MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

O Protagonista Exagerado do Espetáculo da Ditadura Petista

“O Protagonista Exagerado do Espetáculo da Ditadura Petista”

Luís Mauro Ferreira Gomes (*)

30 de agosto de 2013

Como era esperado e, mais do que isso, como toda a Nação sabia que aconteceria, diante das evidências do conchavo conhecido como acordão, Rodrigo Janot teve sua recondução ao cargo de Procurador Geral da República aprovada pelo Senado.

Falta de visão ou interesses inconfessáveis teriam levado os Senadores a fingir acreditar em tantas mentiras propaladas pelo sabatinado.

Acusado de vazar, seletivamente, os nomes dos políticos investigados, o Pro-curador cometeu um ato falho: afirmou, enfaticamente, que não era um vazador contumaz de informações sigilosas, o que não afasta a possibilidade de ser um “vazador” eventual ou, mesmo, seletivo, como fora acusado. E as evidências apontam nesse sentido, já que, ao contrário do que disse, não houve especulação por parte da imprensa, mas a difusão antecipada da lista por quase todos os meios de comunicação.

Mais uma vez, confundiu-se, ou pretendeu confundir os senadores, quando se esquivou de responder à acusação de que tinha dado guarida, em sua casa, a um irmão, já morto, e a seu suposto cúmplice, procurados pela Interpol, sob a alegação de que não participaria dessa exumação pública de um homem que nem sequer poderia defender-se. A verdade é que não era seu irmão que estava sendo acusado e que deveria defender-se, mas ele, da acusação de abrigar uma dupla de contraventores.

Durante a sabatina, Janot disse, ainda, contrariando tudo o que se pôde ver e ler na televisão e nos jornais, que não participara do acordão para poupar os senadores investigados, acordão que permitiria o apoio do Senador Renan Calheiros à Presidente da República e a recondução do Procurador-Geral da República.
Grande novidade! Isso nem deveria ser considerado. Alguém seria capaz de imaginá-lo a confessar: Sim, nós fizemos o acordão, e, no encontro reservado que tive com o Presidente do Senado, garanti-lhe que nem ele nem mais nenhum outro senador seria denunciado (pelo menos até eu ser reconduzido como Procurador-Geral...). Negar, “veementemente”, não tem nenhum valor sem provas ou, pelo menos, fortes indícios que reforcem a negação, mas que não foram apresentados.

Até políticos e eleitores anencefálicos, que tenham escapado do aborto defendido pelo PT, perceberiam que Rodrigo Janot jamais teria sido reconduzido se ele e a Presidente não tivessem dado razoáveis garantias de que Renan e os outros Senadores investigados seriam poupados. Se isso será cumprido ou não, é outra questão.

No artigo “Dois Pesos e Duas Medidas”, de 23 de agosto de 2015, dissemos: Contudo, esse “acordão” deverá durar pouco, pois nenhuma das partes envolvidas caracteriza-se por cumprir a palavra empenhada. Isso, porém, é irrelevante. O conluio já terá cumprido sua finalidade: reconduzir ao cargo o Procurador-Geral da República e afastar o Senado da Câmara, para isolar o Deputado Presidente que se opõe ao Governo e, em seguida, livrar-se dele.

Esses, como muitos outros questionamentos, ficaram sem resposta minima-mente satisfatória, mas isso não tem importância, tudo já estava acertado no “acordão” e a sabatina não passou de uma encenação para coonestar o processo de recondução.

Esta é a parte exposta do acordão, que, a nosso ver, começou muito antes, quando o Procurador-Geral deu sucessivas provas de estar a serviço da Presidente e, provavelmente, assumiu o compromisso formal de usar o cargo para defendê-la, assim como o seu mandato, sempre que necessário. Autoriza-nos a pensar assim o fato de que o Procurador-Geral da República, muito mal disfarça sua simpatia pelas causas do governo.

Entre os muitos exemplos disso, citaremos apenas um, por ser antológico:

Justamente, na semana seguinte à sua indicação para recondução, o Procurador-Geral, talvez como prova de reconhecimento, deu parecer pelo arquivamento do pedido do Ministro, Gilmar Mendes, Vice-Presidente do Tribunal Superior Eleitoral, para que se investigasse uma das fornecedoras da campanha da Presidente Dilma Rousseff. No parecer, de forma irônica e arrogante, procurou mais desmerecer a Justiça e o Ministro, do que ater-se aos fundamentos jurídicos relativos ao caso. Empregou, ainda, no parecer conhecidíssimos chavões ideológicos usados pelo PT para tentar desqualificar as acusações que pairam sobre a Presidente e a campanha de sua chapa:

 Os principais atores do processo democrático são os candidatos e os eleitores;
 Não interessa à sociedade que as controvérsias sobre a eleição se perpetuem;
 Os eleitos devem poder usufruir das prerrogativas de seus cargos;
 Os derrotados devem conhecer sua situação e se preparar para o próximo pleito.

O Ministro Gilmar Mendes não tratou de impedir a Presidente de governar, nem da inconformidade de derrotados com o resultado das eleições, mas, simplesmente, de saber se houve contratação de empresas de fachada para falsa prestação de serviços; desvio de dinheiro público; falsidade ideológica; lavagem de dinheiro; ou a prática de outros crimes que possam levar à impugnação dos mandatos de Dilma Rousseff e Michel Temer, até agora considerados vitoriosos nas eleições de 2014.

Janot disse que sua postulação à recondução não tem como objetivo a satisfação de seu ego ou a sofreguidão do poder. Talvez não tenha somente essas duas motivações. Parece claro que também quer continuar a servir a seu governo, em vez de servir à sua Nação como disse na sabatina, e, no afã de fazê-lo, apontou a "inconveniência" de a Justiça e o Ministério Público Eleitoral se tornarem protagonistas exagerados do espetáculo da democracia, mas parece que ele mesmo não se incomoda de se prestar ao ridículo papel de protagonista exagerado do triste espetáculo da ditadura petista.

O autor é Coronel-Aviador. Presidente da Academia Brasileira de Defesa e Vice-presidente do Clube de Aeronáutica.

Fontes: