MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Renúncia - Fórum dos Leitores de O Estado de S. Paulo

Renúncia

O Estado de S. Paulo, 14/12/2015

Fórum dos Leitores, p. A2
Sandro Ferreira, Ponta Grossa PR

Desde o dia em que Dilma Rousseff instituiu a obrigatoriedade de todo o seu staff, correligionários e visitantes se dirigirem a ela como “presidenta”, desconfiei que algo de muito ruim estava por vir. 
Afinal, essa exigência, além de tosca, demonstrava que a presidente não tinha sequer noção da dimensão da liturgia que seu cargo exige. Igualmente patético foi ver dezenas de jornalistas usando esse termo bisonho, desnecessário, infantil, evidência de personalidade mal resolvida. 
Quem dera, contudo, que essa fosse a única atitude exótica de Dilma. Infelizmente para o Brasil, logo nos primeiros meses de seu mandato a presidente já nos deixou patente que suas capacidades pessoais eram diametralmente opostas às que lhe foram atribuídas por seu criador e antecessor, o Lula, e propaladas pelo marqueteiro João Santana na eleição de 2010, quando o País ainda não conhecia muito bem a tal “gerentona” cuja “genialidade” era então comparada à de Steve Jobs. Muitos acreditaram na blasfêmia eleitoreira, até que a máscara caiu. 
A certa altura do seu primeiro mandato, Dilma chegou a bater recordes de popularidade, com quase 80% de avaliação ótima/boa. Com tristeza, eu, que estava entre a minoria absoluta de ruim/péssimo, tentava entender o que de tão extraordinário os brasileiros viam em alguém que tinha 39 ministérios, alinhava-se a governos ditatoriais mundo afora, afrontava o setor produtivo nacional, dava pitos em subalternos publicamente, pregava um Estado onipotente, afrouxava o controle da inflação, investia em Cuba, na Venezuela e no Equador, além, é claro, de proferir discursos absolutamente sem nexo, coerência e cuidado com a língua pátria. 
Parecia-me que o País estava sofrendo um apagão mental coletivo. Cheguei a temer que fosse eu quem estava alienado da realidade. Mas o tempo me provou que não. 
Hoje, Dilma virou piada, meme, chacota, com suas indecifráveis ideias. Da mandioca como grande conquista da civilização brasileira à mulher sapiens, ela superou Lula, haja vista que, apesar de falar tolices a rodo, ele não delira tanto.
Em 2011 Dilma pegou um país com inúmeros problemas, mas ainda tínhamos um potencial invejável perante o mundo. Depois de cinco anos sob sua batuta, o Brasil piorou em todos os aspectos. E a queda não foi pequena. 
Para uma economia do porte da brasileira o tombo foi avassalador e levará tempo considerável para se reerguer àquele nível novamente. 
Incompetência, roubalheira, soberba, cegueira, ideologia, teimosia, dissimulação, submissão ao criador, enfim, foram muitos os motivos que levaram Dilma à situação em que se encontra, na iminência de ser deposta por um processo de impeachment, que, diga-se, é legal e necessário para o bem do País. 
Entretanto, para evitar conflitos sociais, mais prejuízos à economia e encerrar seu mandato com um mínimo de dignidade, seria melhor a presidente renunciar. Ou terá o mesmo epílogo de Fernando Collor: a lata de lixo da História.