MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

O Facebook derrubou o faraó


O Facebook derrubou o faraó

Félix Maier (*)

Os recentes acontecimentos observados no Egito e outros países árabes foram descritos pela revista Istoé como as “Revoluções pela Internet”. No Egito, a queda de braço entre os manifestantes e Hosni Mubarak, desde o dia 25 de janeiro, ocasionou a renúncia do presidente no dia 11 de fevereiro, após um saldo de mais de 300 mortos.

Tudo começou na Tunísia, quando um vendedor ambulante ateou fogo ao próprio corpo, em protesto contra a truculência da polícia. As redes sociais, como o Facebook e o Twitter - além dos telefones celulares - foram os principais meios utilizados para reunir os manifestantes tunisianos e culminou na renúncia do presidente Zine El-Abidine Ben Ali, que fugiu para o exílio após surrupiar o erário. Num efeito dominó, os “anseios da rua árabe” se alastraram ao Marrocos, Mauritânia, Iêmen, Omã, Egito, Sudão, Líbia, Jordânia, Argélia e Bahrein, com reflexos até na Tailândia e no Irã. O regime comunista da China tratou de apagar a palavra “Egito” nas pesquisas do Google. Segundo a ONU, já existem 2 bilhões de internautas e 5,3 bilhões de celulares em nosso planeta.

Eu, particularmente, torço para que ocorra uma “revolução” similar em Cuba. Infelizmente, isso é praticamente impossível, já que na Ilha a Internet é precária e censurada, com serviço regular só disponível para os que lá vão fazer turismo, incluindo o sexual, como ocorre com os petistas e tipos como o ator Jack Nicholson, que ficam encantados com aquele país, que se deliciam com tragos de mojitos antes e baforadas de havana depois de fogosas montadas nas jineteras locais...

A propósito, a blogueira cubana Yoani Sánchez, em artigo no Estadão (13/2), assim escreveu: “A cena durou alguns segundos na tela, um clarão fugaz que nos gravou na retina a imagem de milhares de pessoas protestando nas ruas do Cairo. A situação era descrita pela voz empostada de um locutor cubano, que sustentava que a crise do capitalismo havia feito explodir o inconformismo no Egito e as diferenças sociais estavam afundando o governo. (...) A alusão entre nós à prolongada permanência no poder de Hosni Mubarak foi – como observa o cancioneiro popular – o mesmo que ‘falar de corda em casa de enforcado’ ”.

A revista Época afirmou que se trata de “O grito árabe pela democracia”. Entre os 22 países que compõem a Liga Árabe, apenas o Líbano tem um governo considerado democrático, embora precário – além do laboratório americano chamado Iraque, que ainda é uma incógnita. Pode até ser um grito pela democracia, embora seja uma democracia diferente da que conhecemos no Ocidente. O verdadeiro grito dessas massas é contra o desemprego, a miséria endêmica e a corrupção generalizada de governantes que vivem no luxo extremo, com contas secretas no exterior, e com o apoio de um sistema policialisco só visto em ditaduras. A gota d’água no Egito foi a intenção de Mubarak fazer seu sucessor o filho Gamal Mubarak, numa espécie de dinastia existente na Coreia do Norte e em Cuba.

O principal local das manifestações egípcias foi a Praça Tahrir, um nome bem sugestivo, pois significa “Libertação”, onde também ficam o Museu Egípcio e o temido Ministério do Interior. Entre Tahrir e a torre da TV estatal fica a embaixada do Brasil, de onde, provavelmente, tivemos as primeiras imagens vistas no Brasil, restritas a um trecho da avenida Corniche El-Nil e ao local de atracação das barcas, nas margens do Nilo.

Os protestos iniciais, de 25 de janeiro, foram convocados no Facebook, pela página Somos Tudo o Que Khaled Disse, uma referência ao jovem Khaled Said, espancado até a morte por policiais em Alexandria, em junho de 2010. Outro grupo, também nascido no Facebook, em 2008, é o Movimento Jovem 6 de Abril, com origem na cidade fabril de Mahalla.

A reação do regime foi convocar partidários, que utilizaram cavalos e camelos para fustigar os manifestantes, além de atirar pedras e destroços do alto dos prédios. Esse ataque da “camelaria ligeira” foi o último ato que tentou salvar o faraó e irá passar à história como um fato burlesco do tipo “brancaleone”.

O Egito, com cerca de 85 milhões de habitantes, é um país superpopuloso. Quase a totalidade dessa população habita os 4% de suas terras férteis – o Vale do Nilo e o Delta. O país é mais ou menos do tamanho do Pará. Imagine 85 milhões de pessoas vivendo às margens do Amazonas, dentro do Pará, incluindo a Ilha de Marajó!

O país importa 2/3 dos alimentos. Do Brasil importa, principalmente, carne bovina, frango e açúcar. Com um PIB de 180 milhões de dólares, as principais fontes de divisas fortes são obtidas pela cobrança de taxas dos navios que navegam pelo Canal de Suez, pelo turismo e pela exportação de petróleo e gás, em pequena quantidade.

O governo Hosni Mubarak era uma ditadura de fato sob uma roupagem democrática. O Egito (Misr, em árabe) é uma república presidencialista desde 1953. O Parlamento egípcio, unicameral, com 454 deputados, é chamado de Assembleia do Povo, uma denominação de origem socialista. De acordo com a Constituição de 1971, a cada 6 anos um candidato a presidente é apontado por pelo menos 1/3 dos deputados. Esse nome deve ser confirmado por pelo menos 2/3 dos parlamentares. Só um nome é apontado para ser escolhido em plebiscito pelo povo. Como o Partido Nacional Democrático, ao qual Mubarak pertencia, é o mais forte do país, este passou a ser indicado a presidente indefinidamente, desde a morte de Anwar Sadat, ocorrida em 1981. Com uma Lei de Emergência imposta ao Egito desde a morte de Sadat, Mubarak tinha amplos poderes sobre o país e as Forças Armadas, podendo dissolver o Parlamento quando quisesse. Tinha também direito de indicar 10 membros do Parlamento e nomear os dirigentes das governadorias (províncias) do Egito, compostos principalmente por militares de altas patentes. Mubarak era, de fato, um faraó, um Ramsés dos tempos modernos, como já havia escrito no livro de minha autoria, EGITO.

O Egito milenar, berço de nossa civilização junto com a Grécia, após as dinastias faraônicas foi dominado por diversos povos: persas, gregos, romanos, bizantinos, árabes, franceses, ingleses e turcos otomanos. Com a Revolução de 1952, promovida pelo Movimento dos Oficiais Livres, o Rei Farouk foi obrigado a abdicar em nome de seu filho, Fuad. Em 18 de junho de 1953, foi proclamada a República, presidida pelo general Muhammad Naguib. Em 1954, o coronel Gamal Abdel Nasser obriga Naguib a renunciar e assume o governo. Em 1956, depois da retirada das tropas britânicas do país, Nasser nacionalizou o Canal de Suez, ocasionando uma guerra contra Israel, que invadiu a Faixa de Gaza e o Sinai. Para implementar a paz, foram enviadas as Forças de Emergência das Nações Unidas (UNEF) na região, com participação de boinas azuis brasileiros, que chegaram em Port Said em 4 de fevereiro de 1957. Em 1958, o Egito, a Síria e o Iêmen formam a República Árabe Unida, que teve vida efêmera. O Egito viria a sofrer outra derrota humilhante, em 1967, na chamada Guerra dos Seis Dias, quando Israel novamente tomou a Faixa de Gaza e o Sinai, além das Colinas de Golã, na Síria. Nasser, apesar das derrotas militares, foi o maior líder do Egito moderno. Até hoje é considerado um mito naquele país.

Em 1970, assume a presidência Anwar Al-Sadat. Ao contrário de Nasser, que havia nacionalizado quase toda a produção egípcia, sob influência soviética, Sadat começa a introduzir no Egito a infitah, a abertura econômica, e começa a aproximação com o Ocidente, principalmente com os EUA. Em 1972, Sadat expulsa do país cerca de 20 mil “conselheiros” soviéticos. Vale lembrar que a represa de Assuã foi construída por Moscou.

