MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

PARA QUEM LIGA ISRAEL AOS ATENTADOS EM PARIS

PARA QUEM LIGA ISRAEL AOS ATENTADOS EM PARIS

TEL AVIV – Entrevistei, nos últimos dias, o professor Boaz Ganor, diretor-executivo do Instituto de Contraterrorismo (ICT) do Centro Interdisciplinar de Herzelyia (uma das principais escolas de diplomacia e estratégia de Israel). Ele preside também a Academia Internacional de Contraterrorismo, já foi do Conselho de Segurança Nacional, membro da delegação israelense que negociou a paz com a Jordânia e consultor de contraterrorismo do Ministério da Defesa. Destaco, abaixo, o que ele me disse sobre terrorismo e Israel.
 
Pergunta: Há exemplos de países que conseguiram chegar a um equilíbrio entre leis antiterrorismo e manutenção dos valores democráticos e liberais?
Boaz Ganor: Acho que Israel é um modelo correto. Encontrou esse equilíbrio, em certo grau. O motivo é que Israel não é atacada por terrorismo uma vez só e pronto. Não tivemos um 11 de setembro e espero que não tenhamos algo como aconteceu em Paris ou Mumbai. O que temos é um terrorismo constante, às vezes a nível mais alto, às vezes mais baixo. Isso faz com que o governo e o público lidem com isso de uma maneira mais racional, menos emocional. Fora isso, em Israel tem um mecanismo muito importante chamado Suprema Corte. O Supremo funciona como uma membrana que protege esse equilíbrio. O Supremo entende a necessidade da luta contra o terrorismo, mas também a importância de manter os valores democráticos.
Pergunta: A chanceler da Suécia, ?Margot Wallström, disse que o conflito entre israelenses e palestinos foi um dos motivos dos atentados em Paris. O que o senhor acha disso?
Boaz Ganor: Há quem culpe Israel pelo processo de radicalização que supostamente levaria a atentados como esse. A verdade é que existe, no mundo, dois tipos de pessoas que não gostam de Israel. Há os antissemitas, que odeiam Israel porque não são diferentes dos antissemitas do século XX, só que hoje o alvo não são os judeus e sim Israel. E há o segundo grupo, os “idiotas úteis”, que são boas pessoas, realmente querem o bem, querem ajudar o underdog e acabam caindo na propaganda do primeiro grupo. Acreditam que os “bandidos” são os israelenses e os “mocinhos”, os palestinos. Os “idiotas úteis”, mesmo bem-intencionados, não entendem os processos que acontecem dentro do Islã e entre nós.

Pergunta: Muitos dizem que quando o conflito for resolvido, haverá menos terrorismo...
Boaz Ganor: Imagine que, amanhã, o conflito israelense-palestino termine e haja dois Estados, um para o povo palestino e um para o povo israelense. Ou mais: imagine que Israel amanhã seja dizimada, os exércitos dos países árabes acabem com o país e agora só exista a Palestina. Será que isso vai acabar com o processo de radicalização islâmica no mundo? Isso vai evitar novos atentados em Paris? Baboseira. Pelo contrário. Israel seria transformada em parte do Califado Islâmico de todo o Oriente Médio e o EI estará ainda mais próximo da Europa e mais desafiante em relação ao Ocidente. Esses que dizem que o conflito israelense-palestinos é o culpado, ou a que é a causa dos atentados, são apenas “idiotas úteis”.

Pergunta: Então, quais são os motivos do jihadismo?
Boaz Ganor: É preciso dividir as motivações do terrorismo em dois tipos: motivações-raiz e motivações-instrumentais. As motivações-raiz de todos os grupos que praticam o terrorismo islamista jihadista são as mesmas: aplicar a versão deles do Islã em todo o mundo através da violência e da força para criar um Califado Islâmico guiado pela Sharia, a lei islâmica. Mas, para chegar a esse objetivo, são precisas motivações-instrumentais. Pode ser lutar contra a pobreza, alegar a necessidade de libertação nacional, etc. O conflito israelense-palestino é mais uma motivação-instrumental. É muito mais fácil aliciar um muçulmano contra o “inimigo sionista” do que aliciá-lo para transformar a França num Califado Islâmico. Quer dizer, esses grupos fazer uso impróprio do conflito israelense-palestino.

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