MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Esquerda chique de Hollywood: Idiotas úteis ou patifes assumidos?



Esquerda chique de Hollywood: Idiotas úteis ou patifes assumidos?

Félix Maier

A “esquerda chique” de Hollywood é composta por diretores, produtores e atores que enaltecem a ditadura cubana. Robert Redford é produtor do filme Diários de Bicicleta, que trata, não da biografia, mas da “hagiografia” de Che Guevara, em tempos de hippie (o brasileiro Walter Salles é o diretor). Johnny Depp usa medalhão com o retrato de Che; Angelina Jolie diz que tem tatuagem de Che em local não revelado do corpo; Benicio del Toro é o ator favorito para interpretar Che. Após visitar Cuba e fazer a festa com muito mojito e jineteras, Jack Nicholson elogiou o sistema: “Fidel Castro é um gênio! Nós falamos sobre tudo e sobre todos. Castro é um humanista como o presidente Clinton. Cuba é simplesmente um paraíso” (FONTOVA, 2009: 232) (*). Sabe de nada, inocente! Todas as estripulias de Nicholson foram filmadas por câmaras escondidas – prática comum na ditadura cubana, como denunciou o ex-guarda-costas de Fidel Castro, Juan Reinaldo Sánchez, no livro A vida secreta de Fidel – cfr. http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/tag/a-vida-secreta-de-fidel/

A lista de idiotas de Hollywood é longa: Oliver Stone, Francis Ford Coppola, Steven Spielberg, Woody Harrelson, Leonardo DiCaprio, Chevy Chase. “Bil O’Reilly chamou essas celebridades de ‘cérebros de galinha’ ” (idem, pg. 233). Se dependesse de Che, todos esses idiotas seriam incinerados por bombas atômicas: “Se os mísseis [soviéticos] tivessem permanecido conosco, tê-lo-íamos utilizado contra o próprio coração dos Estados Unidos, incluindo Nova Iorque. Nunca havemos de estabelecer uma coexistência pacífica. Havemos de trilhar o caminho da vitória mesmo que custem milhões de vítimas atômicas” (idem, pg. 116).

Toda pessoa que venera Che Guevara e Fidel Castro é idiota útil ou patife assumido. Tertium non datur. Até a Universidade de Harvard recebeu, sob ovação, o honorável terrorista Fidel Castro. Além da “esquerda chique de Hollywood”, são infindáveis os admiradores de Che, el chancho (o porco fedorento), ao redor de todo o mundo. Tem até uma torcida organizada, Máfia Azul, do Cruzeiro, que vai aos campos de futebol com uma grande faixa com foto do rosto do serial killer Che Guevara.

Diego Maradona e Mike Tysson têm tatuagens de Che no braço. Giselle Bünchen desfilou com biquíni que tinha a estampa de Che. No livro de Humberto Fontova, O verdadeiro Che Guevara - E os idiotas úteis que o idolatram, podem-se conhecer alguns desses admiradores: 

Naomi Campbell: “Fidel Castro é uma grande fonte de inspiração para mim; é um homem inteligente e impressionante, que lutou por uma causa justa” (pg. 231). Colin Powell, sobre o sistema de saúde em Cuba: “Até Fidel Castro fez algo de bom para o seu país” (pg. 224-5). Davis Segal, do The Washington Post: “Che morreu como um mártir em 1967” (pg. 253). Carlos Santana: “Che vive nos nossos corações. Che é antes de tudo amor e compreensão. Antes da revolução cubana, as mulheres eram proibidas de entrar nos cassinos” (pg. 60). A verdade: “Em 1958, Cuba tinha mais mulheres graduadas em curso superior do que os EUA. E elas iam ao cassino quando bem entendessem”, respondeu Henry Gómez a Santana (cfr. pg. 60). Carlos Santana: “Che tem a ver com amor e compaixão, bicho!” (pg. 158). Nelson Mandela: “Che Guevara é uma inspiração para todo o ser humano” (pg. 151).

