MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Trump está certo sobre a OTAN

Trump está certo sobre a OTAN

Patrick J. Buchanan

Comentário de Julio Severo:De acordo com o DailyMail, um dos maiores jornais do mundo, Donald Trump disse: “A OTAN é obsoleta porque foca na proteção da Europa contra a Rússia, não contra os terroristas islâmicos radicais.” Trump também disse: “Os EUA estão lidando com a OTAN desde os dias da União Soviética, que não existe mais… Os EUA estão gastando demais na OTAN. Os EUA estão pagando a maior parte. Os EUA estão gastando quantias tremendas de dinheiro em algo que era relevante muitas, muitas décadas atrás, mas o mundo mudou. É um lugar diferente.” A declaração de Trump está absolutamente certa, indo contra a opinião dos neocons (neoconservadores que usam tanto a esquerda quanto a direita americana), que demonizam e priorizam a Rússia, não o islamismo, como a ameaça mundial. Trump inverteu isso. Trago, diretamente do WND (WorldNetDaily), a opinião de Pat Buchanan (republicano, ex-candidato presidencial americano e católico tradicionalista pró-vida), que também acha que a OTAN havia sido criada contra uma União Soviética que não mais existe. Nesse sentido, dizer que a OTAN é obsoleta hoje é dizer o óbvio. Na minha opinião, o que mais evidencia a inutilidade total da OTAN é o fato de que centenas de milhares de muçulmanos estão invadindo ameaçadoramente a Europa, trazendo muitos perigos, enquanto tudo o que a OTAN consegue fazer é cruzar os braços e contemplar. Mais inútil que isso, impossível. Confira agora a opinião de Buchanan:

