São Paulo – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, homologou a delação premiada do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) no âmbito da Operação Lava Jato, que investiga o esquema de corrupção na Petrobras. 
Veja, abaixo, alguns relatos do senador, que foi preso em novembro passado, e a íntegra da delação.

1. Dilma interferiu na Operação Lava Jato
De acordo com o documento, a presidente e o ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, interferiram em três ocasiões na Lava Jato.
Na manobra, ele diz que Dilma nomeou o ministro Marcelo Navarro ao Supremo Tribunal de Justiça (STJ) para impedir a prisão de empreiteiros denunciados na operação. A pedido da presidente, o acordo para livrar os envolvidos foi firmado entre Delcídio e Navarro durante uma reunião no Palácio do Planalto.
"É indiscutivel e inegável a movimentação sistemática do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo e da própria presidente Dilma Rousseff, no sentido de tentar promover a soltura de réus presos no curso da referida operação", diz o documento da delação. 

2. Dilma tem conhecimento dos desvios de recursos de Pasadena
Em 2006, ainda como presidente do Conselho de Administração da Petrobras, Dilma tinha conhecimento que, por trás da compra da Refinaria de Pasadena nos Estados Unidos, havia um esquema de desvio superfaturado de 792 milhões de dólares.
A presidente alega que desconhecia as cláusulas que desfavoreciam a estatal. “Delcídio esclarece que a aquisição de Pasadena foi feita com o conhecimento de todos. Sem exceção”, diz o trecho da delação.

3. Cerveró na Petrobras foi indicação da presidente
De acordo com Delcídio, Dilma participou diretamente da nomeação de Nestor Cerveró para o cargo de Diretor Financeiro da BR Distribuidora, subsidiária da estatal.
Antes de ser indicado para a diretoria da BR, Cerveró atuava como diretor internacional da Petrobras, mas perdeu o cargo em 2008. Para mantê-lo em um posto estratégico da estatal, Dilma realizou essa manobra.

4. Campanha de Dilma em 2010 recebeu recursos em caixa dois
O senador diz que a campanha eleitoral da presidente em 2010 foi “uma das maiores operações de caixa 2”.
Segundo ele, o empresário Adir Assad, preso por fraude, desvio de dinheiro e corrupção na Petrobras, foi o responsável pelo esquema.
O tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT) firmou contratos com as empresas do empresário que repassava os recursos para a campanha da presidente.
A ação, descoberta posteriormente na CPI dos Bingos, foi maquiada pelo governo com ajuda de sua base de apoio no Congresso, diz a revista.
"Uma das maiores operações de caixa 2 da campanha de Dilma em 2010, foi feita através do empresário Adir Assad. Orientados pela tesoureiro da campanha, José Filippi, os empresarios faziam contratos de serviços com as empresas de Assad que repassavam recursos para as campanhas". 

5. Lula tinha conhecimento de tudo e interferiu na Lava Jato
O ex-presidente, segundo depoimento na delação, sabia de todo o esquema de corrupção instalado na Petrobras. E para controlar as investigações, pagou mesadas para calar as testemunhas.
Delcídio diz que ele fez pagamentos em dinheiro para o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró com o intuito de que ele não delatasse o seu amigo e pecuarista José Carlos Bumlai – envolvido no esquema superfaturado da compra de sondas feita pela Petrobras.
“Lula pediu expressamente a Delcídio do Amaral para ajudar o Bumlai porque supostamente ele estaria implicado nas delações de Fernando Soares e Nestor Cerveró”, diz o senador. 

Delação Delcídio do Amaral by Valéria Bretas

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