O Egito e a Síria, com apoio dos países árabes, atacaram Israel no dia 6 de outubro de 1973, iniciando a Guerra do Ramadã, como é conhecida entre os egípcios, ou Guerra do Yom Kippur (Dia do Perdão), como é conhecida em Israel e no Ocidente. Essa guerra levantou a moral de todo o povo egípcio, devido às vitórias iniciais que quase varreram Israel do mapa. Hoje, no Egito, 6 de outubro é feriado nacional e nome de importante ponte sobre o Nilo no Cairo. Existe também a Cidade Seis de Outubro, criada em pleno deserto, ao sul do Cairo, onde existem vários complexos industriais para desafogar o Grande Cairo. As guerras contra Israel tornaram o Egito pobre e o êxodo rural aumentou espantosamente, inchando o Cairo, com protestos da população frente à carestia, gerando prisões em massa, em 1977. Desde então, as massas ficaram caladas, voltando às ruas somente neste início de ano.

Em 1979, Sadat assinou um Acordo de Paz com Israel, que redundou na devolução do Sinai, só efetivado em 1982. A Faixa de Gaza foi rejeitada pelo Egito, ficando esse pequeno território, altamente povoado e explosivo, sob administração israelense. Esse acordo, aliado à política econômica de Sadat, além de ter abrigado no país o deposto Xá do Irã, revoltou ainda mais os extremistas egípcios. Na parada militar de 6 de outubro de 1981, Sadat foi morto, sob os gritos eufóricos de seu assassino: “Eu matei o faraó!” Além do Egito, só a Jordânia mantém um acordo de paz com Israel no mundo árabe.

Assume então a presidência o vice de Sadat, o marechal Hosni Mubarak, herói da Guerra do Ramadã, quando era comandante da Força Aérea. Ele procurou manter a linha político-econômica de Sadat e se tornou importante aliado dos EUA, que ainda remetem, a fundo perdido, cerca de US$ 1,5 bilhão por ano a este que é considerado o maior ativo estratégico da região. Um exemplo desse alinhamento com os americanos observou-se na Guerra do Golfo, em 1991, quando o Egito integrou as forças aliadas contra Saddam Hussein, que tinha invadido o Kuwait.

A rejeição contra Mubarak, nas últimas décadas, era maior por parte dos fundamentalistas islâmicos, como a Irmandade Muçulmana, que promoveram atentados às autoridades egípcias, aos cristãos coptas e, desde 1992, a turistas estrangeiros, como o observado no templo da rainha Hatshepsut, em Deir al Bahri, no Alto Egito, quando, em 1997, mais de 60 turistas foram metralhados pelo Grupo Islâmico. Outro ataque violento, reivindicado pel Al-Qaeda, com 88 mortos, foi contra um hotel de luxo no paradisíaco balneário de Sharm E-Sheikh, em 2006, no sul do Sinai, no Mar Vermelho, para onde Mubarak se refugiou após a renúncia. Durante seu governo, Mubarak sofreu uma dezena de atentados, incluindo um no exterior, em Adis- Abeba, em 1995. Com mão de ferro, Mubarak conseguiu neutralizar os ataques terroristas, enforcando muitos radicais islâmicos. No Egito, essa é a modalidade de pena de morte, normalmente aplicada a homicidas, traficantes de drogas e estupradores. Nessa empreitada repressiva, Mubarak teve a ajuda inestimável do chefe da temível Mukhabarat (camisa escura), o serviço secreto chefiado por Omar Suleiman, nomeado vice-presidente no início dos protestos egípcios.

Mubarak não conseguiu diminuir a pobreza no país, onde, diz-se, 50% da população vive com o equivalente a 2 dólares, nem conseguiu criar empregos para a massa humana que cresce 2 milhões a cada ano, deixando milhares de jovens sem perspectiva de melhoria de vida. A inflação e a taxa de desemprego são muito superiores aos índices oficiais, alardeados como 11% e 9%, respectivamente – uma manipulação comum em regimes autoritários. É um caldo extremamente favorável aos extremistas, como a Irmandade Muçulmana, que presta assistência social nos moldes do Hamas em Gaza, do Hezbollah no Líbano e da Al-Qaeda na Bósnia e no Afeganistão. Assim, compreende-se a apreensão do mundo democrático frente à possibilidade do Egito cair nas mãos dos clérigos sunitas, que têm por objetivo transformar o país numa teocracia regida estritamente pela Sharia, a exemplo do Irã e do Sudão. Por que não se observaram esses levantes nos ricos países do Golfo Pérsico, como o Kuwait e os Emirados? Porque lá a maioria da população tem uma vida decente e pouco se lixam para dinastias corruptas que governam há séculos.

Mubarak quase consegue realizar a proeza de um Ramsés II, que governou o Egito por ainda mais décadas. Só faltou o novo faraó morrer e ser mumificado. Porém, o povo egípcio se cansou do regime, que desde o início da República impôs 4 presidentes militares. Ocorre que os tempos são outros, não existem mais guerras contra Israel, nem ataques terroristas sendo perpetrados no país, apenas a guerra diária pela comida e por uma dignidade humana elementar.

Engana-se quem pensa que o Egito irá se tornar uma democracia. Isto não existe em nenhum país islâmico, a rigor nem mesmo no Líbano, um país que se tornou dividido e violento depois da guerra civil, onde uma milícia externa, o Hezbollah, com apoio da Síria e do Irã, tem grande representação parlamentar. Para haver democracia em um país, é necessário que haja ampla liberdade de opinião e respeito às diferenças étnicas, sociais e religiosas. O islamismo não prega o diálogo, mas o confronto. Não aceita a liberdade de culto religioso, porém tenta impor seu credo, eliminando os não-crentes. Prova disso são a emigração forçada de cerca de 25.000 judeus egípcios após a guerra de 1956 contra Israel, quando tiveram todos os bens confiscados, e os constantes ataques aos cristãos coptas, que têm suas lojas e suas igrejas incendiadas constantemente.

Provas da intolerância islâmica são os movimentos separatistas existentes na Chechênia, no Kosovo, no Sudão, na Cachemira. Os muçulmanos não se aculturam, porém sempre procuram impor sua cultura à força nos países para onde emigram. Por qualquer motivo, fazem levantes na França, onde já somam mais de 10 milhões de pessoas, com incitação à desordem promovida pelos sheiks nas mesquitas, incendiando prédios e carros, embora tenham ampla rede de amparo social naquele país, principalmente educação e saúde. Cospem no prato em que comem. Eles não irão sossegar até o dia em que consigam transformar a Europa na Eurábia, pois não têm receio de portar placas, em suas passeatas, com os dizeres “um dia, o mundo inteiro será islâmico” nos países que os acolheram, como a Grã-Bretanha, a Alemanha, a Bélgica e a França, principalmente.

Antigamente, o Catolicismo tinha um objetivo universal, de evangelizar todos os povos, muitas vezes à força. No século passado, esse objetivo foi perseguido pelo Movimento Comunista Internacional, que pretendeu socializar todos os meios de produção e escravizar todos os povos em nome do Leviatã estatal. Hoje é o Islamismo que tem esse objetivo estratégico, de criar um califado mundial, subjugando todos os povos aos preceitos de Alá. Um clérigo islamita falar em paz e cooperação com outras religiões é o mesmo que um petista falar em estado democrático de direito. É pura enganação.

John Laffin, no livro The Arab Mind, afirma: "A lei islâmica não reconhece a possibilidade de paz com descrentes e infiéis. A parte do mundo não-muçulmano é conhecida na teologia islâmica como território de guerra . A maior parte dos militantes muçulmanos acredita que a tarefa de Maomé não será bem-sucedida enquanto não-mu-çulmanos tiverem controle de qualquer parte do planeta". Ou seja, “território de guerra” é “território a ser conquistado”.

Mubarak foi um herói nacional, tinha inicialmente um grande respeito da população. Porém, aproveitou-se disso para se perpetuar no poder, como verdadeiro ditador, tornando-se onipresente, com fotos em inúmeros outdoors, com apoio da máquina de triturar carne humana chamada Mukhabarat, livrando as Forças Armadas desse trabalho sujo. Por isso, o exército do Egito tem, ainda, uma força moral bastante elevada, necessária para comandar a transição para um novo governo.

