MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

sábado, 8 de setembro de 2012

A grande fome na China de Mao


UM LIVRO PARA SER LIDO


Sábado, 25 de agosto de 2012

 

:: Maria João Marques

                       

Como, para mim, denunciar os crimes do comunismo é sempre uma atividade meritória e prazenteira, aqui vos deixo uma sugestão de leitura: Mao's Great Famine de Frank Dikotter.

Quase acabado de sair do prelo, faz uso de muitas fontes originais, sobretudo guardadas nas sedes partidárias estaduais (as centrais estão ainda vedadas a olhos curiosos), para nos dar um retrato já muito aprofundado desse movimento de radical coletivização da agricultura (sempre um grande desígnio comunista) chamado Grande Salto A Frente que inevitavelmente (e como sucede com todos os movimentos de coletivização da agricultura) matou de fome, pelo menos, 45 milhões de chineses (números de Dikotter).
              
Apesar do tema pesado, o livro está bem escrito e permite uma leitura fluída. E, sendo um livro de história de um acadêmico renomado, é também uma viagem ao absurdo e não se consegue ler sem esboçar uns tantos sorrisos de incredulidade. A adoção de métodos agrícolas não científicos, mas ideológicos (porque as adotadas pelos camponeses e testadas pelo tempo eram ‘métodos direitistas’ indignos de um país socialista) que levaram a uma quebra importante na produção agrícola.                             
As fundições nas traseiras que permitiriam que a China produzisse mais aço do que a Grã-Bretanha em quinze anos (e, depois, em três ou quatro), que consumiu todos os produtos metálicos das zonas rurais, incluindo as ferramentas agrícolas (oops!), desviou milhões de camponeses dos trabalhos nos campos para as fundições e que terminou com quebra abrupta na produção agrícola e produziu toneladas de aço de má qualidade não usável. As colossais obras de irrigação feitas às pressas e em locais errados que findaram abandonadas ou com efeitos contrários aos inicialmente planeados, com destaque para a barragem que iria tirar o lodo ao Rio Amarelo, mas que levou a que o lodo fosse duplicado.  Um regime comunista, a usar os camponeses como trabalho escravo (sem comida, sem horas de descanso, sem acomodações adequadas ao clima, sem cuidados médicos, com espancamentos, com humilhações públicas…) nas obras de irrigação, nas comunas agrícolas ou nas fundições, acabou matando, por esta via, milhões de camponeses.

As sucessivas rodadas de expurgos, que puniram, sobretudo os quadros do PCC (Partido Comunista Chinês), que tentavam proteger as populações dos efeitos das políticas do “Grande Salto A Frente” e aqueles que denunciavam a existência de fome generalizada, quando o topo do politiburo do PCC considerava a situação “excelente” e as mortes ocorridas ‘uma lição de valor’, destacando-se o expurgado ministro da defesa Peng Dehuai (que morreria, ainda como castigo por ter falado verdade em 1959, durante a revolução cultural).

A proteção da imagem internacional da China, doando toneladas de alimentos a países como a Albânia enquanto nos campos a fome matava a eito vinha sempre em decorrência das “sábias” citações de Mao Tsé Tung, ora questionando sobre que destino daria aos excedentes que o GSF produziria, ora exortando os camponeses chineses (famintos) a tornarem-se vegetarianos para que se pudesse exportar a carne chinesa, ora afirmando que “mais valia que metade da população morresse para que a outra metade tivesse a sua porção de comida”.

Os elaborados esquemas que levaram à criação de um complexo mercado de sucessivas trocas diretas, etc., etc., etc.. E, claro, as mortes. Está tudo no livro de Dikotter, que recomendo vivamente.

Título e Texto: Maria João Marques, O Insurgente
 

Mao’s Great Famine

            “Between 1958 and 1962, China lived through tragedy on an epic scale. The “Great Leap Forward” – conceived by Mao so that China could drive industrial output ahead of Great Britain and achieve autonomy from the might of the neighboring USSR – led to a catastrophic famine resulting in the death of between 36 and 55 million people.

            “Three years of natural disasters”: it is in these terms that the Chinese Communist Party today justifies this terrible outcome. But the tragedy was masked by an official lie, because while China was starving to death, the grain stores were full.

            Based on previously unheard testimony by survivors, rare archive footage, secret documents and interviews with the leading historians on this catastrophe, this film provides, for the first time, an insight into the folly of the “Great Leap Forward”.

            It examines the mechanisms and political decisions that led to famine, stripping away the incredible secrecy surrounding the campaign, and exposing the lie which continues even today as to who was responsible, and the true human cost”.

 

Atrocidades da China comunista
 
 Félix Maier
 
 
Churrasquinho Chinês
 
Durante a Revolução Cultural chinesa, muitos condenados à morte tinham seus corpos retalhados, assados e comidos. “Num massacre famoso, na escola de Mushan em 1968, na qual 150 pessoas morreram, vários fígados foram extirpados na hora e preparados com vinagre de arroz e alho” (“Canibais de Mao”, revista Veja, 22/01/1997, pg. 48-49). Essa prática de canibalismo se tornou corriqueira, no período de 1968 a 1970, quando centenas de “inimigos do povo” foram devorados, conforme pesquisas de Zheng Yi em Guangxi.
 
O trabalho de Zheng Yi, dissidente exilado nos EUA desde 1992, resultou no livro Scarlet Memorial - Tales of Cannibalism in Modern China (Memorial Escarlate - Histórias de Canibalismo na China Moderna). Na mesma época, havia um tipo de tortura sui generis: alguns presos, ainda vivos, tinham seus órgãos sexuais (pênis e testículos) arrancados, assados e comidos, como consta no mesmo artigo de Veja: “Wang Wenliu, maoísta promovida a vice-presidente do comitê revolucionário de Wuxuan durante a Revolução Cultural, especializou-se em devorar genitais masculinos assados”.
 
