos cofres públicos aproximadamente R$ 20 milhões de reais ao ano, pagos pelos contribuintes.

Os crimes investigados são estelionato e falsidade ideológica, com encenação perante juntas médicas militares, propositura de ações com atestados médicos ideologicamente falsos, entre outros possíveis. As investigações seguem para apurar o prejuízo causado e o número exato de pessoas envolvidas nas fraudes.

Será realizada entrevista coletiva conjunta às 10h30mim de hoje, 21 de agosto, no auditório da Superintendência da Polícia Federal no Rio Grande do Sul (Av. Ipiranga, 1365/5º andar – Porto Alegre).

Porto Alegre, RS, 21 de agosto de 2017.
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Gen Div VALÉRIO STUMPF TRINDADE
Comandante da 3ª Região Militar

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

ESQUIZOFRENIA SOCIAL, por Maynard Marques de Santa Rosa

General Santa Rosa e sua esposa Luísa

ESQUIZOFRENIA SOCIAL

por Maynard Marques de Santa Rosa

A transição atual é prolífica em extravagâncias que espelham interesses de todo o tipo, ensejando uma agenda surpreendente.  

A proposta de trocar o sistema presidencialista pelo parlamentarismo, porém, é tema recorrente. Os políticos costumam culpar o presidencialismo dito de coalizão ou semiparlamentarismo, por tornar o poder executivo refém do Legislativo. Marotamente, omitem a causa da desarmonia: o parlamentar em função executiva. Pelo certo, o senador ou deputado, ao aceitar cargo no executivo, deveria perder o mandado legislativo, em favor do princípio da independência dos poderes. Da mesma forma, fingem esquecer que a soberania popular, fonte de todo o poder, escolheu o presidencialismo puro, em dois plebiscitos recentes. Além disso, é inoportuna. Uma reforma que delega mais autoridade ao estamento político, no momento mais crítico da sua credibilidade, é uma insensatez.

Outra preocupação relevante é a da violência urbana. Embora seja notória a crise geral de insegurança pública, o tema não consegue espaço na agenda legislativa. A redoma psicológica em que se abrigam os legisladores no Congresso parece torná-los insensíveis ao sofrimento refletido no índice macabro de 60 mil homicídios/ano, que supera o total de baixas somadas na Síria e no Afeganistão. A realidade social mostra que os códigos vigentes no país estão defasados. Uma explicação para o imobilismo seria a alienação ideológica.  

Contudo, não se restringe ao âmbito legislativo o distúrbio da insensibilidade. A crise econômica e o desemprego de 14 milhões de pessoas não chegam a comover as corporações dos poderes públicos, responsáveis pela expansão de supersalários que transcendem os limites legais. Sobre fenômeno similar, escreveu Alexis de Tocqueville, em “O Antigo Regime e a Revolução”, que as teses dos enciclopedistas eram temas da moda dos nobres da França do século XVIII, nos convescotes de Paris e nos saraus da Corte de Versailles, como se não lhes afetassem a própria sobrevivência. Mais do que anomalia emocional ou moral, seria um sintoma de esquizofrenia social.      

Outro aspecto contumaz da agenda subliminar é a chamada teoria do gênero. Inventada na Europa por pensadoras feministas, pretende alterar as leis da natureza, ao derrogar os sexos, como se o homem e a mulher fossem espécies diferentes dentro do gênero humano. O que surpreende é a assimilação do conceito pela grande mídia, que vem conseguindo inculcar a aberração na sociedade, até alcançar a legislação governamental.    

O fato é que o humanismo perdeu o rumo e transpôs os limites razoáveis, ensejando um ambiente cada vez mais permissivo. O Brasil, por mais de quatro décadas, tem sido vítima de campanhas “construcionistas” que subverteram os valores sociais e desnortearam o senso comum da população. O bombardeio populista e ideológico, a partir da Constituinte de 1988, consolidou uma cultura de direitos sem deveres e minou o princípio da autoridade. O resultado se mostra nos indicadores de corrupção, violência e impunidade. Para agravar, escasseiam as lideranças políticas. Chegamos, assim, ao limiar da ordem política, econômica, social e jurídica. Portanto, é hora de reação, antes que o faça o instinto de sobrevivência coletivo, criador potencial de cenários escatológicos.

A ordem social que repousa em base falsa torna a sociedade suscetível ao presságio bíblico: “Quando vierem as chuvas, subirem os rios, soprarem os ventos e a vierem açoitar, ela ruirá, e grande será a sua ruína” (Mateus, 7:25).     

Maynard Marques de Santa Rosa é General de Exército

As mães de Lula, do Trump e do Putin conversam sobre a infância de seus filhos

As mães de Lula, do Trump e do Putin conversam sobre a infância de seus filhos. 

A mãe de Trump disse:
"Sabe, quando o Trumpinho nasceu, eu não pude amamentá-lo. Ele então foi amamentado com leite de búfala. É por isso que ele é assim, impetuoso e determinado".

A mãe de Putin disse:
"Também não pude amamentar o Putin e tive que amamentá-lo com leite de uma ursa siberiana. É por isso que ele é assim, raivoso, imprevisível e violento".

E a mãe de Lula retruca:
"Eu também não tive leite e amamentei o Inácio com leite de magnésia. É por isso que ele só faz merda!”

Paulo Roberto Moreno, no Facebook

General do Exército ataca ministros do STF


General do Exército ataca ministros do STF
 
O general Augusto Heleno atacou os ministros do STF que soltaram os presos da Lava Jato.

