MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

sábado, 7 de novembro de 2015

Tradições da AMAN

Tradições da AMAN

Visite o site da AMAN aqui - http://www.aman.ensino.eb.br

O Marechal José Pessôa Cavalcante de Albuquerque

No agitado ano de 1930, José Pessoa comanda o 3o. Regimento de Infantaria, na Praia Vermelha.
Em julho é assassinado João Pessoa, seu irmão, presidente da Paraíba e candidato a vice-presidente da República, com Getúlio Vargas, na chapa da Aliança Liberal. É o estopim da revolução. José Pessoa dela participa. Aproveitando a experiência adquirida na Faculdade de Direito de São Paulo, substituiu a guarnição do 3º RI por civis que treinara militarmente.
Legítimo representante da Revolução de 30, assume nos primeiros dias de 1931 o comando da Escola Militar do Realengo. Em sua primeira Ordem do Dia expõe, em linhas gerais, o projeto de mudança da Escola: "Reuni a necessária documentação para fundamentar a remodelação integral por que passará a Escola Militar: West Point, Saint-Cyr, Sandhurst serão os moldes de onde sairão as linhas gerais de vossa formação militar...A formação do oficial brasileiro, em seu primeiro lance na Escola Militar, terá como base a educação física, como meio, a cultura geral científica e, como fim, a mais rigorosa preparação profissional".
Jeovah Mota, que foi aluno da Escola Militar do Realengo, destaca que o Marechal tinha grande preocupação com a limpeza do cadete: limpeza no sentido físico, moral e social. Note-se que as condições higiênicas do Realengo eram más, devido à frequente falta de água.
Por decreto de 21 de agosto de 1931 é criado o Corpo de Cadetes, restabelecendo a antiga denominação que fora abolida pela República, em 1889.
Em 25 de agosto - aniversário de Caxias - é feita a entrega do Estandarte distintivo do Corpo de Cadetes. No estandarte já aparece o Brasão D´Armas, com o perfil estilizado das Agulhas Negras, em fundo dourado.
O uniforme "Azulão", assim como a barretina de 1852 e o cordão com palmatória e borlas, que serviam, no Império, para distinguir os diferentes anos dos alunos, são também resgatados.
Uma cópia fiel, reduzida, da espada de campanha do Duque de Caxias, símbolo da honra militar, passou a distinguir o cadete.
Em sua ordem do dia destaca o Coronel José Pessoa: "O privilégio do Colégio Militar para o ingresso no Realengo desaparece. Todos os meios sociais podem concorrer ao ingresso, por isso que somente 60% das vagas são reservadas para oriundos do Colégio Militar. De outro modo, a repartição das vagas anuais pelas três fontes reconhecidas idôneas - os Colégios Militares, os institutos secundários de ensino e os corpos de tropa - conduzem, como é natural, à seleção física, moral e intelectual dos candidatos. Classificação rigorosa por merecimento, e média geral cinco de base, asseguram a seleção intelectual. Extrato dos assentamentos do candidato permitem o controle moral dos pretendentes. Por fim, o atestado prévio de sanidade e rigorosa inspeção física de entrada afirmam a capacidade física dos concorrentes". 
Em 12 de dezembro de 1949, já na nova Escola, em Resende, recebe uma homenagem por ocasião de sua passagem para a reserva. Comovido, agradece: "Meu coração de soldado jamais vibrou tão intensamente como hoje. A Academia Militar das Agulhas Negras foi meu sonho supremo e me sinto feliz ao vê-lo concretizado".

A construção da Academia Militar das Agulhas Negras
Vitoriosa a Revolução de 30, cabe ao governo Getúlio Vargas a decisão de mudar a escola militar do Rio de Janeiro para outro local.
Duas fases distintas apresenta a evolução de tão grandioso empreendimento.
De 1931 a 1934, é a atuação decidida do Coronel José Pessôa Cavalcanti de Albuquerque, então Comandante da Escola Militar do Realengo. Ele é o autor da idéia e seu grande propugnador. Sob sua presidência foi então organizada uma Comissão com vinte oficiais de todas as Armas, para escolher o local, dar parecer e providenciar o projeto e as obras.

