MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Comentário semanal do coronel Gelio Fregapani

Comentário nº 92– 23 de março de 2011

Assuntos: Visita de Obama, Ataque à Líbia e Pequenas Notícias

A Visita do Poderoso Chefão

Visitas de chefes de Estado são boas para estreitar laços e aparar arestas. Entretanto todas tem objetivos, declarados ou não, principalmente por parte de quem teve a iniciativa da visita..

Além de estreitar laços, o objetivo declarado de Obama era o comercial. Na perigosa crise financeira com o dólar rampa abaixo, o bom senso indica que os EUA tentarão voltar a ser a grande potência industrial que foram antes de transferir suas fábricas para países de mão de obra barata, mas para isto necessitarão de petróleo e dos minerais que não possuem, além de abrir mercados para seus produtos. O triste será quando seu papel pintado não for bem recebido, ou mesmo for recusado. Terão que desenvolver alguma outra forma de obter o que for indispensável. Talvez tomar a manu militarii, mas melhor seria, se possível, algum acordo.

Dentro dessas premissas podemos sentir um recado: Para não acontecer o que está ocorrendo com a Líbia, de quem o Reino Unido, Itália e França querem o petróleo, vende para mim o do pré-sal que eu lhe protegerei. Caso não venda, eu o tomarei, aliado a eles ou não.

Teria sido bom se o recado incluísse algo assim como “e continue a me fornecer nióbio a preço de banana. Forneça-me também terras raras, tantalita-volframita, urânio e tório e outros mais que necessito que você continuará com seu território inteiro. Até mesmo me comprometo a retirar minhas ONGs. Pagamento? Se o dólar não mais tiver valor, posso pagar com excelentes aeronaves de combate, com navios de superfície e com outros petrechos que garantirão sua soberania contra os demais ambiciosos (desde que eu concorde), mas nada poderiam contra a minha força”.

Um acordo assim seria uma volta ao semi-protetorado. Nada de mais. Já fomos semi-protetorado da Inglaterra que manteve a Amazônia para nós contra os EUA, e depois destes últimos que nos “protegeram” da ameaça (?) nazista, da União Soviética e do comunismo internacional. Claro tudo teve seu preço. Até tivemos que o acompanhar na guerra, mas foi o melhor para cada ocasião. Na verdade só deixamos de ser “protegidos” quando não havia mais ameaça, ou melhor, quando na ausência de um inimigo, o antigo protetor extrapolou suas ambições e passou a ser visto como a ameaça

Agora, a nova situação mundial força os EUA a buscar uma aliança conosco. Será a aliança ou o confronto. Certamente será melhor a aliança do que o confronto, mas como Vargas em 1942, caberá a Dilma tirar o Maximo proveito da necessidade do parceiro.

Uma aliança, mesmo que bem sucedida, sempre será provisória. Pode até haver simpatia entre países, mas não há amizades; há interesses. Os interesses forjam os tratados; e a garantia de cumprimento é a manutenção do interesse ou a força para o impor.

Não me venham falar em justiça. Isto, na terra, só existe para quem tem força para a assegurar.

A nação que confia mais em seus direitos do que em seus soldados, engana a si mesma e cava a sua ruína (Ruy Barbosa)


O ataque à Líbia

Não me move simpatia pelos regimes islâmicos. Além do endêmico radicalismo deles me preocupa a diferença das taxas de natalidade entre eles e o ocidente cristão, inclusive a do nosso País. É conhecido o resultado de pressões, e a pressão demográfica, a longo prazo é a mais forte. Entretanto, apresentar o ataque à Líbia como “proteção ao povo líbio chega as raias do cômico. Ontem seu amigável chefe de Estado era presidente, hoje é chamado de ditador. Os amigáveis reis sauditas e do Barhein, enquanto amigáveis continuarão majestades. É de estranhar que um “ditador odiado” distribua armas à população, se isto for verdade.

Hoje, invade-se a Líbia com o pretexto de defender a oposição a Kadafi. Amanhã, a "Nação Indígena" declara sua independência e o Brasil será atacado se quiser impor a união do seu território. O Índio, como o povo líbio servem para pretexto. A ONU vota a defesa dos índios pela força e a história se repete.

Quanto a Líbia, parece-nos certo que será colocado um governo títere ou será amputada de sua região petrolífera. Isto é o resultado de riquezas naturais e falta de força. Situação parecida com a de uma vasta área sul-americana que um dia se chamou “Terra de Santa Cruz”


Hidrelétricas do rio Madeira

O aparato internacional conseguiu o que queria: Interromper a construção das hidrelétricas. Já usara ONGs, índios e movimentos sociais e políticos locais sem sucesso. Contou, estou convicto disto, com o beneplácito da líder do Consorcio – a multinacional Suez, que suspeito desejava aproveitar as paralisações para arrancar mais dinheiro do governo. Decidiu-se agora por sabotagem.

Briga de motorista com usuário? Piada! É indispensável preparação anterior para mascarados reunirem gasolina suficiente para incendiar dezenas de ônibus e alojamentos do tamanho de uma pequena cidade.

Paranóia? Povos civilizados e desenvolvidos seriam incapazes de tais felonias? Bem, mas o que teria acontecido em Alcântara?


Código Florestal

Priorizado o interesse nacional, o novo Código proposto por Aldo Rabelo será aprovado. Os problemas são os entreguistas e a ala ingênua dos ambientalistas, que consideram a ação das ONGs como sendo de proteção às florestas. A Amazônia precisa de desenvolvimento econômico, não apenas de proteção ambiental É importante não permitir que o meio ambiente nosso Brasil, continue sendo gerenciado por gente que só fala nosso idioma com sotaque estrangeiro


Nova campanha de desarmamento das pessoas de bem

O estado com menor índice de armas registradas (Alagoas) tem, de longe, o maior índice de assassinatos. O min. da Justiça e outros ingênuos, (para não pensar coisa pior), acreditam que, se as pessoas de bem entregarem suas armas e confiarem seu patrimônio aos bandidos, o país será mais seguro e menos violento


Assento permanente no Conselho de Segurança

Com a ONU desmoralizada e sem poder de veto, será que vale a pena pleitear uma vaga? As resoluções, só serão respeitadas quando houver interesse dos EUA. No caso do Iraque, pela primeira vez a ONU disse não. Adiantou?

Creio que só o nosso País acha que deve cumprir ar resoluções tomadas naquela organização de fachada. E sem armas atômicas...

Que Deus guarde a todos vocês

Gelio Fregapani

De um Militar, à Presidente Dilma

Excelentíssima Senhora Dilma Rousseff

Presidenta da República Federativa do Brasil.

Senhora Presidenta.

Algumas casas existem, nesta República onde os homens não fazem greve, não protestam, não portam faixas, não paralisam, nas ruas, o trânsito, não realizam operações-padrão, não estão, pela imprensa, a vociferar vitupérios contra seus chefes e nem se reúnem em sindicato que os defenda.

Apenas, senhora, para eles existe a disciplina, diariamente pregada e executada, desde o alvorecer até aos exaustivos plantões noturnos, porque aos seus membros se ensina também e, desde cedo, que as Forças Armadas destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer delas, da lei e da ordem - Art, 142 da Constituição.

Os homens, dessas casas, acostumaram-se às afirmações de seus chefes de que tudo deve ser resolvido, rigorosamente, dentro dos parâmetros impostos pela hierarquia e pela disciplina, sempre buscando o entendimento, e absolutamente, através dos canais competentes.

A esses homens, senhora, que, desde cedo, foram levados a aceitar como verdades absolutas que: no cumprimento do dever o sacrifício é um gozo. Que nunca é tarde para mudar de profissão e que o exercício das atividades castrenses e, antes de qualquer coisa, um sacerdócio, é exigida a obrigatoriedade de dedicação exclusiva, sendo-lhes vedado o exercício de qualquer outro tipo de profissão ou atividade, como também, exigido o desempenho de suas atividades funcionais, em regiões diferentes e, às vezes, inóspitas, e sem a mínima estrutura de apoio ao grupamento familiar, no que tange aos aspectos básicos relativos à saúde, à educação, à alimentação e à moradia.

Para eles, senhora, não há, no exercício destas atividades, horários fixos nem limites para as suas cargas horárias e, no cumprimento das missões que lhes são atribuídas, não há diferença entre o que se entende por dia ou noite. As suas semanas têm, quase sempre, mais de sete dias.

Em seus calendários, os sábados, domingos e feriados não podem ser, de antemão, prometidos para o lazer ou para o repouso (como soe acontecer em outras casas desta República), e a execução de tarefas, por estes homens e nestes dias, não têm, sob qualquer título ou hipótese, nenhuma compensação financeira.

Sujeitos, senhora, a contínuas transferências, isto lhes causa sérios transtornos na organização familiar, pois, não raras vezes, seguem sozinhos, a fim de que não se esboroe o pequeno alicerce que, a duras penas, conseguiram firmar para a construção do seu lar.

É a eles, senhora, determinado o afastamento por períodos de tempo, às vezes longo, em razão das manobras ou dos exercícios de adestramento que realizam e, nestas condições, estão sujeitos a toda ordem de vicissitudes, sem que, para tal, haja a menor compensação pecuniária ou espécie de seguro.

Para eles, senhora, a oportunidade de crescimento, dentro de suas casas profissionais, está na ordem direta de um constante aprimoramento técnico-profissional, físico e intelectual, que lhes determina uma série de desajustamentos, com incidência direta na situação orçamentária familiar, e em alguns casos, mesmo impossibilitados, não se podem furtar à determinação de que se apresentem para reciclagem.

Esses homens, senhora, estão sujeitos à “letras” de rigorosos Regulamentos e Normas Gerais de Ação que os tornam passíveis de penalizações, mesmo que por atitudes tomadas “fora de suas casas profissionais”, estando, à luz do Regulamento Disciplinar, sujeitos a pena de prisão, sem direito à Hábeas Corpus e, sob o güante do Regulamento de Administração, são total e absolutamente responsáveis pelo material que confiado a sua guarda.

E alguns deles, senhora, não podem, sem permissão, transitar sem o uniforme, casar-se, ausentar-se da região de aquartelamento, e toda uma série de restrições impeditivas, sem que lhes caiba a menor chance de queixa ou recurso, estendendo-se, algumas dessas imposições regulamentares, mesmo aos que já estão na reserva, sendo que estes podem ainda ser reconvocados.

“A esses homens, senhora, como fazê-los crer que para eles a Constituição não vale. Como fazê-los entender que para eles a Constituição possui apenas o Art. 142 e mais nada... e que, mesmo assim, têm eles a obrigação patriótica de defender, disciplinadamente e com o sacrifício da própria vida, esse mais nada...” (Saulo Ramos).

Os homens dessas casas, senhora, têm se mantido, disciplinadamente, a espera do reconhecimento das reivindicações que fazem, através de seus chefes, mesmo quando enganados pelos subterfúgios legais do processo da Isonomia que os obrigou, pelos resultados, a buscar, e sempre através dos canais competentes (sem anarquia ou desobediências), pela justiça, a paridade de seus vencimentos; mesmo quando o Diário Oficial da União de 21 de setembro de 1992 lhes reduziu o soldo.

Mesmo quando tiveram alteradas as regras para o cálculo do Adicional de Inatividade, em detrimento de suas parcas bolsas.

Mesmo quando se viram atingidos pela redução da Gratificação de Habilitação Militar e, ainda, quando foram, duramente atingidos pela supressão dos direitos que lhes eram assegurados pela centenária Lei das Pensões.

Mas esses homens que, disciplinada ordeiramente, esperam, também observam, pelo comportamento de outras casas desta República, que não tem sido este o melhor caminho, para que se lhes sejam assegurados os seus direitos, posto que “aquelas”, ao atropelo da própria Constituição, estão se impondo na marra.

Atenciosamente.

Aécio Kauffmann Colombo da Silva
Cel Cav Ref - Anistiado Político.