Sua nota foi publicada por Eliane Cantanhede, do Estadão.
Leia a nota:

"Será que os doutos Ministros do STF avaliam o mal que têm causado ao país? Ou o Olimpo em que vivem os afasta totalmente da consciência nacional? Façam uma pesquisa para avaliar o que a população honesta pensa, hoje, da instituição em que militam. Vossas Excas. votam calcados em saber jurídico? Não parece. Para a imensa maioria, fingem fazê-lo. Em votos prolixos e tardios, dão vazão a imensuráveis vaidades, a desavenças pessoais e a discutíveis convicções ideológicas. Hoje, transmitem à Nação, alarmada pela criminalidade e corrupção que se alastram, uma lamentável insegurança jurídica e uma frustrante certeza da impunidade. Passam a sensação de o que o Brasil, com esse Tribunal, não tem nenhuma chance de sair do buraco; e colocam em sério risco nossa combalida e vilipendiada "democracia". Sabemos que são professores de Deus e lhes pedimos,apenas, que desçam do pedestal e coloquem Brasil acima de tudo".

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

L​ULA, QUEM DIRIA, ESTÁ COM MEDO DO POVO

L​ULA, QUEM DIRIA, ESTÁ COM MEDO DO POVO

Maria Lucia Victor Barbosa

15/08/2017

Mesmo estando condenado em primeira instância a nove anos e seis meses de prisão, e sendo réu em cinco processos, Lula da Silva prossegue em campanha, que ele diz que não é campanha. Desse modo, depois de alguns anos anunciando que sairia em caravana, finalmente parece que tal vai acontecer no próximo dia 17. Será a tentativa de reeditar as caravanas de 1993 e 2001, outros tempos, outros momentos. Segundo é anunciado ele percorrerá o Nordeste e o tour totalizará 25 cidades em 18 dias.
Conforme a Folha de S. Paulo (14/08/2017), possíveis aspirantes à presidência da República têm também efetuado giros por alguns Estados, porém, a atividade dos citados está longe do que Lula já fez e pretende fazer, sendo que nenhum deles está condenado.
Aliás, Lula nunca desceu do palanque mesmo em seus dois mandatos presidenciais, pois padece de verborragia eleitoreira aprendida nas lides sindicais. Além da politicagem populista, suas atividades se concentravam em viagens fabulosas, churrascos e, principalmente no primeiro mandato, nos joguinhos de futebol na Granja do Torto. Doce vida que uma vez obtida fica difícil abrir mão.
Segundo o dicionário Aurélio, caravana é “um grupo de pessoas que vão juntas a algum lugar”. Também significa “uma multidão de peregrinos ou viajantes que se reúnem para atravessar o deserto com segurança”. Lula não vai atravessar um deserto, mas, a inclusão de “multidão” e “segurança” na definição, define melhor sua caravana. Vejamos porque:
A multidão que deverá acompanhar aquele que foi chamado de luz do mundo por Marilena Chauí (confusão do líder com Jesus Cristo), será composta pelo “exército de Stédile”. Apesar de estar acostumado a viajar em confortáveis jatinhos, certamente de propriedade de generosos amigos, fala-se que Lula viajará ao Nordeste de ônibus. Onde chegar será escoltado por grupos de sem-terra e membros de sindicatos rurais a bordo de motos, não tendo sido dito a marca das potentes máquinas que abrirão alas para o chefe.
Mas, por que tal aparato? Segundo jornal já citado (12/08/2017) “o cortejo tem dupla função: atrair a atenção e intimidar os opositores do ex-presidente”. Ao que tudo indica, agora Lula precisa de 200 motos para chamar atenção e, sem dúvida, está acometido de coxinhafobia, estado psicológico caracterizado por medo de coxinhas.
A paranoia parece crescer quando se leva em conta outras medidas de segurança, ou seja:
1º- Além das milícias dos companheiros, a segurança de Lula da Silva ficará a cargo do GSI, (Gabinete de Segurança Institucional) da Presidência da República.
2º -  O Instituto Lula, pediu as Casas Militares dos governos estaduais do Nordeste que discutissem mais medidas de segurança, complementares as do GSI.
3º - Márcio Macedo, um dos vice-presidentes do PT, anunciou que “uma equipe será encarregada de vistoriar as cidades que serão visitadas por Lula”. Afirmou que “haverá precursora política, de comunicação e de segurança, como em todos os atos que o ex-presidente Lula participará”.
Decididamente, Lula, quem diria, está com medo do povo. Algo que não combina com a bajulação de Macedo, que afirmou ser ele “a maior liderança política e popular do País”. Se fosse, não teria medo de vaias, como já aconteceu em uma de suas viagens de campanha em uma cidade do Rio Grande do Sul.
Entre os programas do turismo-político ao Nordeste, além de falar mal do presidente Temer, Lula fará um cruzeiro pelo Rio São Francisco. Certamente não vai inaugurar pela enésima vez a transposição do São Francisco, mas, quem sabe, como “luz do mundo” dirá que é o criador do próprio Rio.
Entre sua extensa comitiva, provavelmente vai figurar uma companheira que já enviou seu desejo de acompanhar o “pobre operário” em seu tour. Trata-se da bilionária Roberta Luchsinger, herdeira dos fundadores do banco Credit Suisse. Ela lançou o “Bolsa Lula” com pena do metalúrgico perseguido que teve seus bens (ou parte deles?) bloqueados pelo juiz Sérgio Moro.
A herdeira, que é divorciada de Protógenes Queiroz, ex-delegado e ex-deputado que teve que fugir do Brasil para não ser preso por ter violado o sigilo da Operação Satiagraha, milita no PCdoB e quer ser deputada estadual.  Ela encheu uma mala da marca Rimowa com objetos caríssimos, inclusive, adicionou um cheque ao portador de 28 mil francos suíços (equivalentes a R$ 91 mil), mesada que recebia do avô e a fortuna será leiloado para ajudar seu ídolo petista.
Certamente os companheiros não terão dificuldade em arrematar os itens luxuosos em benefício do chefe. Eles disseram que a companheira bilionária é muito bem-vinda nesse momento em que o PT se renova (renova?). Pudera, os companheiros empreiteiros estão na cadeia e ela chegou em boa hora.

Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga

Despesas com pessoal, por Ricardo Bergamini

Prezados Senhores
A causa primária da tragédia brasileira está no descontrole irresponsável dos gastos com pessoal ocorrido no período dos governos do PT (2003/2016). No estudo em pauta a comparação é apenas dos estados entre 2010 e 2016 chegando a um aumento real acima da inflação médio de 23,70%, mas que no período total de 2003/2016, considerando união, estados e muncípios foi um crescimento médio real da ordem de 57% acima da inflação.
Como esses gastos são de longo prazo, em função dos direitos adquiridos, muito pouco a sociedade poderá fazer para alterar, por isso a dificuldade de se controlar o deficit fiscal.
No serviço público brasileiro existe um crescimento vegetativo dos gastos com pessoal, que mesmo sem conceder nenhum aumento salarial o custo com pessoal aumenta em função de diversos mecanismo existentes, tais como: promoções, quinquênios, triênios, licença prêmio, dentre muitos outros penduricalhos.
Para que os senhores entendam a magnitude do problema o quadro demonstrativo abaixo retrata ganho real, ou seja: acima da inflação, cuja mediana foi de 23,70% no período analisado.
Veja o caso do Rio de Janeiro onde houve um crescimento real acima da inflação de gastos com pessoal de 10% com a ativos e pasmem! 30% com inativos. Totalizando aumento total da ordem de 40% acima da inflaçao, igual a MG. Sendo o MT o lider com aumento da ordem 45% acima da inflação.
Fica a pergunta: após o BNDES comprar a falida estatal CEDAE, qual será o próximo passo, já que o custo com pessoal é de longo prazo, em função dos direitos adquiridos?
Com a palavra o liberal presidente do BNDES.   
Em quem os senhores vão acreditrar?
- nos políticos vigaristas vendendo falsas ilusões travestidas de “reformas” sem nenhum poder de alterar a tragédia ora colocada;
ou nos órgãos técnicos do estado brasileiro. 

Gastos com Pessoal dos Estados – Fonte MF
Base: 2010/2016


Arquivos oficiais do governo estão disponíveis aos leitores.

Ricardo Bergamini
(48) 99636-7322
(48) 99976-6974


segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Antropólogos, índios e outros selvagens