Escolha do local
Como presidente da Comissão Executiva para a Construção da Nova Escola Militar, o Cel José Pessoa saiu à procura de local, em fevereiro de 1931. Num domingo, um acidente de automóvel o detém na estrada velha Rio - São Paulo . Aproveita para uma visita ao município de Resende. E é então que se fixa, pela primeira vez, no majestoso maciço de Itatiaia, onde se destacam, soberbas, as Agulhas Negras. 
Após muitos estudos e visitas a várias outras regiões, a Comissão escolheu a cidade de Resende para sediar a nova Escola Militar. O acidente de automóvel, que fizera com que o Cel José Pessoa viesse a Resende, fora providencial. Nenhum outro local reunia tão  boas condições: amplo local para a construção, área para campo de pouso e campo de aviação maior na cidade, terreno variado e suficiente para treinamento e tiro, rio próximo, clima ameno e local quase equidistante das duas grandes cidades e convergência de três dos maiores estados do país.   
A antiga fazenda do Alambarí, onde funcionava o Horto Florestal,do Ministério da Agricultura, foi o terreno inicialmente escolhido.
Foi, então, solicitado ao Serviço Geográfico e Histórico do Exército um levantamento aerofotogramétrico dos terrenos da fazenda.
O primoroso trabalho realizado serviu de base para a Comissão Construtora.
No concurso realizado para a execução da obra foi vencedor o arquiteto Raul Penna Firme.
Executado e apresentado à Comissão em 1932, o projeto teve que sofrer ligeiras modificações oriundas da necessária adaptação aos terrenos da fazenda do Castelo, contíguos ao Horto Florestal e julgados possuidores de condições mais vantajosas.
Nessa ocasião foi obtida, por intermédio do então coronel José Pessoa, a cooperação do Estado do Rio de Janeiro, a qual consistiria, conforme desejo do então interventor, Comandante Ari Parreiras, na aquisição da fazenda do Castelo e respectiva doação ao Exército, como contribuição do estado fluminense. 
É natural que tão vultoso empreendimento provocasse, entre seus organizadores, a concepção cuidadosa de planos de financiamento de alta envergadura, cogitando-se até no aproveitamento de alguns milhares de sacas de café, então destinadas à incineração.
Grandes modificações na alta esfera administrativa fizeram ruir por terra todos os planos até então concebidos com tanto entusiasmo e pertinácia. Entra o ano de 1934 e, daí em diante, paralisaram os trabalhos da referida Comissão, embora jamais tivesse o Cel José Pessôa deixado de insistir, de todas as maneiras, principalmente pela imprensa, a fim de que fossem retomados os trabalhos e concretizada a idéia lançada por ele em 1931.
Em 1933 foi programado o lançamento da pedra fundamental. Essa solenidade foi suspensa na véspera. Na noite de 28 de outubro de 1933, o Cel José Pessoa, sozinho e profundamente emocionado - segundo o relato do arquiteto Dr. Penna Firme – plantou, ao lado da sede da Fazenda do Castelo, uma lasca de rocha das Agulhas Negras, de cerca de 50 x 60 cm .
Em 1937 corria a gestão do General Manuel Rabelo como Diretor da Engenharia do Exército. Aí pôde ele imprimir grande impulso às obras militares. Dentre as inúmeras que tomou a peito levar avante sobressai a nova Escola Militar.
No dia 2 de setembro de 1937, o General Eurico Gaspar Dutra, Ministro da Guerra, designa uma Comissão para escolher definitivamente o local da nova escola.
Em fevereiro de 1938, a Comissão composta pelo Cel Luiz Sá de Affonseca, Ten Cel Abacilio Fulgêncio dos Reis e pelo Cap Amaury Kruel, escolheu os terrenos outrora denominados "Horto florestal" e "Estação da Monta" pertencentes ao Ministério da Agricultura e, em parte, ocupados pelo Ministério da Guerra, que neles havia construído um modesto campo de pouso para seus aviões aturarem na Revolução de 1932, circunvizinhos à cidade de Resende, RJ, para a localização da futura Escola Militar.
Em 29 de julho de 1938, com a presença do Presidente Getúlio Vargas, foi lançada a pedra fundamental no local da construção.
"Estou certo de que cada cadete ao penetrar nos seus humbrais sentir-se-á elevado pela própria imponência e pela própria suntuosidade do edifício monumental onde vai efetuar seus estudos" - foram algumas das palavras proferidas na ocasião pelo Presidente da República.
Decidida a escolha de Resende, pelo Decreto - Lei no. 370, de 11 de abril de 1938, foi criada a Comissão Construtora da Nova  Escola Militar (CCNEM), em 4 de julho, a qual se instalou no Campo das Sementes e Horto Florestal de Resende, ainda em julho desse ano, sob chefia do Ten Cel Waldemiro Pereira da Cunha.
Por Aviso Ministerial nº 201, de 16 de Janeiro de 1940, foi extinta a CCNEM, criando-se então a Comissão Especial de Obras de Piquete e Resende, sob a chefia do Gen Bda Luiz Sá de Affonseca.
Nessa época foi também desapropriado o terreno onde hoje fica o Aeroporto de Resende, a três quilômetros do centro da cidade.

Curiosidades:
1.A construção foi orçada em 600.000 contos de réis;
2.Foram fincadas 1054 estacas Franki que, se unidas, alcançariam um comprimento de 8.500 metros ;
3. Pé direito da biblioteca Mal José Pessoa: 9 m ;
4. Pé direito do refeitório de cadetes: 10 m ;
5. Pé direito do cinema antigo, atual Anfiteatro Gen Médici (AGM): 18 m ;
6. Efetivo previsto na obra - 12 dormitórios por pavimento x 3 pavimentos x 5 alas = 180 dormitórios (apartamentos), com 8 cadetes cada, comportando um efetivo de 1440 cadetes.
7. Por dificuldades financeiras, a AMAN quase foi construída na cidade de Petrópolis, em terreno doado, no qual foram feitos estudos preliminares.
8. A idéia da mudança permaneceu "congelada" até 1937.
9. O industrial Henrique Lage ofereceu à Academia todo o mármore a ser utilizado na construção. Por esse motivo é considerado o cadete número um e recebeu o primeiro espadim da nova Academia.
10. As duas colunas que compõem o Portão Monumental simbolizam as colunas de Hércules, representando o esforço a que estão sujeitos os que se destinam à carreira das Armas.
11. Há três portões: um menor, à esquerda de quem entra, que só é aberto uma vez por ano, sendo a entrada dos novos cadetes; um maior, ao centro, que serve de entrada principal e outro, menor, à direita de quem entra, que só é aberto uma vez por ano, para a saída dos novos aspirantes a oficial, formados nos quatro anos de escola.
12. No portão de entrada dos novos cadetes há uma placa de bronze com os nomes dos integrantes da primeira guarnição de guarda, nos dias 11 para 12 de março de 1944.
13. O Campo que se descortina logo após a entrada é chamado Campo de Marte, a mesma denominação do Realengo, simbolizando o campo onde os soldados romanos treinavam em homenagem a Marte, o Deus da Guerra.
14. Ladeando a Av. do Exército - entrada da Academia - há canhões oriundos da guerra da Tríplice Aliança e da II Guerra Mundial.