MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Despedida do coronel Hiram - o Humboldt do século XXI - do Colégio Militar de Porto Alegre

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MINHA DESPEDIDA DO CMPA

Hiram Reis e Silva (*), Porto Alegre, RS, 23 de junho de 2015

Agradeço a presença de cada uma das amigas e a cada um dos amigos que tornaram este ato de despedida mais ameno. Velhos companheiros de farda e de jaleco ombreavam com ex-alunos do CMPA e do CPOR-PA confortando o coração e a alma deste velho soldado. Reproduzo o elogio lido pelo meu querido amigo Coronel Gilberto:

ELOGIO DO CORONEL HIRAM REIS E SILVA

Os laços da família REIS E SILVA com esta inigualável Casa do saber, do respeito e da cidadania, iniciaram-se na década de 30, através do querido e saudoso pai do nosso homenageado, o Coronel Cassiano, que formou-se em 1939 na então Escola Preparatória de Porto Alegre (EPPA).

Nas décadas de 60 e de 70, o Coronel HIRAM e seus irmãos, LUIZ CARLOS e CARLOS HENRIQUE, também estudaram no CMPA. Nos anos 90, suas filhas e filho ‒ VANESSA, DANIELLE e JOÃO PAULO –, tiveram esse privilégio. Segundo as palavras do que ora se despede:

Três gerações que guardaram com muito carinho cada momento vivenciado e, principalmente, tiveram a rara oportunidade de receber orientação na rota da honra, da disciplina e da dedicação.

O então Capitão-aluno REIS, no ano de 1971, foi presidente da Legião de Honra, integrante da Guarda-bandeira e Comandante do Curso de Infantaria, demonstrando absoluta devoção aos estudos, à disciplina e à camaradagem, bem como laivos significativos de liderança.

Filho de pais amorosos, CASSIANO e MARIA, que souberam, através de primorosa educação, mostrar a ele e aos seus irmãos o caminho da dignidade e do respeito, o então menino, foi aos poucos retribuindo o carinho e os ensinamentos recebidos no lar e orgulhando seus progenitores.

Anos e anos se passaram, o que só fez aumentar no peito do militar e do cidadão agradecido o amor à velha casa de ensino, verdadeiro templo de lídimas tradições da nação brasileira e de culto ao civismo.

Quando comandou o 3° Centro de Informática, pôde muito bem demonstrar um pouco da sua gratidão ao Velho Casarão, estabelecendo o mesmo como prioridade para treinamento de pessoal. Assim mais de cem profissionais do CMPA, militares e civis, realizaram cursos no referido Centro.  Destacou pessoal para a manutenção de hardware, de software e também transferiu vários equipamentos para o Colégio, tendo contribuído de forma significativa nos passos iniciais da expansão da informática, principalmente na área de ensino.

Já na reserva, atendendo a uma indicação do Coronel GILBERTO, referendada pelo Cel MÁRMORA, então Comandante e Diretor de Ensino, retornou a este Colégio como PTTC, em julho de 2000, e exerceu a cátedra até 2012, como professor de Matemática e de Desenho Geométrico, nos anos subsequentes, 2013, 2014, até o mês de abril de 2015, atuou como pesquisador do DECEx, ainda pertencendo ao efetivo do nosso Colégio.

Foram doze anos no exercício do magistério, nos quais sempre atendeu a seus alunos a qualquer tempo, fosse através da internet ou pessoalmente, no contraturno, nos finais de semana e nos feriados. Graças a essa disponibilidade, atenção e carinho, partiu, dos próprios discentes, a solicitação de aulas às vésperas das provas e, segundo as palavras do Coronel HIRAM, “pedido de aluno sempre foi e será uma ordem”. E assim ele cumpriu essa rotina durante seis anos, que, de acordo com a manifestação e o sentimento do insigne Mestre, foram:

de muito sucesso e grande recompensa pessoal, para mim não era sacrifício, mas um gratificante dever.