Fonte: Pequenas Histórias e Portal Militar

Maria "La Pecosa" do Rosário e a nostalgia das ossadas

Cemitério da Vila Formosa, São Paulo



Rosário prega busca a ossadas ‘sem revanche’

Ministra diz que projeto da Comissão da Verdade não prevê punição, pois reconhece Lei da Anistia

22 de março de 2011 23h 00

Fausto Macedo, de O Estado de S. Paulo

A ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência, declarou nessa terça-feira, 22, à beira da sepultura onde se presume que estavam os restos mortais do desaparecido político Virgílio Gomes da Silva, o Jonas: "Não estamos movidos hoje pela punição de quem quer que seja, mas pelo direito das famílias de sepultarem seus mortos".

Rosário foi ao Cemitério da Vila Formosa, zona leste de São Paulo, onde acompanhou durante cerca de 40 minutos os trabalhos dos peritos da Polícia Federal que desde dezembro buscam, em parceria com a Procuradoria da República e o Ministério da Justiça, vestígios de militantes capturados pela repressão.

O Vila Formosa, maior cemitério da América Latina, teria sido usado como depósito clandestino de corpos de prisioneiros dos anos de chumbo. Há um mês, os técnicos escavaram túmulos da quadra 47, onde estaria a ossada de Jonas - guerrilheiro da Ação Libertadora Nacional (ALN) preso pela Operação Bandeirantes em 29 de setembro de 1969.

Ao lado dos procuradores federais Eugenia Fávero e Marlon Weickert, a ministra defendeu a criação da Comissão da Verdade. "É muito importante aprovarmos uma Comissão da Verdade. Mas, se nesse momento estivéssemos em uma posição de revanche ou movidos pelo ódio, não conseguiríamos unir o Brasil com essa causa", ressalvou.

***

A nostalgia das ossadas

Por Roberto Campos

"Uma revolução não é o mesmo que convidar alguém para jantar, escrever um ensaio, ou pintar um quadro... Uma revolução é uma insurreição, um ato de violência pelo qual uma classe derruba a outra" (Mao Tsé-Tung).

Dizia-me um amigo argentino, nos anos 60, que seu país, rico antes da Segunda Guerra, optara no pós-guerra pelo subdesenvolvimento e pelo terceiromundismo. E não se livraria dessa neurose enquanto não se livrasse de três complexos: o complexo da madona, o fascínio das ossadas e a hipóstase da personalidade. Duas madonas se tinham convertido em líderes políticos - Evita e Isabelita. As ossadas de Evita foram alternativamente sequestradas e adoradas, exercendo absurdo magnetismo sobre a população. E a identidade nacional era prejudicada pelo fato de o argentino ser um italiano que fala espanhol e gostaria de ser inglês...

A Argentina parece ter hoje superado esses complexos. Agora, é o Brasil que importa (sem direitos aduaneiros como convêm ao Mercosul) um desses complexos.

Os estrangeiros que abrem nossos jornais não podem deixar de se impressionar com o espaço ocupado pelas ossadas: as ossadas sexuais de PC Farias, as ossadas ideológicas dos guerrilheiros do Araguaia e as perfurações do esqueleto do capitão Lamarca! Em vez de importarmos da Argentina a tecnologia de laticínios, estamos importando peritos em "arqueologia moderna", para cavoucar as ossadas do cemitério da Xambioá. Há ainda quem queira exumar cadáveres e ressuscitar frangalhos do desastre automobilístico que matou Juscelino, à procura de um assassino secreto. Em suma, estamos caminhando com olhos fixos no retrovisor. E o retrovisor exibe cemitérios.

Na olimpíada mundial de violência, os militares brasileiros da revolução de 1964 não passariam na mais rudimentar das eliminatórias. Perderiam feio para os campeões socialistas, como Lênin, Stálin e Mao Tsé-Tung. Seriam insignificantes mesmo face a atletas menores, como Fidel Castro, Pol Pot, do Camboja, ou Mengistu, da Etiópia.

Os 136 mortos ou desaparecidos em poder do Estado, ao longo das duas décadas de militarismo brasileiro, pareceriam inexpressivos a Fidel, que só na primeira noite pós-revolucionária fuzilou 50 pessoas num estádio. Nas semanas seguintes, na Fortaleza La Cabaña, em Havana, despachou mais 700 (dos quais 400 membros do anterior governo). E ao longo de seus 37 anos de ditadura, estima-se ter fuzilado 10 mil pessoas. Isso em termos da população brasileira equivaleria a 150 mil vítimas. Tiveram de fugir da ilha, perecendo muitos afogados no Caribe, 10% da população, o que, nas dimensões brasileiras, seria equivalente à população da Grande São Paulo.

Definitivamente, na ginástica do extermínio, os militares brasileiros se revelaram singularmente incompetentes. Também em matéria de tortura nossa tecnologia é primitiva, se comparada aos experimentos fidelistas no Combinado del Este, na Fortaleza La Cabaña e nos campos de Aguica e Holguín. Em La Cabaña havia uma forma de tortura que escapou à imaginação dos alcaguetes da ditadura Vargas ou dos "gorilas" do período militar: prisioneiros políticos no andar de baixo recebiam a descarga das latrinas das celas do andar superior.

O debate na mídia sobre os guerrilheiros do Araguaia precisa ser devidamente "contextualizado" (como dizem nossos sociólogos de esquerda). Sobretudo em benefício dos jovens que não viveram aquela época conturbada. A década dos 60 e o começo dos 70 foram marcados mundialmente por duas características: uma guinada mundial para o autoritarismo e o apogeu da Guerra Fria. Basta notar que um terço das democracias que funcionavam em 1956 foram suplantadas por regimes autoritários nos principais países da América Latina, estendendo-se o fenômeno à Grécia, Coréia do Sul, Taiwan, Cingapura e à própria Índia, onde Indira Ghandi criou um período de exceção.

Na América Latina, alastrou-se o que o sociólogo O'Donnell chamou de "autoritarismo burocrático". O refluxo da onda democrática só viria nos anos 80, que assistiria também à implosão das ditaduras socialistas.

Uma segunda característica daqueles anos foi a agudização do conflito ideológico. Na era Kennedy (1961-63), que eu vivenciei como embaixador em Washington, houve nada menos que duas ameaças de conflito nuclear. Uma, em virtude do ultimato de Kruschov sobre Berlim, e outra, a crise dos mísseis em Cuba. Em meados da década, viria a tragédia do Vietnã.

É nesse contexto que deve ser analisado o episódio dos guerrilheiros do Araguaia e da morte de Lamarca. Não se tratavam de escoteiros, fazendo piqueniques na selva com canivetes suíços. Eram ideólogos enraivecidos, cuja doutrina era o "foquismo" de Che Guevara: criar focos de insurreição, visando a implantar um regime radical de esquerda. Felizmente fracassaram, e isso nos preservou do enorme potencial de violência acima descrito.

Durante nossos "anos de chumbo", não só os guerrilheiros sofreram; 104 militares, policiais e civis, obedecendo a ordens de combate ou executados por terroristas, perderam a vida. Sobre esses, há uma conspiração de silêncio e, obviamente, nenhuma proposta de indenização. Qualquer balanço objetivo do decênio 1965-75 revelará que no Brasil houve repressão e desenvolvimento econômico (foi a era do "milagre brasileiro"), enquanto nos socialismos terceiromundistas e no leste europeu houve repressão e estagnação.

É também coisa de politólogos românticos pensar que a revolução de 1964 nada fez senão interromper um processo normal de sucessão democrática. A opção, na época, não era entre duas formas de democracia: a social e a liberal. Era entre dois autoritarismos: o de esquerda, ideológico e raivoso, e o de direita, encabulado e biodegradável.

Hoje se sabe, à luz da abertura de arquivos, que a CIA e o KGB (que em tudo discordam) tinham surpreendente concordância na análise do fenômeno brasileiro: o Brasil experimentaria uma interrupção no processo democrático de substituição de lideranças. Reproduzindo o paradigma varguista, Jango Goulart, pressionado por Brizola, queria também seu "Estado Novo". Apenas com sinais trocados: uma república sindicalista.

As embaixadas estrangeiras em Washington, com as quais eu mantinha relações como embaixador brasileiro, admitiam, nos informes aos respectivos governos, três cenários para a conjuntura brasileira: autoritarismo de esquerda, prosseguimento da anarquia peleguista com subsequente radicalização, ou guerra civil de motivação ideológica. Ninguém apostava num desenlace democrático...

Parece-me também surrealista a atual romantização pela mídia (com repercussões no Judiciário) da figura do capitão Lamarca, que as Forças Armadas consideram um desertor e terrorista. Ele faz muito melhor o perfil de executor do que de executado. Versátil nos instrumentos, ele matou a coronhadas o tenente Paulo Alberto, aprisionado no vale da Ribeira, fuzilou o capitão americano Charles Chandler, matou com uma bomba o sargento Mário Kozell Filho, abateu com um tiro na nuca o guarda-civil Mário Orlando Pinto, com um tiro nas costas o segurança Delmo de Carvalho Araujo e procedeu ao "justiçamento" de Márcio Leite Toledo, militante do Partido Comunista que resolvera arrepender-se.

Aliás, foram dez os "justiçados" pelos seus próprios companheiros de esquerda. Se o executor acabou executado nos sertões da Bahia, é matéria controvertida. Os laudos periciais revelam vários ferimentos, mas nenhum deles oriundo de técnicas eficientes de execução que o próprio Lamarca usara no passado: tiro na nuca (metodologia chinesa), tiro na cabeça (opção stalinista) ou fuzilamento no coração (método cubano). As Forças Armadas têm razão em considerar uma profanação incluir-se Lamarca na galeria de heróis.

As décadas de 60 e 70, no auge da Guerra Fria, foram épocas de imensa brutalidade. Merecem ser esquecidas, e esse foi o objeto da Lei de Anistia, que permitiu nossa transição civilizada do autoritarismo para a democracia. Deixemos em paz as ossadas. Nada tenho contra a monetização da saudade, representada pela indenização às famílias das vítimas. Essa indenização é economicamente factível no nosso caso. Os democratas cubanos, quando cair a ditadura de Fidel Castro, é que enfrentariam um problema insolúvel se quisessem criar uma "comissão especial" para arbitrar indenizações aos desaparecidos. Isso consumiria uma boa parte do minguado PIB cubano!

Nosso problema é saber se a monetização da saudade deve ser unilateral, beneficiando apenas as famílias dos que se opunham à revolução de 1964. Há saudades, famílias e ossadas de ambos os lados..

Roberto Campos, economista e diplomata, foi deputado federal pelo PPB do Rio de Janeiro. Foi senador pelo PDS-MT e ministro do Planejamento (governo Castello Branco). É autor de A Lanterna na Popa (Ed. Topbooks, 1994).


Mapa de ossos no Museu do Genocídio Tuol Sleng


Obs.: Ossadas de terroristas em Vila Formosa? Pode até existir, pois muitos deles, quando mortos, portavam identidades falsas e podem muito bem ter sido enterrados como indigentes, já que os familiares não se interessaram ou não souberam de suas mortes. Para os nostálgicos das ossadas, como Maria "La Pecosa" do Rosário, recomendo clicar em http://www.youtube.com/user/mnogall - Museu do Genocídio Tuol Sleng, Camboja (F. Maier).

O que essas criancinhas estavam fazendo no Araguaia?


http://brasecxx1.blogspot.com/2011/03/o-que-essas-criancinhas-estavam-fazendo.html



terça-feira, 22 de março de 2011

O que essas ¨criançinhas¨ estavam fazendo no Araguaia? Ensinando o povo para rezar e a partir daí construirem uma nova sociedade?

Assim a continuidade de uma realidade que se pretendem impor ao povo brasileiro. Da revolução comunista sem sangue, conforme dialética do Gramsci e em voga pelas autoridades da esquerda escocesa, que hora reina no paraíso da corrupção: Brasília. Sob hegemonia polítca da Esquerda Escocesa do Brasil, sob comando do Lula, da Dilma Rousseff e demais PeTralhas.

Mas aprendemos que o exemplo não é a melhor forma de educação para nossos filhos. É a única. O Lula, por ser a principal porta-voz e ter sido a mais importante autoridade da nação, quando presidente, que deu péssimos exemplos para a ¨Massa Ignara¨ brasileira.

