MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Lançamento do Livro “Descendo o Negro”

Lançamento do Livro “Descendo o Negro”


Hiram Reis e Silva (*), Bagé, RS, 17 de setembro de 2015.
Encontro das Águas
Olha esta água, que é negra como tinta.
Posta nas mãos, é alva que faz gosto;
Dá por visto o nanquim com que se pinta,
Nos olhos, a paisagem de um desgosto. [...]
(Quintino Cunha)
Caras amigas e caros amigos
Se tudo correr bem estaremos lançando ainda este mês o livro “Descendo o Negro”. Capa dura, mais de oitocentas páginas, 38 das quais em papel couchê onde estão impressas 66 fotos e 5 conjuntos de mapas coloridos que repercutem nossa jornada e relatos pretéritos e contemporâneos (colhidos “in loco”) naquele belo e singular manancial.
Logo que for lançado estaremos colocando-o a venda pelo correio e no
Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA), com a Nádia na Associação dos Amigos do Casarão da Várzea (AACV) e com o Tatu na Barbearia do CMPA, para aqueles que residirem na capital gaúcha. O preço do opúsculo será de R$ 80,00 mais despesas de correio para pedidos de outros municípios ou estados. Divulguem, por favor, para suas amigas e amigos.
Continuem nos apoiando, TFA
PS: A seguir prefácio do livro.
A presente obra traz a lume um riquíssimo Estudo (não há melhor termo para caracterizá-la) acerca da segunda fase do Projeto-Aventura Desafiando o Rio-Mar”, que vem sendo executado pelo Coronel Hiram Reis e Silva. Após a descida do Rio Solimões e de seus afluentes, em um frágil caiaque, na primeira fase do Projeto, em 2008, quando foram arrostados, a remadas, mais de 1.700 km (!) de percurso aquático, de Tabatinga a Manaus, o resoluto Coronel, no final de 2009, deu sequência ao grandioso empreendimento. Iniciou-se, então, a segunda fase da epopeia ‒ a “Descida do Rio Negro”, também em caiaque, de São Gabriel da Cachoeira a Manaus, concluída em janeiro de 2010.
O autor deste valioso, pedagógico e patriótico livro é o próprio Coronel Hiram, brilhante oficial de Engenharia do Exército, com larga vivência na Amazônia, onde realizou o Curso de Guerra na Selva, hoje Professor do Colégio Militar de Porto Alegre, também um fiel e digno Irmão Maçom, possuidor de uma invejável folha de serviços e de inúmeras titulações civis e militares. Diga-se por relevante, que ele vem desenvolvendo, iterativamente, um invulgar e desassombrado apostolado cívico em prol da Amazônia brasileira, contabilizando, nessa faina benemérita, incontáveis trabalhos escritos, plaquetas, monografias, livros a serem publicados (e que aguardam patrocínio), além de mais de 300 palestras proferidas, em especial para o jovem público estudantil.
Mas o Coronel Hiram decidiu ampliar os seus profundos conhecimentos
acadêmicos sobre a maior floresta tropical úmida do planeta, com uma prática inusitada, ao pervagar a imensa região, na descida de seus principais Rios ‒ tornemos a afirmar ‒ a remadas! Isso nos traz à lembrança uma imorredoura lição histórica que nos foi passada pelo General cartaginês Aníbal, em resposta dada ao arrogante filósofo grego Formião, fato narrado por Camões, no Canto X, de “Os Lusíadas”, com os seguintes versos:
“De Formião, filósofo elegante;
Vereis como Aníbal escarnecia;
Quando das artes bélicas, diante dele;
Com larga voz tratava e lia:
A disciplina militar prestante,
não se aprende, senhor, na fantasia;
Sonhando, imaginando ou estudando.
Senão vendo, tratando e pelejando”.
Destarte, sem nenhuma dúvida ou exagero, o Coronel Hiram, mercê de seus elevados méritos intelectuais, estudos amazônicos e audazes feitos náuticos, será merecidamente reconhecido e terá o seu ilustre nome consagrado em nossa História.
