MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Um fantasma assusta a República Federativa de Bruzundanga: o fantasma do Bolsonaro

Caros amigos:
Dizem alguns que Bolsonaro é radical e descontrolado nas suas palavras e atitudes.
Essas características são apontadas como impedimento à sua cogitada candidatura à Presidência da República.
Cada defeito tem a sua virtude oposta. Ruim é o contrário de bom; feio, de bonito; tolo, de sábio; e assim por diante.
Qual o oposto de "radical"?
Devia ser "moderado", ou "equilibrado".
Mas em Brasília, graças aos tucanos e outros da sua espécie, a virtude oposta a "radical" é "político".
"Político" quer dizer hábil, jeitoso, esperto. É o cara que soma apoios, votos e simpatias.
Ora, idéias e princípios somam e separam. Mas o bom político só soma.
Por isso, o bom político evita idéias e princípios.
E por isso mesmo, Bolsonaro é classificado como radical.
Se fosse mais "político", faria como os tucanos: esconderia suas idéias ou simplesmente faria de conta que nunca as teve.
Ou então procederia como os do baixo clero, que estão ali para negócios e, como negociantes, só pensam em agradar os fregueses e não perder os mandatos.
O "radicalismo" de Bolsonaro consiste apenas na sua fidelidade a idéias e princípios que nunca renegou, jamais escondeu e defende com veemência, ainda que ao custo de ser marginalizado, odiado e difamado.
Princípios e idéias - prestem atenção - que aprendeu no Exército Brasileiro.
Portanto, seu radicalismo não é tão radical como dizem.
Num país onde a gangorra da política só tem gente do lado esquerdo, qualquer um que se ponha mais à direita vira automaticamente "radical".
Se quisesse desmentir essa fama, Bolsonaro deveria entrar para o rebanho, apagar-se, e limitar suas intervenções a temas amenos.
Mas não o faz.
A outra restrição dos críticos a Bolsonaro é que seria descontrolado, imprudente e até irresponsável nas atitudes e discursos.
Se for, a virtude oposta seria a moderação.
Bolsonaro, portanto, deveria ser mais moderado.
Deveria, sim, se estivesse noutro ambiente, noutro contexto.
Mas lembrem-se, ele está no Congresso Nacional.
Durante anos, foi a única, ou quase única, voz dissidente naquela Casa.
E, todos sabem, aquela Casa é o foro onde se engendram e se aprovam os mais infames e absurdos projetos, defendem-se as mais depravadas idéias, atenta-se contra o senso comum, traem-se os interesses nacionais, aceita-se a mentira como norma, enlameiam-se os bons e exalta-se a escória, e, nos hiatos, ocupa-se o tempo com chicanas, vigarices e miudezas.
Pergunta: dá para ser moderado, cortês ou tolerante num ambiente desses?
Imaginem, por exemplo, como seria num debate sobre o "kit gay" destinado a ensinar pederastia a crianças nas escolas primárias. Ou aquele outro projeto, que obriga o Estado a proporcionar cirurgia de mudança de sexo a menores de idade, sem sequer consultar os pais. Apenas dois exemplos entre centenas.
Como reagir diante de insultos à inteligência, à decência e ao senso comum?
Moderadamente?
Com tolerância?
Por favor me ensinem como se faz para ser moderado, tolerante ou cortês nesses casos.
Mormente quando se está rodeado de gente que, por estupidez, medo ou interesse, permite que esses projetos passem, sem perceber que estão preparando a destruição do País.
Caros amigos, essa defesa do Bolsonaro é desinteressada, porque sequer o conheço pessoalmente; e pragmática, porque o objetivo não é, como diziam nos meus tempos de botequim, o objetivo não é colocar azeitona na empada dele, ou coisa parecida.
O objetivo é outro: atacar a constituição de 1988 dentro da mesma constituição de 1988.
Porque, novamente repetindo refrões: ou o Brasil termina com ela, ou ela liquidará o Brasil.
E Bolsonaro, meus amigos, pode ter os defeitos que tiver. Mas é carismático, bom de voto e tem ilimitadas perspectivas de crescimento junto ao eleitorado - inclusive o eleitorado do petê - nos próximos dois anos de crise cada vez pior.
Todo esse longo preâmbulo é para enviar-lhes - se ainda tiverem paciência - o artigo deste mês, publicado no Inconfidência.
Vejam aí em baixo.
E grato por terem aguentado até aqui.
AC Portinari Greggio
Brasilia, DF

PS - O artigo foi escrito antes da transferência do Gen. Mourão para Brasilia.
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O fantasma do Bolsonaro
Eles percebem o perigo. E nós, enxergamos a oportunidade?
