MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Há 52 anos!

Há 52 anos!

Gen Bda Paulo Chagas
Gen Bda Rocha Paiva

Um fato histórico não pode ser apagado da memória da Pátria, muito menos da memória dos que o protagonizaram e dos que herdaram, institucionalmente, a responsabilidade e os ensinamentos dele decorrentes.
Vivemos, no momento atual, mais do que em qualquer outro, a necessidade de repensar o Brasil e de voltarmos os olhos para março de 1964 e fazer valer as lições aprendidas, apanágio da profissão que escolhemos pela vocação do amor à Pátria.
As circunstâncias, hoje, são outras e só o são porque, no período que sucedeu a Revolução, as instituições que a promoveram não fugiram do dever de assumir o caos e de transformá-lo em ordem e progresso, conforme propõe o lema republicano, desde o advento do regime, em meio a sucessivas crises politico-militares, que mantinham em suspenção os escombros da implosão súbita do Império.
Vivenciamos outra vez o caos político e econômico, agravado por um descalabro moral e ético jamais visto na história. O povo brasileiro, deixado à mercê de sua vontade, mas, “deseducado e iludido, elegeu uma classe política absurdamente corrupta, irresponsável e despreparada”.E “de repente, diante do caos, cresce o desejo de mudar esse cenário e muitos pedem que retornemos ao passado e limpemos o chiqueiro”.
Esta atitude é o testemunho incontestável dochoque com a realidade e da desilusão que contamina todos os níveis da sociedade minimamente informada e que atesta, em regime de sofrimento e de falta de perspectivas, o quanto devemos aos heróis de 1964 que, abraçados aos interesses da Pátria, em meio às ameaças da Guerra Fria, espremidos entre dois poderosos blocos antagônicos, souberam interpretar a vontade nacional, identificar o perigo e tomar a iniciativa para neutralizá-lo.
É nesse contesto que devemos rememorar e enaltecer o contragolpe de 31 de março de 1964.
No início dos anos 60, o Brasil não tinha instituições maduras e fortes para sustentar a democracia, abalada por sucessivas crises político-militares. O progresso não proporcionava as necessidades básicas da maioria da população, o que facilitou a ocupação de espaços importantes pela esquerda radical infiltrada em sindicatos, no meio acadêmico, na mídia, nos órgãos de governo, na Igreja e até nas Forças Armadas.
A situação político-social prenunciava um conflito com potencial para desaguar numa guerra civil de cunho revolucionário. Luiz Carlos Prestes, declarara que seu partido já tinha o governo e só lhe faltava o poder.
Em 13 de março de 64, o presidente João Goulart radicalizou o discurso, tentando, na lei ou na marra, intimidar as instituições, inclusive o Legislativo, visando aprovar medidas populistas e angariar o apoio ou a neutralidade da população face ao golpe em curso.
A quebra da hierarquia e da disciplina nas FFAA reforçava a crença na vitória. Jango juntara-se ao golpe comunista e os setores do governo, sindicatos e partidos de esquerda articulavam-se para implantar aqui uma República Sindicalista, pela qual o país ingressaria no bloco comunista, seguindo os passos de Cuba.
O “31 de Março” foi o desfecho de um movimento civil-militar que mobilizou toda nação e impulsionou as FFAA, sem dar condição de reação a um governo que perdera a autoridade moral e o respeito da nação.
A Folha de São Paulo, de 27 de março de 1964 publicou: "Até quando as forças responsáveis deste país, as que encarnam os ideais e os princípios da democracia, assistirão passivamente ao sistemático, obstinado e agora já claramente declarado empenho capitaneado pelo presidente de República de destruir as instituições democráticas?".
Nos dias subsequentes, milhões de cidadãos comemoraram a vitória da democracia em todos os estados da Federação, como registrou a mídia em âmbito nacional.