Eu me sinto um privilegiado por desfrutar da amizade desse pundonoroso Oficial e acabo de receber dele um cativante convite, em tom de quem não aceita recusa, eis que, em seu dizer, “convite de amigo é uma convocação”, para prefaciar esta obra magnífica de sua competente lavra. Assim, com um misto de orgulho e humildade, muito penhorado, tive de me desincumbir da honrosa tarefa, cônscio de não possuir cabedal para tanta responsabilidade...
É mister salientar-se, de início, que a primeira fase do “Projeto Desafiando o Rio-Mar” começou em 2008, ano do cinquentenário da morte do Marechal Rondon, em reverência a este vulto exponencial e fulgurante da história-pátria.
Igualmente, a épica jornada de descida do Rio Negro (segunda fase do Projeto) é dedicada ao inesquecível Marechal, “o maior sertanista da história da humanidade”.
O livro nos apresenta um abrangente e competentíssimo escorço biográfico do insigne brasileiro, em que são lembrados aspectos muito singulares e pouco explorados da edificante existência do “grande desbravador da hinterlândia brasileira” e as lições intemporais que ele nos legou. Trata-se de um percuciente trabalho de excelência e de fôlego, com espeque em numerosas, reconhecidas e fidedignas fontes, merecedor de figurar entre as várias biografias e estudos a respeito do ínclito Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon.
O soberbo e robusto memorial, de mais de 832 páginas, ora em comento,
contém em seu prelúdio, uma afetiva apologia ao caiaque, embarcação que não polui e por isso bem preserva a natureza, em vista da ausência de motores a combustão, sendo ideal para a “Terra das Águas” da “Terra Brasilis” como preleciona o muito determinado argonauta.
Impende lembrar, antes de qualquer consideração, que o preclaro escritor
relaciona alguns objetivos do Projeto, dos quais destacamos um, que se afigura, em nosso sentir, como uma Meta-Síntese dos demais: “Conhecer as peculiaridades locais, observar e analisar a História, a flora, a fauna, a
hidrografia e os povos da floresta”; e como louvável e feliz arremate: “A missão não era remar, mas interagir e aprender com a selva, as águas e a população ribeirinha”. E já se assinale: apesar de incompreensões, da carência de aporte financeiro, da pouca divulgação pela Imprensa, além de vicissitudes outras ocorridas durante o percurso, a precitada Meta foi plena e airosamente atingida!!
A descrição minudente do Rio Negro é encantadora e a ela, adiante, tornaremos a nos reportar, sendo de realce as comparações feitas com o Rio Solimões (singrado na primeira fase do Projeto), as quais corroboram observações de famosos exploradores e naturalistas, expendidas em tempos de antanho. O Rio Solimões, de maior porte, com margens mais opulentas e luxuriantes, onde prolifera uma fauna assaz variada de pássaros, macacos e outros animais; o Negro, sem a exuberância daquele Rio, mas possuidor de ilhas e praias paradisíacas, mais parecendo “um quadro de natureza morta”, pelo que o seu percurso foi mais arrojado e difícil, porém, mais fascinante.
A nova missão começou em São Gabriel da Cachoeira, no Natal de 2009 e se prolongou até Manaus, atingida em 20 de janeiro de 2010, após exaustivos treinamentos (em que até foram enfrentados vendavais e tormentas). Tais preparativos se deram no Lago Guaíba – a quem o navegador presta reconhecido tributo, pelo muito que lhe ensinou –, e em várias Lagoas da região Sul, como a Laguna dos Patos.
O conjunto que nos é apresentado, de documentos, descrições geográficas,
trabalhos históricos, estratégicos, militares, sociológicos, antropológicos,
políticos, etc, a par de seleta literatura alusiva ao tema, em prosa e verso, é
fruto da cultura poliédrica do autor, de sua aguda sensibilidade e de seus vastos e aprofundados estudos, saberes, leituras, pesquisas e vivência em ambiente de selva, o que bem evidencia a sua disciplina intelectual e física e, principalmente, o seu acrisolado amor pela Amazônia e pelo Brasil.