Apesar do retorno cognitivo ser comprovadamente positivo, houve a proibição de continuidade dessas aulas nos fins de semana, no CMPA. A solução encontrada pelo Coronel, sem descumprir a ordem recebida, foi atender em domicílio, o que fez inclusive durante o período em que desempenhou a função de pesquisador.

Durante esses quinze anos no Colégio dos Presidentes, recebeu várias honrarias e homenagens, dentre elas as seguintes medalhas: Legionário da Paz, Batalhão de Suez, Marechal Trompowsky, Centenário do CMPA e a do Mérito Histórico Militar Terrestre; também foi destacado com os títulos de Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional e da Associação dos Diplomados da ESG. É sócio Correspondente da Academia de Letras de Rondônia, membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul e da Academia de História Militar Terrestre do Brasil. Também é o atual Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira e do Instituto dos Docentes do Magistério Militar, RS.

Dentre todos esses merecidos prêmios, distinções e comendas o que cala mais fundo em sua alma não é nenhum dos citados, mas sim o de Professor Destaque de seu ano letivo, título que recebeu diversas vezes, onde o eleitorado é constituído, exclusivamente, pelos alunos e alunas da série.

Nossos pequenos discentes já enxergavam no Mestre exemplos que iam muito além do tablado e da farda, exemplos do mais absoluto amor pelo Brasil, visto e ouvido através de suas atitudes marcantes, de seu civismo comprometido com os valores perenes da Pátria, de seus brados de “Selva”, que ainda ecoam retumbantes nos corações e nas mentes de nossos jovens, de muitos significados, os quais alguns ouso tentar traduzir: a Amazônia é nossa; tudo por nossa terra e por nossas águas; acordem meus caros pupilos, pois o Gigante precisa de todos nós.

No momento em que o Colégio do Casarão da Várzea deixava de contar com o talento de um dedicado e sábio professor com exclusividade, em contrapartida, a essa aparente e parcial perda, o Brasil começava a ter um novo bandeirante de seus rios e lagos, que, identicamente aos nossos antigos desbravadores, tinha sede de riqueza, mas de maneira diferente dos sertanistas que buscaram ouro e prata, pois o Coronel HIRAM procurou outros tesouros. Enriqueceu nossos mapas, escreveu novas páginas da nossa História recente através de oito livros, dentro do Projeto Rio-Mar, de inúmeros artigos, de entrevistas (para a televisão, rádio, jornais e revistas) e de outros meios da mídia.

Para buscar a História “in loquo, precisou pesquisar durante meses, planejar e montar a logística para suas expedições com o mais absoluto esmero, dedicação e minúcia de detalhes, que ao longo das jornadas deixaram de ser meros detalhes e se transformaram, dezenas de vezes, em questões absolutamente vitais para o cumprimento dos objetivos. Seu preparo físico e técnico merece ser destacado e enaltecido, pois em um momento da vida em que a maioria das pessoas busca reduzir a intensidade e o volume de suas atividades físicas, adequando-as ao novo momento, tendo em vista a natural queda em suas valências de força e de resistência, esse militar brioso e destemido, oficial da Arma de Engenharia e Guerreiro de Selva fez soar mais alto em seu peito o sentimento da mais pura brasilidade, inspirado por vultos históricos de elevada relevância nacional, dentre os quais PLÁCIDO DE CASTRO, Marechal RONDON, General BELLARMINO MENDONÇA, Coronel RICARDO FRANCO, Dr. JOAQUIM CAETANO DA SILVA ou de personalidades reconhecidas em âmbito regional, como o Sargento MANOEL VICENTE DA PAIXÃO.  O Coronel HIRAM fez ecoar o grito de Selva de Norte a Sul do nosso país para aqueles que têm ouvidos e mentes abertas e um coração patriótico. Seu pequeno caiaque traçou novos rumos, conquistou populações esquecidas, redesenhou novas curvas de rios e descobriu aldeias, corrigindo levantamentos cartográficos. Uniu o conhecimento do professor de Desenho ao do militar de Engenharia, o do historiador e o do escritor ao do desbravador. Teve que rever e refazer muitas vezes o planejamento, pois nem sempre os apoios acordados foram cumpridos, mas sempre contou com amigos fiéis em todas as suas longas e causticantes jornadas.

