MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Honestino Guimarães, o democrata de araque

terça-feira, 29 de março de 2011

Honestino Guimarães, o "democrata"

por Mirian Macedo

      
     Meu compromisso é com a verdade, eu não discuto com a realidade, eu a aceito assim como ela se me apresenta. As coisas são como são. 

     Vou contar uma experiência pessoal, com a ressalva de que eu era uma 'inocente inútil', sem qualquer importância como quadro revolucionário.
      
     Eu caí em junho de 1973, numa operação-arrastão em que foram presos 33 alunos da Universidade de Brasília.(Soubemos que foram presas 150 pessoas no total, a operação não se limitou à universidade). Isto foi pouco antes da prisão de Honestino Guimarães (ele foi visto pela última vez, em setembro daquele ano.
      

     Eu fazia parte de uma célula - vim a saber com mais detalhes tempos depois - do PC do B/AP-ML (Ação Popular Marxista Leninista), a mesma organização de Honestino Guimarães, que eu não conheci pessoalmente.  Na época, estas organizações enfrentavam o Exército Brasileiro, na Guerrilha do Araguaia. Na verdade, quando fui presa, eu nem sabia direito a que eu estava ligada, o segredo fazia parte das normas da casa. Se alguém caíssse...
      
     Foi no colegial (no meu tempo, chamava-se 'científico) que eu fui seduzida pela e para a revolução socialista. Uma colega da escola tinha amigos que eram presos políticos, gente que tinha participado da luta armada naquele final dos anos 60. 

     A imagem deles era de revolucionários de fibra, a quem a tortura não tinha quebrado o ânimo de implantar no Brasil a ditadura do proletariado. A palavra mágica era proletariado  (ninguém sabia direito o que significava; o mesmo acontecia com campesinato, mas sabíamos o que era operário e camponês. Era o povo explorado!)        
      
     Quando entrei na Universidade de Brasília, em 72, eu estava pronta, era só aliciar. E fui imediatamente aliciada. Durante alguns meses, eu recebi aulas de doutrinação marxista em reuniões com militantes que eram meus colegas na Universidade de Brasília. As discussões eram em casa ou no campus da UnB.
     

     Com o passar do tempo, teve até reunião secreta, cercada de rigorosas normas de segurança: trocar de táxi várias vezes, não pronunciar o próprio nome, nem dos outros conhecidos presentes, estas coisas. Lembro-me que eu não contava nem para o namorado ou gente da família o que fazia nem aonde ia.
      

     Nesta época, eu comecei a manter contato com militantes que não eram estudantes, era gente mais velha, que tinha nitidamente a função de aprofundar os compromissos com a organização e distribuir tarefas. Eu percebia que já havia um upgrade na conversa, tinha passado a fase do lero-lero teórico, a próxima fase era da praxis.
     
     Com quase 20 anos anos, participar da 'revolução' era o máximo. E assim, passada a fase de aliciamento e doutrinação, eu ia finalmente experimentar, ver de perto, o que era a praxis: fui  escalada para trabalhos com a 'massa', na periferia do Distrito Federal. Acabei sendo presa antes, graças a Deus(sic).
     
     Eu cheguei a visitar um tal 'círculo operário', em Taguatinga, nos arredores de Brasília. Até estranhei, o lugar mais parecia uma associação comunitária assistencial, acho que estavam testando a minha disposição de 'ir à luta".
      
     As análises do 'momento histórico', nestas reuniões de doutrinação de que eu participei, tinham enfoque nitidamente revolucionário. A proposta era de destruição do Estado burguês capitalista, instalação da ditadura do proletariado/campesinato (a APML era maoísta) e nenhuma negociação com a velha ordem burguesa.
     
     Usar os instrumentos da democracia, como eleições, liberdade de imprensa, aparato jurídico, habeas corpus etc - para permitir e acelerar a tomada do poder para a implantação do comunismo - era um dever do militante revolucionário.
      
     Marx e Lênin nos explicavam que 'liberdades democráticas' eram apenas instrumentos da burguesia para oprimir o verdadeiro sujeito da História: o povo trabalhador.
      

     A instalação de uma ditadura comunista era a proposta de todos os grupos de luta armada no Brasil, àquela altura. E também de grande parte da esquerda não engajada diretamente nas organizações. Admitamos e confessemos:todos nós sonhávamos com o comunismo. 
       
     A fórmula era (e ainda é) esta: a vanguarda revolucionária luta para tomar o poder, que será concentrado em suas mãos para que ela faça as modificações que achar necessárias à transformação radical da vida humana e do mundo.
  
     E, por lutar para concretizar tão nobre (e hipótetico) futuro, o revolucionário está acima de qualquer julgamento da espécie humana. No final, a História o absolverá.
     
