MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Onde está a inteligência no Brasil?

SPUTNIK
14/01/2016

OPINIÃO: FALTA UMA EFETIVA POLÍTICA DE INTELIGÊNCIA AO BRASIL

20:17 13.01.2016(atualizado 20:21 13.01.2016)
Da Redação

Artigo publicado esta semana na mídia brasileira identifica e critica erros detectados na política de segurança do país. Sob o título “Onde Está a Inteligência no Brasil?”, o editorial da edição virtual do Jornal do Brasil lista alguns pontos que deixaram o país em situação bastante vulnerável em segurança institucional.
Entre os aspectos destacados pelo editorialista estão a atuação da mídia internacional, pressionando a economia nacional, a depreciação do patrimônio público e o destaque dado às agências de classificação de risco e à perda do grau de investimento pelo Brasil. O artigo aponta também as pressões contra a Petrobras, visando a privatizar a maior empresa do país, e as intensas repressões a manifestantes contrários ao aumento das passagens dos transportes públicos ocorridos no início deste ano de 2016.
O especialista em Inteligência Ricardo Cabral, pesquisador da Escola de Guerra Naval, no Rio de Janeiro, comentou para Sputnik Brasil o editorial do Jornal do Brasil e afirmou que o texto está certo em vários aspectos e obriga as autoridades brasileiras a uma profunda reflexão sobre a política de segurança adotada no país.
“A atividade de inteligência no Brasil, de maneira geral, após os governos militares e com a extinção do SNI pelo Presidente Fernando Collor, sofreu uma degradação, ficou no limbo durante um bom tempo. Depois, a inteligência foi de novo regulada pelo Presidente Fernando Henrique Cardoso, com a criação da Abin e, mais tarde, com o Sisbin. Hoje estamos muito mais reféns de assessoramento estrangeiro. Temos, por exemplo, o Centro Integrado Antiterrorismo, onde recebemos inteligência de vários países, que nos ajudam. A questão é: o Brasil está preparado para não só sediar grandes eventos, mas está preparado para se defender? Nós vimos uma inteligência bastante agressiva e que tem muitos recursos, como a francesa, que foi surpreendida em Paris, no ano passado, em duas ocasiões. Aqui no Brasil o setor de inteligência é completamente estatizado, a regulação, os cargos, a própria Abin e o Sisbin já sofreram reformulações, cada Governo que vem muda a estrutura, e não se busca aquilo que a inteligência deve fazer, que é alertar o Governo. Ou seja, o principal cliente da inteligência no Brasil, o Governo, não vê nela muita importância ou pelo menos nós não percebemos isso.”
Ricardo Cabral exemplifica:
“O caso desse professor de Física, Adlène Hicheur, que foi para a Universidade Federal do Rio de Janeiro, é um caso clássico. Como ele entrou? Será que foi feito um acompanhamento? Pelo que vimos, somente depois da entrada dele é que a Polícia Federal começou a segui-lo, a tomar providências. Se formos ver, temos outros casos. Quando o Governo se direciona fortemente para esse setor, nós conseguimos responder, como no caso dos atentados de 11 de Setembro, quando foram feitas acusações sobre a região da tríplice fronteira, especificamente sobre Foz do Iguaçu. A mesma coisa está se processando agora com um esforço maior para as Olimpíadas, mas continua a questão: a inteligência está com uma parte no Ministério da Justiça, na Polícia Federal; uma parte nos serviços militares e outra agregada ao Gabinete de Segurança Institucional. Onde está o grande coordenador? Isso já causou problemas em vários países. Nós não temos ainda nos dado conta da importância do setor de inteligência. Eu lembro algumas coisas que nós deveríamos saber: a questão do Embaixador de Israel, se tivéssemos conhecimento de que Israel iria indicar um embaixador que não nos interessa, se a inteligência funcionasse nós iríamos conseguir conversar com o Governo de Israel para que o problema não chegasse a esse ponto. As questões da Petrobras, como tantos roubos, tanta coisa aconteceu, e a Abin não sabe de nada? Temos outras questões muito mais simples, que são do nosso cotidiano: como chegam as armas ao Rio de Janeiro? A Polícia do Rio de Janeiro diz que vêm de fora, mas não sabemos por onde? Temos os casos de contrabando, de descaminho, o tráfico de drogas. Será que ninguém sabe de nada? Ou se sabe não toma providências? Onde está a coordenação disso?"

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12/01 às 15h55 - Atualizada em 13/01 às 09h45

Onde está a inteligência no Brasil?

