MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Oriente Médio sem cristãos

Sobre o massacre na França e o massacre de milhares de cristãos no Oriente Médio.
Amigos.
A comoção mundial gerada pelos abomináveis ataques ocorridos na França não será a mesma em relação ao massacre de cristãos no Oriente Médio. Ontem o Estadão dedicou cinco páginas além da capa e hoje mais oito pagina além da capa ao assunto. Leitores também comentaram.
Abaixo minha mensagem que enviei a Adriana Carranca pelo excelente e oportuno artigo dela publicado ontem, 14/11, no Estadão.
Sobre este artigo denúncia, nenhum comentário.
Quase na metade do artigo ela escreve: “...os cristãos não puderam defender-se porque não lhes era permitido ter armas”.
Enviemos nossos cumprimentos: adriana.carranca@estadao.com

“Oriente Médio sem cristãos”

Antero Greco em sua coluna de hoje também comenta:
“Pouco adiantaria matarem centenas em lugares onde pobres coitados morrem como moscas a todo momento e a insensibilidade geral os ignora. Os atos deles não mereceriam mais do que os registros corriqueiros nos jornais e os segundos de imagens nas emissoras de tevê.”

O comentário em destaque é do amigo Rafael Moura-Neves.
Abraços.
José Luiz

Para: 'adriana.carranca@estadao.com'
Assunto: Meus cumprimentos - Oriente Médio sem cristãos
Prioridade: 

Prezada Adriana Carranca.
Meus cumprimentos pelo excelente e oportuno artigo, e pelos demais de sua autoria que tenho lido.
Este publicado hoje não poderia ter sido em data mais apropriada.
Os ataques terroristas ocorridos ontem na França são abomináveis.
O Estadão de hoje, além da capa, dedicou mais cinco páginas ao ocorrido.
O mundo está consternado e os principais líderes das maiores potências expressam sua indignação e tristeza.
No entanto o seu artigo, que só ocupou um terço de página e que denuncia o massacre de milhares de cristãos e a fuga de outros milhões no Oriente Médio, não só pelos fanáticos do Estado Islâmico mas por membros de outras religiões muçulmanas, não merecerá essa mesma atenção, infelizmente. Afinal são só cristãos, não é mesmo?
A principal causa desse massacre, além do radicalismo, é a impossibilidade de defesa desses cristãos, que você aborda com muita propriedade onde escreve precisamente “...os cristãos não puderam defender-se porque não lhes era permitido ter armas”.
Esse é o ponto. Os cordeiros não são assassinados pelo lobo porque são cordeiros mansos. São assassinados porque não tem acesso aos instrumentos de defesa. Simples assim.
A única coisa que pode parar um mau sujeito armado é um bom sujeito armado. Infelizmente não dá para “desinventar” as armas de fogo. Mesmo que hipoteticamente fosse possível, os mais fortes continuariam massacrando os mais fracos com bordunas, porretes, pedras e com as mãos.
A seguir um comentário de um amigo sobre o terrível ataque.
“Dentro da cidade de Parisnão no mato, seja o mato da França ou da Bolíviatrês 3 ou quatro 4 terroristas genocidaspassaram dez 10 a quinze 15 minutos a assassinar mais de cem 100 pessoas a tiros dentro de um local chamado Bataclan. Levou todo esse tempo para a Police Nationale e a Gendarmerie, respectivamente a Polícia Civil e a Polícia Militar nacionais francesas (a Gendarmerie é subordinada ao Ministério da Defesa, como a Marinha, o Exército e a Força Aérea), reagirem e entrarem no ambiente.
Dentro da cidade de ParisDez 10 a quinze 15 minutos!  

Outros 
ataques ocorreram em cinco 5 lugares, a incluir um restaurante cambojano, perto de um estádio e num bar. Dentro da cidade de Paris.
Na BBC ouvi uma locutora perguntar, retoricamente, como proteger cada restaurante, cada bar, cada bataclan?

