MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Novas Guerras & Extremismo - Panorama do Oriente Médio em Conflito




“Novas Guerras & Extremismo-Panorama do Oriente Médio em Conflito”

O debate em resumo

Osias Wurman / Reda Mansour

-O que é ser druso?


“A comunidade drusa de Israel é formada por 120 mil pessoas e representa 2% da população israelense. Os drusos são muito integrados nos países onde vivem e além de Israel, há drusos também em países árabes como: Síria, Egito, Líbano, Turquia e Jordânia. Os drusos que vivem nos países árabes enfrentam dificuldades, ao contrário das 14 comunidades drusas de Israel que vivem bem, pois neste país, ao contrário de seus vizinhos, existe democracia.”

Michel Gherman / Daniela Kresch


- Muito se reclama da mídia alegando falta de isenção nas notícias que chegam em relação aos conflitos no Oriente Médio. É complicado fazer jornalismo internacional?

“Brasil e Israel são países muito diferentes e Israel não entende o Brasil, assim como o Brasil não entende Israel. A maioria das coberturas jornalísticas são superficiais e por isso há muitos equívocos e erros de reportagens. Cabe aos leitores exigirem melhoria e escreverem fazendo as suas reclamações para os jornais.”

Osias Wurman / Guga Chacra


-A presença do Hamas entre os palestinos é um impedimento para a paz. Seria o caso de se formar três estados: um islâmico, um israelense e um laico?


“O Hamas tem vários braços e acho que a solução seria buscar o diálogo com a Liga Árabe e os novos parceiros de Israel que são Egito e Arábia Saudita que são, também, inimigos declarados do Hamas. Acho que este ano de 2014 tivemos importantes avanços nas questões políticas com a ajuda desses dois países, agora aliados de Israel e contra o grupo terrorista.”

Michel Gherman /Reda Mansour


-Israel está preparado para um novo Oriente Médio?

“Hoje tudo está mudando e o conflito entre Israel e Palestinos não é o principal problema do Oriente Médio. Israel está fazendo novas alianças e por isso acredito estar se preparando para as mudanças que estão por vir.”

Guga Chacra


“Acredito que Israel está em compasso de espera, pois observa a aproximação dos Estados Unidos com o Irã. Israel precisa olhar bem para este lado, pois falta química entre o atual governo americano e governo israelense. O executivo americano não gosta de Israel e Israel pode perder o apoio do governo americano. Neste novo panorama, Israel se aproxima do Egito, Emirados Árabes e Kwait.”

Osias Wurman / Daniela Kresch


Você que é mãe de uma menina de 7 anos, como se sentiu, cada vez que as sirenes tocaram durante o último conflito entre o Hamas e Israel em Gaza?


“Moro em Israel há 11 anos e esse período, foi sem dúvida, o mais estressante de toda a minha vida. Eu, assim como todas as outras mães, tive que lidar com o medo da minha filha, toda vez que a sirene tocava. Em nossa casa tem um quarto blindado, assim como na maioria das casas e devemos correr para lá, toda vez que é dado o alarme. Temos que ficar neste quarto durante 10 minutos até que o perigo passe. Minha filha ficou tão apavorada que não queria sair mais deste quarto durante à noite. É uma situação muito complicada. Eu moro no Centro de Israel, onde apenas uma vez caiu um míssil, próximo à minha casa, mas para os moradores do sul do país, isso era constante e acontecia muitas vezes por dia. Esta situação refletiu muito no clima de Israel e as pessoas começaram a discutir loucamente pela rua e pelas redes sociais. Os israelenses ficaram com os nervos à flor da pele.”

Michel Gherman / Guga Chacra


O Hezbollah é um empecilho para a paz?


“O foco do Hezbollah neste momento é a Síria e o Líbano, não é Israel. O Hezbollah é perigosíssimo, porém é mais racional que o ISIS .”

Osias Wurman / Reda Mansour


Como avalia a legitimidade de Israel na Cisjordânia?


