MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Sou de esquerda ou de direita? A evolução política do cidadão do século XXI.

Sou de esquerda ou de direita?

A evolução política do cidadão do século XXI.

Publicado por Luiz Cezar Quintans
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O Antigo Regime francês (séculos XVI a XVIII) era centralizador e absolutista, concentrado no rei, até que, a Revolução Francesa pôs fim ao mesmo. Pois bem,durante a Revolução Francesa é que foram criados os termos "direita" e "esquerda” e se referiam aos assentos dos parlamentares que se sentavam à direita da cadeira do Presidente do Parlamento francês, favoráveis ao Antigo Regime e os que se sentava à esquerda e eram contra. No entanto, posteriormente, a monarquia francesa foi restaurada (entre 1814-1815 a 1830) e justamente neste período o uso do termo “esquerda” foi mais acentuado, endereçado aos parlamentares “independentes”. Dessa época em diante, pelo mundo, essa alcunha passou a ser endereçada aos socialistas, anarquistas, comunistas e até republicanos.
No Brasil a “Oposição de Esquerda” se iniciou por volta de 1930, com reuniões e a criação de partidos comunistas. Baseados nas ideias de economia socialista e marxista entre os soviéticos; e discussões entre desenvolvimento, industrialização, subdesenvolvimento e pobreza.
Sem entrar no mérito acerca do socialismo científico, do socialismo moderno e de pensadores e filósofos soviéticos, nos últimos 60 anos se estabeleceu no Brasil, a partir do golpe militar de 1964, que “esquerda” era quem era contrário à ditadura militar e de “direita” quem era a favor. Aliás, vários historiadores se posicionam no sentido de que a ditadura era civil-militar, tendo em vista o apoio ou a omissão de muitos civis ao regime imposto, a partir da deposição de João Goulart como presidente eleito democraticamente. O regime militar terminou, em síntese pela situação caótica de hiperinflação, campanha das “Diretas Já” (1983) e paulatinamente por novas propostas de alterações constitucionais, tendo como último presidente dessa geração militar o sr. João Baptista Figueiredo (1979 a 1985).
Em que pese a Proposta de Emenda Constitucional para eleições diretas ter sido rejeitada o Colégio Eleitoral acabou elegendo um presidente civil em 1985, Tancredo Neves, que não assumiu por enfermidade e falecimento. A partir daí a Constituição Federal foi alterada admitindo o voto direto (art. 14). Na verdade, em 1988 foi promulgada a Constituição Federal brasileira atual, que vige – na ordem econômica – sob a bandeira da livre iniciativa e da livre concorrência, respeitando direitos individuais e coletivos, em pleno Estado Democrático de Direito, baseada em sólidos princípios.
De tal modo, em resumo até aqui, a ideia que se tem de “Esquerda” e de “Direita” no Brasil é uma grande divisão entre os que apoiavam a intervenção militar e os que eram contra, sem muita interferência dos pensamentos socialistas, anárquicos, comunistas ou capitalistas.
No mundo, por certo, os regimes militares – através de golpes ou não – tinham motivação baseada em segurança nacional, estabilidade política ou em crise econômica. Por seu turno, as ideologias e ideias filosóficas – todas – eram baseadas em questões econômicas e sociais, que se misturavam a temas como o nacionalismo, poder, centralismo, propriedade comum ou privada, atividades partidárias, revoluções, distinções entre trabalhadores e burgueses etc.
Então, com o passar dos anos e com a prática de certas ideologias, o comunismo não deu certo no mundo e, em especial, na Europa central e no leste europeu, gerando um colapso no modelo soviético, ainda que houvessem raciocínios lógicos e que assistissem razões a certos pensamentos filosóficos, na prática, o modelo não funcionou.
Portanto, de forma geral, com a inexistência de reis, de regimes militares e com a perda de referência de um modelo de política de esquerda comunista pleno, muitos já não têm a noção do que é ser “de esquerda” ou de “direita”. Em outras palavras, a não influência ou não interferência de poderes da Realeza, de regimes militares e de regimes comunistas tira um pouco a referência do cidadão comum, para que ele possa se classificar ou se posicionar como tendo uma orientação política de esquerda ou de direita.
No Brasil, se não há regime militar, então o cidadão não tem como dizer que é de direita. Mas, por outro lado, se não há oposição a esse regime, não se pode afirmar que o cidadão é de esquerda. Não é o simples fato de uma pessoa ser de oposição que o faz de esquerda. Até porque, nos regimes democráticos atuais, ora os grupos se encontram na oposição ora na situação. Isso ocorre com os partidos democráticos, republicanos, trabalhistas, cristãos, liberais etc. E a perda da “situação” (ser Governo) se deve muito mais a questões econômicas do que propriamente a ideológicas partidárias.
Ao que parece, o cidadão comum caminha para ser um liberal. Ainda que haja certa dificuldade em definir o que seja “Liberal”, tendo em vista que o termo pode ser confundido com alguns aspectos de certas democracias, que muitas vezes se revestem como totalitárias ou populistas. Contudo, ainda assim, persiste em muitos povos a democracia liberal que se baseia em fundamentos como a livre concorrência, livre iniciativa, defesa do consumidor, propriedade privada, liberdade de religião, eleições democráticas, liberdade de imprensa, defesa dos direitos civis e, entre muitas outras ideias, a intervenção mínima do Estado na exploração direta de atividade econômica, que só ocorre (ou deve ocorrer) quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo.
Pelo que se pode perceber, entre os fundamentos acima citados, em linhas gerais, aConstituição Federal brasileira de 1988 é baseada em uma Democracia Liberal (cita-se como exemplos os artigos 1º, 3º, 4º, 5º, 6º, 170 e 173).
Não se espera, nessas breves linhas, unificar o pensamento liberal ou buscar um modelo político que se sobressaia a outros. E muito menos se espera rotular alguém! Fato é que o liberalismo ou o ser “liberal” se apresenta como uma opção política, para quem julga que não existe ou que não vale mais a pena o rótulo de “esquerda” ou “direita” ou qualquer alcunha desse gênero que aproxime o cidadão de determinadas características partidárias ou de poder, que o classifique nessas divisões políticas.
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