O Facebook derrubou o faraó? De certa forma sim, considerando o relevante papel dessa rede social, para reunir os manifestantes que pediam a queda do ditador. Se Mubarak, ao renunciar, não passou ou não conseguiu passar a presidência a seu substituto constitucional, o fato é que houve simplesmente mais um golpe militar e ponto. O Conselho Supremo das Forças Armadas, presidido pelo antigo ministro da Defesa, Mohamed Hussein Tantawi - o preferido de Washington -, aboliu a Constituição, dissolveu o Parlamento, prometeu realizar eleições dentro de seis meses e retirou à força os últimos manifestantes da Praça Tahrir. Não aboliu a Lei de Emergência e vai governar mediante decretos. Com isso, as Forças Armadas se tornaram ainda mais poderosas no Egito, onde o Exército controla 30% do PIB.

O que vem pela frente é uma verdadeira esfinge egípcia a ser decifrada, já que o “democrata” Nobel da Paz que caiu de paraquedas na Praça Tahrir e se apresenta como o salvador da pátria, Mohamed El-Baradei, tem o apoio da Irmandade Muçulmana.


(*) O autor é militar da reserva e ensaísta. Viveu dois anos no Cairo, de 1990 a 92, e publicou EGITO – Uma viagem ao berço de nossa civilização, Thesaurus, Brasília, 1995. Alguns capítulos do livro podem ser lidos em http://www.webartigos.com/articles/519/1/Egito-Costumes-E-Curiosidades/pagina1.html, em 4 partes.


Obs.: Leia os textos postados por Félix Maier no site Usina de Letras - http://www.usinadeletras.com.br/exibelotextoautor.php?user=FSFVIGHM

Plano norte-americano para atacar o Brasil


Plano norte-americano de invasão ao Brasil

http://www.youtube.com/watch?v=cSwsseNmHmA&feature=related

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Revolução egípcia contra o Faraó Mubarak

O ENIGMA DO EGITO

03/02/2011

Nivaldo Cordeiro

http://www.nivaldocordeiro.net/

Preciso dizer ao caro leitor mais algumas palavras sobre a situação do Egito. O conflito evoluiu em desfavor do governo constituído, com as brigas de rua fazendo muitas mortes e a repressão militar caindo com mão pesada. Eu volto ao assunto porque li a coluna de Clóvis Rossi na Folha de São Paulo de hoje (O espírito de 1776), na linha da estupidez dos analistas de esquerda espalhados pelo mundo. Evidente que não há qualquer paralelo entre a Revolução Americana e a situação egípcia. Os EUA eram um país a construir e o Egito é um país islâmico, dos mais antigos.

Clóvis quis dar um tom heróico aos sublevados. Não há nada disso. No Egito só podemos esperar duas alterações políticas possíveis: ou se mantém o regime e assume um outro general ou assumem os revolucionários islâmicos, como foi feito no Irã. Fora disso é delírio perigoso de analisa torcedor, que se recusa a ver o real e prefere projetar miragens sobre os fatos.

O governo de Obama está em um conflito, entre a ética da consciência e ética da responsabilidade. É uma falsa armadilha, mas bem sabemos que Hillary Clinton e o próprio Obama devaneiam com uma solução democrática à moda ocidental para o Egito e demais países islâmicos. O que houve no Irã e depois no Iraque só demonstra que essa solução é impossível nos países islâmicos. Nunca devemos esquecer que as formas de governo construídas no Ocidente são a sua especificidade, de difícil reprodução. O fracasso no Iraque, depois de anos de ocupação, é a prova viva de que nem mesmo a ação estrangeira tem o poder de parir uma democracia islâmica. Mas ambos sabem que o perigo mudancista no Egito é imenso.

O Egito é país decisivo para que a paz entre islâmicos e israelenses se mantenha. Se eventualmente assumir um governo hostil a guerra pode ser questão de dias, talvez de horas. Não é brincadeira, pois o incêndio seria imediato e a conflagração poderia se generalizar.

Clóvis Rossi está tão inseguro de suas previsões que em três parágrafos busca apoio de outros analistas internacionais, igualmente comprometidos com a propaganda da causa revolucionária no meio islâmico. Estão todos errados. Preciso dizer que não apenas os interesses dos EUA estão em perigo, mas de todo o mundo. Um conflito generalizado entre Israel e o mundo islâmico arrastará consigo as potências, mesmo que elas não queiram. Análises erradas têm graves conseqüências, sobretudo por parte daqueles que têm responsabilidade de governo.


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O Globo

Batalha épica em praça egípcia

Thu, 03 Feb 2011 07:32:30 -0200

REVOLTA NO MUNDO ÁRABE

Mubarak envia partidários para atacar opositores. Três morrem e 1.500 se ferem após violentos confrontos

Fernando Duarte

Ironicamente, no dia em que os serviços de internet foram restabelecidos no Egito, a verdadeira face do regime de Hosni Mubarak foi mostrada ao mundo: partidários do governo infiltrados saíram às ruas, montados em cavalos e camelos, armados com facões, pedras e bastões, deflagrando uma batalha campal contra oposicionistas na Praça Tahrir, símbolo dos protestos que há dez dias sacodem o país. Os opositores revidaram, quebrando o calçamento e atirando blocos de cimento contra os manifestantes pró-Mubarak, derrubados e espancados.

Logo suplantados em número pelos opositores, os governistas infiltrados subiram em prédios, atirando do alto tijolos e coquetéis molotov contra a multidão perto do Museu Egípcio, incendiando uma de suas árvores. Nas portas dos edifícios, policiais à paisana impediam os opositores de entrar para deter os ataques.

Segundo o governo, três pessoas morreram e mais de 600 ficaram feridas. Mas médicos que atenderam os feridos diziam que o número passou de 1.500, com mesquitas servindo de hospitais. Os partidários de Mubarak, que chegaram em ônibus ao Centro, tiveram o reforço das autoridades e até cavalos e camelos, usados para investir com chibatadas contra a multidão. O Exército não impediu sua passagem e se restringiu a policiar o Museu Egípcio e a apagar as chamas.


Jornalistas são presos e agredidos

Desde cedo, as ruas do centro da capital receberam passeatas pró-Mubarak. Ainda que não seja anormal ver apoio ao presidente numa população de 80 milhões de habitantes, o timing levantou suspeitas.

Menos de 12 horas depois do discurso em que o presidente anunciou a decisão de não se candidatar nas eleições de setembro - e depois de ordenar que os opositores deixassem a praça -, pelo menos 20 mil pessoas estavam prontas para marchar com uma infinidade de cartazes com a foto de Mubarak e carros de som, algo nunca visto nos protestos de oposição. Mas a grande ajuda veio da polícia uniformizada e secreta, cujos agentes estavam atentos também aos jornalistas na passeata.

Embora alguns organizadores jurassem que o destino da multidão era a praça da mesquita Mustafa Mahmoud, que não é perto da Tahrir, logo foi tomado o rumo do local ocupado pela oposição.

- Não vamos brigar com ninguém, mas queremos mostrar ao mundo que Mubarak é um homem bom. Há muita gente querendo ver nosso país se transformar no Iraque, com terrorismo e ocupação de tropas americanas - disse o engenheiro Abdel Ali.

A visão de uma câmera de TV fazia com que os manifestantes exigissem mostrar seu apoio ao presidente, com uma jovem, nascida em 1981, o mesmo ano em que Mubarak assumiu o poder, declarando estar nas ruas para defender o homem que considerava seu verdadeiro pai. Para aumentar a adesão, foi declarado ponto facultativo em várias repartições públicas e, segundo relatos, houve ofertas de cachês de até 200 libras egípcias (o equivalente a R$56) para participantes.

