MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

A cabeça de Cícero, por Prof. Sérgio Colle

A cabeça de Cícero.
 
Caros amigos
Uma cronica simplesmente sensacional, escrita pelo Prof Colle.
Para quem gosta de historia sugiro a leitura.
Excelente trabalho.
 
 
 
Artigo de Sérgio Colle.
 
Prezados colegas, estudantes, amigos e outros.
 
É praticamente uma constante nos discursos filosóficos a crença de que os
humanos planejam melhor seu futuro quando têm conhecimento de sua história.
No Brasil, em consequência da degradação do ensino em todos os níveis, o
ensino de história passou a ter um papel secundário, cedendo lugar ao
discurso ideológico, mais ainda nas escolas de ensino médio.
Aquele que não conhece a história política de Roma pode bem surpreender-se
com o pernicioso costume de compra de votos, de ​deputados e senadores, com
recursos públicos (no caso de Roma, com dinheiro do saque dos tesouros dos
países derrotados). Entretanto, quem bem conhece a história daquele tempo,
muito bem sabe que os hábitos dos políticos de hoje são, em menor ou maior
grau, os mesmos dos políticos daquele tempo e, *quanto maior a impunidade,
mais os hábitos de rapina se repetem.*
Hoje é um dia especial para a história do Brasil, pelo fato de o jurista
Marcio Thomaz Bastos ter deixado este mundo.
O Brasil perdeu um jurista, mas a nação brasileira foi recompensada, até
porque foi subtraído de nosso meio um habilidoso e dedicado advogado dos
corruptos.
Como ministro da justiça do governo Lula ele deixou pouco para que fosse
lembrado e porque não dizer, preservou fielmente a tradição das masmorras
medievais em que se transformaram os presídios deste degenerado país.
Nos últimos tempos, articulava-se ele com um formidável esquadrão de
juristas, na tentativa de criar armadilhas jurídicas para desqualificar o
Meritíssimo Juiz Moro, responsável pelo processo de investigação em curso
na PETROBRAS.
É dispensável aqui detalhar os milionários honorários que esse jurista
recebeu para defender os criminosos do mensalão. Não faltou esforço para
que o mais nobre dos juristas do STF, o Meritíssimo Juiz Supremo Joaquim
Barbosa fosse colocado na defensiva, constrangido e porque não dizer, no
horizonte da desmoralização púbica, com o único fito de reduzir-se a
gravidade dos crimes daqueles bandidos petistas e porque não dizer,
inocentá-los.
A Ordem dos Advogados do Brasil em coro canta loas ao jurista morto. Nada
estranho numa organização que é o exemplo lapidar do corporativismo no
Brasil.
Essa organização não faz qualquer menção referente a estatura ética de
Bastos que a meu ver, merece detida análise, afim de que se estabeleça os
limites além dos quais um homem deixa de ser jurista para ser mercenário.
Os populistas, invariavelmente corrompem a justiça dos países, mais atuando
para mudar as regras do poder e prolongar-se no governo e menos para
beneficiar a nação na busca da prosperidade através do trabalho honesto.
Não faltaram cabeças brilhantes na história  a bajular chefes de estado
populistas, vagabundos e assemelhados.
Relembro que Pablo Neruda fez um poema a Stalin e que Pablo Picasso
idolatrava esse monstro.
Também não faltaram bajuladores e oportunistas a cercar Lula e Dilma, a
exemplo do louvado arquiteto comunista Oscar Niemayer (cognominado
jocosamente de Mago do Concreto Alheio e conhecido no exterior nos últimos
lugares da fila dos cem melhores).
Marcio Thomaz Bastos era uma sombra ao redor dos poderosos, sempre pronto
para defendê-los, em nome do exercício do direito. Entretanto, poderemos
dizer que ele mais brilhou perante o povo brasileiro esclarecido,
precisamente quando defendeu bandidos corruptos e ladravazes do dinheiro
público.
Tais homens tornam-se célebres e poderosos. A história nos mostra que a
escalada de poder desses homens somente pode ser interrompida através de
processos revolucionários.
O regime militar de 64 justificado historicamente para defender o Brasil
contra os traidores comunistas é um exemplo. Nesses regimes, julga-se o
homem por sua importância política e executa-se o mesmo por sua culpa
política.
Foi precisamente o caso do célebre jurista romano Cícero que, em
retribuição a seus serviços jurídicos aos poderosos, recebeu dos senadores
romanos à época de Júlio César, nada menos que dezenove vilas. A história
romana registra que o Palácio dele em Roma somente era superado em luxo e
dimensão pelo palácio de Mecenas.
A decadência romana nos lembra muito bem a podridão reinante na política
brasileira de hoje, quando ao povo se dá a impressão de que o bem público
foi a leilão.
A nação romana daquele tempo clamava por um salvador, enquanto que Virgílio
proclamava brilhantemente em sua obra literária a vinda do mesmo, puro,
justiceiro e nobre. Pois bem, o salvador aconteceu no nome de Caio Otávio,
o filho adotivo do assassinado Júlio César. Sua administração foi tão
brilhante que ele foi cognominado de Augusto.
Cícero, acostumado a corrupção reinante, usou de seu sinete e sua
habilidade oratória para desmoralizar Augusto, em defesa da casta podre de
senadores que o fez milionário. Tudo ele fazia em nome da república,
enquanto enriquecia.
A história nos conta que nas proscrições (ajuste de contas com os
conspiradores de Júlio César) Cícero foi enquadrado como traidor e, sem
mercê, decapitado. Suas mãos foram pregadas na porta principal do Foro
Romano e lá permaneceram por seis meses, apodrecidas.
Voltando ao jurista brasileiro morto, se existe algum consolo para a nação
brasileira, é que dela foi subtraído um defensor de corruptos milionários
próximos ao poder.
 
Para a Academia de que faço parte, na qual se julga o homem por seus
méritos intrínsecos à luz das referências mundiais do conhecimento, esse
homem não fará falta alguma, mesmo porque nas melhores escolas de direito
do mundo ele é considerado um ilustre desconhecido.
 
Podem nos subtrair a liberdade, mas jamais subtrairão nossos sonhos. Esse
não era o fim que eu desejava ao Sr. Thomaz Bastos. Para ele, na minha
ótica de história, eu mais desejaria o final destinado a Cícero.
 
Saudações universitárias,
 
Prof. Colle