O insucesso da via pacífica levou, no entanto, a esquerda radical a deflagrar a luta armada. O Brasil, ao cortar o mal na raiz, escapou do destino infeliz que lhe desejavam os mesmos que hoje ocupam o poder pela via da mentira e da exploração das próprias vulnerabilidade da democracia.
Em 21 anos de regime militar, foram cerca de 500 mortos em confrontos nas áreas urbanas e rurais, sendo 400 militantes da esquerda armada aos quais, seguindo o exemplo magnânimo de Caxias, pediremos o perdão e o consolo divino, amanhã, na missa em memória dos mortos na luta armada. Um alto custo para poucos, mas muito baixo se comparado ao da impunidade e da criminalidade que hoje nos intimida.
É hipocrisia a condenação dos governos militares por excessos na reação à luta armada, feita por quem idolatra ditaduras e lideranças criminosas; concede asilo a terroristas estrangeiros condenados, mas devolve fugitivos da ditadura cubana; financia e confraterniza com ditos movimentos sociais, cujas ações resultam, impunemente, em invasões, destruições e mortes.
De 1922 a 1964, houve cerca de duas dezenas de crises institucionais onde chefes militares, envolvidos na política partidária, arrastavam consigo parte da tropa em um Brasil ainda imaturo para a democracia. Havendo ou não honestidade de propósitos, ficavam prejudicados: o compromisso militar, que deve ser exclusivo com a nação; a dedicação, que deve ser integral à missão constitucional; e os princípios de hierarquia e disciplina, comprometendo a coesão nas FFAA e a própria unidade nacional. O regime de 1964 afastou as Forças e os militares da ativa da política partidária e criou condições para o fortalecimento das instituições. As crises políticas não tiveram mais o envolvimento militar e, hoje, são resolvidas nos foros apropriados.
Os generais presidentes reconheciam a excepcionalidade do regime e manifestavam permanentemente o objetivo de retorno à normalidade democrática, o que se cumpriu com a revogação do AI-5, a anistia e a abertura política logo após a derrota da luta armada e a aceitação pelos ex-guerrilheiros das regras do jogo democrático.
A redemocratização veio a partir de 1978, não por obra da esquerda revolucionária já desmantelada. É um engano considerá-la vitoriosa porque antigos militantes ocupam, hoje, posições importantes na sociedade. Eles não chegaram ao poder pela força das armas e sim como cidadãos com plenos direitos assegurados na anistia concedida pelo próprio regime em 1979. Abandonaram a luta armada, derrotados, e se submeteram às normas democráticas, reintegrando-se à sociedade na forma da lei, em pleno regime militar e como exigiam a Nação e o Estado.
O Brasil tornou-se uma democracia, aspiração da sociedade, da oposição legal e dos governos militares, e não um país comunista escravizado por um partido único, objetivo permanente da esquerda revolucionária, hoje, outra vez, no poder, mas não no domínio das mentes e dos corações dos brasileiros que, em massa, retornaram às ruas, 52 anos depois do Comício da Central do Brasil, no último 13 de março, para dizer BASTA!
Basta à corrupção e ao enriquecimento ilícito! Basta à incompetência, à desonestidade, à luta de classes. Basta à política de gênero, à desvalorização do mérito, ao desrespeito à vida. Basta ao desemprego, à recessão, à inflação, aos impostos escorchantes e ao descaso para conosco que somos os verdadeiros donos deste País!
Os Marinheiros, Soldados e Aviadores, cidadãos fardados nunca apartados da sociedade a que servem e em nome da qual impunham suas armas, não estão alheios à conjuntura hostil ou descuidados do cumprimento do seu dever. Têm a motiva-los o exemplo histórico da Revolução Democrática de 1964 que não pode ser, nem nunca será, apagado da memória dos que amam com fé e orgulho este solo sagrado das Terras de Santa Cruz!
BRASIL, ACIMA DE TUDO!!
Gen Bda Paulo Chagas
Gen Bda Rocha Paiva