Por volta de 14h, os primeiros grupos chegaram à praça e não demoraram 15 minutos para que houvesse os primeiros enfrentamentos. A ira dos partidários do governo também se dirigiu a jornalistas, incluindo o repórter da rede CNN Anderson Cooper, que recebeu socos e chutes na cabeça. Ele e sua equipe foram atacados quando atravessavam um grupo de manifestantes pró-governo. Um homem tentou arrancar a câmera da CNN, enquanto outros investiam contra a equipe. Em outro momento, um jornalista da TV al-Arabiya, de Dubai, foi atacado e desmaiou.

Jornalistas num dos hotéis próximos à Tahrir receberam a visita de seguranças armados, ordenando que ninguém filmasse ou tirasse fotos das sacadas. Quatro profissionais israelenses e um belga foram presos. O Comitê de Proteção aos Jornalistas, com sede em Nova York, acusou o governo egípcio de orquestrar os ataques, na tentativa de encobrir a verdade. "Condenamos os ataques e pedimos a todas as partes para evitar a violência contra jornalistas", disse um comunicado do CPJ. O governo, no entanto, classificou as acusações de envolvimento na repressão de "ficção".

Até o fim da noite de ontem ainda havia enfrentamentos, com ambulâncias tentando abrir caminho para socorrer os feridos. De acordo com a TV estatal, a ordem do Exército era evacuar a praça, que seria bloqueada.

- A atmosfera estava incrivelmente violenta, e os dois lados perderam as estribeiras. Mas passamos quase uma semana em Tahrir sem que ninguém ficasse ferido, manifestando de forma pacífica nosso desejo por democracia. Fomos atacados covardemente - disse Karim Ennarah, um dos manifestantes da oposição.


Cem brasileiros ainda estão no país

O embaixador do Brasil no Cairo, Cesare Mantonio, disse que será necessário repensar o esquema de atendimento aos brasileiros após os acontecimentos na Praça Tahrir - embora ainda não haja planos de evacuação já que o Aeroporto do Cairo permanece aberto. De acordo com a embaixada, há cerca de cem turistas brasileiros ainda no Egito, o mesmo número da população de residentes. Os problemas com os voos têm dificultado a saída, mas há quem reclame de falta de orientação, como a estudante Thaís Justen, que vive em Heliópolis, a dez quilômetros do centro, onde a falta de policiamento levou os moradores a formar milícias para evitar saques.

- Simplesmente me disseram para ficar em casa ou ir para o aeroporto esperar meu voo para o Brasil, que só na sai na sexta-feira.

Ontem, mais uma companhia aérea, a britânica BMI, anunciou a suspensão de serviços até segunda ordem.


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Estadão

Grupos pró-Mubarak atacam multidão e convertem praça em campo de guerra Thu, 03 Feb 2011 07:35:25 -0200

Choques deixaram pelo menos 3 mortos e mais de 639 feridos; grupos que apoiavam o governo seriam formados por funcionários públicos, policiais à paisana e pessoas que receberam o equivalente a cerca de R$ 30 para engrossar a turba que enfrentou opositores

Jamil Chade - O Estado de S.Paulo

O local símbolo das manifestações pelo fim da ditadura egípcia, a Praça Tahrir, no centro do Cairo, virou ontem um campo de batalha entre partidários e opositores do presidente Hosni Mubarak. Segundo o governo, os confrontos deixaram 4 mortos e mais de 1.500 feridos, sob um clima geral de pânico sem precedentes nos nove dias de manifestações.

Opositores, porém, afirmam que o número de vítimas foi maior. A ação, segundo eles, mostraria a contradição entre o discurso de Mubarak - que se comprometeu a promover reformas, dialogar com outras forças políticas e não concorrer à reeleição em setembro - e as práticas de seu aparato parapolicial. Pouco antes dos choques, a TV estatal tinha transmitido uma ordem oficial, cuja fonte não esclareceu, para que todos os manifestantes abandonassem a prática.

Em mais de sete horas de confronto - com trocas de pedradas, socos, chicotadas e coquetéis molotov, além de investidas com cavalos e camelos -, o Exército nada fez para conter os manifestantes dos dois lados e a polícia nem sequer apareceu. As primeiras ambulâncias surgiram apenas quatro horas depois. No início da madrugada, um prédio da Praça Tahrir foi incendiado.

O diplomata líder da oposição e Nobel da Paz Mohamed ElBaradei pediu que o Exército intercedesse para proteger a população. Ele também culpou o governo pelas mortes e disse que as cenas de violência são "atos de um regime criminoso". "Estou preocupado. Essa é outra indicação de um regime criminoso usando atos criminosos", disse.

Segundo o Estado apurou, parte dos manifestantes pró-regime recebeu o equivalente a R$ 30 para participar do protesto e outra parte era de policiais a paisana. Muitos ainda eram funcionários públicos que tiveram dispensa. Segundo membros da oposição, alguns eram criminosos soltos das prisões de segurança máxima.

O conflito entre os dois grupos de milhares de pessoas pretendia decidir quem controlaria a Praça Tahrir. Opositores afirmam que só sairão da praça "mortos", enquanto governistas prometiam "limpar" o local, que fica ao lado do Museu do Cairo.

Até a madrugada de hoje, os manifestantes antigoverno conseguiam aplacar a investida dos partidários do regime, resistindo com pedras e coquetéis molotov. As manifestações de apoio ao presidente começaram pela manhã em diversas partes do Cairo, formando uma grande marcha até a praça onde se concentravam os opositores.

Pouco após os dois grupos se encontrarem, uma chuva de paus e pedras teve início, sob gritos de horror das pessoas presas no meio da multidão. Dezenas tiveram a cabeça atingida e tentavam parar o sangue com suas próprias roupas.

Em seguida, cerca de 40 pessoas montadas em cavalos e camelos cavalgaram pela praça, chicoteando manifestantes contrários a Mubarak. Alguns foram derrubados e espancados.

Jornais independente do Cairo, que chegaram hoje às bancas, afirmam que a violência foi premeditada. Segundo eles, há dois dias, bairros pobres da periferia receberam a visita de policiais, que organizaram as gangues. As ordens teriam vindo do vice-presidente Omar Suleiman.


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O Globo

ONU: Brasil não trata do assunto Thu, 03 Feb 2011 07:32:54 -0200

NOVA YORK. O Conselho de Segurança da ONU, presidido neste mês pelo Brasil, está monitorando a situação no Egito mas ainda não tomou nenhuma medida nem mostra urgência em tratar do assunto. A data prevista para a reunião do Conselho sobre o Oriente Médio foi mantida para o dia 24, segundo a agenda anunciada ontem pela chefe da missão do Brasil na ONU, a embaixadora Maria Luiza Viotti, em sua primeira entrevista à imprensa internacional como presidente do conselho.

- A situação está sendo lidada no nível interno (no Egito), e o Conselho de Segurança é o último recurso. Não temos expectativa de convocação de reunião - disse.

Falando na capacidade de representante do Brasil, ela afirmou:

- Estamos acompanhado a situação muito de perto, esperamos que o Egito, uma nação irmã, seja capaz de fazer seu sistema político evoluir de uma maneira que atenda às aspirações do povo, com paz e estabilidade.

(F.G.)


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Alerta vermelho: o Hamas e a irmandade muçulmana do egito promovem a agitação social no cairo.

29 de janeiro de 2011

Fonte: stratfor.com

TRADUÇÃO DE FRANCISCO VIANNA

A matéria que segue abaixo é de uma reportagem da STRATFOR.com feita com dados obtidos de uma fonte direta ligada ao Hamas. O Hamas, o grupo terrorista que tomou conta de Gaza foi formado como uma extensão da Irmandade Muçulmana do Egito (IME); tem interesse em exagerar seu papel de coordenação com a IME nesta crise. As informações que se seguem não foram confirmadas. Não obstante, há muita preocupação crescendo em Israel – e nos Estados Unidos em particular – quanto ao papel da IME nas demonstrações populares e se uma abertura política será feita pela organização islâmica no Egito.

A polícia egípcia não está mais patrulhando a fronteira com a faixa de Gaza, o passo do Rafah. Homens armados do Hamas estão entrando e saindo livremente do Egito e há uma estreita colaboração do grupo palestino com a IME. A irmandade islâmica se engajou completamente nas manifestações de rua pedindo a saída de Osni Mubarak, e o grupo parece satisfeito com a queda do gabinete de governo. Ambos, Hamas e IME insistem num novo gabinete de governo que não inclua membros do partido governista, o Partido Nacional Democrático.

As forças de segurança à paisana estão empenhadas em destruir propriedade pública, a fim de dar a impressão de que muitos manifestantes representam uma ameaça pública. A IME está, enquanto isso, formando comitês de proteção das propriedades públicas e também coordenando as atividades dos manifestantes, inclusive fornecendo-lhes alimentos, bebidas e primeiros socorros.

Tudo leva a crer que a irmandade islâmica, juntamente com o Hamas, tem como objetivo transformar o Egito numa república islâmica nos moldes do Irã ou da Síria. Com isso, o contrabando de armas e peças de foguetes nunca foi tão livre e intenso do Egito para a Faixa de Gaza pelo Passo de Rafah.

Se tal situação se agravar, Israel poderá tomar de volta a Faixa de Gaza pela força das armas, mesmo na eventualidade de uma guerra contra um futuro e eventual estado clerical islâmico no Egito. Os EUA e a União Européia monitoram a situação no Cairo com atenção e apreensão redobradas.

Saudações,

Francisco Vianna

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FARTOS DO FARAÓ

Por: Javier Valenzuela para o jornal espanhol ‘El País’

TRADUÇÃO DE FRANCISCO VIANNA

Sexta feira, 28 de janeiro de 2011

MADRI – Em 2003, os egípcios, como a maioria de seus irmãos árabes, foram unânimes: recusaram a pretensão de Bush e, "levar a democracia" ao Iraque por meio de bombardeios, mísseis e carros de combate, conforme disse o autocrata Osni Mubarak, que trazia a sua conta. Também disseram o mesmo os muçulmanos mais moderados, considerando a pretensão americana uma ingerência – uma espécie de cruzada judaico-cristã nos assuntos internos da umma (*). E o disseram em e bom som os reformistas e democratas, como o escritor Naguib Mahfouz, o cineasta Youssef Chahine e o sociólogo Diaa Rachwan.

A estes últimos, como costuma ser, pouca atenção mereceram tanto nos Estados Unidos como na Europa. E, de fato, o que declaravam era muito interessante: impor a democracia no mundo árabe pela força das armas ocidentais era uma colossal loucura; esta via, além de imoral, era contraproducente, só contribuindo para dar argumentos para se recrutar os islâmicos e até os jihadistas. As liberdades individuais só chegarão aos países árabes por movimentos nascidos em seu interior, muito embora, isso sim, os ocidentais possam ajudar, e muito, de duas maneiras: aumentando a pressão sobre os regimes autocráticos e expressando de modo ostensivo seu compromisso com os democratas, livre, porém, de qualquer imposição externa.

Pois bem, na terça feira última, milhares de valentes egípcios ocuparam a praça de Al Tahrir, no coração do Cairo, gritando "liberdade, liberdade, liberdade", e exigindo a saída de Osni Mubarak e condenando sua escandalosa pretensão de deixar como herança ao seu filho Gamal a presidência da república. Seguiam o exemplo de seus irmãos tunisinos, que acabam de derrubar o ditador Ben Alí.

Se for confirmado, assim, o anunciado na tarde do dia 14 último, da queda de Ben Alí, fica patente que a juventude urbana dos países árabes do norte da África, majoritária demograficamente, compartilha a mesma sede de liberdade, trabalho e dignidade e está ciente, graças às TVs por satélite (as ocidentais e a Al-Jazeera) e à Internet, do que ocorre em seu entorno e em todo o planeta. O êxito inicial da ‘revolução do jasmim’ e o sangue derramado em Tunis vão despertar a sua esperança, assim que os regimes autoritários, em especial os da Argélia e do Egito, se preparam para enfrentar um período de turbulências.

No caso argelino, a lembrança da atroz guerra civil que assolou o país na década de 1990 pode vir a ser um freio nos movimentos contestatórios; no caso egípcio, o exemplo tunisino é chover no molhado: nos últimos anos os protestos juvenis, democráticos e sindicais vão aflorando de modo persistente, em que pese a repressão.

Três dados básicos dão a medida do que estamos falando: o Egito, com 81 milhões de habitantes, é o país mais povoado do mundo árabe; a média de idade de seus habitantes é de 24 anos, e sua renda per capita é de 6.000 dólares anuais, ou seja, cinco vezes inferior à espanhola. Um barril de pólvora.

VISÃO OCIDENTAL

Mas os democratas egípcios consideram a sua revolução ainda mais difícil do que a dos tunisinos. Caso o apoio ocidental à ‘revolução do jasmim’ tenha sido escasso ou nulo, serão ainda menos efetivos os protestos democráticos do vale do Nilo. Para os Estados Unidos, é crucial dispor aí de um regime policial sólido que garanta a segurança de Israel. E a governança européia fica paralisada de medo de que a queda de Mubarak suponha a chegada ao poder dos Irmãos Muçulmanos, fundamentalistas ou não. A Europa continua agindo na base da idéia errônea de que a autocracia é a única alternativa possível à teocracia no norte da África.

Há, no entanto, algum elemento de esperança. Na terça feira, Obama, em seu tradicional discurso sobre o Estado da União, disse algo que o honra: "Permitam me dizer com clareza: os Estados Unidos apóiam o povo da Tunísia e as legítimas aspirações democráticas de todos os povos". Foi muito mais longe do que os líderes europeus.

Fala-se da influência do Twitter e do Facebook nos protestos democráticos norte-africanos. Não se fala tanto, por outro lado, da influência de Obama e seu discurso feito no El Cairo em junho de 2009. É provável que algum dia se evidencie que, ao proclamar o fim da visão de Bush de ‘choque de civilizações’ entre o Islã e o Ocidente, ao expressar profundo respeito pelos árabes e muçulmanos e ao manifestar que o princípio fundamental da revolução americana também é o da aplicação da umma, Obama esteve contribuindo para uma mudança histórica.

Em 1981, um militar egípcio islâmico chamado Al Islambuli assassinou a traição Anwar Sadat. "Matei o faraó", proclamou ele, ao ser preso. Dois anos antes a revolução khomeinista tinha triunfado no Irã. Foram dois acontecimentos que marcaram o começo da ascensão do islamismo político. Hoje, de fato, podemos formular a pergunta que fez o especialista Olivier Roy num recente artigo: "Onde foram parar todos os islamitas?". Continuam aí, sem dúvida, mas é possível que a maré teocrática, iniciada há três décadas, esteja começando a baixar.

Em todo caso, o certo é que os democratas egípcios estão fartos do atual faraó.

Fonte: Jornal espanhol © El País, SL

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(*) Umma é um termo árabe (أمة) que exprime a ideia de nação, de comunidade. A título de exemplo, al-Umam al-Muttahida, é a forma árabe de dizer ONU. No islã, o termo refere-se à comunidade constituída por todos os muçulmanos do mundo, unida pela crença em Alá, no profeta Maomé, nos profetas que o antecederam, nos anjos, na chegada do dia do Juízo Final e na predestinação divina.

Saudações

Francisco VIANNA

Comentário semanal do coronel Gelio Fregapani

Comentário nº 87 – 02 de fevereiro de 2011

Assuntos: Belo Monte e Ventos de Guerra

Terrorismo contra Belo Monte

No nosso País a força das águas é responsável por mais de 70% do suprimento de energia elétrica. A França usa energia nuclear, Estados Unidos gastam sua riqueza para queimar petróleo e a China usa o poluente carvão, mas as ONGs estrangeiras querem impedir o Brasil de usar a água para mover as pás das turbinas.

Estamos construindo, para tristeza dos ecoxiitas, as usinas de Jirau, Santo Antonio e Belo Monte, que ampliarão o uso hídrico na matriz energética brasileira, mas está preparado outro ataque: o documentário Um outro mundo é possível - Luta pela Amazônia, do alemão Martin Kebler. contra a construção de Belo Monte. O diretor falou com pescadores, com a índios, ONGs e com o Fórum Social Mundial. Já é tempo de nos livrarmos desse complexo de culpa quanto ao ambiente, e de pararmos de nos subordinar ás instituições estrangeiras, como Greenpeace e WWF.