Dois jornalistas e dois generais. Essas são as peças dum pequeno quebra-cabeças que vamos montar para demonstrar, pela enésima vez, algo em que temos insistido nos últimos artigos: ou a Direita aproveita a oportunidade que a História lhe oferece nos próximos 24 meses, ou o Brasil afunda na anarquia, na haitização ou na guerra civil.
Não vou dizer o nome dos jornalistas. Não há necessidade, pois correspondem aos estereótipos da classe: odeiam os militares. Quanto aos generais: um da ativa, Gen. Mourão, Comandante Militar do Sul; o outro, Gen. Carlos Augusto Fernandes dos Santos, reformado.
A coisa começou há três semanas, quando o Gen. Mourão, em palestra a alunos do CPOR de Porto Alegre, advertiu sobre a corrupção e a esbórnia geral da política brasileira, tão graves que ameaçam a estabilidade das instituições.
Entra a primeira jornalista. Em artigo publicado num grande jornalão, ela enquadrou o Gen. Mourão por ter-se atrevido – vejam a audácia! – a falar de política. Segundo ela, militares não podem dar palpites porque “o Brasil avançou muito nos últimos trinta anos. (...) Escolhemos a democracia e a volta dos militares aos quartéis. Defintivamente.
O Gen. Carlos Augusto tomou a defesa do Gen. Mourão. Segundo ele, a jornalista “quer chefes militares fracos , como freiras enclausuradas no castro, alienados dos aspectos políticos (...). Chefes eunucos, desprovidos de indignação e honra, que continuem bovinamente assistindo ao país despencar ladeira abaixo, na senda da roubalheira descarada, conduzida por políticos desprezíveis e bandidos que frequentam o esgoto da política, sem qualquer manifestação de inconformidade. Generais são líderes e têm responsabilidades e a história pátria está cheia de exemplos.” E continuou:
“O que incomoda a jornalista e sua grei política é ver surgir nova liderança nas Forças Armadas, embasada em alicerces e princípios morais e éticos inatacáveis. O Brasil anseia por governantes com esse perfil e com essa coragem.”
“Tenho certeza que parcela expressiva da humilde e necessitada população brasileira aspira por mudanças e acalenta o sonho de voltar a ser conduzida por homens honrados. Não aceitam mais corruptos e políticos medíocres que, usando as chicanas da esperteza, só buscam benefício próprio.”
“A palestra proferida pelo Gen. Mourão sugere o nascimento de nova liderança militar. A decisão do Marechal Castelo Branco, de limitar o tempo de permanência dos generais no serviço ativo, retirou dos quarteis as nefastas discussões político-partidárias e terminou de vez com caudilhos militares; deixou, entretanto, uma séria lacuna: o desaparecimento de Lideranças Militares autênticas e competentes, tão necessárias nos desastrosos e trágicos dias vividos pelo país.”
Poucos dias depois, o IBOPE publicou nova pesquisa de intenções de voto para as eleições presidenciais de 2018. Resultado: forte aumento da rejeição aos principais nomes cotados para disputar a sucessão de Dilma: Inácio, 55%; Aécio, 47%; Marina, 50%; Alckmin, 52%; Serra, 54%. Rejeição significa: “não voto nele de jeito nenhum”. Do outro lado, da aprovação (eleitores que com certeza votarão no candidato), a coisa continua ruim para todos: Inácio, 23%; Aécio, 15%; Marina, 11%; Serra, 8%; Alckmin, 7%.
Nesse ponto, entra o segundo jornalista. No seu blog na Internet, ele avisa: “O dado mais significativo apontado pelo Ibope mostra que o aumento da rejeição das principais lideranças políticas do País é generalizado, com a queda da popularidade de Lula não beneficiando nenhum dos possíveis candidatos da oposição.
E conclui, alarmado: “O levantamento reflete o crescente descontentamento da população com a classe política, sem que surjam novas lideranças nos grandes partidos. É um cenário favorável ao aparecimento de candidatos radicais nos extremos do espectro partidário, que se apresentam nestas horas como "salvadores da pátria", sempre um perigo para a democracia.”
Juntemos as peças. Será que se encaixam? Dum lado, o fato incontestável: dentro da esculhambação geral, as FFAA são vistas como única instituição confiável. Doutro lado, o eleitorado rejeita todos os políticos chapa-branca, quer sejam da quadrilha no poder ou da falsa oposição.
Ora, se o povo admira os militares e neles deposita suas esperanças, mas a constituição de 1988 o obriga a escolher nomes que ele, povo, rejeita, a única saída seria – falemos sem rodeios – o golpe militar. Mas os militares não querem nem ouvir falar disso.
Existe solução? Está na cara: um candidato com possibilidades de se eleger dentro das normas da constituição, mas identificado com os militares.
Parafraseando o Manifesto Comunista de 1848: um fantasma assusta a República Federativa de Bruzundanga: o fantasma do Bolsonaro.