Antropólogos, índios e outros selvagens

RESUMO Livro do antropólogo Napoleon Chagnon que aborda suas pesquisas entre os ianomâmis é lançado no Brasil. Em entrevista, autor, que direcionou sua carreira para uma interpretação evolutiva do comportamento indígena, fala sobre suas conclusões e comenta a recepção, muitas vezes negativa, de sua obra entre seus pares.
*
Sobre Napoleon Chagnon, 76, há só uma unanimidade: trata-se do pesquisador mais polêmico da antropologia contemporânea.
Nesta entrevista, o americano –que lança agora no Brasil o livro "Nobres Selvagens: Minha Vida entre Duas Tribos Perigosas: os Ianomâmis e os Antropólogos" pelo selo Três Estrelas, do Grupo Folha– afirma que a antropologia brasileira representa o que há de mais atrasado no pensamento anticientífico nessa área.
Chagnon critica ainda alguns brasileiros ligados à temática indígena, como o líder ianomâmi Davi Kopenawa, "manipulado por antropólogos e ONGs", e o cineasta José Padilha, autor do documentário "Segredos da Tribo", que "deveria se limitar a filmar Robocop".
Ana Prata
Chagnon estudou os ianomâmis do Brasil e, principalmente, da Venezuela a partir de 1964 e ao longo de 35 anos, em 25 viagens que totalizaram 5 anos entre os índios. Foi o pioneiro no contato com várias tribos isoladas, que acredita serem uma janela para as sociedades pré-históricas nas quais o gênero Homo viveu por milhões de anos.
Foi visto com antipatia por diversos colegas antropólogos por propor explicações darwinianas para o comportamento dos índios –e dos humanos em geral– e ao escrever, em 1968, um livro em que tratava amplamente da violência entre os índios e no qual, desde o título, "Yanomamö: The Fierce People" (sem tradução no Brasil), chamava os ianomâmis de "o povo feroz". Despertou inimizades ao se afastar dos colegas antropólogos, que acreditava mais interessados em fazer política do que ciência, e se aproximar de geneticistas.
Foi em 1988, porém, que causou a fúria dos colegas, ao publicar na revista "Science" um estudo mostrando que os homens ianomâmis com assassinatos no currículo eram justamente os que tinham mais mulheres e descendentes. Em termos biológicos, a violência masculina e certo egoísmo humano seriam estratégias reprodutivas bem-sucedidas, ideia que desagradou fortemente seus colegas das humanidades.
O antropólogo sempre defendeu que os índios que estudou guerreavam movidos por uma insaciável vontade de capturar mulheres, enquanto os livros tradicionais de antropologia diziam que a guerra primitiva tinha motivos como a escassez de alimentos ou de terra.
Chagnon diz que seus críticos são marxistas movidos pela ideologia de que os conflitos humanos se explicam pela luta de classes ou por disputas materiais, e não por motivos mais animalescos, como a busca por sucesso sexual.
Ele afirma que nenhum colega pôde apontar falhas nos dados publicados na "Science". No entanto, antropólogos questionam seu procedimento não só nesse caso como em outros trabalhos (leia ao lado).
Em 2000, o jornalista Patrick Tierney publicou o livro "Trevas no Eldorado" (lançado no Brasil em 2002, pela Ediouro), acusando Chagnon e colegas, entre outras coisas, de terem espalhado sarampo deliberadamente entre os índios. As acusações foram investigadas pela Associação Americana de Antropologia, que inocentou os pesquisadores da grave acusação.
Na entrevista abaixo, feita por telefone, Chagnon trata ainda de temas como a higiene dos índios e os riscos da selva.
*
Folha - O antropólogo Eduardo Viveiros de Castro criticou na internet a publicação do seu livro no Brasil, dizendo que o sr. está ligado à "direita boçalmente cientificista".
Napoleon Chagnon - A ideia de que o comportamento humano tem uma natureza biológica, moldada pela evolução, além da cultura, sofreu muita oposição nas últimas décadas de quem tem uma visão marxista. Está havendo uma mudança de paradigma, mas os antropólogos brasileiros são o último reduto dessa oposição e sempre tentaram impedir meu trabalho.
Marxistas não gostam de explicações que não envolvam a luta por recursos materiais. Para eles, isso explica tudo. Eles diziam, por exemplo, que a causa da guerra entre os ianomâmis era a escassez de proteína –uma tribo atacaria a outra em busca de carne. Nossas observações mostraram, porém, que não havia correlação. Eles tinham abundância de proteína; lutavam, na verdade, por mulheres.
Nos EUA, cientistas importantes, como meu grande amigo Steven Pinker e o professor Jared Diamond, escreveram recentemente livros demonstrando a relevância crescente da psicologia evolutiva.
Os antropólogos latino-americanos me atacam, mas não têm dados para rebater as conclusões que proponho, porque não gostam de trabalho de campo. Eles gostam de argumentos teóricos, de ficar sentados nas suas cadeiras na universidade fazendo ativismo. No entanto, para entender o mundo, você tem de coletar informações a fim de testar suas previsões e teorias. Essa é a base do método científico. A tendência pós-modernista é dizer que não há verdade, que tudo é social ou político. Isso é a morte da ciência.
Esses críticos dizem que sua visão dos ianomâmis é muito negativa. Citam trechos do seu livro em que o sr. descreve criticamente os hábitos de higiene dos índios, dizendo que eles espalhavam muco em tudo.
Tenho muitas críticas à minha própria civilização também, como o excesso de filas. Os ianomâmis não têm uma teoria da transmissão de doenças via germes. Então assoam o nariz na mão e passam no cabelo, nos outros, até na minha bermuda [risos]. A primeira coisa que quis aprender na língua deles foi "não encoste em mim, suas mãos estão sujas", mas não adiantou. Você se acostuma.
Na verdade, você percebe que há coisas mais sérias com que se preocupar. A vida na tribo é perigosa. Há muitas cobras. Um bebê de uma tribo ianomâmi em que vivi sumiu, e os pais concluíram que a única explicação era que tivesse sido comido por uma anaconda. Há ainda muitos insetos, há onças, muitos outros incômodos.
Como é a sua relação com o líder ianomâmi Davi Kopenawa?
Ele é manipulado pelos seus mentores, seus conselheiros políticos, a maioria antropólogos e ONGs, que dizem a ele o que ele deve declarar. Ouço que muitos jornalistas brasileiros têm essa percepção, mas sabem que é impopular dizer isso em público.
As entrevistas com ele costumam ser mediadas por antropólogos.
Pois é. Veja, em uma das minhas visitas aos ianomâmis no Brasil, Kopenawa proibiu o piloto do meu avião de utilizar o combustível que tinha guardado perto de uma das tribos em que ele tinha influência. Ele queria a todo custo que eu ficasse isolado na floresta, fez isso deliberadamente. O piloto teve de conseguir combustível com outros colegas. Essa é uma das razões que me levaram a não ter uma opinião muito positiva a respeito dele.
Kopenawa critica vocês por não devolverem amostras de sangue que coletaram entre os índios em 1967 para estudos científicos na área de genética e que foram parar em bancos de universidades dos EUA.
Sou simpático a esse pedido. Mas essas amostras são 99% de tribos venezuelanas, não brasileiras. Seria horrível se entregássemos tal sangue para os ianomâmis brasileiros, como Kopenawa. Uma tribo ficaria muito assustada de saber que seus vizinhos têm o sangue de seus ancestrais, eles acreditam que isso poderia ser utilizado para fazer magia negra, por exemplo.
É importante dizer que, influenciadas por antropólogos, lideranças ianomâmis tornaram impossível hoje, para qualquer pesquisador, ir a suas tribos e coletar amostras de sangue; foram convencidos de que isso foi um crime terrível que cometemos. Dessa forma, nenhum pesquisador da área biomédica pode agora fazer estudos que envolvam coleta de amostras. Os ianomâmis vetaram para sempre qualquer pesquisa que possa beneficiar a sua saúde e dependa de exames de sangue.
Eu gosto muito dos ianomâmis. Fiquei muitos anos com eles. Eles merecem ser mais bem representados. É nítido que eles precisam de instituições que permitam acesso à medicina moderna, por exemplo. Eles precisam de ajuda.
De qualquer forma, eu não coletei amostras de sangue. Eu só ajudei os médicos a fazê-lo. Eu sou antropólogo. Não estou nem aí para o que acontecerá com as amostras de sangue congeladas nos EUA. Mas seria irresponsável se fossem entregues aos índios errados.
O sr. assistiu ao documentário "Os Segredos da Tribo" (2010), do brasileiro José Padilha?
Padilha mentiu para mim, foi muito desonesto. Ele disse que faria um filme equilibrado, mas nunca mencionou que as acusações feitas contra mim foram completamente desmentidas [pela Associação Americana de Antropologia]. Ele contratou um missionário que falava a língua ianomâmi para fazer as entrevistas com os índios. Esse missionário, amigo meu, depois veio me avisar que Padilha direcionava as entrevistas contra mim, que tudo era feito para criar a impressão de que os ianomâmis me odiavam. O filme é ridículo.
Além disso, Padilha lançou o filme e desapareceu, nunca respondeu às minhas ligações. Na apresentação do filme no festival de Sundance, ele não só não me convidou como chamou três antropólogos inimigos meus para debater. Um deles, Terence Turner, que teve participação ativa na elaboração do filme, me acusava de ser o Mengele das tribos ianomâmis. É doentio. Padilha deveria se limitar a filmar "Robocop".
Depois de trabalhar muitos anos nas universidades do Michigan e de Missouri, o sr. agora é professor aposentado. Aposentou-se também da pesquisa científica?
Não. Continuo trabalhando com os dados que coletei nas tribos ao longo desses anos todos. Estou para publicar vários artigos em revistas importantes, como a "Science", mostrando o impacto de conceitos caros à biologia, como o parentesco, na organização das tribos ianomâmis. Se os antropólogos brasileiros não gostam do meu trabalho, ainda não viram nada [risos]. No caso do público brasileiro, espero que os leitores encontrem no meu livro agora publicado uma melhor compreensão da natureza humana, seja no comportamento dos povos indígenas ou no de um vizinho.
RICARDO MIOTO é editor de "Ciência" e "Saúde" da Folha.
ANA PRATA é artista plástica. 