Para Belo Monte. finalmente o Ibama “concedeu” a licença ambiental. Precisou a demissão do diretor de licenciamento para sair a licença prévia em 2010, ainda assim cheia de absurdos condicionantes. Agora teve que ser retirado o próprio presidente do órgão para ser dada a licença parcial de instalação Será que o Ibama, livre dos traidores finalmente está agindo no interesse nacional? É difícil, pois o lobo muda a pelagem mas não de índole. Ponto para a Dilma. Está tendo a firmeza que desejávamos.

Horas depois do anúncio da liberação da licença de instalação do canteiro de obras, bombas atingem prédio da Eletronorte no Pará. O atentado terrorista, se não foi ação direta das ONGs, pelo menos foi de inspiração delas. Vamos ver até onde vai.

Claro, ainda foram ajuizadas ações junto à Justiça pedindo a suspensão da licença. Um procurador é um dos autores de ação ambiental . O Ministério Público do Pará pediu a suspensão do empreendimento, sob a alegação de que, nas audiências públicas, os indígenas não foram ouvidos. Estarão a serviço das ONGs? Ou de quem?

A ONG “Avaaz” convocou os seus mais de 850 mil associados no Brasil a telefonar para o gabinete da presidente Dilma Rousseff exigindo a revogação imediata da licença de instalação para as obras da usina de Belo Monte. Em “gauchês”, diríamos à presidente: “Não te micha, guria. Todos os patriotas estarão contigo nesta luta pelo desenvolvimento. Até os que votaram contra ti.”


Nova frente

Os ministros de Minas e Energia e do Meio Ambiente, estão preparando as luvas de boxe. Lobão defende a revisão do modelo das hidrelétricas do Rio Tapajós. No lugar de usinas a fio de água, as geradoras poderiam contar com reservatórios, reduzindo a necessidade de utilização de térmicas como complemento. A ministra. do Meio Ambiente finge não entender que reservatórios são o melhor meio de acumular energia, que termoelétricas são caras e poluidoras, e muito menos ainda que os ambientes mais favoráveis à vida animal são exatamente as águas rasas. É burrice de mais para uma ministra. Se não for burrice deve ser traição mesmo


Mais dois inimigos internos

A ANP, servindo a interesses diferentes dos do Brasil, tem colocado grande quantidade de blocos para serem leiloados, acima da capacidade da Petrobrás de investir, sem considerar que o país já estaria, só com o pós-sal, com seu suprimento garantido pela Petrobrás. A única explicação, triste, mas provida de nexo, é que a ANP está preocupada com a satisfação das companhias estrangeiras e com o abastecimento dos países desenvolvidos, que são extremamente dependentes deste energético e não o possuem. Assim, a pressa da ANP de realizar rodadas com muitos blocos, forçando a entrada das empresas estrangeiras no país é uma nova forma do “entreguismo”.

O MST, ainda sem canal de negociação com o governo, decidiu antecipar as invasões pelo país, normalmente programadas para o chamado Abril Vermelho, quando uma onda de ocupações é organizada como protesto às mortes ocorridas em Eldorado do Carajás, no Pará. Desde o primeiro dia útil da gestão de Dilma, o MST tem invadido fazendas e prédios públicos ligados à reforma agrária, em São Paulo, além de prefeituras na Bahia, num período caracterizado como "janeiro quente".


Só para lembrar

Os EUA há muito tempo emitem moedas sem lastro. Ninguém sabe quantos dólares circulam no mundo. Havendo mesmo uma crise que leve a um crash do dólar, quem tem esta moeda entesourada, como nosso Banco Central, a China e o Japão, vai ficar com um mico preto nas mãos.

Cientes que breve o dólar poderá não ser mais aceito, os EUA voltarão a fabricar tudo o que necessitarem em seu território, mas terão que importar petróleo e os minerais que não possuem. Para essa eventualidade estão comprando e acumulando ouro, e os trouxas, acumulando dólares

O euro também enfrenta problemas. Ainda que a instabilidade possa ter sido influenciada por manobra especulativa para manter, mais algum tempo, a posição do dólar, também não merece a confiança como a referencia mundial de valor

Qual deveria ser o nosso procedimento? É difícil responder, mas parece que usar urgente as reservas em dólar para algo útil e sólido, e mesmo desatrelar dessa moeda antes que vire pó sejam medidas indispensáveis


É uma forma de guerra?

A sobretaxação do álcool brasileiro nos EUA; as calúnias internacionais sobre o biodiesel; a não aceitação da lista de fazendas para a venda de carne bovina para a União Européia; as acusações infundadas de destruição da floresta amazônica; o convites para salvar a floresta queimando um brasileiro; as insistentes tentativas pra a internacionalização da Amazônia; a possível transformação das Reservas Indígenas Ianomâmi e Reserva Indígena Raposa Serra do Sol em novos países separados do Brasil e incontáveis outras pressões, algumas ostensivas, outras insidiosas, deixam suspeita que estamos no meio de uma guerra assimétrica de quarta geração, que o desfecho poderá até envolver o uso da força, mas antes tentará minar a vontade nacional de resistir.


E no Oriente Médio?

A agitação está se alastrando, e tende a ser radicalmente islâmica o que enfraquecerá a posição dos EUA e a de Israel. Parece dar razão às previsões russas de guerra entre o Primeiro Mundo e o Mundo Islâmico.

Ainda que essa guerra não nos diga respeito, conseguiremos ficar fora dela?


Que aviões realmente necessitamos?

Qualquer estrategista identifica a ameaça que deverá enfrentar e pensa como poderá fazê-lo. Se o inimigo for uma Força Aérea do primeiro mundo, dezesseis aeronaves não servirão para nada. Melhor seriam bons mísseis terra-ar.

Que Deus guarde a todos vocês

Gelio Fregapani

Al-Qaeda pode ter certo tipo de bomba nuclear

Quarta feira, 02 de fevereiro de 2011

TRADUÇÃO DE FRANCISCO VIANNA

Existe um tipo de bomba atômica, de muito pouco poder destrutivo sob a ótica física, que se compara a qualquer bomba convencional, mas que, no entanto, espalha muita radioatividade letal e patogênica por áreas mais ou menos extensas e, por isso, são chamadas de `bombas-sujas`. Pois bem, a Al-Qaeda tem o tempo, os materiais, o apoio de certos países anti-ocidentais, para montar tais artefatos radioativos, segundo alguns documentos vazados obtidos pelo jornal britânico The London Telegraph.

Os cabogramas, difundidos pelo website WikiLeaks, revelam que os chefes de segurança da OTAN instruiram líderes de diversos países em janeiro de 2009 sobre esse fato, mostrando que a al-Qaeda tinha já uma unidade de processamento e montagem ativa desses "Dispositivos Explosivos Radioativos Improvisados Sujos (DARIS) com a colaboração de cientistas maléficos.

A fabricação improvisada de bombas nucleares, que podem ser usadas contra os soldados que lutam no Afeganistão, por exemplo, pode contaminar extensas áreas adjacentes por muitos anos no futuro, relatou o ‘the Telegraph’. As autoridades de segurança disseram também a esses líderes que documentos da al-Qaeda encontrados em 2007 convenceram-nas de que foram feitos "avanços maiores" na área de bio-terrorismo do que se temia antes.

Em 2008, as autoridades americanas foram alertadas sobre terroristas que tinham "a competência técnica para manufaturar mecanismos explosivos além de meras bombas-sujas”.

Os relatos vazados pela Wikileaks deram também exemplos de contrabando nuclear. Um memorando detalhou como um trem fretado no Cazaquistão (na fronteira com a Rússia) foi encontrado transportando materiais de montagem de armamentos enquanto um traficante temporário, em Lisboa, tentava vender placas radioativas roubadas de Chernobyl, reportou o jornal londrino.

