MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

domingo, 18 de outubro de 2015

RESGATANDO UMA HISTÓRIA: Você conhecia esse episódio envolvendo o coronel Ustra?

RESGATANDO UMA HISTÓRIA
Você conhecia esse episódio envolvendo o coronel Ustra?

No dia 31 de maio de 1967, após Concurso Público e respectivo curso, fui promovido a 3º Sargento do Exército Brasileiro e classificado no 1º GCan 90AAé – 1º Grupo de Canhões 90 Antiaéreos, localizado na Vila Militar, no Rio de Janeiro. 
Lá chegando, entre outros amigos e companheiros, conheci o Sgt Waldir, um negão tipo armário, falador e gozador, uma daquelas figuras inesquecíveis. Em que pese de Armas diferentes, tínhamos sido promovidos na mesma data, estávamos iniciando a nossa vida profissional.
Tinha o Waldir um história digna de registro, órfão ainda pequeno, ou abandonado pelos pais, foi criado no antigo e de triste memória SAM – Serviço de Atendimento ao Menor, hoje extinto. Ao completar a idade regulamentar, Waldir incorporou no Exército para cumprimento do Serviço Militar Obrigatório. 
Analfabeto, foi ele matriculado na Escola Regimental, onde todos os soldados analfabetos eram obrigatoriamente matriculados, em que pese não termos ainda, naquela época, a tal “Pátria Educadora”, mas no Exército tal procedimento era e é adotado de longa data.
Por ser aquela Unidade do Exército uma das mais sofisticadas da época – os canhões eram orientados por um computador - o Waldir, por ser analfabeto, foi designado para ser ordenança de um oficial, um Capitão Comandante de Bateria – as subunidades nas Unidades de Artilharia são designadas Baterias. 
O tal Capitão e sua esposa “adotaram” o Waldir, passaram a cuidar dele da mesma forma que cuidavam das filhas, ai incluído a alimentação na casa do Capitão, acompanhamento do desenvolvimento escolar, correção dos deveres de casa, isto feito pela esposa e as naturais cobranças que pais dedicados e interessados, fazem aos filhos.
Waldir engajou no Exército como soldado, terminou o curso primário, fez o curso de cabo, continuou estudando, passou no concurso para Sargento, foi promovido, ingressou na Faculdade e formou-se Professor de Educação Física, tudo sempre acompanhado pelo capitão e sua esposa.
Quando cheguei no GCan o tal Capitão tinha sido transferido meses antes para uma outra unidade, não cheguei a conhece-lo naquela época, mas pude perceber que se tratava de um oficial querido por todos. 
Militares, em especial os Sargentos, são muito críticos e exigentes com relação aos oficiais, não é qualquer oficial que consegue unanimidade com relação à sua liderança e comando, mesmo aqueles que são pessoas afáveis e competentes, sempre tem um sargento que reclama de alguma coisa, faz parte da cultura militar, mas o tal capitão era uma unanimidade, TODOS gostavam dele e o elogiavam como um oficial padrão, por sua liderança, competência e humanismo.
O nome desse Oficial era Carlos Alberto Brilhante Ustra.
O Waldir morreu, anos atrás, em um acidente de trânsito.
Infelizmente, quem me passou esta mensagem não revelou o autor do texto.
 

Obs.: E-mail recebido de meu amigo e militar GM Ferraz, criador do blog Mujahdin Cucaracha. Com certeza, esse episódio humanitário que envolve diretamente o coronel Ustra nunca será divulgado pela imprensa. Mas, um dia os brasileiros conhecerão a verdadeira história desse herói nacional e irão admirá-lo muito, ao mesmo tempo em que irão odiar os terroristas e apoiadores de terroristas que difamaram o militar, levando-o a percorrer um longo calvário de processos judiciais, difamações, calúnias e desrespeito, inclusive no local onde residia, em Brasília (F. Maier).