MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

terça-feira, 22 de março de 2016

O chilique de Raúl Castro: 'Cuba tem presos políticos?': a pergunta que incomodou Raúl Castro durante visita de Obama

O chilique de Raúl Castro

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/03/160322_cuba_presos_tg

'Cuba tem presos políticos?': a pergunta que incomodou Raúl Castro durante visita de Obama

"Dê-me agora a lista dos presos políticos para soltá-los. Mencione-a agora."
Essa foi a resposta do presidente de Cuba, Raúl Castro, a uma pergunta de um jornalista durante a entrevista coletiva que concedeu em Havana ao lado do mandatário dos EUA, Barack Obama, que nesta semana faz uma visita histórica à ilha.
Castro, que não costuma falar com a imprensa, ficou visivelmente irritado pela sugestão do repórter da rede americana CNN Jim Acosta de que existam presos políticos em Cuba.
"Se há esses presos políticos, eles estarão soltos antes de a noite chegar", afirmou o presidente cubano.
Antes disso, o próprio Obama havia respondido a uma pergunta do jornalista americano, assegurando que havia se reunido no passado com cubanos que tinham sofrido detenções arbitrárias.

Há ou não presos políticos?

As declarações de Raúl Castro expõem um dos principais temas controversos na relação entre Cuba e EUA: as supostas violações de direitos humanos na ilha denunciadas por Washington e organizações internacionais.
"Opomo-nos à duplicidade de critérios sobre direitos humanos. Cuba tem muito o que dizer e mostrar nesse assunto", disse Castro à imprensa. O cubano afirmou ainda que seu governo defende os direitos humanos e que "direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais são indivisíveis, interdependentes e universais".
O governo cubano insiste em afirmar que pessoas consideradas "presos de consciência" por organizações de direitos humanos são "espiões, terroristas ou delinquentes comuns" - também são citados como assalariados dos EUA.
Enquanto isso, organizações como a Anistia Internacional sustentam que Havana se baseia em termos ambíguos para punir dissidentes.

"Leis que tipificavam 'desordens públicas', 'desacato', 'falta de respeito', 'perigo' e 'agressão' eram usadas para processar ou ameaçar opositores do governo com processos, por motivos políticos", afirmou a organização em informe recente.
"Pessoas críticas ao governo continuam sendo alvo de assédio, 'atos de repúdio' (manifestações encabeçadas por simpatizantes do governo e com participação de agentes de segurança do Estado)", apontou ainda o documento.
Outra organização de direitos humanos, a Human Rights Watch, denunciou a realização de 6,2 mil detenções arbitrárias em Cuba entre janeiro e outubro de 2015, que seriam prisões breves para impedir a reunião e protestos de opositores.

Lista de detidos

Após a entrevista coletiva de Obama e Castro nesta segunda-feira, Ben Rhodes, assessor de segurança nacional da Casa Branca, disse que os EUA apresentaram várias listas de presos políticos a autoridades cubanas nos últimos dois anos e meio.
Contudo, segundo Rhodes, o governo cubano afirma que os prisioneiros estão detidos por outros crimes.
Elizardo Sánchez, presidente da Comissão de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional, orgão cubano de supervisão independente que funciona há décadas, compilou uma relação de 89 pessoas presas atualmente por motivos políticos.

Entre elas há 11 condenados durante a chamada "Primavera Negra" de 2003, e que hoje estão em liberdade condicional, apesar de terem 

sofrido duras penas.
Em entrevista à BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC, Sánchez citou ainda sete casos de estrangeiros condenados a mais de 20 anos de prisão em Cuba sem direito à liberdade condicional por supostamente terem chegado ao país armados e com planos subversivos. Em nenhum dos casos os supostos planos foram levados a cabo.

Pressão sobre Obama

"Talvez este seja um momento propício para que o presidente Obama peça a libertação dos prisioneiros", afirmou Sánchez, que está convidado a uma reunião com Obama nesta terça-feira.
Pouco depois da entrevista coletiva desta segunda-feira, Antonio Rodiles, líder do grupo dissidente cubano Estado de Sats, teria sido preso em Havana.

"Minha mãe me contou que ele (Rodiles) foi detido violentamente de novo hoje (ontem), às 14h45, em frente ao hotel Copacabana, juntamente com sua companheira Ailer González", afirmou à BBC Mundo a irmã do ativista, Gladys Rodiles-Haney, que vive nos EUA.
Rodiles já havia sido detido no domingo após participar de um protesto pacífico na rua, e foi liberado à noite.
"Uma verdadeira onda de repressão política está em curso há vários dias", disse Sánchez. Segundo ele, cerca de 20 pessoas foram detidas apenas na tarde desta segunda, entre elas Berta Soler, líder do grupo opositor Damas de Branco.

Ainda que a reação de Castro à pergunta sobre direitos humanos tenha atraído toda a atenção, alguns observadores consideraram que Obama deveria ter reagido de forma mais enérgetica.
"Quando o presidente dos EUA falar com o povo cubano amanhã (hoje), deve fazer um trabalho melhor para abordar os direitos humanos", afirmou José Manuel Vivanco, diretor da Human Rights Watch.
"É hora de ir mais além dos princípios abstratos e ser específico na conversa: prisões arbitrárias, sites bloqueados e leis usadas para punir a dissidência", acrescentou.