Outro memorando documentou um encontro em janeiro de 2010 entre Janet Napolitano, Secretário de Segurança Interna americano, e ministros europeus durante o qual o ministro do interior alemão revelou suas preocupações sobre a segurança da aviação comercial. Thomas de Maiziere expressou seu temor de que terroristas possam “usar artigos infantis para introduzir tais DARIS nos aviões comerciais”, conforme relata o cabograma.

Fonte: http://www.dailytelegraph.com.au/news/breaking-news/al-qaeda-actively-seeking-dirty-bombs-wikileaks-documents/story-e6freuz9-1225998709327

Saudações,

Francisco Vianna

Nióbio, a riqueza que o Brasil despreza

Date: Mon, 24 Jan 2011 00:07:25 -0200
Subject: NIÓBIO - Srs Oficiais Generais, uma ATITUDE por favor.
From:

VEJA NO LINK, NIÓBIO - A RIQUEZA QUE O BRASIL DESPREZA (EDVALDO TAVARES):
http://revistadeciframe.com/2010/03/01/niobio-a-riqueza-que-o-brasil-despreza/

Edvaldo Tavares


XXXXXXXXXXXX


SIMPÓSIO SOBRE O NIÓBIO EM RECIFE 28/01/2011

Louvável a atitude do Clube de Engenharia de PE.

No lugar de uma Nióbiobráisch, deve-se descentralizar a produção, afim de acabar com as enormes negociatas, infindáves falcatruas e astronômicas imoralidades que envolvem a exploração do nióbio.

Lembrete: O cara que não sabe de nada, está atolado até as cuecas nas tramóias.


HEB[ ]s
Eng. Thomas Renatus Fendel



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Edição de 23 de janeiro de 2011

Simpósio pode abrir `caixa preta` do Nióbio

Na próxima 6ª feira, dia 28 de janeiro, em encontro programado para às 12h00 no salão de convenções do restaurante Catamarã, na bacia do Pina, no bairro de São José, na área central do Recife, o Centro de Estudos do Nordeste (Cenor), a Associação dos Geólogos de Pernambuco (AGP) e o Clube de Engenharia de Pernambuco vão realizar o simpósio `O Nióbio e o desenvolvimento estratégico do Brasil`, que ocorre no âmbito do Seminário Permanente de Desenvolvimento, tendo como painelistas o economista Rui Pereira Fernandes Júnior, especialista mineral do DNPM/GO, o engenheiro de minas Dorival Carvalho Pinto, presidente da Companhia de Mineração do Tocantins, e o físico Sérgio Rezende, ex-ministro da Ciência e da Tecnologia. Durante o encontro, que será coordenado pelos presidentes Alexandre Santos, do Clube de Engenharia de Pernambuco, Sebastião Campello, do Cenor, e Antônio Christino Pereira de Lyra Sobrinho, da AGP, diversas entidades vão se manifestar, incluindo a Academia Pernambucana de Ciência Agronômica e o Instituto Mão Limpas Brasil, que vão apresentar declarações. O encontro promete ser muito polêmico. Enquanto uns seguimentos dizem que um imposto sobre a exportação do minério poderia financiar as pesquisas necessárias ao setor, outros clamam a criação de um movimento `o Nióbio é nosso!" nos moldes daquele que alertou para a existência e importância do petróleo no território brasileiro.

Clube de Engenharia de Pernambuco pede apoio do CREA-PE

Na 5ª feira passada, dia 20 de janeiro, em correspondência dirigida ao engenheiro José Mário Cavalcanti, destacando as "notórias dificuldades financeiras" vividas pela entidade e a necessidade de mobilizar recursos externos para custear a estadia e transporte aéreo do painelista Rui Pereira Fernandes Júnior, o Clube de Engenharia de Pernambuco solicitou apoio do CREA-PE para a realização do simpósio ‘O nióbio e o desenvolvimento estratégico do Brasil`.

Presidentes do CONFEA, FEBRAE e CONEPE convidados a participar de simpósio

Em correspondência ao Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea), à Federação Brasileira de Associações de Engenheiros (FEBRAE) e à Congregação Nacional das Entidades Pioneiras da Engenharia (Conepe), o Clube de Engenharia de Pernambuco convidou os presidentes Marcos Túlio de Melo, José Tadeu da Silva e Aluízio de Barros Fagundes para participar do simpósio `O nióbio e o desenvolvimento estratégico do Brasil`.

Presidente da FIEPE confirma participação na discussão

Na 4ª feira passada, dia 19 de janeiro, acolhendo convite dos presidentes Alexandre Santos e Sebastião Campello, o engenheiro Jorge Corte Real, presidente da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (FIEPE), confirmou participação no simpósio `O nióbio e o desenvolvimento estratégico do Brasil`.

Dirigentes divulgam discussão sobre o Nióbio. Na 2ª feira passada, dia 17 de janeiro, em visita à sede do Jornal do Commércio, no bairro de Santo Amaro, na região central do Recife, comitiva integrada pelos presidentes Alexandre Santos, do Clube de Engenharia de Pernambuco, Sebastião Campello, do Centro de Estudos do Nordeste (Cenor), Eudes de Souza Leão Pinto, da Academia Pernambucana de Ciência Agronômica, Antônio Christino Pereira de Lyra Sobrinho, da Associação dos Geólogos de Pernambuco, fez ampla exposição sobre as linhas gerais do simpósio `O nióbio e o desenvolvimento estratégico do Brasil` ao jornalista Ivanildo Sampaio, redator-chefe do periódico.

Tudo pronto para o simpósio. Na 3ª feira passada, dia 18 de janeiro, na reunião semanal do Clube de Engenharia de Pernambuco, o vice-presidente e coordenador do Seminário Permanente de Desenvolvimento Fernando Moura informou sobre os preparativos já adotados para a realização do simpósio `O nióbio e o desenvolvimento estratégico do Brasil`.

Conheça um pouco sobre o Nióbio. O nióbio é usado em alguns aços inoxidáveis e ligas de metais não ferrosos, que, devido à resistência, são usadas para a fabricação de tubos transportadores de água e petróleo a longas distâncias. Acontece que, devido a baixa captura de nêutrons termais, resistência a altas temperaturas e características supercondutoras, o nióbio é fundamental para a indústria nuclear, fabricação de componentes de motores e fuselagem de jatos e foguetes e supercondutores (9,3 K). O detalhe é que, com reservas em Catalão e Araxá, o Brasil concentra 75% da produção mundial.





Edson Campos e Silva - Recife
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55.81.3465-2535 Cel 9972-1110
CL do Lions Recife Boa Viagem
Idealizador do Parque dos Coqueiros
Sócio fundador da APBS
Legionário do Meio Ambiente
Membro IMLB - Instituto Mãos Limpa do Brasil
camposesilva.blogspot.com


inicio Nº 27 A questão do nióbio — ou diga não à doutrina da subjugação nacional



A questão do nióbio — ou diga não à doutrina da subjugação nacional
Ronaldo Schlichting

Avro Arrow, como seria o supersônico em vôo
O Brasil durante toda a sua história teve as sucessivas gerações de seus cidadãos escravizados pela abominável doutrina da subjugação nacional.
Qualquer tipo de riqueza nacional, pública ou privada, de natureza tecnológica, científica, humana, industrial, mineral, agrícola, energética, de comunicação, de transporte, biológica, assim que desponta e se torna importante, é imediatamente destruída, passa por um inexorável processo de transferência para outras mãos ou para seus "testas de ferro" locais.
Salvo raríssimas exceções, tanto no Império quanto na República, todos os homens e mulheres das elites que serviram ou servem aos poderes constituídos trabalharam e vêm trabalhando, conscientemente ou não, para que esta doutrina se mantenha e se fortaleça.
Ao longo do tempo foi disseminada e implementada também, através do uso de "inocentes" organizações, como as ONGS, fundações, igrejas, empresas, sociedades, partidos políticos, fóruns, centros de estudo e outras arapucas.
Para se poder entender o alcance ilimitado e a potência do poder do braço dessa doutrina, vamos nos reportar ao século passado, mais precisamente até a segunda metade dos anos 50.
A AVRO, fabricante do famoso bombardeio lancaster, usado durante a II Guerra Mundial, era uma próspera indústria aeronáutica estatal canadense, assim como a Embraer.
Em 1955, com o recrudescimento da "guerra fria", o governo canadense encomendou à AVRO, para a sua Força Aérea, o projeto, desenvolvimento e a construção de um caça a jato, totalmente nacional, capaz de interceptar e destruir quaisquer tipos de aviões soviéticos "que tentassem um ataque contra o Canadá ou aos EUA" via seu território.
Assim, nasceu o Arrow, milagre tecnológico, um jato 30 anos avançado no tempo, fruto do gênio e do patriotismo dos canadenses.
Fuselagem, motores, computadores de bordo, sistema de armas, todos nacionais.
Foi o primeiro avião no mundo a voar pelo sistema fly by wire e com velocidade superior a mach 2, isto é, duas vezes superior à velocidade do som, aproximadamente 2400 km por hora.
Porém, em 19 de fevereiro de 1959, a terrível mão da Doutrina esmagou a soberania do país com toda a sua força.