A babação de ovos de Che e Fidel continua, inclusive feita por jornais e revistas:

Jules Dubois, na Chicago Tribune, em janeiro de 1959: “Castro possuía uma profunda reverência pelo governo democrático, representativo e constitucional” (pg. 142). Edwin Tetlow, no Daily Telegraph: “Castro chega a lembrar Jesus Cristo no cuidado e preocupação com o seu povo” (pg. 142). Jon Lee Anderson, um dos “hagiógrafos” de Che: “A maioria dos executados foi sentenciado à morte honestamente, com advogados de defesa, testemunhas e promotores” (pg. 145-6). Revista Time, em 8/8/1960: “Com um sorriso de doce melancolia que muitas mulheres acham devastador, Che Guevara dirige Cuba com a frieza do cálculo, vasta competência, inteligência superior e agudo senso de humor” (pg. 137). Jorge Castañeda, outro “hagiógrafo” de Che: “Che possuía feições semelhantes às de Cristo... com seu olhar fúnebre, é como se Guevara olhasse para seus assassinos e os perdoasse” (pg. 119). Trisha Ziff, curadora do Museu Guggenheim: “A feição de Che é pura linguagem visual... e também faz referência a uma conduta clássica que lembra a de Cristo” (pg. 119). I. F. Stone, colunista do The Nation: “Foi por amor, como um perfeito cavaleiro, que Che deu início à sua jornada. Nesse sentido, ele foi como um dos antigos santos” (pg. 119). Richard Goodwin, “aspone” de JFK: “Atrás da barba, suas feições são muito suaves, quase femininas” (pg. 112). Ernest Hemingway: “A revolução cubana é totalmente pura e bela... Ela me encoraja... O povo cubano tem agora pela primeira vez sua chance real” (pg. 78). Abbie Hoffmann, sobre a atuação de Fidel num palanque: “Um poderoso pênis que ganha vida” (pg. 65). Tom Morello, líder do Rage Against the Machin: “Che exemplifica a integridade e os ideais revolucionários a que aspiramos” (pg. 62). Susan Sontag: “Embora a consciência do próprio subdesenvolvimento inevitavelmente leve os líderes da revolução a enfatizar a disciplina mais e mais, os cubanos preservam o caráter voluntário de suas instituições” (pg. 56). Eleanor Clift: “Ser uma criança pobre em Cuba é melhor do que ser essa mesma criança nos Estados Unidos” (pg. 213). Jean-Paul Sartre: “Che não é apenas um intelectual, mas foi o mais completo ser humano de nossa época: nosso homem mais perfeito” (pg. 179).

Mesmo depois de morto, continua o embuste em torno da figura de Che: “Segundo a história oficial, divulgada pelo governo cubano, os restos do guerrilheiro foram desenterrados de uma cova na Bolívia em 1997, e levados para um mausoléu na cidade de Santa Clara, em Cuba. O corpo de Che foi encontrado em uma cova com outros seis guerrilheiros e portava a sua jaqueta verde, o que ajudou na identificação” (NARLOCH, 2011: 309).

No entanto, segundo depoimento de militares que acompanharam o enterro de Che em 1967, ele foi enterrado sozinho, ou, no máximo, com mais dois defuntos. “Gustavo Villoldo, um oficial americano de alta patente que estava em Vallegrande e participou da operação, conta: ‘Eu enterrei Che Guevara. Ele não foi cremado; não o permiti, assim como me opus terminantemente à mutilação de seu corpo. Na madrugada do dia seguinte, transportei um cadáver numa caminhonete, junto com os de mais dois guerrilheiros. Eu estava acompanhado de um motorista boliviano e de um tenente chamado Barrientos, se não me engano. Fomos até o campo de pouso e ali enterramos os corpos” (idem, pg. 309-10).

Na época, o episódio dos ossos de Che foi conduzido muito rápido, sem nenhuma transparência. Escrevi um texto sarcástico sobre o assunto, Las viudas de Che, disponível na Internet. Para elucidar o problema, sugiro que seja feito teste de DNA com o neto roqueiro de Che, Canek Sánchez Guevara, para comparação com a ossada hoje venerada em Santa Clara. Que tal?


(*) FONTOVA, Humberto. O verdadeiro Che Guevara - E os idiotas úteis que o idolatram. É Realizações, São Paulo, 2009.