Não poderíamos ter melhor resultado, poderá ter sido o principal objetivo do Lula e sua trupe:Uma nação em decomposição, sem respeito pela Leis e aos Deveres que devemos ter pelo próximo. Uma ¨Massa ignara¨, lamentável, porque não tem vizão política e por não ter compromissos com a história. E porque vende seu voto, com míseras formas de assistencialismo, tais como a uma bolsa-família, como uma isca oferecida ao peixe. Uma ¨Massa ignara¨ porque não desperta para sua cidadania, para ser elevada a Povo, o verdadeiro agente da história. Quando o Povo, na verdade, faz a diferença. Então, o Lula e suas ¨topeiras¨ abusam da ¨Massa ignara¨, além de debochar das pessoas honestas e das instituições brasileiras, na amálgama da utopia e da burguesia falida, estimulando a ¨Massa ignara¨ contra os seus ¨adversários¨ taxando-nos de ¨direita¨Todavia, a questão de ser de direita ou esquerda, é uma questão superada, sobretudo para mentes obtusas que não veem o óbvio. O estágio de desenvolvimento que permeia e fertiliza todos setores das nações de cultura ocidental, as nações civilizadas.E nós que estamos no Ocidente, no Novo Mundo.E para nós brasileirtos não adianta a radicalização, de posições de intolerância ideológica ou religiosa, mas trabalhar pela democracia, pela liberdade, pela prosperidade e pelos reais valores do povo brasileiro, do seu tom de pluralidade e diversidade.Todavia, os petistas e seus arautos perdidos das Guerrilhas do Araguaia, da periferias do ABC paulista, dos sindicatos da CUT, etc, que estão construindo um modelo de sociedade soberbamente perversa e animalesca, certamente sem futuro por se tratar de uma sociedade embriagada pelo crime, pela individualidade e pela corrupção; um modelo de sociedade sem princípios cristãos. E uma sociedade sem Deus, não é modelo de sociedade, mas o retorno à barbárie e de práticas. Numa teiomosa trama contra o Povo Braileiro, orquestrada por essa leva de vulgaridades e de corruptos.
Postado por José de Araujo Madeiro às 05:10

Memórias Reveladas - O dossiê do braço armado de Brizola


MEMÓRIA 1964 - O dossiê do braço armado de Brizola

http://cbn.globoradio.globo.com/hotsites/grupo-dos-onze/GRUPO-DOS-ONZE.htm

No fim de 1963, em meio à crescente radicalização do ambiente político do governo de João Goulart, Leonel Brizola era a liderança que unificara as esquerdas na Frente de Mobilização Popular. Entrincheirado na Rádio Mayrink Veiga, onde discursava todas as noites, ele pregava a criação dos Grupos de Onze Companheiros, compostos por cidadãos que marchariam unidos quando a esquerda tomasse o poder. A CBN teve acesso a documentos daquela época – que estavam em poder dos militares – que detalham como Brizola idealizou os Grupos de Onze: uma militância que pretendia utilizar mulheres e crianças como escudos civis; realizar ataques a centrais telefônicas, de rádio e TV; e previa a execução de prisioneiros.

Grupos de Onze: o braço armado de Brizola

Por: Mariza Tavares

Edição de arte: Fernanda Osternack

"Este é o documento a que me referi. O Exército não sabe que este dossiê ainda existe, porque foi dada uma ordem para que fosse destruído." Este era o texto do curto bilhete que acompanhava o pacote que recebi pelo correio, enviado por uma ouvinte fiel da CBN. Dentro, um calhamaço de 64 páginas já amareladas, no qual chamava atenção o carimbo no alto, em letras garrafais: SECRETO. A ditadura militar brasileira incinerou regularmente documentos sigilosos. Este dossiê estava em poder de um militar que preferiu desobedecer à ordem e decidiu guardar os papéis em casa.

Datado de 30 de setembro de 1964 e assinado pelo general-de-brigada Itiberê Gouvêa do Amaral, o documento ostenta a classificação A-1, que até hoje é utilizada pela área militar e que significa que é de total confiança. A classificação varia de A a F para a confiabilidade da fonte; e de 1 a 6 para a confiabilidade do conteúdo.

No tom formal e meticuloso típico dos relatórios dos serviços de inteligência, o texto de abertura, a circular de número 79-E2/64, anunciava que havia sido identificada a criação de diversas células dos chamados "Grupo de onze companheiros" no interior do Paraná e de Santa Catarina.

"Os grupos constituíam a célula de um grande contingente, no qual seriam arregimentados homens das mais variadas categorias e profissões para servirem de instrumento a um pseudolíder, Leonel Brizola, em sua política de subversão do regime e implantação de um Governo de tendências antidemocráticas", explicava o documento.
Os militares já haviam deposto o presidente João Goulart e tomado o poder naquele ano; e a circular festejava a ação ao afirmar, categoricamente, que, "com o advento da revolução de 31 de março, foi cortado o processo ainda na fase inicial". No entanto, o documento assinalava: "Há indícios de que, no futuro, possa ser novamente equacionada a reestruturação dos grupos." Leonel Brizola já se encontrava no exílio no Uruguai desde maio daquele ano, mas a circular assinalava que havia informes de contatos entre "antigos elementos" que integravam esses grupos. Daí a necessidade de mobilização de oficiais para mapear qualquer atividade suspeita.

Jorge Ferreira: "Houve quem se inscrevesse apenas porque gostava de Brizola. Teve gente que pôs até o nome de filhos pequenos nas fichas de inscrição."

Os chamados Grupos de Onze Companheiros – simplificadamente, Grupos de Onze ou Gr-11 – e também conhecidos como Comandos Nacionalistas foram concebidos por Brizola no fim de 1963. Tomando por base a formação de um time de futebol, imagem de fácil assimilação e apelo popular, Brizola pregava a organização de pequenas células – cada uma composta de onze cidadãos, em todo o território nacional – que poderiam ser mobilizadas sob seu comando.

Jorge Ferreira, professor-titular de História da UFF (Universidade Federal Fluminense), doutor em História Social pela USP (Universidade de São Paulo) e autor do livro "O imaginário trabalhista", explica que um dos poucos documentos disponíveis sobre o Grupo de Onze é o modelo de ata de adesão. "Há poucos estudos sobre este movimento e praticamente não há documentação a respeito. As atas, com os dados dos participantes, eram enviadas para a Rádio Mayrink Veiga e depois ficaram em poder da repressão. Como os Grupos de Onze foram criados no fim de 1963, o clima de radicalização já se generalizara. A imprensa também supervalorizava sua capacidade de ação, mas a verdade é que houve quem se inscrevesse apenas porque gostava de Brizola e nunca teve participação efetiva. No Sul, muitos achavam que iam ganhar terra, sementes. Teve gente que pôs até o nome de filhos pequenos nas fichas de inscrição."

O dossiê a que a CBN teve acesso disseca o manual de ação desses militantes e foi criado quando Brizola, eleito deputado federal pelo PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) com 300 mil votos – até então, o mais votado da antiga Guanabara – ocupou quase que diariamente o microfone da Rádio Mayrink Veiga entre 1962 e 1963. A tradicional emissora do antigo Distrito Federal, existente desde 1926, funcionava como palanque para Brizola, que ali destilava inflamados discursos pela aprovação das reformas de base – pilar do governo João Goulart e que compreendiam da reforma fiscal à agrária, com a desapropriação de terras de grandes proprietários rurais. E garantia que elas seriam aprovadas, "na lei ou na marra". A Mayrink Veiga estava tão identificada com o projeto político brizolista que uma cópia do documento assinado pelos integrantes de cada recém-criado Gr-11 deveria ser enviada para a emissora. A militância da Mayrink Veiga provocou uma reação dos empresários de comunicação Roberto Marinho (Rádio Globo), Manoel Francisco Nascimento Brito (Rádio Jornal do Brasil) e João Calmon (Rádio Tupi): a criação da Rede da Democracia, uma cadeia radiofônica para combater a política do presidente Jango. Também selou sua sorte: a emissora foi fechada pelo presidente militar Castelo Branco um ano depois da queda de João Goulart.

O documento é composto de anexos que detalham o modus operandi dos Grupos de Onze. O primeiro deles tem cinco páginas dedicadas aos "companheiros nacionalistas", numa espécie de cartilha para a promoção e organização de um comando nacionalista. Na abertura, uma afirmação categórica de vitória: "A ideia de organização do povo em Comandos Nacionalistas (CN) ou em Grupos de Onze (Gr-11) está amplamente vitoriosa. Milhões e milhões de patriotas integram os Comandos Nacionalistas formados em todo o território pátrio: a palavra de ordem, organizados venceremos, penetrou na consciência de todos os nacionalistas brasileiros."

Para organizar um Gr-11, a primeira providência era a leitura e o estudo das instruções, "quantas vezes forem necessárias até uma segura compreensão dos fins e objetivos da organização." A etapa seguinte era "procurar os companheiros com os quais têm convivência e ligações de confiança". Vizinhos ou colegas de trabalho eram os mais indicados, e sempre em grupos reduzidos, de três ou quatro pessoas. Diante de receptividade para a ideia de organizar um Gr-11, "tal decisão significará um verdadeiro pacto de solidariedade e confiança entre os companheiros."

O objetivo era reunir 11 pessoas, mas as instruções reconhecem que arregimentar este contingente poderia ser um pouco difícil e estabelece que, com sete integrantes, a célula de militantes poderia começar a atuar. Ao alcançar este quorum mínimo, o grupo é fundado oficialmente e, depois da leitura do manual e do "exame da situação política e da crise econômica e social que estamos atravessando", é escolhido o dirigente do Gr-11; seu assistente – e eventual substituto – e o secretário-tesoureiro. "Tomadas estas decisões", prosseguem as instruções, "proceder à leitura solene, com todos os onze companheiros de pé, do texto da ata e da carta-testamento do presidente Getúlio Vargas." Os integrantes devem assinar seus nomes logo abaixo da assinatura de Vargas e do seguinte texto: "O presidente Vargas sacrificou sua vida por nós. Nosso sacrifício não conhecerá limites para que o nosso povo, de que ele foi escravo, conquiste definitivamente sua libertação econômica e social." Entenda-se que a "libertação" passava por reforma agrária e fim da espoliação internacional.

A primeira reunião formal do grupo tinha objetivo bem burocrático: montar a estrutura do Gr-11. As funções estão bem detalhadas e cada integrante tem um papel específico (esta é a transcrição da descrição das tarefas):

Líder, dirigente ou comandante: representa, orienta e coordena as atividades do grupo, de acordo com as instruções partidárias e os objetivos da organização. Está previsto que seu mandato será a duração de um ano;

Assistente: prestar colaboração direta ao dirigente ou comandante do grupo, substituindo-o em seus impedimentos;

Secretário-tesoureiro: responsável pela gestão dos recursos financeiros e guarda de papéis e documentos (líder, assistente e secretário-tesoureiro formam a comissão executiva do Gr-11);

Comunicações: dois integrantes ficam encarregados das comunicações, que englobam a troca de informações entre os elementos do Gr-11, inclusive no caso de ser preciso avisar aos companheiros sobre a necessidade de esconderijo ou fuga;

Rádio-escuta: acompanhamento pelo rádio dos acontecimentos nacionais e locais;
Transporte: coordenação das possibilidades de transportes para os membros do grupo no caso de atos e concentrações públicas;

Propaganda: responsável por faixas, boletins, pichamentos, notícias para a imprensa;
Mobilização popular: contatos e ligações com o ambiente local, visando a formar um círculo de relações e colaboração em torno do grupo, principalmente para garantir o comparecimento em comícios ou outros atos públicos;

Informações: atribuição de fazer contatos e o levantamento de informações sobre a situação política e social, além de outros problemas que interessem o grupo. Também fica responsável pela organização partidária local;

Assistência médico-social: o companheiro deve ser, se possível, médico, enfermeiro ou assistente social, "ou no mínimo com alguma noção ou treinamento para prestar assistência ou orientação a todas as pessoas necessitadas no ambiente onde atuar o Comando Nacionalista (por exemplo, aplicar injeção, conseguir medicamentos, curativos de emergência)".