Do soldado ao Coronel, do cozinheiro ao doutor, do quase desconhecido ao filho amado, assim foram compostas as equipes de água e de terra.  Expedições de brasileiros e de brasileiras, mas aberta aos estrangeiros. Peles de diferentes cores e tons, mas todos unidos pelos elos fortes das remadas, pelo objetivo do cumprimento da missão, pelo êxito da expedição, pelo verdadeiro espírito de aventura patriótica, pelo BRASIL.

Nada se diz melhor do que citando as palavras de quem as proferiu. O Coronel HIRAM assim escreveu:

Foi neste mesmo salão, que teve início o Projeto Desafiando o Rio-mar, que contou, desde o seu início, em 2008, com a participação ativa do corpo docente e discente. O Projeto encerrou-se em março deste ano no estado do Amapá depois de termos percorrido 11.399 km.

Sobre a apresentação do Projeto neste Salão Brasil, o TC CARNEIRO assim se manifestou:

Afirmo, com o sentimento de quem aqui estava presente naquele momento, que parecia um Projeto idílico, daqueles que acontecem mercê do sonho de um idealista, que se inicia mas não termina. Mesmo sendo amigo, conhecedor e admirador das virtudes do ilustre oficial a grandiosidade do Projeto era amazônica e o apoio, considerando a dimensão e a abrangência de tais excursões, parecia ser insuficiente. Creio que minhas conclusões estavam quase todas certas, porém um único equívoco de apreciação eu cometi, graças a Deus, refiro-me às qualidades do Coronel. Não basta apenas ser um forte física e psicologicamente, é necessário possuir uma força interior inquebrantável, uma fé inabalável e um propósito que só os homens dotados de um verdadeiro e insuperável amor pela pátria possuem. Só alguém assim para não esmorecer em cada uma das sete descidas e da navegação do Tapajós, para levar avante um Projeto com apoio insipiente, para prosseguir pelos Mares de Dentro (Laguna dos Patos e Lagoa Mirim), contemplando as águas gaúchas, nas quais se preparou para suas excursões pelas águas do Norte. Por mais aplausos, palavras elogiosas e prêmios que receba, jamais haverá agradecimento à altura deste BRASILEIRO com todas as letras maiúsculas, um verdadeiro herói.

Felizes aqueles que tiveram ouvidos para ouvir e que bem souberam valorizar o convívio com esse desbravador de rios, de lagos e de outras águas, mas principalmente de cérebros. Soube como poucos aguçar e instigar a curiosidade pelo saber, através de suas retas e planos, com as armas da paz: régua, esquadros, transferidor e compasso. O professor dos traços e das figuras desenhou com giz em nossos quadros, mas seus ensinamentos jamais se apagarão, pois os belos exemplos se perpetuam.

O Coronel HIRAM sempre teve a postura de um paladino dos menos favorecidos intelectualmente, de um defensor da razão com doses magnânimas de amor, foi também o colega à disposição, o amigo que não sabia dizer não às causas justas, o Mestre sempre com tempo para dirimir dúvidas, elucidar problemas, estimular a agudeza de raciocínio, passar confiança, especialmente aos quase descrentes, e instigar e encorajar para a magnífica carreira das Armas. Procurou, a cada momento, aprender, acreditando sempre naqueles que têm desejo de saber, apesar das dificuldades que se apresentem. A crença na força da juventude, o amor à cátedra, o respeito aos limites de cada pessoa, sem descurar de exigência adequada e atitude exemplar, fizeram-no merecedor da admiração, do carinho e da veneração de seus pupilos. Sua liderança é calcada no exemplo, no conhecimento, na arguta inteligência e especialmente na sabedoria de compartilhar essas qualidades com seus colegas de cátedra. Para seus colegas de ano, assim como para os de disciplina, sempre demonstrou total prontidão para auxiliar na solução dos mais diversos problemas didático-pedagógicos, compartilhando experiências de vida. Tornou-se por seus dotes inatos e atributos forjados ao longo da existência, como a paciência, a lucidez, a ponderação e o equilíbrio, um sábio orientador.

A Major ENEIDA MADER se referiu ao homenageado com o seguinte título ‒ Um personagem desafio, chamado HIRAM ‒, proferindo as seguintes palavras:

O Hiram-escritor é um personagem à parte. Aqueles que o conhecem sabem que ele se tornou um narrador-personagem de suas publicações e dos diários de bordo que elabora com sua escrita peculiar, fruto das viagens-desafio que perfaz pelas matas e rios nos quais se embrenha com seu caiaque, de ponta a ponta deste Brasil.

Em seus textos, sempre a navegar, remando incansável, ora por águas calmas, ora revoltas, o Hiram navegador incorporou legitimamente aquele personagem do conto ‘A terceira margem’, de Guimarães Rosa, cuja narrativa ficcional apresenta a figura de um homem sertanejo que decide, para a surpresa de todos de sua aldeia, adotar a postura corajosa de viver o resto de seus dias a bordo de uma canoa, remando de uma margem à outra, privado de tudo. É criticado por todos – filhos, esposa, vizinhos e amigos , mas não desiste de lutar por seu ideal.

O desafio tem sido, sim, o fiel escudeiro do Coronel Hiram, haja vista as adversidades que o nobre militar têm enfrentado ao longo destes anos: os rios caudalosos que percorre, os perigos das matas selvagens. Mas Guimarães Rosa o protege, de certa forma, pois homenageia o personagem do grandioso escritor.

Através de seus relatos de viagem, o Coronel Hiram vem refazendo o percurso de heróis e vultos insignes de um passado histórico, sempre conectado às comunidades ribeirinhas, aos indígenas e aos militares de todo o Brasil.

As trajetórias culturais, geográficas, literárias e históricas revisitadas através da produção escrita do Coronel Hiram nos conduzem como leitores, através de sua canoa migrante pelos confins deste Brasil plural”.

Nada que acontece em nossas vidas é obra do acaso, por isso creio que a dor causada pela enfermidade de Dona NEIVA, sua esposa, despertou o sertanista e desbravador das vestes do professor desta augusta e conceituada Casa do Saber. A partir de então, o jaleco deu lugar ao remo do canoísta, aos documentos e às fontes do historiador, à lupa do pesquisador, às cartas do geógrafo, à caneta e ao papel do escritor. Dias, semanas e meses de preparo para enfrentar essa misteriosa, gigantesca e nova sala de aula, habitada pela mais diversa fauna do planeta, por aborígenes de origem multissecular, repleta de perigos a cada palmo e ao mesmo tempo encantadora, bela e de microrregiões quase intocadas pelo dito homem civilizado.

Jamais os olhares, ora de contemplação, ora de espanto, mas sempre instigantes, de suas alunas e de seus alunos saíram de seu pensamento, por isso toda vez que solicitado, encontrando-se em nossa Porto Alegre, ia ao encontro desses pupilos e lhes prestava o apoio necessário, ministrando aulas de Desenho. Atenuava, a um só tempo e de forma magnânima, pois assim é a sua essência, as saudades de um passado recente, que na verdade jamais passará, pois faz parte de sua vida “ad æternum”. O pretérito será sempre presente e continuará a fazer parte de sua vida, caro Coronel HIRAM, no que diz respeito ao Colégio do Casarão da Várzea, até que os deuses da selva o chamem para morar em suas matas.