O "DIREITO AO ESQUECIMENTO"

O "DIREITO AO ESQUECIMENTO"


Manoel Soriano Neto - coronel do Exército, historiador militar e advogado

O jornal Inconfidência, de Belo Horizonte (MG), vem alertando, de há muito, que as doutrinas ou modelos para a conquista do Poder em nosso País, pelos profitentes do marxismo-leninismo, mudaram de modo radical. Atualmente, eles se valem de métodos mais sutis e sofisticados que os da revolução armada (guerra revolucionária). Para tal, usam, amiúde, técnicas psicológicas de controle mental e ‘baldeação ideológica’, para a ‘conquista dos espíritos’, ou como hoje se diz, para ‘ganhar corações e mentes’. As teorias do ideólogo do marxismo na década de 1930, o italiano Antônio Gramsci, são assaz utilizadas e tiveram guarida na América Latina, por meio do Foro de São Paulo, entidade 'bolivariana' sustentada, econômica e logisticamente pelo Brasil, ao tempo dos governos petistas. 

Outrossim, tal fato vem sendo iterativamente lembrado pelo ‘Inconfidência’, que sempre usa o oportuníssimo bordão “Esquecer também é Trair!” (referindo-se, em especial, à traiçoeira e covarde Intentona Comunista de 1935 – a maior e mais torpe agressão já sofrida pelo Exército Brasileiro – e aos atos terroristas pós-1964, contra o Estado Brasileiro), perpetrados por facinorosos seres humanos. Ora, essas barbaridades não podem ser esquecidas, de forma covarde e omissa, por um silêncio obsequioso, e, principalmente, ominoso. 

Recordemo-nos de que a Lei da Anistia, de 1979, é repudiada, na atualidade, pelos subversivos derrotados no passado, haja vista o infame relatório, com uma nominata de mão única, elaborado pela facciosa Comissão Nacional da Verdade. Aduza-se, a propósito, que a revisão da mencionada Lei poderá ocorrer já no presente ano, tão logo a nomeada procuradora-geral da República, Raquel Dodge, tome posse, em setembro próximo. É que ela sempre apoiou a necessidade da reinterpretação (e não revogação) da sobredita Lei. 

Assinale-se que o STF reconheceu a sua validade, em 2010; porém a ação continua em julgamento e está nas mãos do ministro Luiz Fux, em face da existência de embargos de declaração que foram impetrados. A imprensa vem noticiando que o tema será uma das prioridades da gestão da futura procuradora, porquanto ela é francamente favorável ao entendimento da Corte Interamericana de Direitos Humanos (para este tribunal internacional, a legislação brasileira não deve se aplicar a crimes como homicídio, ocultação de cadáver e tortura). 

Mas façamos uma comparação do que antes foi expendido com o denominado ‘Direito ao Esquecimento’, posto que são assuntos perfeitamente imbricados.

