MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

domingo, 15 de novembro de 2015

O PT E O PETISMO

O PT E O PETISMO

por Nivaldo Cordeiro

13/11/2015

Um dia é todo para a esperança, o seguinte para a desconsolação”. Guimarães Rosa pela boca de Riobaldo.

Vivemos tempos de desconsolação. O Brasil padece de grave crise econômica, derivada da grave crise política. Esta consiste na perda da legitimidade e da autoridade do governo constituído pelo PT, que é incapaz de tomar as decisões necessárias para restabelecer as condições para o saudável crescimento econômico. “Crise” é uma palavra genérica que parece com “câncer” na boca de um médico. Fácil de dizer, duro de viver. As frias estatísticas expressam, escondidos, os dramas pessoais de desespero, sonhos desfeitos e insegurança existencial que se revelam na própria incapacidade de se conseguir sobreviver por modos decentes, em meio à desordem crescente da crise.
Um desdobramento óbvio desse processo é que o PT, enquanto conjunto político que possuía um projeto para o Brasil, esgotou-se, enfraqueceu-se. O PT carrega a bandeira que foi plantada na era Vargas, seja pelo próprio Getúlio, seja pelo Partido Comunista Brasileiro. É a expressão mais acabada do populismo coletivista, de parentesco com Mussolini, Hitler e Stalin. O fim do PT como força política poderia ser o fim do próprio varguismo, mas isso não é garantido.
Não há dúvida que o PT caminha para se tornar nanico e irrelevante eleitoralmente, pois a sigla se desgastou ao ponto de se tornar um indigente eleitoral. Vimos processo semelhante acontecer com o velho Partidão depois da revelação dos crimes de Stalin e, depois, da queda do Muro de Berlim. Em todo o mundo o PCB teve que mudar de nome, exceto na China, em Cuba e Coréia do Norte. No Brasil é agora principalmente o PT, na Venezuela é o bolivarianismo, na Argentina o kirchnerismo. São apenas novos nomes para velhas ideias caducas.
Nas eleições que se aproximam poderemos ter a prova dos nove, com a agremiação praticamente sendo banida das prefeituras relevantes do Brasil, a começar pela cidade de São Paulo. O nanismo do PT, todavia, pode se transformar em brotos que levarão o petismo para outras siglas. Estamos vendo um contingente muito grande de políticos do PT migrando para novas agremiações, até mesmo para algumas que lhe pareciam opostas, como o PMDB, agora da Marta Suplicy. Marta não mudou nem o discurso e nem as crenças e claramente está chocando seu novo tempo no grupo de Michel Temer.
Esses brotos renascidos do PT é o próprio varguismo ele mesmo, que quer se perpetuar. É bom lembrar que não há no Brasil propriamente uma força política organizada contra o varguismo. Não há uma direita política enquanto tal. Os partidos existentes funcionam mais como frentes de interesses particulares, verdadeiras federações de caciques que buscam controlar parcela do Estado em proveito próprio, nem sempre lícito. O petrolão e o mensalão dão provas sobejas sobre isso. As falcatruas não são monopólio do PT.
É visível que a esquerda tenta se reorganizar em um cenário pós-PT. Não é apenas para salvar mandatos e carreiras políticas que fazem isso, mas para levar avante a bandeira que, de uma maneira ou de outra, tremula no centro de poder desde 1930.
Os eleitores poderão ter a sensação de que haverá mudanças se houver troca de nomes, mas poderão ser logrados. As más intenções e as ideias infernais poderão ser as mesmas do PT embutidas nos novos nomes, embaladas em papel novo das outras siglas, nem sempre novas. PSB, por exemplo, parece ser o destino daqueles que querem manter a tônica da marcha paulatina, pelo caminho do centro político. O Rede e o PSOL são a saída à esquerda do PT, mas de projeto eleitoral mais dificultoso. Radicalismo explícito não dá votos, isso o antigo Partidão já tinha aprendido.
A conclusão é óbvia: o petismo é muito mais perigoso e duradouro do que o PT, que encerrará seu ciclo com Lula e sua corte de malfeitores. Provavelmente terá, ele próprio, assim como Zé Dirceu e outros próximos, um fim melancólico nas barras dos tribunais. A dificuldade congênita do PT foi ter chegado ao poder mediante voto e não por golpe de Estado. Suas ideias políticas são compatíveis com o totalitarismo e não com o vigor das instituições democráticas. Basta ver as sucessivas derrotas e condenações que têm colhido, o PT e os petistas, no próprio STF, corte formada por uma boa maioria de simpatizantes do partido.
Essa conversa de “presidencialismo de coalizão” é um eufemismo para declarar que o PT não dispõe de plenos poderes para governar por decretos e que precisa negociar com as demais forças políticas. Pior, no Parlamento é claramente um partido minoritário. Por isso, na nova legislatura eleita em 2014 teve que arquivar sua agenda revolucionária cultural, por simples falta de votos.
O que se desenrola no Brasil é um drama histórico de grande envergadura e o meu temor é que a transição seja demasiado prolongada, dando tempo para que a crise econômica elimine o patrimônio industrial e tecnológico que os brasileiros, a duras penas, conseguiram construir. Ademais, o sofrimento em termos de empobrecimento e a desventura de falta de horizontes para as novas gerações é algo que não pode ser minimizado. A face humana da crise é seu lado mais hediondo.
Os eleitores brasileiros caíram no conto de vigário do PT, que associou a eleição de Lula à esperança, que supostamente venceu o medo. Medo grande eles agora têm por verem desaparecer as mais comezinhas condições de sobrevivência. A mentira econômica dura pouco, bem menos do que a mentira política. Nisso a esquerda tem se mostrado mestra na arte de enganar eleitores, sejam eles estudantes, proletários, banqueiros ou industriais. A doença mais grave do Brasil é que sua gente faz o discurso de esquerda quase em uníssono. É hora de volver à direita, ao liberalismo econômico, à redução contundente do Estado. Só isso poderá salvar o Brasil da derrocada colossal que se avizinha. É preciso convencer os eleitores, mas, antes, é preciso convencer a classe política, fato muito mais difícil.
Quem viver verá.