      Esta é a essência da mentalidade revolucionária até hoje. Esta é a verdadeiro ideologia que a organização a que pertencia Honestino Guimarães professava. Não sou eu que quer assim. É assim, foi assim. Honestino Guimarães falava em democracia apenas como cortina de fumaça para seus verdadeiros objetivos. Era um instrumento na luta  para se implantar a ditadura comunista.
     
      As provas documentais de que esta é a verdade estão à disposição de quantos queiram conhecê-la(s). Existem dezenas de páginas só de fontes primárias sobre o assunto.
      
     Se Honestino Guimarães é herói de tantos que o cultuam como 'o mártir que a ditadura militar assassinou', nada tenho a ver com escolhas pessoais. O meu assunto é outro. Eu estou interessada na verdade. A ditadura o matou, mas Honestino não deu sua vida pela democracia.
      

     À parte isto, eu repito: é inegociável a condenação incondicional da tortura, da violência e do desrespeito aos direitos humanos de militantes da esquerda. O Estado não pode torturar, matar e desaparecer com um único cidadão.



terça-feira, 29 de março de 2011

Honestino Guimarães queria a ditadura

por Mirian Macedo
 
http://blogdemirianmacedo.blogspot.com.br/2011/03/honestino-guimaraes-queria-ditadura.html
 Honestino Guimarães na UnB
        
        Uma coisa é condenar incondicionalmente a tortura, a violência e o desrespeito aos direitos humanos de militantes da esquerda. O Estado não pode torturar, matar e desaparecer com um único cidadão. Outra coisa é tratar Honestino Guimarães como um guerreiro e mártir da democracia, que ofereceu-se em sacrifício da própria vida na luta pela redemocratização do País.
        
        Não foi. Dizer que ele lutava pelas liberdades democráticas é escamotear, fingir e fazer de conta que Honestino Guimarães não estava ligado à luta pela implantação de uma ditadura comunista no Brasil.
        
        Ora, ele era militante da AP-ML, a Acão Popular Marxista-Leninista, que era maoísta. O objetivo era declaradamente a tomado do poder e a implantação de uma ditadura comunista, através de um partido único. Sabe a China? Aquilo lá. Com a agravante: era a China de 40 anos atrás, Mao Tse Tung estava vivo.
        

        A luta de Honestino era no campo "revolucionário". Quem garante isto são seus camaradas do Movimento Estudantil Popular Revolucionário http://bit.ly/eDMznp:
        

        "Honestino se forjava como um grande dirigente revolucionário (...) Com uma postura sempre combativa (...) procurava sempre não conciliar com as posturas reformistas e capitulacionistas favoráveis ao “diálogo” com o regime militar.(...) combatia as visões estreitas e sectárias dos trotskistas e outros oportunistas."
        

        Diz ainda o MEPR: "Os órgãos de informação estavam acompanhando atentamente os passos do grupo de que Honestino Guimarães fazia parte (AP-ML, Ação Popular - Marxista-Leninista, denominação da organização de Honestino após a decisão pelo marxismo-leninismo, na linha de pensamento de Mao Tsetung),(...) e se apressaram em atingi-lo quando souberam que a sua direção nacional resolvera apoiar o movimento de resistência armada surgido no sul do Pará (Guerrilha do Araguaia), sob a direção do PCdoB".
        

        Um parêntesis: as organizações de esquerda no Brasil faziam e desfaziam alianças todo o tempo. Assim, é dificil precisar em que momento eram 'cubanas', 'maoístas', ' pró-URSS',' 'alinhadas à Albânia' etc.

        Também é bom lembrar, a propósito, que Padre Alípio, da Ação Popular, a AP de Betinho, o irmão do Henfil, foi a Cuba depois de 64 e voltou em meados de 66, para preparar e executar o atentado à bomba que mataria Costa e Silva, então candidato à Presidência da República, no Aeroporto de Guararapes, em Recife.
        
         No atentado, morreram duas pessoas e quase 20 ficaram feridas, inclusive crianças. Costa e Silva não morreu porque uma pane em seu avião o reteve em João Pessoa. O imprevisto fez com a a cerimônia de recepção fosse cancelada; quando a bomba explodiu, o aeroporto já estava praticamente vazio. Fosse diferente, o atentado seria uma carnificina.

     Isto prova que quem começou a guerra suja não foram os militares. A luta armada não foi a resposta. Foi o início.




Obs.: Honestino Guimarães dá seu nome ao Museu Nacional de Brasília. Também dará seu nome à ponte Costa e Silva, no Lago Sul, aprovado pela Casa do Espanto do DF, que é como é conhecida a Câmara Distrital de Brasília. Prova do revanchismo vermelho que perdura até hoje. Como demonstram os textos acima, Honestino queria substituir a ditabranda brasileira por uma ditadura de verdade, maoísta (F. Maier).


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