O STF está a discutir a tese do chamado “Direito ao Esquecimento”, no julgamento de uma ação interposta pela família de Aída Curi, barbaramente morta, em 1958, no Rio de Janeiro, fato que foi rememorado em uma dramatização pela Rede Globo (aguarda-se o pronunciamento da Suprema Corte, já  estando em curso as audiências públicas). Tal Direito surgiu após a Segunda Guerra Mundial, na Alemanha e na França, espraiando-se pela Europa. Notórios criminosos de guerra apelaram à Justiça a fim de que fosse impedida a divulgação de suas ações delitivas pretéritas, por intermédio da imprensa falada, escrita e televisada, do teatro, do cinema, etc. Os principais argumentos brandidos eram/são os do ‘direito de ressocialização’ ou ‘direito à regeneração’ do criminoso (como aliás prescreve, no Brasil, a CF/88, quanto aos apenados, a fim de que tenham a chance de reconstruir as suas vidas, etc.), e o de evitar danos, em especial os morais, a seus descendentes e afins, se revolvidos fatos delituosos de suas vivências pregressas. 

Contudo, as Cortes europeias vêm mantendo um posicionamento de priorizar a ‘liberdade de expressão’, a ‘liberdade de imprensa’, a ‘liberdade de informação’, a ‘liberdade de criação’ e a ‘historicidade’ (em todas as áreas, inclusive na social), máxime nos dias hodiernos, quando a internet disponibiliza, livre, universal e democraticamente, o acesso para os seus 3 bilhões de internautas, de todos e quaisquer conhecimentos, que permanecerão ‘ad nauseam’, na ‘memória indelével virtual coletiva’. É que não se pode apagar o passado e relegar ao olvido, a memória de relevantes fatos de valor histórico e social, com vistas à preservação e ao não falseamento da História (lembremo-nos da queima de livros na ‘Revolução Cultural’ de Mao Tse Tung, na China ...) e ao amplo acesso à informação. Restaria, pois, a pergunta que não quer calar: em nosso País, deveríamos admitir, em vista do novel Direito em comento, que as referências à corrupção, na atual conjuntura, e aos atos terroristas do passado recente, fossem escamoteados, obliterando-se registros documentais de elevado teor histórico-cultural existentes? Ainda mais: em caso afirmativo, como ficaria a saúde cívico-moral da Nação, no futuro? 

Destarte, mesmo que a relembrança de atos hediondos e de lesa-pátria praticados por criminosos políticos ou comuns venham a violar a intimidade dos mesmos, a completa difusão de seus atos deletérios não se torna paradoxal com os ditames constitucionais brasileiros, pois os direitos dos inocentes serão sempre preservados e reparados, se for o caso, ‘ex vi’ da CF/88, consoante à opinião de conspícuos e abalizados juristas, tudo segundo o superlativo resguardo do princípio do Bem Comum. 

Que o STF, pois, siga a jurisprudência dos tribunais da Europa e não reconheça a nebulosa tese do ‘Direito ao Esquecimento’ - não existente, diga-se, em nossa legislação -, jamais permitindo que a ‘palavra-talismã’, a ‘palavra-esponja ESQUECIMENTO’ seja aproveitada e aplicada de forma totalitária, para uma amnésia geral, mercê de inaceitável censura político-ideológica, em nosso amado Brasil, de cariz democrático e cristão!

Em derradeiro, concluímos que certa e recerta é a afirmação constante do jornal Inconfidência de que, no concernente a fatos/episódios de memoriabília, de alta traição e covardia, como os anteriormente referidos, ESQUECER TAMBÉM É TRAIR!  

A CONSPIRAÇÃO (CONTRA TEMER)

A CONSPIRAÇÃO (CONTRA TEMER)