“Documentos recentemente trazidos para o Ocidente por Zheng Vi, ex-membro dessas ‘milícias populares’, mostram que durante a ‘Revolução Cultural’, promovida por Mao Tsé-tung no final da década de 60, até o canibalismo entrava no ‘currículo’ dos alunos chineses. Naquela ocasião, na Província de Guangxi, crianças foram obrigadas a matar e devorar seus próprios professores!” (in A China do Pesadelo, site http://www.catolicismo.com.br/, acesso em 9/6/2011).
 
“The stories of the many crimes and atrocities perpetrated by Communist regimes is generally well-known, but what about state-sponsored cannibalism? Time Magazine ran such a story in its January 18th, 1993 issue, titled ‘Unspeakable Crimes’, by Barbara Rudolph. In it is the testimony of a Chinese scholar that during Mao’s ‘Cultural Revolution’ local officials of the Chinese Communist Party exhorted their comrades to devour ‘class enemies”. The details were revealed by Zheng Yi, a fugitive of the Tiananmen Square massacre and once China’s most-celebrated young novelist (his first novel, The Maple, about the Cultural Revolution, was used by the Politburo to attack The Gang of Four). His third novel made him a celebrity in the China of the 80’s and he and his wife both joined the pro-democracy movement. After the crackdown, his wife Bei Ming was imprisoned for 10 months and he went into hiding for nearly 3 years until both were able to successfully escape to Hong Kong and then onto the US” (in Communist Eat Their Class Enemies, de Adam Young - http://www.lewrockwell.com/orig/young1.html/ - acesso em 9/6/2011).


Grande Salto para a Frente
 
Plano econômico do governo comunista de Mao Tsé-Tung (1959-61), que pretendia acelerar a industrialização da China e “superar a Grã-Bretanha em apenas 15 anos”. Foram criadas comunas populares no campo, que deveriam produzir aço em pequenos fornos para fabricar ferramentas. O Plano foi um completo fracasso: a produção industrial caiu e as colheitas foram péssimas.
 
Segundo o historiador Jean-Louis Margolin, o Grande Salto para a Frente foi “a maior epidemia de fome da história, fome deliberadamente suscitada por Mao Tsé-tung, graças à combinação singular de idiotia econômica, incompetência agronômica (ele havia transplantado para a China as teorias de Lyssenko) e do desprezo pelo povo que caracteriza o comunismo” (REVEL, 2001: 115).
 
Houve aproximadamente 40 milhões de vítimas, porém as autoridades chinesas admitem “apenas” 20 milhões. Mao renunciou à Presidência da China e foi substituído por Liu Shaoqi. A reação de Mao veio em 1966, com a Revolução Cultural, que fez outras 10 milhões de vítimas.
 
Livro do Doutor Li Zhisui
 
“Publicado em 1994, nos EUA, e só agora (1998) traduzido para nossa língua, o livro do doutor Li Zhisui, ‘A vida privada do Presidente Mao’, pode ser comparado ao famoso discurso de Kruschev perante o 20º Congresso do Partido Comunista da União Soviética, denunciando o culto da personalidade e os crimes de Joseph Stálin. (...) O silêncio e o aparente desinteresse da mídia dita liberal americana sobre o devastador relato do homem que durante 22 anos foi o médico pessoal do ditador chinês, é um exemplo do muito bem usado recurso da esquerda, no mundo inteiro, de cobrir com um manto de silêncio e esquecimento tudo o que possa comprometê-la ou desmentir suas falácias” (Raymundo Negrão Torres, in “O livro do Doutor Li Zhisui”, revista Ombro a Ombro, junho de 1998). O livro denuncia a história corrupta e discricionária do ditador chinês, que ceifou a vida de milhões de chineses, especialmente com os fracassados projetos como o “Grande Salto à Frente” e as “siderúrgicas de fundo de quintal”, que resultaram num dos períodos de maior fome da história da China. “Ao mesmo tempo em que o puritanismo era propagandeado em seu nome e em seu benefício, no círculo mais íntimo de sua corte o grande senhor fazia uso do sexo e da mulher como um objeto ou um alimento qualquer, a serviço de um apetite que não conhecia nem hora nem lugar” (idem).
 
   Revolução Cultural
 
Anunciado em 1966 por Mao Tsé-Tung, com o apoio do Exército, é um novo período de luta entre correntes partidárias, no qual os jovens deveriam criticar seus superiores e derrubar “velhos hábitos, as velhas ideias e a velha cultura”. Milhões de estudantes maoístas criam uma “Guarda Vermelha”, que, empunhando o Livro Vermelho de Mao, passam a humilhar e matar os opositores do líder máximo e a queimar prédios. Intensificou-se o estudo de Marx, foram apresentadas óperas comunistas e canções revolucionárias. Dois anos depois (1968), o movimento estudantil sacudiu o Ocidente, como o Maoísmo da juventude francesa, com reflexos no Brasil, junto com a OLAS de Fidel Castro. A Revolução Cultural ocasionou 10 milhões de mortes, além de tortura física de presos, como o arrancamento da genitália (testículos e pênis), que eram assados e comidos pelos torturadores. Além dessa tortura sui generis, durante a Revolução Cultural era incentivada a prática de devorar os inimigos políticos, fato denunciado em detalhes por Zheng Yi, um fugitivo do massacre da Praça da Paz Celestial e outrora um dos mais destacados romancistas chineses (seu primeiro romance, The Maple, sobre a Revolução Cultural, foi usado pelo Politburo para atacar a Gangue dos Quatro). A respeito do assunto, veja texto Communists Eat Their Class Enemies, de Adam Young, disponível na internet.