MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

quinta-feira, 31 de março de 2016

A baixa da maré vermelha

A baixa da maré vermelha

Osmar José de Barros Ribeiro, em 29 Mar 2016

Até há pouco tempo, o êxito das ações empreendidas pelo Foro de São Paulo no sentido de transformar a América do Sul num continente vermelho, parecia incontestável. Afinal, a Venezuela, o Brasil, a Argentina, a Bolívia, o Paraguai e o Equador estavam nas mãos de gente plenamente confiável e obediente aos ditames da sua cúpula.
Porém, como diz um antigo ditado popular, “o homem põe e Deus dispõe”. O primeiro a cair foi Lugo, o bispo garanhão, presidente do Paraguai, cujo impedimento pelo Congresso custou ao país a suspensão do Mercosul, numa clara manobra para permitir o ingresso da Venezuela, levada a cabo pelo Brasil e Argentina, com o apoio do Uruguai .
A Argentina derrotou o kirchnerismo em novembro passado. Semanas depois, foi a vez das eleições na Venezuela representando, com a conquista de dois terços do Congresso pela oposição, o princípio do fim do bolivarianismo no poder. Mais recentemente, os bolivianos recusaram-se a aceitar a continuidade de Evo Morales após 2019. No Equador, Rafael Correa já anunciou que não tentará a reeleição em 2017.
No Brasil, uma crise política e econômica, agravada por denúncias de corrupção, leva a um melancólico final o governo petista, após quase 13 anos no poder.  Não obstante, o Foro de São Paulo recusa-se a ver a morte da galinha dos ovos de ouro e busca, além de apoio interno, respaldo externo.
Evo Morales propôs uma reunião de emergência da União das Nações Sul-americanas (Unasul) para defender a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pois, segundo ele, está sendo gestado no Brasil "um golpe do Congresso", maquinado por "grupos oligárquicos dos Estados Unidos", para evitar que Lula seja candidato nas próximas eleições presidenciais.
Por seu turno, o ministro das Relações Exteriores do Uruguai, Rodolfo Nin Novoa, afirmou que está circulando, em todos os Países da Unasul, documento fazendo um chamado e um pedido para que seja respeitada a ordem institucional no Brasil.
O equatoriano Rafael Correa disse que a América do Sul está sendo ameaçada por tentativas de desestabilização dos governos progressistas da região e que a América Latina “abraça Lula” que teve seus direitos violados por uma “condução coercitiva”.
Na verdade, estamos às vésperas de sérios problemas, mais internos que externos, haja vista que o Partido dos Trabalhadores tornou-se, pela vontade de Lula, instrumento da estratégia do Foro de São Paulo para restaurar o comunismo na América Latina. Com esse objetivo foram criados, artificialmente, conflitos ideológicos do “nós contra eles”, “brancos versus negros”, “ricos contra pobres”, “nordeste contra sul”, tudo no melhor estilo da luta de classes.
Contudo, a maré vermelha está se desfazendo. As recentes derrotas da esquerda são devidas, além da realidade econômica, ao fato de que seus líderes aderiram à corrupção, sem considerar a crescente intolerância popular a ela. Cresce assim, a cada dia, a probabilidade de Lula ser preso e Dilma Rousseff sofrer impeachment.
Tudo considerado, o que de melhor aconteceu no Brasil, vem sendo o clamor por integridade no trato dos negócios governamentais. Continuemos a envidar esforços nesse sentido.