Só há uma resposta. Permitir que as pessoas se defendamTornar o porte legal de armas algo normal. Acabar com as 
gun free zones. Aqui, no tal Substitutivo sobre armas, as gun free zones serão reforçadas.”
A polícia, por mais bem treinada e preparada que seja, não é onipresente, portanto a legítima defesa é um direito humano e é preciso permitir que cidadãos de bem tenham acesso aos instrumentos para isso.
Aquele que se defende armado contra um injusto e iminente ataque de um agressor armado (seja ele um bandido ou terrorista), não está em busca de vingança ou de fazer justiça com as próprias mãos, mas em busca de SOBREVIVÊNCIA!
Meus parabéns!
José Luiz de Sanctis
Advogado
São Paulo

Oriente Médio sem cristãos
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·         cristãos
Adriana Carranca
14 Novembro 2015 | 02h 00
Soldados do Curdistão iraquiano, conhecidos como peshmergas, declararam ontem vitória no Monte Sinjar, ocupado em junho do ano passado pelos combatentes do Estado Islâmico, quando milhares de yazidis, minoria politeísta que vivia reclusa nas montanhas, e cristãos assírios, que ocupavam suas planícies, foram massacrados pelos islamitas. O monte fica na província o Nínive, parte do território no Norte do Iraque que os curdos almejam como Estado independente. Eram terras antes vigiadas pelas forças iraquianas, que fugiram rumo a Bagdá com o avanço do EI. O vácuo foi ocupado pelos curdos, que vislumbraram a chance de expandir seu território e ganhar mais autonomia.
No último ano, os curdos se tornaram os principais aliados dos EUA na guerra contra o EI. Com apoio de drones americanos, eles têm conseguido impedir o avanço e recobrar território dos combatentes islâmicos.
Mas há outro lado, mais obscuro, dessa história. Os curdos têm sido acusados por organizações como a Human Rights Watch de impedir a volta de antigos moradores aos territórios reconquistados, uma limpeza étnica que visa a um Estado exclusivamente curdo.
As planícies onde fica o Sinjar são terras historicamente ocupadas por cristãos assírios, convertidos ainda no primeiro século. Eles viviam em cidades como Mossul desde sua fundação - a cidade continua sob domínio do EI. Quando o EI avançou sobre Nínive, os cristãos não puderam defender-se porque não lhes era permitido ter armas. Os terroristas caçaram os moradores de casa em casa - em cada porta, marcavam com spray a letra "n" de nasara (cristãos, em árabe). Nos meses seguintes, relatos vindos dos vilarejos ocupados descreviam a crucificação de homens que teriam se recusado a aceitar o Islã, mulheres escravizadas e usadas para o sexo por serem "infiéis", crianças retiradas dos pais e entregues a famílias muçulmanas, igrejas queimadas.
Aterrorizados e sem refúgio seguro, pelo menos dois terços dos 1,5 milhão de cristãos iraquianos deixaram o país. O mesmo ocorre na vizinha Síria. Antes da guerra, os cristãos eram 10% dos 22 milhões de sírios - ou pouco mais de dois milhões de pessoas. Hoje, acredita-se que não ultrapassem 400 mil.
Entre eles, estão centenas de assírios sequestrados pelo EI em Hassakah, em fevereiro. Em agosto, a milícia curda Unidades de Proteção do Povo (conhecida como YPG) retomou a província.
Esta semana, líderes das poucas igrejas que sobrevivem em Hasakah denunciaram o confisco de propriedades de cristãos que deixaram a região. Em Qamishli, controlada pelo YPG e por tropas leais a Assad, famílias curdas receberam notificação de que seus filhos estavam proibidos de estudar em escolas cristãs. Crianças serão transferidas a instituições curdas que adotaram o currículo aprovado pelo Partido da União Democrática, braço político do YPG.
A comunidade cristã síria é uma das mais antigas. Acredita-se que o apóstolo Paulo tenha se convertido a caminho de Damasco. Maloula, a 50 quilômetros da capital, é a única vila onde ainda se fala o aramaico de Jesus. A aldeia foi atacada por grupos ligados à Al-Qaeda; igrejas e monastérios, destruídos. Em maio, forças de Assad recuperaram o vilarejo, mas a maior parte da população fugira.
Embora minoria, os cristãos sírios eram parte da elite. Eles cofundaram o Partido Baath, de Assad, no poder desde 1963. Por décadas, a Síria abrigou cristãos perseguidos em outras partes do Oriente Médio. Mas o aprofundamento do sectarismo tornou o país inseguro demais. O Líbano, que tem 30% da população cristã passou a ser refúgio, mas voltou a enfrentar atentados terroristas.
Milhares de cristãos têm migrado para a Europa. Antes 14% da população do Oriente Médio, eles hoje não passam de 4% segundo o Pew Research Center. Líderes das igrejas locais já falam no fim do cristianismo na região.