Ele nos prodigaliza com fantásticas narrativas, sempre lembrando, em
recorrências diversas, de épocas prístinas que o tempo levou (são muitos e
constantes, os intitulados “relatos pretéritos”), do glorioso passado e da heróica gesta de outras gerações, desde nossos ancestrais portugueses que nos legaram a Amazônia, a qual deve ser guardada, defendida e ocupada, em face da consabida e notória cobiça internacional sobre as suas incomensuráveis riquezas.
A obra é um verdadeiro painel de uma parcela da maior e mais rica das regiões brasileiras, repleta de conhecimentos de toda ordem referentes ao Rio Negro, dos quais relembraremos uns poucos, de cunho geográfico, em muito apertada síntese. Esta grande artéria aquática, como nos dá conta a publicação, é o Rio de águas pretas de maior vazão do planeta, cuja demanda é superior a de todos os Rios europeus, responsável por 15% da água doce que o Rio Amazonas despeja no Atlântico. O mencionado Rio possui os dois maiores arquipélagos fluviais do mundo: o de Mariuá (no Município de Barcelos), com 1.466 ilhas, e o das Anavilhanas (no Município de Novo Airão), com cerca de 400 ilhas, e mais o monumental Parque Nacional do Jaú. É o mais extenso Rio de águas pretas do mundo ‒ uma cor escura de “chá preto” ‒, navegável por grandes embarcações,
juntando-se, próximo a Manaus, ao Solimões (o famoso e turístico “Encontro das Águas”), para a formação do Amazonas, o maior Rio do Universo!
O atraente documentário, que em boa hora nos é dado a conhecer, apresenta farto conteúdo de douta erudição científica. Contudo, a sisudez dos tratados e estudos de cientistas, historiadores e pensadores de tomo, é mitigada pela rememoração sentimental da prosa e dos versos de consagrados escritores e bardos nacionais e estrangeiros, que se apaixonaram pela imensidão amazônica.
Entre outros, são trazidos à colação: Quintino Cunha, João Cabral de Mello Neto, Olavo Bilac, Edgar Roquette-Pinto, Antônio Ladislau Monteiro Baena, Emílio Goeldi, João Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Thiago de Mello, Jean Agassiz, Johann Von Spix, Carl Von Martius, Fernando Pessoa, Machado de Assis, J. G. de Araújo Jorge, Augusto dos Anjos e Altino Berthier Brasil (também Coronel do Exército e polígrafo de nomeada, com vários livros escritos sobre a Amazônia).
Os mitos, as lendas, o folclore, as fantasias, as bruxarias, o fabulário, os hábitos, usos e costumes (os bons e os nefastos, em especial os dos índios, que hoje, consigne-se por pertinente, estão submetidos à deletéria política indigenista da FUNAI, acumpliciada com perniciosas ONGs nacionais e estrangeiras), a notável atuação dos Pelotões Especiais de Fronteira (“Vida, Combate e Trabalho!”), os aspectos geopolíticos, máxime os riscos de amputação da área, em face da pretensa e inadmissível criação de “nações indígenas”, os veneráveis fastos históricos, tudo isso e muito mais, é tratado com bastante seriedade, argúcia e precisão, pelo Coronel Hiram, em magníficos relatos do historial de sua memorável aventura.
Tal jóia, tão preciosa em historicidade, se constitui, refrise-se, em um largo e profundo exercício cívico consubstanciado neste judicioso Estudo sobre a Hiléia Amazônica, que deve ser muito bem custodiado e compulsado.
Assim, nos são fornecidas abalizadas e detalhadas informações – verdadeiras aulas – relativas a aspectos os mais diversos das localidades ou povoações percorridas e banhadas pelo Rio Negro, entre elas, São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel do Rio Negro, Barcelos, Moura, Velho Airão, Foz do Jaú, Novo Airão, Terra Preta-Castanheiro e Ariaú, até ser atingida Manaus em 20 de janeiro de 2010. E diga-se mais: o irrequieto e indômito navegador já programou a terceira
fase do Projeto:
1) a descida do Rio Madeira, de Porto Velho (RO) até à sua Foz no Rio Amazonas e daí até Santarém (PA); ou,
2) a descida do Rio Amazonas, das praias do 2° Grupamento de Engenharia (Manaus) ao 8° Batalhão de Engenharia de Construção (Santarém-PA), com o intuito de ser prestada significativa homenagem ao dito Grupamento, pela passagem de seus 40 anos de existência.
