MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

BRASIL NÃO ESTÁ LIVE DE RISCO ATENTADOS, AFIRMA ESPECIALISTA



Brasil não está live de risco de atentados, afirma especialista




Para Boaz Ganor, um dos maiores especialistas em contraterrorismo de Israel, o Brasil não está menos vulnerável do que a Europa a ataques terroristas.
O diretor-executivo do Instituto de Contraterrorismo da Centro Interdisciplinar de Herzelyia e presidente da Academia Internacional de Contraterrorismo diz que o Ocidente não deve ter ilusões sobre a lógica dos combatentes islâmicos e deve achar o equilíbrio entre antiterrorismo e valores democráticos.
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Folha - A presidente Dilma Rousseff disse que o Brasil está "muito longe" do foco de terroristas.
Boaz Ganor - Estou chocado. Não é apenas uma concepção errada, mas perigosa. O Brasil é vulnerável ao terrorismo de grupos jihadistas não menos do que Paris, ou até mais.
O fato de que esses atentados não aconteceram no Brasil até agora é porque as prioridades dos jihadistas, no momento, são outras.
Há risco de atentados n Olimpíada do Rio, em 2016?
Claro. O Brasil não faz parte da coalizão que está atacando as bases do Estado Islâmico na Síria e no Iraque. Mas, quando representantes de EUA, França, Alemanha estiverem no Rio para a Olimpíada, tudo será diferente. Os atentados em Paris tinham como alvo também um jogo de futebol.
Eventos esportivos são ímãs para terroristas. Se a concepção for a de que o Brasil está seguro, temo um choque profundo.
O que ocorreu em Paris era esperado?
Sim e não. Não é uma surpresa que houve atentados. A França, nos últimos anos, se tornou uma incubadora de fundamentalistas. A surpresa foi modus operandi dos atentados. Até agora, havia o que chamo "ataques de iniciativa pessoal", cometidos por lobos solitários ou células pequenas inspiradas no EI.
Mas o que ocorreu em Paris foi um "atentado organizacional". O EI tomou a iniciativa, recrutou e treinou os terroristas, foi responsável pela confecção dos explosivos, a compra de armas, a coleta de informações. Essa é a novidade, um modus operandi que imita o da Al Qaeda.
 
Por que atacar a França?
O Ocidente pensa que os terroristas ou são malucos ou são totalmente racionais.
Errado. Eles são racionais, mas sua lógica é diferente da ocidental. Um dos motivos do atentado foi atuar contra países que estão atacando o EI no Iraque e na Síria.
Houve um atentado no Sinai contra o avião russo, em Beirute contra o Hizbullah, e em Paris. O Estado Islâmico quer passar uma mensagem de dissuasão contra quem atua contra eles, a coalizão iraniana-xiita-russa e a americana-europeia-ocidental.
A segunda explicação está mais no plano psicológico. O EI precisa demonstrar sucessos perante seus seguidores e crentes para continuar recrutando-os. Como, nos últimos meses, não registram sucessos militares, precisam realizar atentados desse tipo.
O que a Europa deve fazer?
Entender a lógica dos terroristas. A maioria absoluta dos muçulmanos não apoia o terrorismo. Mas não se pode ignorar o fato de que há um aspecto religioso profundo na base do fenômeno. Você pode lidar com isso pelo apaziguamento, mas estará pondo a cabeça dentro da terra.