A proposta era criar sucessivos grupos de 11 integrantes até atingir 11 células com estas características, quando, como relata o documento, "seus onze líderes formarão um Gr-11-2, isto é, um grupo de onze de 2º. nível, reunindo um total de 121 companheiros."

Esta seria a matriz de multiplicação dos comandos nacionalistas: os 11 líderes escolheriam, entre si, um comandante de segundo nível, cuja responsabilidade seria a coordenação dos onze grupos; e os outros dez companheiros deste Gr-11-2 dariam apoio ao novo chefe. Mas nada de parar por aí, porque cada nova célula deveria perseguir sua clonagem ao infinito: "se num município, numa cidade, área ou bairro, se organizarem onze grupos de onze, portanto um Gr-11-2 e depois onze grupos de 2º. nível, teremos um total de 1.331 companheiros na organização, os quais serão orientados e dirigidos por um Gr-11-3, ou seja, um grupo de onze de 3º. nível, integrado pelos onze líderes dos grupos de 2º. nível."

As "recomendações gerais" sugerem que os Gr-11 deveriam ser integrados inicialmente por companheiros de "maior capacidade de direção e liderança". Os demais grupos seriam compostos por militantes de capacidade "aproximada ou igual". O documento frisa que o movimento recebe, de braços abertos, gente de todas as procedências: "No mesmo Gr-11 poderão estar um trabalhador da mais modesta atividade, ao lado de um médico; um trabalhador ou técnico especializado, um estudante, um agricultor, um intelectual, um motorista, ao lado de um camponês, um militar."

O contato com a liderança nacional era de responsabilidade de um delegado de ligação (DL); enquanto não chegavam novas instruções, cabia ao Gr-11 realizar reuniões para estreitar os laços entre seus militantes e analisar a conjuntura, além de buscar adesões em sua área de atuação. "Os companheiros devem estimular, particularmente, a formação de Gr-11 entre a mocidade e estudantes. É da maior significação esse ponto das presentes instruções. A nossa causa depende fundamentalmente do apoio e da integração dos jovens e das classes trabalhadoras."

Embora não fizesse restrições a analfabetos, a arquitetura dos Gr-11 praticamente ignorava uma militância integral das mulheres: "As companheiras integrantes do Movimento Feminino ou simpatizantes devem formar seus próprios Gr-11. Oportunamente serão enviadas instruções especiais sobre a estrutura desses grupos de companheiras."
O chamado Anexo C é composto de documentos de Leonel Brizola com o sugestivo título de "Subsídios para a Organização dos Comandos de Libertação Nacional". Tem oito seções, todas subdivididas num minucioso roteiro para a militância. E começa pelo nome a ser dado ao grupo. No capítulo "Denominação", há cinco sugestões, por ordem preferencial: Comandos de Libertação Nacional (Colina); Comando Revolucionário de Libertação Nacional (Corlin); Comando Revolucionário dos Onze (Cron); Comando de Libertação Brasileira (Colb); e Comando dos Onze Revolucionários (Core).

O capítulo seguinte é o da "Justificativa": "A palavra revolucionária, como é sabido, exerce poderosa atração nas pessoas entre 17 e 25 anos – fator que servirá à etapa de arregimentação". O documento aposta na força de atração do termo: "A sigla onde aparece a ideia de revolução pode, com maiores possibilidades, ser difundida com certo mistério e mística de clandestinidade, complementada por instruções secretas, senhas, códigos, símbolos etc...", diz o texto que exibe rudimentos de técnica de marketing e motivação.

Vitor Borges: "Os militares queriam saber como pretendíamos envenenar o reservatório de água e perguntavam onde estavam os sacos de veneno."

O gaúcho Vitor Borges de Melo, natural de Alegrete, cidade que fica a cerca de 500 quilômetros de Porto Alegre, é um bom exemplo de arregimentação de jovens que queriam um pouco de ação. "Eu e meus companheiros éramos simpatizantes de Brizola desde a Cadeia da Legalidade, em 1961. Eu já tinha me apresentado como voluntário nesta época. Depois passei a acompanhar os discursos na Rádio Mayrink Veiga e decidi entrar para o Grupo de Onze. Todos usavam nomes de guerra e o meu era Tavares." Aos 63 anos, embora seja citado como ex-integrante do Gr-11, Vitor na verdade só se lembra de ter participado de uma reunião. Mesmo assim ficou preso, incomunicável, por 31 dias. "Os militares queriam saber como pretendíamos envenenar o reservatório de água de Alegrete e perguntavam onde estavam os sacos de veneno. Não sei de onde tiraram isso, como é que faríamos uma coisa dessas?", lembra Vitor, hoje aposentado, filiado ao PTB e beneficiado, pela Lei da Anistia, com uma indenização de R$ 12 mil. Provavelmente, por só ter ido a uma reunião, Vitor não foi "iniciado" em todas as propostas de ação do movimento.

No dossiê, a delimitação de áreas de ação é meticulosa e pretende cobrir todo o território nacional. Do contingente inicial de 11 membros, a proposta é multiplicá-los de forma que um distrito tenha 11 unidades de 11 membros, contabilizando 121 almas. A província terá 22 distritos, ou 2.662 membros; e a região será composta por 11 ou mais províncias, com 29.282 membros. O documento divide o país em sete regiões, mas exclui a Região Norte, provavelmente por problemas de logística:

1ª. Região: Guanabara, Rio de Janeiro e Espírito Santo;
2ª. Região: Bahia e Sergipe;
3ª. Região: Minas Gerais;
4ª. Região: São Paulo e Paraná;
5ª. Região: Santa Catarina e Rio Grande do Sul;
6ª. Região: Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte;
7ª. Região: Ceará, Piauí, Maranhão e Fernando de Noronha.

A estrutura administrativa nacional também previa um organograma que contava com um comandante supremo (CS); dois inspetores regionais (IN); e oito conselheiros regionais (CR), uma elite de burocratas encarregados de escolher, nomear ou destituir as camadas inferiores de militantes. Mas, abaixo deles, também havia espaço para muita gente se acomodar. O desenho da burocracia interna do poder é rico em categorias e deixaria qualquer analista de RH impressionado com o número de cargos. Sob a estrutura nacional, há estruturas administrativas regionais, provinciais e distritais, com direito a chefias, secretarias-executivas, assessorias e monitorias. Ao todo, são listados 32 cargos de alguma relevância – uma longa carreira que se descortinava para os aspirantes à militância.

Especialmente suculento é o capítulo sobre instruções gerais aos companheiros que quisessem organizar um Gr-11. Uma das principais preocupações diz respeito à seleção de indivíduos: "Procure conhecer bem as ideias políticas de cada uma das pessoas que você pretende convidar", ensina a cartilha, batendo na tecla da prudência: "Convide a pessoa para uma conversa reservada. Peça sigilo sobre o assunto. Procure certificar-se de que ela manteve sigilo. Mande alguém, seu conhecido, testá-la nesse pormenor."

A paranóia pela segurança se estende aos deveres dos dirigentes. Entre os dez itens listados, cinco dizem respeito ao controle da informação e dos membros do grupo: "manter severa vigilância em sua jurisdição para evitar infiltrações de inimigos entre os seus comandados"; "alternar, sempre, os locais de reuniões de seu grupo, fazendo as convocações sempre em código ou através de senhas"; "manter sob rigoroso controle os arquivos secretos e os dados sigilosos sobre a organização e seus membros"; "não discutir assuntos referentes aos planos dos Comandos de Libertação Nacional exceto com as pessoas autorizadas"; "procurar organizar em sua jurisdição um esquema de rápida mobilização popular para enfrentar golpistas, reacionários e grupos antipovo."

O código de segurança detalha os cuidados a serem adotados e a ordem é clara: desconfiar o tempo todo. Por isso o telefone fica banido na transmissão de mensagens. O militante também deve anotar tudo o que ouvir sobre a organização, especialmente quando partir de um "reacionário": "até as piadas têm sua importância. Não as despreze."

Os comandantes são instruídos a buscar subordinados para os Grupos de Onze que sejam "os autênticos e verdadeiros revolucionários, os destemerosos da própria morte."

Os comandantes regionais, devido à sua importância na estrutura do movimento, recebem instruções secretas que só devem ser compartilhadas com os companheiros do Grupo de Onze "com as devidas cautelas e ressalvas". O filé mignon da pregação revolucionária brizolista se encontra no Anexo D, cuja abertura tem o pomposo título "Preâmbulo Ultra-secreto" e determina que "só os fortes e intemeratos podem intentar a salvação do Brasil das garras do capitalismo internacional e de seus aliados internos. Quem for fraco ainda terá tempo de recuar ante a responsabilidade que terá que assumir com o conhecimento pleno destas instruções."

Os comandantes são instruídos a buscar subordinados para os Grupos de Onze que sejam "os autênticos e verdadeiros revolucionários, os destemerosos da própria morte, os que colocam a Pátria e nossos ideais acima de tudo e de todos." E a recomendação seguinte é evitar arregimentar parentes ou amigos íntimos.
Findo o preâmbulo, as instruções secretas têm dez seções. A primeira, sobre os objetivos, volta a pregar a importância do Gr-11 como a "vanguarda avançada" do movimento e compara esta célula à Guarda Vermelha da Revolução Socialista de 1917. Por ser revolucionária, ela não precisa prestar contas dos seus atos: "Não nos poderemos deter à procura de justificativas acadêmicas para atos que possam vir a ser considerados, pela reação e pelos companheiros sentimentalistas, agressivos demais ou até mesmo injustificados." Sem sombra de dúvida, os fins justificam os meios.

O quesito seguinte, que tem o título genérico de "Observações", descreve o que seria uma espécie de estado de espírito permanente dos participantes: "Os Grupos dos Onze Companheiros, como vanguardeiros da libertação nacional, terão que se preparar devidamente (...) devendo considerar-se, desde já, em REVOLUÇÃO PERMANENTE e OSTENSIVA." A revolução cubana vitoriosa de Fidel Castro é a principal referência: "A condição de militantes dos gloriosos Gr-11 traz consigo enormes responsabilidades e, por isso, embora para formação inicial de nossas unidades não seja condição sine qua o conhecimento da técnica propriamente militar, torna-se absolutamente necessário o da técnica de guerrilhas e a leitura, entre outras importantes publicações, do folheto cubano a respeito daquele mister."

No terceiro capítulo, sobre a ação preliminar, os companheiros são instados a tentar conseguir o quanto antes armamentos para o "Momento Supremo". E a lista contempla desde espingardas a pistolas e metralhadoras. Com um lembrete: "Não esquecer os preciosos coquetéis Molotov e outros tipos de bombas incendiárias, até mesmo estopa e panos embebidos em óleo ou gasolina." A instrução reconhece a escassez de armas no movimento, mas conta com aliados militares (segundo o documento, "que possuímos em toda as Forças Armadas") e garante ter o apoio da população rural. "Os camponeses virão destruindo e queimando as plantações, engenhos, celeiros e armazéns."

O descolamento entre propostas e realidade é flagrante, mas não diminui o grau de virulência da ação que, pelo menos em tese, seria desencadeada pelos Grupos de Onze. Juarez Santos Alves, de 61 anos, é contemporâneo e até hoje amigo de Vitor Borges de Melo. O pai, dono de farmácia, e o tio, militar, eram militantes do PCB (Partido Comunista Brasileiro) e foram sua inspiração. No entanto, no que diz respeito à sua passagem pelo Grupo de Onze, a monotonia imperava. "Considero mais um grupo poético, porque nunca demos um passo além das reuniões. Falava-se em tomar o quartel, mas como é que iríamos resistir se no máximo tínhamos armas pessoais ou de caça?", rememora Juarez, que depois ingressou na Vanguarda Popular Revolucionária. Preso e torturado, foi beneficiado com uma indenização de R$ 100 mil.

A cartilha de ação inclui escudos humanos, saques e incêndios de edifícios públicos e empresas particulares, além da difusão de notícias falsas.