“Acho que da mesma forma que árabes vivem bem em Israel, os judeus também poderão viver bem no futuro país Palestino. E a paz só vai chegar se for dessa maneira, quando os judeus puderem se sentir confiantes em relação aos palestinos.”

Michel Gherman / Daniela Kresch


Com os recentes ataques terroristas em Jerusalém e agora em Tel Aviv, podemos estar próximos à uma Terceira Intifada?


“Ontem, se você fizesse essa pergunta para os comentaristas políticos em Israel, a resposta seria não. Mas hoje, depois do ataque em Tel Aviv e do terceiro ocorrido em Jerusalém, a resposta é sim. Já existe um entendimento de que é uma Intifada e está sendo chamada de Intifada em Jerusalém. A questão da Esplanada das Mesquitas vindo à tona, isso também afeta as relações com a Jordânia, com quem Israel estabeleceu um acordo no passado e radicais israelenses estão querendo mudar. Tudo isso cria um clima de perigo para Israel”

Osias Wurman/Guga Chacra


-A guerra civil na Síria já matou mais de 200 mil pessoas. Com o surgimento do grupo terrorista ISIS, Assad passa a “ser bom” e continua no poder. Mudou o paradigma na região?


“Assad tem o apoio das minorias e da elite sunita. É uma guerra sanguinária e a oposição não é “boazinha”, ao contrário, é pior. A situação mudou quando o ISIS entrou no Iraque. Todos os lados da Síria são ruins e Assad dificilmente vai cair”.

Michel Gherman / Reda Mansour


Este mês foi o aniversário de morte de Rabin que recebeu várias homenagens. Os radicais israelenses ainda são uma ameaça à paz?


“Há um discurso aberto em toda a sociedade israelense com novas leis que são contra esses grupos radicais. A democracia ganhou em Israel e não acredito que esses radicais ganhem força ou apoio”.

Osias Wurman / Reda Mansour


Como Israel analisa a “bomba demográfica palestina”?


“Israel foi criado para ser a Nação do Povo Judeu e os árabes que moram em Israel, seguem as leis deste Estado, assim como qualquer judeu. Não trabalham no sábado, nos feriados judaicos e falam a língua oficial que é o hebraico. Isto representa e simboliza a conquista da independência judaica. De qualquer forma, Israel ainda vai ter por muitos anos, a maioria de seus cidadãos judeus.”

Daniela Kresch


“Está havendo uma flexibilização na conversão de não judeus devido à pressão dos laicos e isso vai representar um crescimento na parcela da comunidade, semelhante ao judaísmo americano.”

Michel Gherman / Daniela Kresch


-O líder palestino Abu Mazen é parceiro?


“Existem opiniões diferentes dentro do governo, uns acham que sim e outros que não. Eu acho que sim, ele é parceiro, é um líder pragmático e um parceiro para a paz, ao contrário de Arafat que fazia dois discursos, em inglês era pela paz, mas em árabe convocava para a guerra. Abu Mazen em seus discursos se manifesta contra os atentados terroristas”.

Osias Wurman / Guga Chacra


-Domingo foi um dia em homenagem aos judeus assassinados durante a “Noite dos Cristais”. Você acredita que com o ressurgimento do antissemitismo na Europa podemos voltar a ter algo similar como essa tragédia do passado?


“Não acredito que isso ocorra nesta dimensão, mas o antissemitismo está crescendo na Europa e também no Brasil (partidos de extrema esquerda). Acho que muito em função de ignorância e do erro de considerar o conflito Israel/Palestinos como uma questão sócio econômica.”

Osias Wurman/Reda Mansour


-Egito e Jordânia são parceiros confiáveis para Israel?

“Acho que sim. Egito e Jordânia não retornaram seus embaixadores durante o conflito em Gaza e hoje têm interesses em comum. Israel pode ajudar a Jordânia a se defender para que a guerra na Síria não chegue a seu país. Acredito que o Líbano será o último país a ter paz com Israel que necessita de quatro acordos: com os palestinos, com o Egito, com a Síria e com o Líbano”.