Não sou “isolacionista, mas quero ‘os EUA em primeiro lugar,’” Donald Trump disse ao jornal New York Times no final de semana passado.“ Gosto dessa expressão.
Acerca da OTAN, onde os EUA financiam três quartos do custo de defender a Europa, Trump chama esse esquema de “economicamente injusto para os EUA,” e acrescenta, “Não mais seremos enganados.”
A mídia política de Washington pode estar atônita com as guerras de Twitter por causa de esposas e infidelidades alegadas. Mas as ideias que Trump expressou deveriam provocar um debate nacional sobre os compromissos dos EUA no exterior — principalmente a OTAN.
Pois não falta apoio importante para as ideias de Trump.
O primeiro supremo comandante da OTAN, o general Eisenhower, disse em fevereiro de 1951 acerca dessa aliança: “Se em 10 anos, todas as tropas americanas estacionadas na Europa para propósitos de defesa nacional não tiverem retornado aos Estados Unidos, então esse projeto inteiro terá sido um fracasso.”
Conforme relata Richard Reeves, biógrafo de JFK, o presidente Eisenhower, uma década mais tarde, admoestou o presidente eleito da OTAN.
“Eisenhower disse ao seu sucessor que era hora de começar a tirar as tropas americanas da Europa e fazê-las retornar aos EUA. ‘Os EUA estão fazendo muito mais do que sua parte na defesa do mundo livre,’ ele disse. Era hora de outras nações da OTAN assumirem mais dos custos de sua própria defesa.”
Nenhum presidente americano seguiu o conselho de Eisenhower durante a Guerra Fria.
Mas quando a Guerra Fria terminou, com o colapso do Império Soviético, a dissolução do Pacto de Varsóvia e a desintegração da União Soviética em 15 nações, um novo debate ocorreu.
A coalizão conservadora que era unida na Guerra Fria se fraturou. Alguns argumentaram que quando as tropas russas saíram da Europa e voltaram para a Rússia, as tropas americanas deveriam sair da Europa e voltar para os EUA.
Já era hora de uma Europa populosa e próspera começar a se defender.
Em vez disso, Bill Clinton e George W. Bush começaram a distribuir cartões de membro, isto é, segurança bélica, para todas as nações que haviam sido parte do Pacto de Varsóvia e até para as repúblicas bálticas que haviam sido parte da União Soviética.
Num ato historicamente provocativo, os EUA mudaram sua “linha vermelha” de guerra com a Rússia do Rio Elba na Alemanha para a fronteira entre Estônia e Rússia, a poucos quilômetros da cidade russa de São Petersburgo.
Os EUA declararam ao mundo que se a Rússia tentasse restaurar sua hegemonia sobre alguma parte de seu velho império na Europa, ela estaria em guerra com os Estados Unidos.
Nenhum presidente americano durante a Guerra Fria jamais considerou dar uma segurança bélica dessa magnitude, colocando os EUA em risco de uma guerra nuclear, para defender a Letônia e a Estônia.
Recorde. Eisenhower não interveio para salvar os combatentes da liberdade na Hungria em 1956. Lyndon Johnson não levantou um dedo para salvar os checos, quando exércitos do Pacto de Varsóvia esmagaram a “Primavera de Praga” em 1968. Reagan recusou intervir quando o general Wojciech Jaruzelski, obedecendo às ordens da União Soviética, esmagou o Solidariedade em 1981.
Esses presidentes colocaram os EUA em primeiro lugar. Todos teriam se alegrado muito com a libertação da Europa Oriental. Mas nenhum deles teria submetido os EUA à guerra com uma nação armada com armas nucleares como a Rússia para garantir tal liberdade.
Entretanto, George W. Bush declarou que qualquer movimento russo contra a Letônia ou Estônia significava guerra com os Estados Unidos. John McCain queria estender a segurança bélica dos EUA para a Georgia e Ucrânia.
Essa loucura nasceu da pura arrogância. E entre os que avisaram contra a atitude da OTAN de avançar até as fronteiras da Rússia estava o maior geoestrategista dos EUA, o autor da política de contenção, George Kennan:
“Expandir a OTAN seria o erro mais fatal da política americana na era pós-Guerra Fria. Previsivelmente, tal decisão impelirá a política externa da Rússia numa direção que decididamente os EUA não vão gostar.”
O que Kennan disse ficou comprovado como certo. Ao recusarem tratar a Rússia como trataram outras nações que repudiaram o leninismo, os EUA criaram a Rússia que eles temiam, uma nação que está se armando encrespada de ressentimento.
O povo russo, tendo estendido uma mão amiga e levado uma bofetada de inimizade, torceu pela derrubada do complacente Boris Yeltsin e a chegada de um líder autocrático forte que tornaria a Rússia respeitada de novo. Quem preparou o caminho para Vladimir Putin foram os próprios EUA.
Enquanto Trump está focando no modo como os EUA estão arcando com o excesso do custo de defender a Europa, são os riscos que os EUA de hoje estão tomando que são os mais ameaçadores, riscos que nenhum presidente americano nunca ousou tomar durante a Guerra Fria.
Por que os EUA deveriam lutar contra a Rússia para ver quem domina os estados bálticos ou a Romênia e a Bulgária? Quando foi que a soberania dessas nações se tornou interesse tão vital que os EUA arriscariam um conflito militar com a Rússia que poderá se agravar, resultando numa guerra nuclear? Por que os EUA ainda se comprometem a brigar por inúmeras nações nos cinco continentes?
Trump está desafiando a mentalidade de uma elite de política externa cujos pensamentos estão congelados num mundo que desapareceu por volta de 1991.
Ele está propondo uma nova política externa onde os Estados Unidos se comprometam à guerra somente quando atacados ou interesses americanos vitais sejam ameaçados. E quando os EUA concordarem em defender outras nações, elas arcarão com todas as despesas de sua própria defesa. Acabou a era da carona.
A frase de Trump, “Os EUA em Primeiro Lugar,” parece legal.
Pat Buchanan é colunista do WND e foi assessor do presidente Ronald Reagan.

Traduzido por Julio Severo do original em inglês do WND (WorldNetDaily): Trump is right about NATO


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