Em centros urbanos, a tática adotada será assumidamente a de guerra suja, com a utilização de escudos civis, principalmente mulheres e crianças. "Nas cidades, os companheiros (...) incitarão a opinião pública com gritos e frases patrióticas, procurando levantar a bandeira das mais sentidas reivindicações populares, devendo, para a vitória desta tática, atrair o maior número de mulheres e crianças para a frente da massa popular." Agitação é a palavra de ordem, com direito a depredação de estabelecimentos comerciais, saques e incêndios de edifícios públicos e de empresas particulares. Também estão incluídos ataques a centrais telefônicas, emissoras de rádio e TV. O objetivo? "Com as autoridades policiais e militares totalmente desorientadas, estaremos, nesse momento, a um passo da tomada efetiva do Poder-Nação."

Sobre a tática geral da guerrilha nacional, tema do item quatro, a ênfase recai na guerra de informação. Depois de a autodenominada ação revolucionária ter provocado o caos, o passo seguinte seria cortar a comunicação entre as cidades e divulgar apenas o que interessasse ao movimento. "Difundindo-se notícias falsas, tendenciosas e inteiramente favoráveis aos nossos Gr-11 e aos nossos planos, com interceptação de comunicações telefônicas isolamento das cidades e de seus meios de comunicação."

Em "O porquê da revolução nacional libertadora", a explicação de cartilha revolucionária: a exploração do capital monopolista estrangeiro, principalmente americano; e a estrutura agrária baseada na concentração latifundiária. No capítulo sobre "o aliado comunista", não resta dúvida de que Brizola não via o Partido Comunista Brasileiro (PCB) com a menor simpatia. "Devemos ter sempre presente que o comunista é nosso principal aliado mas, embora alardeie o Partido Comunista ter forças para fazer a Revolução Libertadora, o PCB nada mais é que um movimento dividido em várias frentes internas em luta aberta entre si pelo poder absoluto e pela vitória de uma das facções em que se fragmentou." E continua, aumentando o tom da crítica: "São fracos e aburguesados esses camaradas chefiados pelos que veem, em Moscou, o único sol que poderá guiar o proletariado mundial à libertação internacional. Fogem à luta como fogem à realidade e não perderão nada se a situação nacional perdurar por muitos anos ainda."

"No caso de derrota do nosso movimento, os reféns deverão ser sumária e imediatamente fuzilados."

O trecho mais chocante das instruções secretas aos comandantes diz respeito à guarda e ao julgamento dos prisioneiros. Para esta tarefa, a orientação é clara: "Deverão ser escolhidos companheiros de condições humildes mas, entretanto, de férreas e arraigadas condições de ódio aos poderosos e aos ricos". Além da prisão, está previsto o julgamento sumário de oponentes ao movimento, onde se incluem autoridades públicas, políticos e personalidades. "No caso de derrota do nosso movimento, o que é improvável, mas não impossível (...) e esta é uma informação para uso somente de alguns companheiros de absoluta e máxima confiança, os reféns deverão ser sumária e imediatamente fuzilados, a fim de que não denunciem seus aprisionadores e não lutem, posteriormente, para sua condenação e destruição."

Para o professor Jorge Ferreira, entre 1961 e 1964 houve uma profunda mudança nos interesses que alimentavam a correlação de forças entre militares, partidos políticos e sociedade. "Em agosto de 1961", diz ele, "quando Jânio Quadros renuncia, os militares deram um golpe que foi rechaçado pelo Congresso, pelos partidos e pelas entidades civis. Os grupos progressistas e legalistas venceram. A sociedade brasileira não queria romper com o processo democrático." O período parlamentarista manteve o equilíbrio, ainda que precário, entre essas correntes. Jango sabia que precisava de maioria no Congresso ou não governaria, mas o plebiscito que lhe devolveu o presidencialismo acabou dando outro rumo aos acontecimentos, como afirma Ferreira: "a Frente de Mobilização Popular, encabeçada por Brizola, havia unificado praticamente todas as esquerdas, englobando o Comando Geral dos Trabalhadores, Ligas Camponesas, UNE, Ação Popular, a esquerda do Partido Socialista Brasileiro, a esquerda mais radical do PCB, os movimentos de sargentos e marinheiros. E a exigência dessas esquerdas era o rompimento com o PSD (Partido Social Democrático), a convocação de Assembléia Nacional Constituinte e o questionamento das instituições liberais vigentes. É quando se estabelece o confronto." Desta vez, o estado de direito não venceu.


Obs.: Leia, também, de minha autoria, Brizola, o último dos maragatos, clicando em
http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=4886&cat=Ensaios&vinda=S

Nanocracia - governo de anões


“NANOCRACIA”

Aileda de Mattos Oliveira* (22/3/2011)

Os ocupantes de cargos nos governos petistas sequer se aproximam da sombra do modelo político que se deseja para o comando deste país e de suas instituições. Faltam-lhes seriedade, competência, probidade, brasilidade.

Se o Brasil tem uma nova fisionomia, isto se deve ao trabalho da parte laboriosa da sociedade, incansável, responsável, que contribui para o fortalecimento de sua economia, como uma máquina bem-azeitada, em perfeito funcionamento.

Poderia o Brasil estar em melhor situação, se os ávidos que assumiram o poder não transformassem o tesouro nacional em patrimônio particular e não liberassem gastos orgíacos aos favorecidos e não os consumissem, também, na fecunda criação de ministérios. Os tais cortes no orçamento são “tesouradas” certeiras nas instituições que incomodam o poder, por estarem, obedientes à Constituição, a serviço, unicamente, do Estado e não do governo, independente da cor política que o sustenta.

Se o país tem uma voz mais atuante, geopoliticamente, e isto é reconhecido até mesmo pelo farsesco presidente americano, mantém-se, no entanto, a tendência ao nanismo político, a pequenez empresarial, a servil dependência jornalística diante de presença estrangeira.

Deve-se à “nanocracia” (“governo de anões”) a voz do Brasil ter silenciado diante das manifestações de superioridade política e tecnológica dos cães de guarda de Obama, pondo em plano inferior, dentro de seu próprio limite territorial, as instituições de um país que se supunha soberano. Haja neologismos para qualificar o inqualificável!

Policiais, figuras decorativas, relegados a segundo plano no trabalho de segurança, entregue em mãos estrangeiras; ruas fechadas, estações do metrô interditadas, o Theatro Municipal considerado território americano, enquanto o demagogo do Norte fazia um tropical discurso ao gosto dos carnavalescos e alienados dirigentes do Estado e do Município do Rio de Janeiro; a imprensa revistada, mas quietinha, mudinha, silenciosamente complexada. Não berrou os seus direitos e não desobedeceu às ordens, como ocorre quando estas são emanadas de autoridades brasileiras. Lembremo-nos do Morro do Alemão, quando o helicóptero daquele canal de televisão o sobrevoou antes de a polícia autorizar, alertando, com o seu pretenso “furo” de reportagem, os marginais que se escafederam.

Mas, a Brasília, centro do nanismo político, coube a maior representação do servilismo petista. Quem diria que D. Dilma se submetesse aos caprichos do símbolo do capitalismo, um dos adversários ideológicos de sua torpe doutrina marxista!

Se não chegaram ao cúmulo de tirar o chapéu para o Barack, fizeram melhor: tiraram os sapatos para os seguranças e para a segurança do afro-americano. É preciso, de imediato, dizer aos hóspedes que quem manda na casa que os hospeda, é o anfitrião. Faltou-lhe coragem para levantar aquele arrogante e insuportável dedo a quem fala língua estranha.

Que seja breve a fase nanocrática petista, antes que retrocedamos ao tempo da Sinhá Rousseff, já que os entraves do arcaísmo de esquerda atrofiarão o natural processo de desenvolvimento do país, impedindo-o de prosseguir na sua marcha em direção ao progresso real, sem manipulação estatística, sem deturpação de dados, sem manobras de baixa política. Que este último parágrafo surta o efeito de uma prece e seja ouvida e atendida.

* Prof.ª universitária e membro da Academia Brasileira de Defesa.

O antissemitismo castrista

CUBA CRIMINALIZA A NORMALIDADE

O antissemitismo castrista, assim como o de toda a ultra-esquerda, já é de longa data...

BEATRIZ W. DE RITTIGSTEIN – para o jornal venezuelano ‘EL UNIVERSAL’ - TRADUÇÃO DE FRANCISCO VIANNA

Terça feira, 22 de março de 2011

Nas ditaduras não existem instituições nem institucionalidade, não há independência de poderes, a justiça não é servida e qualquer desculpa é bastante para que as autoridades tomem em suas mãos a vida e o destino das pessoas. Assim ocorria na extinta URSS e continua ocorrendo em Cuba. Um caso ilustrativo é o do americano estadunidense Alan Gross, condenado há poucos dias a 15 anos de prisão, acusado de trabalhar para seu país num projeto de redes de informática clandestinas contra o governo comunista.

Gross foi preso em Havana em dezembro de 2009, segundo o ditador Raúl Castro, por ‘agir como agente de Washington na distribuição de sofisticados equipamentos de comunicação a opositores cubanos. Na realidade, ele ajudou a comunidade judia a ficar plugada na Internet. Esse foi o seu “crime”.

Como disse uma diplomata norte-americana: "Cuba criminaliza o que a maior parte do mundo considera normal, o acesso à informação e à tecnologia". As autoridades cubanas não apresentaram acusações contra Gross até fevereiro deste ano, ao anunciar seu julgamento; ou seja, ficou preso durante quinze meses sem saber de que o culpavam. A natureza do regime cubano e um processo judicial cheio de anomalias nos fazem pensar numa moeda de câmbio. Cuba busca libertar três cubanos e dois estadunidenses a serviço de seu sistema de inteligência, infiltrados nos EUA, sentenciados por espionagem e conspiração para assassinar.

Além do mais, Gross é judeu e isto deve ter pesado contra si. Fica suspeito que o governo cubano tenha "armado" contra uma só pessoa, um judeu, numa guerra cibernética entre EUA e Cuba. O antissemitismo castrista, assim como o de toda a ultra-esquerda, já é de longa data e inclusive motivou o envio de soldados cubanos à Síria para lutar contra Israel.

bea.rwz@gmail.com

Governo Mundial, com Barack Obama no trono

Barack Hussein Obama


Leia em: http://www.armindoabreu.blogspot.com/

GOVERNO MUNDIAL SOCIALISTA ASSUME ESCANCARADAMENTE O PODER, COM BARACK OBAMA NO TRONO!

O Governo Mundial acaba de assumir, publicamente, o Poder Planetário, na pessoa de Barack Hussein Obama, respaldado internacionalmente pelo Conselho de Segurança da ONU: Organização das Nações Unidas.

*Atuando, até então, apenas nos bastidores, através de tentáculos supranacionais, como a própria ONU, o Banco Mundial, o FMI, o BID, o BIS, a OTAN, a União Européia e outras Áreas de Livre-Comércio ou Mercados Comuns;

*De instituições essencialmente privadas, com altíssimo poder de força e imposição da vontade, como o grupo de Bilderberg, a Comissão Trilateral, os Bancos Centrais Independentes ou Autônomos, o Royal Institute of International Affairs, o Council On Foreign Relations, as Antigas e Místicas Sociedades Secretas, O Partido Comunista Internacional e a Rede Mundial de ONG e Agências Reguladoras;

*Dos seus respectivos tentáculos regionais de segunda ou terceira linha, como as Universidades de maior prestígio mundial (Harvard, Yale/ Skull&Bones, Columbia, Chicago, Johns Hopkins, etc), A Sociedade de Mont-Pélérin, o Diálogo Internacional, o Consenso de Washington, o Foro de São Paulo e outros..., o Governo Mundial mostra a sua face socialista, na pessoa do presidente dos EEUU e do imenso poder político e militar que este representa, independentemente ou não da vontade popular delegada que o elegeu e dos milhões que, espalhados pela crosta terrestre, apenas assistem à tomada do poder mundial sem opinar e nada poder fazer.