Advogado Sacha Calmon – colunista do Correio Braziliense

O inquisidor-mor denunciou o presidente. O blog Imprensa Viva acertou em cheio: “Por mais que o presidente Michel Temer não tenha conquistado altos índices de popularidade, com uma coisa todos devem concordar: nenhum presidente da história do país sofreu ataques tão implacáveis de origens tão distintas e conseguiu se manter de pé como ele. Temer foi alvo de ações ferozes e letais planejadas por setores do Judiciário, incluindo a PGR e o STF, de quase toda a imprensa brasileira, dos artistas, dos partidos de esquerda e de formadores de opinião nas redes sociais e, pelo menos até o momento, conseguiu resistir com elegância. O mérito por ter resistido a forças tão devastadoras é todo de Temer e de mais ninguém. Os empregados da Globo ficaram esbaforidos de tanto pedirem a renúncia do presidente. Nem a Globo, nem os artistas, Janot, Fachin, os partidos de esquerda, os movimentos sociais e sindicais conseguiram convencer a população a ir para as ruas pedir a renúncia”.
O blog prossegue: “Logo que assumiu o poder, Temer lavou a alma dos brasileiros e mexeu com interesses poderosíssimos. Demitiu mais de 20 mil macacos petistas que viviam dependurados na máquina pública, acabou com a mamata dos artistas petistas que viviam das verbas da Lei Rouanet, cortou verbas públicas para jornalistas de aluguel, sites petistas e todos os blogues sujos da esgotosfera, não aliviou Lula dos objetos que ele roubou dos palácios do Planalto e Alvorada, cortou os 80 motoristas de Dilma, acabou com a farra das grandes empresas no BNDES, rompeu contratos com empresas amigas do PT e propôs quebrar as pernas de mais de 13 mil sindicatos do Brasil por meio da extinção da contribuição sindical obrigatória”.
“Como se não bastasse, Temer conseguiu tirar o Brasil da pior recessão em mais de 100 anos, reduziu a inflação, conteve a escalada do dólar, reduziu juros, e o país já estava comecando a gerar empregos com carteira assinada, até que veio a tentativa de golpe. Fiando-se nos baixos índices de popularidade de Temer, a Globo e o PT acharam que o derrubariam com um espirro. Juntaram-se aos bandidos da JBS e armaram um vídeo ‘preparado’ em conluio com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e o ministro Edson Fachin. Janot até encarregou seu braço direito na PGR, o ex-procurador Marcelo Miller, para orientar Joesley Batista, que conseguiu um belíssimo acordo de delação premiada”.
Temer foi à guerra contra o grupo JBS do criminoso confesso Joesley Batista. “Em uma sequência devastadora de ataques Temer encerrou uma linha de crédito de R$ 9 bilhıes que a J&F tinha na Caixa EconÙmica, cancelou um contrato de fornecimento de gás da Petrobras para uma termelétrica do grupo e elevou o teto das multas da Comissão de Valores Mobiliários de R$ 500 mil para R$ 500 milhões. A JBS é alvo de nada menos que nove inquéritos na CVM. Temer literalmente quebrou as pernas de Joesley Batista”.
A conspirata visa a derrubar Temer, que reagiu. Expôs Janot de forma cruel ao insinuar que ele recebeu dinheiro por meio de Miller, que deixou o Ministério Público Federal para atuar em um escritório de advocacia que negociou o acordo de leniência da JBS. “Talvez os milhões de honorários recebidos não fossem apenas ao assessor de confiança [Miller], mas eu tenho responsabilidade e não farei ilações. Tenho a mais absoluta convicção de que não posso denunciar sem provas”, disse Temer, referindo-se ao ex-procurador como “homem da mais estrita confiança de Janot”.
A ilação de Temer é “presunção” lógica. Ilógica, digo eu, como ex-juiz federal, é dizer que Temer “solicitou” ou “recebeu” R$ 500 mil de Joesley. Mas onde está a prova do recebimento? Sem ela, crime não há. Faça-me o favor, sr. Zveiter. Pode ser Pilatos, mas agiu como Judas. Vá pedir perdão ao seu rabino. Zveiter, da turma do Cabral no Rio, aceitou uma denúncia vazia por pilantragem política e falta de caráter.
É como bem disse Mariz de Oliveira, na defesa do presidente: “Deseja-se encerrar esse tópico exteriorizando-se a mais profunda indignação de um advogado criminal que milita na defesa há quase 50 anos, quanto à afirmação de que o presidente recebeu uma mala contendo R$ 500.000. Prove, sr. Acusador”.
Anularam por envolver a presidente na gravação entre Dilma-Lula (“Use só se for necessário, viu, Lula”). Isso sim é obstrução da Justiça: nomear Lula ministro para dar-lhe foro especial e evitar a prisão, que se esperava que viesse a ocorrer. A gravação que ele armou entre Joesley e Temer, no entanto, é a base de sua acusação. Pode haver, sr. Janot, maior contradição?

A Rede Globo, a mídia da esquerda e os políticos em geral criaram um clima de ingovernabilidade contra Temer. Mesmo com teto de gastos, uma excelente equipe econômica, a reforma trabalhista aprovada, a previdenciária e a economia crescendo. Tirem-no e quero ver o que poderão fazer de melhor. Estou certo de que vão se danar e nós vamos pagar a conta. (16/07) 

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

VOCÊ VAI ENGOLIR CALADO MAIS ESSA IMORALIDADE?

VOCÊ VAI ENGOLIR CALADO MAIS ESSA IMORALIDADE?

Por Humberto de Luna Freire Filho - médico

A essência municipal da democracia

Os políticos brasileiros vem se mostrando absolutamente incompetentes para a gestão da coisa pública, preocupados que estão em garantir as benesses as quais se concedem sem qualquer constrangimento. E nós, eleitores que os colocamos na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, não somos consultados e sim tidos e havidos como massa de manobra. Ainda agora, suas excelências cogitam de uma fórmula que lhes permita continuar em seu dolce far niente, para variar, às nossas custas. E tome de Fundo Eleitoral, “distritão” e outras cositas mas.
Formas de corrigir tal estado de coisas existem. Ainda há, quero crer, entre os “nobres” parlamentares, uns poucos dignos e honestos. São estes os que merecem nossa confiança e o nosso voto. Há que levar-lhes propostas exequíveis e cobrar a sua apresentação no plenário, nas comissões, nas entrevistas, etc.
Caso não sejam atendidos os reclamos da “parcela pensante” do nosso povo estaremos caminhando, de forma acelerada, para problemas tais como, em caso extremo, a guerra civil. O tempo vai se fazendo curto. Caberá, aos que se dizem nossos representantes, evitar que cheguemos a tal ponto. 
OJBR