Em sua canoa muitas pessoas navegaram, nas águas, nas quais singrou, milhares de olhos o acompanharam, nas margens que deixou para trás nós estávamos e, em cada parada ribeirinha, nos povoados, nos vilarejos e nas pequenas cidades nós ombreamos com as populações locais e em uníssono lhe aplaudimos em pé. Estávamos no lançamento do seu livro Navegando o Rio Mar/Descendo o Solimões e prosseguiremos a acompanhá-lo seja aonde for, pois o senhor é muito além de um ícone, é um cavalheiro, um colega de qualidades raras, um amigo das horas difíceis, um professor amável e amado.

É necessário destacar aqueles que estiveram ao seu lado, presencialmente, nessas longas e difíceis jornadas, assim procedo citando apenas alguns, mas enaltecendo a todos:  Professor HÉLIO e Coronel ANGONESE, ambos integrantes do nosso CMPA, Coronel PASTL, pai de ex-alunos deste estabelecimento de ensino,  canoísta JOÃO PAULO, filho do ilustre Coronel, que com ele participou da quarta travessia, a descida do rio Madeira, em homenagem ao centenário deste modelar Colégio Militar. Eles não foram meros coadjuvantes, mas sim testemunhas da história já contada, ou por contar, bem como ajudaram a escrever páginas dessa fantástica narrativa, agora concluída.

Cabe dar ênfase ao nome de MARC ANDRÉ MEYERS, o Dr. Marc é Professor Distinto de Ciência dos Materiais na Universidade da Califórnia, San Diego, EUA, e já realizou extensas investigações sobre espécimes biológicos do Brasil e dele partiu o convite ao Coronel HIRAM de juntos realizarem uma homenagem à Expedição Científica Roosevelt-Rondon, comemorando o seu centenário.

Sobre essa expedição o nosso Coronel pesquisador assim se manifestou:

O Dr. Marc homenageou o ex-presidente norte-americano THEODORE ROOSEVELT e eu o maior brasileiro de todos os tempos, CÂNDIDO MARIANO DA SILVA RONDON, o nosso valoroso Marechal da Paz.

Nos prefácios de seus oito livros, bem como nas mensagens neles postadas, é possível perceber com absoluta nitidez a exata dimensão de sua obra para os dias atuais e futuros, bem como o alerta em relação ao meio-ambiente e à soberania nacional.

Dentre esses prefaciadores temos ilustres nomes como o do ex-ministro JARBAS PASSARINHO, o dos Generais AVENA e TIBÉRIO KIMMEL, o do, já citado, Dr. MARC, bem como os de importantes pratas da casa como o Coronel ARAÚJO e o Professor SÉRGIO MINÚSCOLLI.

Ao ter a indicação pessoal do Comandante Militar do Sul para Prestador de Tarefa por Tempo Certo e sua nomeação publicada no Diário Oficial da União, a contar do dia primeiro de maio deste ano, para exercer a tarefa de assessor para acompanhamento de obras da Seção de Patrimônio, Obras e Meio Ambiente do 4° Gpt E, pelo prazo de 36 meses, a partir de primeiro de maio de 2015, pode-se perceber a importância da permanência do Coronel HIRAM nas fileiras do Exército Brasileiro. O General de Exército MOURÃO, mais alta autoridade militar do Sul do País, clara e explicitamente atestou a capacidade do nosso homenageado e endossou o seu trabalho como pesquisador, historiador e escritor, manifestando a grandiosidade de sua obra.

O treinamento físico para remar uma média de trinta e cinco quilômetros diários, durante semanas, a fim de realizar as travessias é árduo, progressivo, contínuo, planejado e requer a disposição e o sacrifício de um atleta profissional. Não há espaço para vacilos ou fraquezas, pois significariam a dor da derrota. Mas muito mais estafantes, difíceis e perigosas são as descidas, propriamente ditas. Incontáveis noites dormindo em locais sem nenhum conforto, convivendo com inúmeros imprevistos, onde o risco de vida é real e o de contrair doenças é uma constante, tendo como hábitat a selva Amazônica, com seus rios e fauna acordados e vigilantes durante as vinte e quatro horas do dia, com seus perigos infindáveis rondando por todos os lados.