E o núcleo central desse governo Mundial, o PODER BÉLICO e de INTELIGÊNCIA ESTRATÈGICA dos EEUU e seus principais aliados, supostamente comandado por Obama, aos poucos deixa de representar o bravo povo americano, por via da intensa e trilionária privatização de Meios Militares, terceirizados pela transferência a empresas de mercenários, como a Blackwater e congêneres, cujo efetivo controle acionário é inteiramente desconhecido do público, tornando-se no embrião do exército planetário.

E essa é a razão, suficientemente conhecida, para a desmoralização e o enfraquecimento dirigidos da Forças Armadas de todos os países politicamente submissos ao esquemão, como o Brasil.

Já o poder financeiro americano havia sido terceirizado no início de século XX, e no pós-guerra, em Bretton Woods, através da transferência do direito de emissão monetária do dólar e do respectivo controle da política financeira americana e mundial, ao Federal Reserve Bank, um cartel de bancos privado, controlado por uma oligarquia de banqueiros e financistas europeus, com apoio das chamadas organizações financeiras internacionais acima citadas.

A esse movimento seguiram-se outros que tornaram legalmente impossível, a qualquer país democrático, emitir moeda própria, devendo tomá-la emprestada à rede bancária a juros de mercado (definidos, incrivelmente, ao total alvedrio do banco central local, independente ou autônomo da vontade popular que elege governantes e políticos, porém jamais sua autoridade financeira e respectivos conselhos de política monetária, todos intocáveis!)

Num mundo globalizado, em que a concentração de poderes políticos, militares e econômicos se avoluma velozmente, transferindo-se e concentrando-se em um centro único de controle e irradiação de decisões, o livre-comércio e a livre-concorrência de mercado se transformam em peça de ficção, evoluindo, natural e caudalosamente, para um sistema socialista comandado pelo estado-único e planetário.

Como demonstramos em O PODER SECRETO, o modelo globalizado será, inicialmente, o chinês, para grandes e abundantes unidades populacionais, e o modelo cubano para as unidades menores, de escassos recursos naturais, até que a arquitetura planetária definitiva seja, finalmente, viabilizada e implantada.

Obama, em visita oficial protocolar, ao detonar ataques à Líbia, diretamente do Brasil, impondo sua própria segurança em nosso solo pátrio e revistando ministros brasileiros convidados a sua mesa, não apenas pôs a nu o grau de servidão e subserviência a que nos dispusemos, como também demonstrou, cabalmente, que o Poder concentrado em suas mãos já se sobrepõe à soberania e à autonomia dos estados-nacionais, passando ao arrepio de quaisquer das antigas normas diplomáticas de respeito, consideração e apreço à casa do seu anfitrião.

O mundo é terra arrasada e tem novos donos, como ficou bem claro nessa estranha visita.


Comentário

F. Maier

Com três dias de atraso, Dilma Rousseff finalmente condenou os ataques da OTAN contra a Líbia (22/3). Melhor seria se tivesse mostrado sua posição quando um certo presidente safado do Norte estava em visita ao Brasil e do Palácio do Planalto ordenou o ataque contra aquele país árabe. Se fosse Bush, a petezada e a petralhada toda teria ido às ruas para protestar contra o "império americano". Como se trata de um presidente afro-árabe-descendente de viés socialista, tudo é permitido ao bandidão da Casa Branca. Cadê os caras-pintadas? Ora, o dinheiro de Lula (e de Dilma) comprou a consciência dos estudantes gazeteiros, cuja nova sede da UNE custará dezenas de milhões de reais aos cofres públicos.

O caso líbio é um caso perdido, pois se trata do embate entre tribos que costumam se matar uns aos outros, podendo um novo líder ser ainda pior do que Gaddafi. Assim, por que interferir na política dos outros países? Onde fica a autodeterminação dos povos? Afinal, o governo islâmico do Sudão provocou a morte de mais de 2 milhões de pessoas e ninguém fez nada. Um plebiscito decidiu na divisão do país, o Norte muçulmano e o Sul cristão e animista. O Tibete, nas mãos dos chineses, também sofreu a perda de 2 milhões de pessoas e teve quase todos os templos budistas incendiados, e onde estava a valentia dos americanos?

Os novos ataques mostraram que a OTAN não passa de um antro de assassinos, à semelhança do que ocorreu contra a Sérvia no caso Kosovo. Tanto a Sérvia, então, quanto a Líbia, agora, tiveram toda sua infraestrutura destruída. Imagine amanhã, agitadores incentivando a autonomia da Nação Ianomâmi, com choques entre índios e forças policiais, e o que a OTAN poderá fazer? Não bombardear Roraima, mas lançar mísseis contra São José dos Campos e outros centros tecnológicos, nossas plataformas de petróleo, nossas refinarias e subestações de energia elétrica, ocasionando um caos total no País. E bombas contra o Palácio do Planalto, dependendo de quem será o inquilino na ocasião.

Abaixo Obama e demais governantes europeus assassinos!

Comandante Militar do Nordeste convida para palestra alusiva ao 31 de Março de 1964

PARABÉNS, GENERAL SALVADOR!

"O RECONHECIMENTO E A EXPLICITAÇÃO DAS SUAS CONVICÇÔES, NUM HOMEM DE BEM, É SUPERIOR AS AMEAÇAS DE RETALHAÇÕES."

"O CONFORMISMO,O PELEGUISMO E A BAJULAÇÃO SÃO AS ARMAS DOS COVARDES,PARA OFUSCAR SUAS FRAQUEZAS."

PORTANTO, GENERAL SALVADOR, O SENHOR É UM LÍDIMO REPRESENTANTE DAQUELES QUE PENSAM COMO VOSSA EXCELÊNCIA, QUE ADMITEM O BEM QUE AQUELE MOVIMENTO DE 1964, FEZ PARA O BRASIL, OU MELHOR, O MAL QUE FOI EVITADO. HÁ MUITO TEMPO QUE GOSTARÍAMOS DE VER ESSE Convite, NÃO COMO UMA AFRONTA ( POIS NÃO É AFRONTA, ESTAMOS NUM PAIS QUE SE INTITULA DEMOCRÁTICO), MAS SIM, COMO UM PREITO DE GRATIDÃO ÀQUELES QUE DEFENDERAM HEROICAMENTE ESTE PAIS DAS GARRAS DO VIL TOTALITARISMO COMUNISTA. NUNCA ESQUECENDO DAQUELES QUE DERRAMARAM O SEU PRECIOSO SANGUE, VÍTIMAS DE EXTREMISTAS ENSANDECIDOS, PROSÉLITOS DE IDEOLOGIAS ALIENÍGENAS E DECADENTES.

SEMPRE TERÁ ALGUÉM A DIZER: AGORA QUE DILMA ASSUMIU, E QUE ESTÁ EM PAZ COM OS MILITARES (APARENTEMENTE), POR QUE COLOCAR NOVAMENTE LENHA NA FOGUEIRA? POR QUE AÇODAR ÂNIMOS? PARA QUE FAZER UM Convite DESSES QUE DASAGRADA OS MINISTROS "CUPINCHAS" DA DILMA ESPARRAMADOS POR DIVERSOS MINISTÉRIOS? MD TAMBÉM.
MINISTÉRIOS ESSES QUE NA VERDADE FORAM PRODUTOS DE ESCAMBO NO BUTIM NO FIM DO ESCATÓFILO GOVERNO LULA POR OCASIÃO DA COMPOSIÇÃO DESSE GOVERNO CONTINUISTA E OS PARTIDOS PELEGOS QUE COMPÔEM A FAMIGERADA,VENAL E INTERESSEIRA BASE ALIADA.

ISSO NÃO É UM DESAFIO, É UM PONTO DE HONRA, É UM ATO INTIMORATO DE UM GENERAL ( TEM MAIS ALGUNS) QUE NÃO TEME REPRESÁLIAS, PORQUE ELE TEM A CONSCIÊNCIA TRANQUILA DE QUE SUA PREMISSA ACHA ESCUDO NA VERDADE E NENHUM SACRIPANTA COMPONENTE DESSE GOVERNO PODERÁ NEGAR.

ESPERO QUE A ATITUDE DESSE VALENTE GENERAL NÃO VÁ SER MOTIVO DE RETALHAÇÕES FUNCIONAIS, COMO ACONTECEU NO DESGOVERNO ANTERIOR, COM NOSSO DESTEMIDO E QUERIDO GENERAL SANTA ROSA.
OBRIGADO GENERAL SALVADOR...

PARA FRENTE E PARA O ALTO...

VIVA A CONTRA-REVOLUÇÃO DE 31 DE MARÇO DE 1964!


Convite

O Comandante Militar do Nordeste, Gen Ex Américo Salvador de Oliveira, tem a honra de convidar V Exª/V Sª e digníssima família para a Solenidade Militar alusiva à “Revolução Democrática de 31 de Março de 1964", a realizar-se no Quartel-General do Comando Militar do Nordeste.

End: BR 232, km 07, Curado
Data: 31 Mar 11 ( Qui ) Hora: 09:00h
Uniforme/Traje: Militares da Ativa: 4º A1 com Boina
Civis: Esporte Fino
Demais Forças: Uniforme Correspondente


Obs.: Texto recebido de amigo via e-mail (F. Maier).

Frase do século

"O comunismo é a filosofia do fracasso, o credo da ignorância e o evangelho da inveja. Sua virtude inerente é a distribuição equitativa da miséria".
Winston Churchill

Sílvio Santos agradece governo petista com novela de exaltação de terroristas


http://www.tribunadaimprensa.com.br/

terça-feira, 22 de março de 2011

Por coincidência, apenas mera coincidência, Silvio Santos paga a conta da ajuda ao Banco PanAmericano exibindo uma novela que exalta os feitos dos guerrilheiros da luta armada contra o regime militar.

Carlos Newton

Dizem que, depois dos 40 anos, ninguém mais pode acreditar em coincidências. Por isso, é bom refletir sobre a oportunidade do lançamento da próxima atração do SBT, a novela “Amor e Revolução”. Vai estrear no dia 5 de abril, às 10h 30min, e a ação transcorre entre 1964 e 1972, ou seja, nos anos de chumbo da ditadura militar.

A novela deverá ficar centralizada em São Paulo e no Rio de Janeiro, mas terá gravações em Cuba, no Congo e na Bolívia para algumas cenas especiais, o que indica que um dos personagens será o próprio Che Guevara, que lutou nesses três países. As imagens que já vazaram para o YouTube mostram pesadas cenas de torturas cometidas pelos militares brasileiros que vão emocionar os telespectadores, especialmente no Planalto Central.

Como todos sabem, o SBT pertence a Silvio Santos, que sempre teve pavor de tocar em assuntos políticos na sua programação. Mas como dizia Vinicius de Moraes, “de repente, não mais que de repente”, eis que o simpático empresário-apresentador muda de comportamento e promove a produção de uma novela tipo cinema-verdade, em que os protagonistas-heróis são justamente os guerrilheiros que pegaram em armas contra o regime militar.

Realmente, Silvio Santos mudou muito desde que esteve com Lula no Palácio do Planalto, em setembro de 2009, pedindo ajuda para tirar da falência o Banco PanAmericano e seu grupo, o que incluía o SBT. É surpreendente como ele deu uma guinada de 180 graus para aceitar exibir no horário nobre as abomináveis torturas cometidas por militares naquele período negro de nossa História.

Por coincidência, mera coincidência, é claro, apenas dois meses depois da visita de Silvio a Lula no Planalto, a Caixa Econômica Federal anunciou a compra de 35,54% do capital social do banco PanAmericano. O valor da operação foi de R$ 739,2 milhões e envolveu a aquisição da participação acionária representativa de 49% do capital social votante e de 20,69% das ações preferenciais do PanAmericano.