Simplesmente fantástico!
Ao perlustrarmos as páginas desta peça primorosa de lídima arquitetura
histórico-geográfica e sociológico-literária, somos conduzidos para a fruição de uma empolgante travessia como a realizada pelo bravo remador, na qual
também nos deixamos levar pela torrencialidade, não das águas, mas de
instigantes estudos acadêmicos e narrativas atinentes a aspectos fisiográficos, sociais e humanos de “brasis ainda sem Brasil”.
Já afirmamos em outra ocasião e não é demais repetir, que tal e qual Orellana e Pedro Teixeira, no heróico pretérito, o vibrante e pundonoroso Coronel Hiram, por suas peregrinas virtudes, seu adamantino caráter, sua férrea vontade e pelas incríveis façanhas já realizadas e a realizar, consagrará e inscreverá o seu respeitável nome, galharda e indelevelmente, na galeria dos desbravadores e grandes beneméritos da Amazônia, “ad perpetuam Rei memoriam”!
Um Prefácio, já se disse, é um ato de cortesia e sociabilidade em que o autor é apresentado aos leitores, cabendo ao prefaciador a indicação do assunto, abordando-o de forma geral sem nele se deter em profundidade.
Mesmo procurando seguir essas sábias regras, é certo que este escrevedor se alongou em suas considerações, além da justa medida, mercê do entusiasmo e, mais do que isso, da ufania, pela leitura de tão extraordinário livro, pelo que roga a generosa compreensão dos caríssimos autor e leitores.
Aduza-se, por derradeiro, que as belezas e lições entesouradas neste inestimável relicário têm o condão de nos predispor a uma imediata empatia. Os patrióticos ensinamentos nele contidos nos conduzem, outrossim, à exaltação da brasilidade e ao superlativo robustecimento da crença na Soberania Nacional.
Igualmente, ressalte-se a constante relembrança, no curso do texto, de audazes brasileiros e de nossos avoengos lusitanos – “De nada a brava gente se temia” – mote que se adapta, perfeitamente, à hercúlea saga protagonizada por um militar de escol da Força Terrestre Brasileira, prenhe de intrepidez, coragem e determinação, que a pátina do tempo não esmaecerá...
Palmas, muitas palmas, admirável e nobre amigo Hiram, pela grandiosidade do Projeto-Aventura “Desafiando o Rio-Mar”, de incontestável magnitude histórica, tão bem documentado em sua segunda fase por meio desta obra, na qual se poderá haurir tantos e tamanhos conhecimentos brasílicos. O seu excepcional escrito, vazado em estilo escorreito, leve e agradável, numa linguagem clara e de fácil entendimento, muito bem ilustrado, sob dimensão e vestidura modernas e embasado em vasta e sapiente bibliografia, é leitura e das melhores, didática e prazerosa, para ledores de todas as idades.
E que o bom lavor deste referencial Estudo (tornamos a repetir), autêntico
breviário de civismo e de veneração telúrica à região que é a nossa prioridade de número primo, da fecunda produção “guttenberguiana” do reconhecido escritor, intelectual, historiador e pensador militar, Coronel Hiram Reis e Silva, sirva de luzeiro àqueles que amam, de fato, a Terra em que nasceram, na inspiração do poeta-soldado Luiz Vaz de Camões: “Não me mandas contar estranha História.
Mas mandas-me louvar dos meus a glória”.
SELVA!!!
Solicito publicação:
(*) Hiram Reis e Silva é Canoeiro, Coronel de Engenharia, Analista de Sistemas, Professor, Palestrante,
Historiador, Escritor e Colunista;
Ex-Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA);
Ex-Pesquisador do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx);
Assessor do Comando Militar do Sul (CMS);
Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS);
Presidente do Instituto dos Docentes do Magistério Militar – RS (IDMM - RS);
Sócio Correspondente da Academia de Letras do Estado de Rondônia (ACLER)
Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil – RS (AHIMTB – RS);
Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS);
Colaborador Emérito da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG).
Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional (LDN).
E-mail: hiramrsilva@gmail.com