País virou refém de esquemas montados em torno do capital estrangeiro 

Jornal do Brasil

Os últimos acontecimentos levam ao questionamento sobre a atuação da inteligência no Brasil. Aqui, ressalta-se, não se fala da inteligência do povo, mas justamente daquela dos que têm por obrigação resguardar o país e garantir a ordem e o desenvolvimento. Parece haver uma articulação internacional contra os interesses do país e a favor do capital estrangeiro, e a segurança do país não percebe isso. 
Vários episódios no cenário político, econômico e social brasileiro evidenciam o processo crescente de desestabilização institucional. Senão, vejamos:
Opinião: Onde está a inteligência no Brasil? País virou refém de esquemas montados em torno do capital estrangeiro.
1) Em sua primeira edição de 2016, a revista semanal britânica The Economist escolheu a crise brasileira como sua matéria de capa. Nela são feitas inúmeras críticas à administração da presidente Dilma Rousseff, com foco na perda dos graus de investimento do país por duas agências de classificação de risco, na previsão de baixo crescimento econômico para o ano, e na demissão de Joaquim Levy do Ministério da Fazenda. A revista chega a afirmar que a queda de Dilma seria necessária para o Brasil retomar seu rumo. Fica a pergunta: por que a The Economist optou por centrar suas críticas desta forma, pregando até a derrubada do governo? Por que uma revista que fala da economia mundial escolhe o Brasil para a capa, se há tantos países no mundo em situação pior? Como se não bastasse, a reportagem da Economist mais parece cópia das reportagens de segmentos da mídia nacional que se dedicam a atacar o governo.
Escritórios de assessorias econômicas internacionais, que contrariam os interesses nacionais, já torcem publicamente pela venda do país. Isso é claro. Declarações e análises, orientadas juridicamente, defendem abertamente o capital estrangeiro em nossa política econômica. 
2) Apesar de estar em sigilo judicial há muito tempo, justamente em seguida da publicação da reportagem de capa doThe Economist foi divulgado o conteúdo da delação do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. Claramente o objetivo foi desestabilizar ou tentar desestabilizar, através de acusações de recebimento de propina, um graduado funcionário do governo, hoje interlocutor da classe política. 
3) Suspeita também foi a nomeação relâmpago de um importante ex-integrante do Palácio do Planalto por um órgão que centraliza a economia mundial. Foi uma clara afronta ao país, principalmente quando se leva em consideração que, durante sua passagem pelo governo, este ex-integrante travou confrontos com a Câmara dos Deputados, que é a própria casa do povo e da democracia, apontado-a como o principal responsável pela crise política e econômica que o país atravessa. Vindo de alguém que sempre serviu a órgãos estrangeiros, não surpreende. 
4) Israel praticamente impôs ao Brasil, no final do ano passado, a nomeação de Dani Dayan como embaixador do país em Brasília. O que se viu não foi uma solicitação, uma indicação, com base em relações diplomáticas cordiais, mas sim uma afronta à autoridade política brasileira. Dayan, longe de ser um diplomata qualquer, foi um influente líder do movimento de assentamentos judaicos, condenados pela política externa brasileira, que defende a criação de um Estado palestino. A aceitação de seu nome seria a aceitação de uma grosseira afronta aos direitos humanos. 
A vice-ministra de Relações Exteriores de Israel, Tzipi Hotovely, chegou a adotar um tom de ameaça ao comentar o problema: "O Estado de Israel deixará o nível de relacionamento diplomático com o Brasil a um nível secundário se o apontamento de Dani Dayan não for confirmado”, afirmou. Deveria o país, por acaso, se curvar novamente? 
5) Na manifestação contra o aumento das tarifas de ônibus que ocorreu na última sexta-feira (8), em São Paulo, houve confrontos entre mascarados black blocs e a Polícia Militar, que, incompreensivelmente, optou por prender os cidadãos comuns e não os verdadeiros vândalos que enfrentava, talvez por serem mais difíceis de serem identificados. Os responsáveis pelo caos estarão livres para atentar contra a segurança pública no próximo protesto. 
6) Como se não bastasse, o país assiste também à premeditada tentativa de desmonte da maior empresa estatal brasileira, responsável por 60% da economia nacional, que custou ao seu criador, Getúlio Vargas, a própria vida. 
A política e a economia brasileiras se tornaram reféns de esquemas estrangeiros que corroem a democracia e o funcionamento adequado das instituições. Se a inteligência não percebe o que está sendo feito com o país, o povo tem mesmo é que esperar pelo carnaval!