Recapitulando: os R$ 739,2 milhões da Caixa foram a primeira ajuda. Não adiantou nada. Depois, em 2010, o Fundo Garantidor de Crédito (órgão criado por bancos privados e estatais, incluindo a própria Caixa)entrou com mais R$ 2,5 bilhões. Também não adiantou. O Fundo então aumentou sua operação de socorro para cerca de R$ 4 bilhões. E não adiantou nada, mais uma vez. Até que, no 11 de fevereiro deste ano, vem a prestimosa presidente da Caixa, Maria Fernanda Gomes Coelho e anuncia que o banco estatal vai injetar mais R$ 10 bilhões no PanAmericano, que tem como controlador o BTG Pactual. Portanto, ao lembrar outro famoso apresentador de TV, Jota Silvestre, poderemos dizer que, no buraco negro do PanAmericano, só o céu é o limite.

É claro que também foi por coincidência, exclusivamente coincidência, que Silvio Santos agora teve a idéia de fazer uma novela exaltando a luta armada dos guerrilheiros contra o regime militar, embora até o presente momento o simpático apresentador jamais tivesse mostrado nenhuma simpatia, compatibilidade ou aproximação com a luta armada.

Muito pelo contrário. Silvio Santos sempre foi um capacho do regime militar. Conseguiu sua primeira TV, o canal 11 do Rio de Janeiro, durante o governo do general Geisel, usando tráfico de influência familiar. Na época, contratou para assessorá-lo na concorrência o jornalista Carlos Renato, que era primo-irmão de Dulce Figueiredo, mulher do então poderoso chefe do SNI, general João Batista Figueiredo, que era tão íntimo de Carlos Renato que o chamava de “Nanato”.

Simpaticíssimo, Carlos Renato passou a ficar de segunda a sexta-feira em Brasília, conhecia todas as autoridades, especialmente no Ministério das Comunicações, onde transcorreria a concorrência. A costura feita por Renato acabou dando certo, porque Roberto Marinho também preferia que Silvio Santos vencesse a concorrência, em vez dos outros dois concorrentes, muito mais fortes, a Editora Abril e o Jornal do Brasil. E assim se fez, o canal 11 caiu no colo de Silvio Santos.

Em 1979, Figueiredo assumiu o poder e Silvio Santos soube retribuir o favorecimento, criando em seu programa o quadro chapa-branca “A Semana do Presidente”. A bajulação deu certo. Sempre assessorado por Carlos Renato, em 1981 Silvio Santos obteve a concessão para operar o canal 4 de São Paulo, que se tornou a TVS da capital paulista. A partir das emissoras do Rio e de São Paulo, surgiu o embrião do SBT, que se expandiu rapidamente através de afiliações em todos os Estados.

Tudo coincidência, é claro, apenas coincidência. E agora esse capacho do regime militar, depois de se livrar da falência com auxílio do então presidente Lula, resolve montar uma novela de época, em que os heróis são justamente os membros da luta armada. E isso ocorre exatamente quando o Congresso Nacional vai discutir o projeto que cria a Comissão da Verdade, destinada a investigar exclusivamente os crimes cometidos pelos militares na ditadura, deixando de fora os crimes cometidos pelos guerrilheiros da luta armada, que mutilaram e mataram muitas pessoas que nada tinham a ver com o regime militar. E isso é mais do que sabido.

É claro que se trata apenas de concidência, não há dúvida. Inclusive porque, ao final de cada capítulo da novela eletrizante (haverá cenas de tortura com choque elétrico) a ser exibida pelo SBT, aparecerá escrito na tela que “qualquer semelhança com fatos ocorridos na vida real é mera coincidência”. E todos nós vamos acreditar, não é mesmo?

Deputado gay promove guerra aos cristãos e censura na internet

Deputado gay Jean Wyllys declara guerra aos cristãos e promove censura na internet

Mar 20, '11 8:18 AM

Deputado gay Jean Wyllys declara guerra aos cristãos e promove censura na internet

O recém-eleito deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), homossexual militante que conseguiu alguma notoriedade participando do programa Big Brother Brasil da Rede Globo, lançou, na semana passada, uma campanha de combate ao cristianismo.

Em sua página do Twitter, Jean publicou várias mensagens dizendo que cristãos são doentes, homofóbicos, preconceituosos, violentos, ignorantes e fanáticos, e que ele se dedicará ainda mais a eliminar a influência do cristianismo na sociedade. O deputado enfatizou que seu mandato tem como foco a defesa dos interesses da militância gay e o combate a seus "inimigos".

O deputado, que é membro da Frente Parlamentar LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros e travestis) no Congresso Nacional, aproveitou para convocar seus seguidores para se juntar a ele em sua guerra particular. Jean obteve respostas diversas: angariou o apoio previsível de seus seguidores militantes da causa gay, e provocou a reação de inúmeros outros usuários da rede social, indignados com as ofensas do parlamentar aos cristãos e com seus ataques à liberdade de expressão, religião e comunicação.

Jean promove uma campanha de censura a usuários do Twitter que são contrários às idéias que ele defende, como o "casamento" homossexual, as cartilhas de suposto combate à "homofobia" do MEC (mais conhecidas como Kit Gay) e o PLC 122/2006 (lei da mordaça gay), projeto de lei que pretende transformar em crime qualquer crítica ou oposição ao comportamento homossexual ou às pretensões do lobby gay.

Uma das primeiras vítimas da campanha censória de combate ao cristianismo deflagrada por Jean Wyllys foi o usuário Carlos Vendramini.

Valendo-se do direito que qualquer cidadão possui em uma democracia, Vendramini fez, no Twitter, críticas ao Kit Gay, ao PLC 122/06 e a outros projetos gayzistas e aos parlamentares que os apóiam, como Jean Wyllis, Marta Suplicy e Cristovam Buarque, dentre outros. Incomodado com as críticas, o deputado disse, em seu blog, que estava acionando advogados da Frente LGBT para censurar o perfil de Vendramini, que Jean imagina ser "membro fundamentalista de uma parcela conservadora da direita católica em São Paulo" (sic) e estar praticando "perseguição" a ele.

O perfil de Vendramini no Twitter, @crfvendramini, foi censurado na quinta-feira, 17/03/2011. Também sua página no Facebook foi eliminada, sem nenhuma justificativa, havendo a possibilidade de ter sido hackeada.

A censura imposta por Jean Wyllys a Carlos Vendramini provocou inúmeras reações no Twitter na sexta-feira, a maioria delas de repúdio à ação do deputado e em apoio ao usuário que teve seu perfil eliminado.

Alguns participantes do Twitter tentaram entrar em contato com Carlos Vendramini por e-mail, mas não obtiveram resposta, e se mostram preocupados com o que mais pode ter acontecido, já que ele vinha recebendo ameaças de ativistas gays que diziam estar "de olho" nele e em outros usuários que criticam os projetos e exigências da militância homossexual.

Informações relacionadas:

Patrulheiros da Gaystapo promovem censura, perseguição e cyberbullying. Censuraram o @crfvendramini e molestam vários outros usuários do Twitter.
http://www.tweetdeck.com/twitter/livrexpress/~7NzEe

A ameaca que @crfvendramini sofreu publicamente via Twitter pela GAYSTAPO foi executada. Carlos Vendramini está DESAPARECIDO.
http://www.tweetdeck.com/twitter/1CaRioquinha/~zmtAj

ATUALIZAÇÃO 21/03/2011

Após a censura ao Twitter e ao Facebook de Carlos Vendramini, seu blog Distopia Revelada ainda permaneceu no ar por alguns dias. Na madrugada de hoje (21/3), foi constatado que o blog também já não estava mais disponível.


http://liberdadedeexpressao.multiply.com/reviews/item/356


Ver também comentários em:

http://pranselmomelo.blogspot.com/2011/03/deputado-gay-jean-wyllys-declara-guerra.html


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RE: Carlos Renato Fortes Vendramini: DESAPARECIDO pela Gaystapo?
Sunday, March 20, 2011 11:11 PM
From: "Defesa Hetero" defesa_hetero@yahoo.com

Cara irmã Jaqueline,

Sou o presidente da ADHT – Associação para Defesa de Heterossexuais e ajuda a homossexuais e do genero que desejam deixar a pratica da homossexualidade. Tomei conhecimento do fato já, mas precisaria saber qual a cidade que o Carlos Vendramini é para que eu possa acionar nossos representantes e gostaria de saber se alguém já colocou um advogado para forçar o Twiter e Facebook recolocar os artigos dele e o gmail cortar o email dele.

Favor informar o mais breve possivel.

Obrigado,

ADHT – Associação para Defesa dos Heterossexuais

Pr.Dr. Alberto Thieme

Presidente


From: Jaqueline Marwick [mailto:jaq123@gmail.com]
Sent: Sunday, March 20, 2011 12:19 AM
Subject: Carlos Renato Fortes Vendramini: DESAPARECIDO pela Gaystapo?

Estou enviando esse email para as pessoas que acredito serem preocupadas com a Liberdade de expressão para todos.

OREM PELA INTEGRIDADE FÍSICA de Carlos Renato Fortes Vendramini.

Blog: http://distopiarevelada.blogspot.com/

Email: carlosrfvendramini@gmail.com

Twitter: http://twitter.com/crfvendramini

Que passos podemos tomar se um Cristao amigo nosso foi ameaçado de ter o perfil do twitter deletado pela frente de Gays e Lésbicas Bissexuais e Travestis?

Nosso amigo e irmão Carlos Vendramini foi acusado de ser Católico conservador (como se isso fosse um crime), acusado de discordar da lei PLC 122 e acusado falsamente de perseguir o novo deputado líder homossexual e ex participante do reality show Big Brother Jean Wyllis.

O ex participante do reality show Big Brother Brasil se tornou político defensor da " luta" por direitos dos gays e publicamente afirmou que ia acionar " advogados" para fechar a conta do Vendramini por dizendo que ele é de uma parcela conservadora Católica de São Paulo e que "perseguiu" a ele e `a Sra Marta Suplicy e Sr Cristovam Buarque. Com certeza se opor a projetos defendidos por essas pessoas foi o suficiente para que o acusassem dessa mentira.

Vendramini costumava postar artigos pró-vida, e ontem seu perfil no Twitter e Facebook desapareceram.

Seu email foi hackeado e está nas mãos do movimento de Gays e Lésbicas.

O crime de Vendramini foi se opor `a distribuição do kit gay nas escolas primárias.

Carlos Vendramini não tem inimigos e não tem motivo algum para repentinamente e sem avisar, remover suas contas na rede social.

Desconfio que nosso amigo sumiu e pode estar fisicamente em poder dessas pessoas.

Não só no Oriente Médio mas em países Cristãos, Cristãos têm sido ameaçados e perseguidos pelos verdadeiros torturadores.

Há muita gente preocupada com o sumiço do Carlos Vendramini.

Será que a Frente Parlamentar Evangélica pode o ajudar?

Ou seria esse também um caso de polícia?

Até quando se pode esperar antes de denunciar/reportar o desaparecimento dele?

Jaqueline

Declaração Universal dos Direitos da Água

Bacia Amazônica


DECLARAÇÃO UNIVERSAL dos DIREITOS da ÁGUA

A ONU redigiu o documento intitulado "Declaração Universal dos Direitos da Água" em 22 de março de 1992 - Todos nós devemos conhecê-lo.

1 - A água faz parte do patrimônio do planeta. Cada continente, cada povo, cada nação, cada região, cada cidade, cada cidadão, é plenamente responsável aos olhos de todos.

2 - A água é a seiva de nosso planeta. Ela é condição essencial de vida de todo vegetal, animal ou ser humano. Sem ela não poderíamos conceber como são a atmosfera, o clima, a vegetação, a cultura ou a agricultura.

3 - Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados. Assim sendo, a água deve ser manipulada com racionalidade, precaução e parcimônia.

4 - O equilíbrio e o futuro de nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente para garantir a continuidade da vida sobre a Terra. Este equilíbrio depende em particular, da preservação dos mares e oceanos, por onde os ciclos começam.

5 - A água não é somente herança de nossos predecessores; ela é, sobretudo, um empréstimo aos nossos sucessores. Sua proteção constitui uma necessidade vital, assim como a obrigação moral do homem para com as gerações presentes e futuras.

6 - A água não é uma doação gratuita da natureza; ela tem um valor econômico: precisa-se saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo.