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por Fernão

Quinze dias atrás, com “Um caso de cura da nossa doença”, mostrei aqui como, começando pelo Oregon, em 1902, as “reformas Progressistas” empurradas por Theodore Roosevelt presidente implantaram o sistema de democracia semi-direta que pôs o comando da política nas mão dos eleitores e a corrupção sob controle nos EUA após uma crise em tudo semelhante à do Brasil de hoje.
Essa revolução esgueirou-se pela brecha aberta pela constituição da Califórnia de 1879 que garantiu às suas cidades o direito de criar as próprias constituições. A política de todo o Oeste do país era dominada pelos donos das ferrovias que controlavam as estruturas partidárias estaduais.
Operando serviços públicos essenciais que só forneciam a quem lhes declarasse obediência, os caciques a soldo das ferrovias tinham força para bloquear ou desfazer todas as reformas tentadas por prefeitos independentes. Ao fim de dez anos de luta contra os chefões em São Francisco, Los Angeles inscreve na sua, no mesmo 1889 em que saíamos do absolutismo monárquico para entrar aos tropeços na Republica, os direitos de iniciativa, referendo e recall que só chegariam à constituição estadual da Califórnia em 1903. A partir daí foi uma avalanche. Sacramento em 1903, San Bernardino, San Diego, Pasadena e Eureka em 1905, São Francisco em 1907, todas foram adotando as mesmas ferramentas.
O Movimento Progressista dividiu-se então em duas linhas aparentemente conflitantes no âmbito municipal. Uma procurava dar mais poder aos eleitores com primárias e as demais ferramentas de democracia direta e outra, nascida meio por acidente, empurrava no sentido oposto de substituir políticos eleitos por executivos dispensados da obrigação de seduzir eleitores para exercer funções públicas. Nasceram assim os “governos de comissão” que ate hoje são a opção da maior parte das cidades americanas. Galveston, Texas, arrasada por um furacão em 1900, criou o modelo. A prefeitura mostrou-se incapaz de restabelecer a ordem e a cidade determinou, então, que uma comissão de especialistas acumulando poderes executivos e legislativos fosse nomeada para comandar a reconstrução. Funcionou tão bem que ela continuou no poder pelo voto a partir de 1903. Não demorou muito e Houston, Dallas, Forth Worth, Austin e El Paso adotaram o modelo.
As comissões consistiam em cinco a sete administradores eleitos em pleitos não partidários, cada um com poderes sobre uma área das atividades do governo municipal (obras publicas, segurança, finanças, saneamento, etc). O sistema convivia com os mecanismos de iniciativa, referendo e recall. Mesmo debaixo de uma enorme celeuma por colocar uma distância maior entre executivos e eleitores e ferir o sentido republicano prescrito pela constituição nacional de governo de representação e separação dos poderes, o modelo se foi espalhando como uma febre, imposto com as ferramentas da iniciativa e do referendo por munícipes cansados da corrupção e da ineficiência dos políticos.
Novas combinações foram sendo experimentadas ao sabor dos acidentes de percurso. Daytona, Ohio, quase destruida por uma grande enchente em 1913, elegeu cinco especialistas que indicaram um "manager" para executar suas deliberações. Berkeley, em 1921-22, assolada por uma crise financeira arrasadora, tipo Rio de Janeiro, tentou outra variação de convivência entre poderes executivo e legislativo de seu "council" e respectivos executivos.
Ao cabo dessas e outras experiências dois modelos principais acabaram por consolidar-se. Nos governos de "council-mayor" uma comissão é diretamente eleita e tem poderes para deliberar as políticas, votar desapropriações, estabelecer objetivos e nomear um profissional para aconselhá-la e executar suas políticas. Nomeia também um prefeito com funções apenas cerimoniais entre seus próprios membros (rotativo em alguns casos; diretamente eleito em cidades maiores). Já o modelo de "city-manager" inspira-se mais diretamente no modelo corporativo. Um conselho eleito nomeia uma espécie de CEO que, por sua vez, nomeia uma “diretoria” para executar as políticas do conselho em cada área de especialização. Esses conselhos têm poderes legislativos restritos. As leis mais importantes, de qualquer maneira, propostas pelo povo ou pelos legisladores, vão a voto direto.
O objetivo é profissionalizar a gestão pública e torna-la tão ágil quanto o resto da economia privada. Quem não desempenhar perde o emprego, dispensando-se processos políticos. Esse modelo, hoje, é usado em 40% das cidades americanas de porte médio para baixo.
O país migrou, portanto, de um sistema totalmente amarrado ao principio representativo e à política partidária para outro libertado do apego a falsos critérios de coerência ideológica e regido exclusivamente pela conveniência prática que mistura à invenção política dos “pais fundadores” a eficiência da gestão corporativa inventada por seus empresários, tudo mediado por ferramentas que dão poder absoluto ao eleitor. O sistema representativo puro sobreviveu intacto só no nivel federal. No municipal e estadual, embora toda a reforma tenha começado para defender o povo da ganância dos "robber baron", o povo também reconheceu o progresso induzido por eles do qual era beneficiário. Tiveram a inteligência de impor-lhes um freio por cima (a legislação antitruste) mas, ao mesmo tempo, institucionalizar o que tinham feito de bom (as técnicas de gestão).
Desde então, os americanos têm sido absolutamente inflexíveis em manter nas mãos dos eleitores o direito de propor diretamente ou dar a ultima palavra sobre as leis que se comprometerão a seguir mas recorrido à contribuição de especialistas dispensados da obrigação de seduzir eleitores para desenhar as melhores possíveis, permitindo-se errar quantas vezes for preciso nessas tentativas até chegar ao melhor resultado ... que não hesitam em alterar mais adiante se novas necessidades assim recomendarem. Trocam "peças defeituosas" (recall) e reescrevem suas leis sem nenhuma cerimônia. São absolutamente flexíveis na porta de entrada para dar eficiência ao sistema, mas mantêm estritamente nas mãos dos eleitores o controle da porta de saída.