Por mais que releia os relatos, por mais que me perca nas páginas de seus livros e artigos, escritos com minúcias de detalhes e requintes de pura emoção, nunca terei a noção exata e, sequer aproximada, da coragem e da bravura do canoeiro HIRAM. O caríssimo Coronel é um homem de singulares apanágios, dentre esses destaco seu amor à Pátria. A sua Brasilidade sem limites cruzou as fronteiras do nosso Torrão Auriverde, enalteceu a arma de Engenharia, o militar do Exército Brasileiro, os historiadores que carregam o país em seus corações, enfim as mulheres e os homens que, verdadeiramente, amam este chão e por ele dariam a própria vida.

Orgulhosos são os que podem chamá-lo de colega ou de companheiro. Felizes os que desfrutam de sua amizade, pois sabem que sempre está presente, mesmo quando a distância tenta ser um obstáculo. Uso as palavras do filósofo, diplomata e escritor Benjamin Franklin para tentar reproduzir o seu tratamento dispensado aos amigos e às amigas:

“Um irmão pode não ser um amigo, mas um amigo será sempre um irmão”.

Na apresentação do seu livro, Descendo o Solimões, consta essa preciosidade, proferida por THEODORE ROOSEVELT:

“É muito melhor arriscar coisas grandiosas, alcançar triunfos e glórias, mesmo expondo-se à derrota, do que formar fila com os pobres de espírito, que nem gozam muito, nem sofrem muito, porque vivem nessa penumbra cinzenta que não conhece vitória nem derrota”.

Assim o senhor pauta a sua vida, correndo riscos que valham a pena, por isso, independentemente do resultado já seria um vitorioso. Mas como os objetivos foram atingidos o senhor foi além da vitória, chegou ao ápice da trajetória que um homem pode almejar.

Parabéns pelo cumprimento irretocável das nobres missões de professor e de pesquisador, as quais o senhor soube muito bem mostrar que estão unidas de forma umbilical. Continue com esse entusiasmo que contagiou aos nossos discentes, a nós seus colegas de cátedra e a todos os brasileiros que puderam acompanhar de perto ou de longe seus feitos quase heróicos, através dos seus livros, artigos, entrevistas e de outros meios, divulgados por inúmeros veículos de comunicação.

Caro ex-aluno do Colégio dos Presidentes, estimado ex-professor, eterno Mestre e, para sempre, irrepreensível educador: o profundo agradecimento do Colégio Militar de Porto Alegre ao senhor, por cujas mãos passaram milhares de jovens alunos e alunas, extensivo à sua dedicada e amada família.

Desejamos-lhe muita saúde, paz e felicidades na nova função, sabendo que seu grito de brasilidade continuará a ecoar pelos nossos rincões gaúchos e também nos demais torrões da nossa Pátria. Que Deus continue a iluminá-lo, bem como aos seus queridos e digníssimos familiares.

Selva!

Salve o Brasil! CMPA, CMPA!

GENESSI SÁ JUNIOR ‒ CEL
CMT E DIRETOR DE ENSINO DO CMPA



Solicito publicação:

(*) Hiram Reis e Silva é Canoeiro, Coronel de Engenharia, Analista de Sistemas, Professor, Palestrante, Historiador, Escritor e Colunista;
Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA);
Pesquisador do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx);
Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS);
Presidente do Instituto dos Docentes do Magistério Militar – RS (IDMM - RS);
Sócio Correspondente da Academia de Letras do Estado de Rondônia (ACLER)
Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil – RS (AHIMTB – RS);
Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS);
Colaborador Emérito da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG).
Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional (LDN).
  

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