7 - A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada. De maneira geral, sua utilização deve ser feita com consciência e discernimento para que não se chegue a uma situação de esgotamento ou de deterioração da qualidade das reservas atualmente disponíveis.

8 - A utilização da água implica em respeito à lei. Sua proteção constitui uma obrigação jurídica para todo homem ou grupo social que a utiliza. Esta questão não deve ser ignorada nem pelo homem nem pelo Estado. 9 - A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social. 10 - O planejamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em razão de sua distribuição desigual sobre a Terra.

Falta de água pode afetar até 55% das cidades até 2015

Levantamento pretende orientar o planejamento da gestão de águas nos municípios
DA REDAÇÃO CLICK21 - Dono do maior potencial hídrico do planeta, o Brasil corre o risco de chegar em 2015 com problemas de abastecimento de água em mais da metade dos municípios. O diagnóstico está no Atlas Brasil – Abastecimento Urbano de Água, lançado nesta terça-feira (22) pela Agência Nacional de Águas (ANA). O levantamento mapeou as tendências de demanda e ofer-ta de água nos 5.565 municípios brasileiros e estimou em R$ 22 bilhões o total de investimentos necessários para evitar a escassez.
Considerando a disponibilidade hídrica e as condições de infraestrutura dos sistemas de produção e distribuição, os dados revelam que em 2015, 55% dos municípios brasileiros poderão ter déficit no abastecimento de água, entre eles grandes cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Porto Alegre e o Distrito Federal. O percentual representa 71% da população urbana do país, 125 milhões de pessoas, já considerado o aumento demográfico.


“A maior parte dos problemas de abastecimento urbano do país está relacionada com a capacidade dos sistemas de produção, impondo alternativas técnicas para a ampliação das unidades de capta-ção, adução e tratamento”, aponta o relatório.


O diretor-presidente da ANA, Vicente Andreu, disse que o atlas foi elaborado para orientar o pla-nejamento da gestão de águas no país. Segundo ele, como atualmente mais de 90% dos domicílios brasileiros têm acesso à rede de abastecimento de água, a escassez parece uma ameaça distante, como se não fosse possível haver problemas no futuro. “Existe uma cultura da abundância de água que não é verdadeira, porque a distribuição é absolutamente desigual. O atlas mostra que é preciso se antecipar a uma situação para evitar que o quadro apresentado [de déficit] venha a ser consoli-dado”, avalia.

De acordo com o levantamento, as regiões Norte e Nordeste são as que têm, relativamente, os ma-iores problemas nos sistemas produtores de água. Apesar de a Amazônia concentrar 81% do po-tencial hídrico do país, na Região Norte menos de 14% da população urbana é atendida por siste-mas de abastecimento satisfatórios. No Nordeste, esse percentual é de 18% e a região também concentra os maiores problemas com disponibilidade de mananciais, por conta da escassez de chuvas.
Investimento

O documento da ANA calcula em R$ 22,2 bilhões o investimento necessário para evitar que o desabastecimento atinja mais da metade das cidades brasileiras. O dinheiro deverá financiar um conjunto de obras para o aproveitamento de novos mananciais e para adequações no sistema de produção de água.

A maior parcelas dos investimentos deverá ser direcionada para capitais, grandes regiões metro-politanas e para o semi-árido nordestino. “Em função do maior número de aglomerados urbanos e da existência da região do semi-árido, que demandam grandes esforços para a garantia hídrica do abastecimento de água, o Rio de Janeiro, São Paulo, a Bahia e Pernambuco reúnem 51% dos investimentos, concentrados em 730 cidades”, detalha o atlas.

“Esperamos que os órgãos executores assumam o atlas como referência para os projetos. Ele é um instrumento de planejamento qualificado, dá a dimensão de onde o problema é grande e preci-sa de grandes investimentos e onde é pequeno, mas igualmente relevante”, pondera Andreu.

Além do dinheiro para produção de água, o levantamento também aponta necessidade de investi-mentos significativos em coleta e tratamento de esgotos. O volume de recursos não seria suficien-te para universalizar os serviços de saneamento no país, mas poderia reduzir a poluição de águas que são utilizadas como fonte de captação para abastecimento urbano.

Andreu espera que o diagnóstico subsidie a elaboração de projetos integrados, compartilhados entre os órgão executores. “Ao longo do tempo, o planejamento acabou se dando apenas no âmbi-to do município, que busca uma solução isolada, como se as cidades fossem ilhas. É preciso bus-car uma forma de integração, de planejamento mais amplo, preferencialmente por bacia hidrográ-fica”, sugere o diretor-presidente da agência reguladora. “Ainda não estamos no padrão de cultu-ras que já assumiram mais cuidado com a água. Mas estamos no caminho, e o atlas pode ser um instrumento dessa mudança”.

A Revolução de 31 de Março de 1964 - palestra no Clube Militar

Clique na imagem para ampliar

segunda-feira, 21 de março de 2011

A presidenta foi estudanta?


A presidenta foi estudanta?

Existe a palavra: PRESIDENTA?

Que tal colocarmos um "BASTA" no assunto?

Miriam Rita Moro Mine - Universidade Federal do Paraná

Tenho notado, assim como aqueles mais atentos também devem tê-lo feito, que
a candidata Dilma Roussef e seus apoiadores, pretendem que ela venha a ser a
primeira presidenta do Brasil, tal como atesta toda a propaganda política
veiculada na mídia.

Presidenta???

Mas, afinal, que palavra é essa totalmente inexistente em nossa língua?

Bem, vejamos:

No português existem os particípios ativos como derivativos verbais. Por
exemplo: o particípio ativo do verbo atacar é atacante, de pedir é pedinte,
o de cantar é cantante, o de existir é existente, o de mendicar é
mendicante... Qual é o particípio ativo do verbo ser? O particípio ativo do
verbo ser é ente. Aquele que é: o ente. Aquele que tem entidade.

Assim, quando queremos designar alguém com capacidade para exercer a ação
que expressa um verbo, há que se adicionar à raiz verbal os sufixos ante,
ente ou inte.

Portanto, à pessoa que preside é PRESIDENTE, e não "presidenta",
independentemente do sexo que tenha. Se diz capela ardente, e não capela
"ardenta"; se diz estudante, e não "estudanta"; se diz adolescente, e não
"adolescenta"; se diz paciente, e não "pacienta".

Um bom exemplo do erro grosseiro seria:

"A candidata a presidenta se comporta como uma adolescenta pouco pacienta
que imagina ter virado eleganta para tentar ser nomeada representanta.
Esperamos vê-la algum dia sorridenta numa capela ardenta, pois esta
dirigenta política, dentre tantas outras suas atitudes barbarizentas, não
tem o direito de violentar o pobre português, só para ficar contenta".

Por favor, pelo amor à língua portuguesa, repasse essa informação...

Miriam Rita Moro Mine

UFPR

A revolta de Atlas


Senhores,

O artigo à epígrafe foi fruto de haver lido a maravilhosa obra de Ayn Rand e ter recebido sugestão para eu me manifestar sobre ela, principalmente sobre às diferenças entre o Objetivismo randiano e a Praxedologia misesiana no campo social. Creio que levantei as principais. São meus de vistas .... espero que gostem...

Abraços

Peringer


A Revolta de Atlas: objetivismo x praxeologia

por Alfredo Marcolin Peringer*

Ayn Rand consubstanciou a 'Pedra Filosofal' da sua teoria Objetivista na magnum-opus Atlas Shrugged, traduzida recentemente pelo Instituto Millenium com o título de A Revolta de Atlas. Atlas, gigante da mitologia grega, representa no enredo as indústrias e demais atividades privadas, obrigadas a suportar nos ombros um pesado fardo estatal, via altos impostos e regras igualitárias e restritivas. Com a maestria de uma grande dramaturga, Rand envolve a obra com mistérios e tramas que cativam completamente o leitor, dando-lhe a impressão de que não está lendo uma obra filosófica, mas apenas um atrativo romance. Ademais, simplifica a teoria objetivista ao dividi-la em três grandes axiomas: existência, identidade e consciência. A vida é o axioma maior, principal objetivo moral do homem e que dá suporte aos demais valores morais para mantê-la. Rand, aristotélica confessa, explica, pela ‘lei de identidade’, que a realidade existe, é objetiva, e não pode ser falseada. Pela “lei de causalidade”, relaciona as identidades (boi e sapato, minério de ferro e automóvel), deixando implícito o concurso da mente humana, via ações produtivas, na transformação de uma identidade na outra. Nessa metamorfose é identificada a impossibilidade de haver consumo de maneira consistente sem que tenha havido antes produção. A Consciência, com a interação de três valores objetivos adicionais — razão, determinação e amor próprio — responde pelas ações e escolhas do Homem, necessárias à sua sobrevivência. No processo, os custos diretos e indiretos impostos pelo governo são considerados imorais e levam, com o tempo, à destruição social. Essa é a interpretação social objetivista.

A Praxeologia, por outro lado, ciência da ação humana, desenvolvida por Ludwig Von Mises, sustenta que o indivíduo age buscando substituir uma situação menos satisfatória por outra mais satisfatória. Nessa ação ele ignora as propriedades físicas ou químicas dos bens: a satisfação é obtida pelos valores subjetivos deles. Não contesta os valores normativos da Ética à conduta humana, até porque as ações praxeológicas estão conectadas, de maneira indissociável, aos valores morais, assim como aos limites impostos pela natureza. Porém, discorda que os valores objetivos possam explicar, cientificamente, as ações humanas. Ainda que aceite o alto valor moral da água à vida, a satisfação do Homem não está na totalidade desse bem, nem na sua constituição química ou física, mas numa pequena porção dela, em valores subjetivos. Aliás, sem essa subjetividade, não há possibilidade de haver comércio, nem preço, nem mercado, quanto mais ciência econômica.

Uma divergência mais forte entre as teorias refere-se à formação do conhecimento. No Objetivismo, a matéria-prima do conhecimento é a realidade objetiva, captada pela percepção sensorial. Na Praxeologia, o conhecimento vem a priori dessa realidade, não estando sujeito às comprovações empíricas, nem às regras de falseabilidade popperianas. Sabe-se, a priori, por exemplo, que todo imposto é um mal econômico e social e que essa verdade não consegue ser falseada, principalmente por dados estatísticos, como sói acontecer. Aliás, nesse aspecto, os praxeologistas seguem a máxima de Benjamin Disraeli: "há três tipos de erros: mentiras, mentiras detestáveis e estatísticas”.

Usando a realidade brasileira como padrão, caso A Revolta de Atlas fosse escrita por um praxeologista misesiano, os agentes privados, no papel de Atlas, não se revoltariam, nem fariam greve ou abandonariam suas empresas, deixando o governo à míngua, como Rand procede no romance. Não há prejuízo praxeológico aparente a esses agentes, que os levem a agir assim. Eles têm a liberdade de transferir os impostos aos preços finais dos bens ou de reduzir a produção, a renda e os empregos, adequando-os à menor demanda. Em ambos os casos, a maldade tributária fica difusa, enfraquecendo a resposta praxeológica. Mas a apatia da ação humana é mais forte no caso dos impostos indiretos. Embutidos nos preços, eles ficam ocultos, passando despercebidos aos consumidores. O resultado é um meio privado frágil e inerte e um meio burocrático forte e ativo, com alto poder de expropriação. Incentivado pelos gastos, as ações praxeológicas desse grupo crescem incontrolavelmente. E é completamente irrelevante, ao caso, se nas ações governamentais “as questões de verdadeiro e falso não entram em jogo; os princípios não têm qualquer influência; a lógica é impotente e a moralidade é supérflua”, narrado por Rand (P. 142, Volume III). Afinal o homem é o mesmo, esteja no serviço público ou privado. As suas ações também não são regidas por princípios éticos globais, mas pela realidade subjetiva cotidiana.

Infelizmente, o estudo praxeológico nos conduz às mesmas previsões catastróficas do Objetivismo, considerando o caso de “Atlas não se revoltar”: destruição econômica e social, ruptura da ordem democrática e assunção do oportunismo estatista totalitário. É questão de tempo...

* http://www.professorperinger.blogspot.com/