Canadá também
Intempestivamente, o primeiro-ministro do Canadá decretou o cancelamento do projeto Arrow. Com uma ordem determinou a destruição imediata de todos os protótipos, motores, plantas, informações, ferramentas, patentes e a demissão de milhares de engenheiros, técnicos e operários para que o botim fosse repartido entre a França, a Inglaterra e os EUA, que obviamente ficou com a parte do leão.
Assim, a nova tecnologia adquirida com o desenvolvimento do Arrow foi totalmente rapinada e aplicada, de graça, pelos franceses e ingleses na fabricação do primeiro avião supersônico de passageiros, o concorde.
Uma tragédia, com prejuízos incalculáveis para a economia, para o desenvolvimento e para o destino do povo canadense.
Entretanto, a construção desta maravilha tecnológica não teria sido possível sem a utilização de um metal raro no mundo, mas abundante no Brasil, o nióbio: o mais leve dos metais refratários.
Descoberto na Inglaterra em 1801, por Charles Hatchett — na época o denominou de colúmbio. Posteriormente, o químico alemão Heinrich Rose, pensando haver encontrado um novo elemento ao separá-lo do metal tântalo, deu-lhe o nome de nióbio em homenagem a Níobe, filha do mitológico rei Tântalo.
Na década de 1950, com o início da corrida espacial, aumentou muito a procura pelo nióbio. Ligas de nióbio, foram desenvolvidas para utilização na indústria espacial, nuclear, aeronáutica e siderúrgica.
A aplicação mais importante do nióbio é como elemento de liga para conferir melhoria de propriedades em produtos de aço, especialmente nos aços de alta resistência e baixa liga, além de superligas que operam a altas temperaturas em turbinas das aeronaves a jato.
O nióbio também é utilizado na produção do aço inoxidável, na de ligas supercondutoras usadas na fabricação de magnetos para tomógrafos de ressonância magnética. Encontra aplicação, da mesma forma, em cerâmicas eletrônicas, em lentes para câmeras, na indústria naval e, na ferroviária para a fabricação dos "trens bala".


Avro Arrow sendo desmontado com o fim do projeto
Dezenas de superligas estão em uso nos mais diversos meios abrasivos ou operando em altas temperaturas.
Essas ligas são a alma dos motores a jato e de foguetes, tanto comerciais quanto militares.
Um dos motores a jato mais comuns usado hoje em dia, contém cerca de, no mínimo, 300 quilogramas de nióbio de alta pureza. A maior parte desse precioso metal é proveniente da mina da CBMM, em Araxá, Minas Gerais.
Talvez, por isso, o jornal Folha de São Paulo, no dia 5 de novembro de 2002, tenha noticiado:
"Lula passou o final de semana em Araxá em casa da CBMM do Grupo Moreira Salles e da multinacional Molycorp..."
A Companhia exporta 95% do Nióbio que retira de Minas Gerais e é a maior exploradora do metal do mundo.
O caso é antigo. Por meio de uma ONG, a empresa financiou projetos do Instituto Cidadania, presidido por Luiz Inácio da Silva, inclusive o Fome Zero, que integra o programa de governo do presidente eleito.
A matéria evidencia uma aliança anterior às eleições presidenciais entre um político, supostamente de "esquerda", e uma multinacional.
O Brasil detém 98% das reservas mundiais exploráveis de nióbio e o mundo consome anualmente cerca de 37.000 toneladas do minério, totalmente retiradas do Brasil.
O minério de nióbio bruto é comprado no garimpo a 400 reais o quilograma, portanto, sem contar a necessidade de formação de reservas estratégicas dos países do primeiro mundo, e o acréscimo do preço em razão do beneficiamento do minério, feito em Araxá, Minas Gerais, e Catalão, em Goiás, deveríamos contabilizar, pelo menos, 6 bilhões e 580 milhões de dólares, a mais, em nossas exportações anuais.

"Eu não sabia"...
O preço do metal refinado, 99,9% puro, cotado na Bolsa de Metais de Londres a 90 dólares o quilograma, é meramente simbólico, porque o Brasil é o único fornecedor mundial. Portanto, é ele quem deveria determinar o seu preço. E por que não o faz?
Mal comparando, nióbio a 90 dólares o quilograma é hoje o mesmo que petróleo a menos de um dólar o barril.
No caso do petróleo, a OPEP estabelece o preço do óleo, equilibrando os interesses dos consumidores e produtores, porque o preço do petróleo é uma "questão de Estado". O mesmo não ocorre com o nióbio; absurdamente, quem estabelece o preço de venda do produto são os seus compradores. Por quê?
Apenas uma fração dos valores e quantidades reais do nióbio "exportado" seria suficiente para erradicar a subnutrição da população explorada e empobrecida, e livrar o Brasil da desfavorável condição de devedor, além de financiar o seu desenvolvimento.
Os Estados Unidos, a Europa e o Japão são 100% dependentes das reservas brasileiras de nióbio, metal que é tão essencial como o petróleo, só que muito mais raro.
Como já demonstramos, sem nióbio não existiria a indústria aero-espacial, de armamentos, de instrumental cirúrgico, de ótica de precisão e os foguetes e os aviões a jato não decolariam.
Ora, se por petróleo as potências vão à guerra, imagine-se o que não fariam eles para garantir o nióbio grátis, que retiram do Brasil, com a conivência de governantes, cujas campanhas políticas e projetos são previamente financiados, como muito bem estão a nos provar as CPI`s em andamento no Congresso Nacional.
O "tratamento VIP", segundo a Folha de São Paulo, dispensado a Luiz Inácio, em Araxá, bem como o financiamento de seus "projetos" pessoais, são no mínimo suspeitos e merecem uma investigação urgente e criteriosa por parte do Ministério Público Federal.
Porém, quem voltou ao assunto no dia 6 de julho de 2005, foi o jornal O Estado de São Paulo: "Brasília - O empresário Marcos Valério Fernandes disse na CPI dos Correios ... ‘É mentira a afirmação de que eu discuti cargos`, insistiu. (...) Ele (Marcos Valério) confirmou ter agendado um encontro do banco Rural com o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. ‘Não foi um encontro comercial nem financeiro. O banco Rural foi informar ao ministro José Dirceu que pretendia explorar uma mina de nióbio no Amazonas`,disse. ...".
No dia 17 de julho de 2005, foi a vez da Coluna do jornalista Cláudio Humberto voltar a carga:
— "Nióbio é a caixa-preta na CPI — Especialista na comercialização de metais não-ferrosos alerta que a CPI dos Correios comeu mosca quando Marcos Valério disse ‘levei o pessoal do BMG ao José Dirceu para negociarem nióbio` — minério usado em foguetes, armas, instrumentos cirúrgicos etc. Explica que 100% do nióbio consumido no mundo é brasileiro, mas oficialmente exportamos só 40%. Suspeita de décadas de subfaturamento, com prejuízo anual de bilhões de dólares. Fonte milagrosa — a CB MM, do grupo Moreira Salles e da multinacional Molycorp, exporta 95% do metal retirado em Minas. Em 2002, Lula se hospedou na casa do diretor da CBMM, José Alberto Camargo, em Araxá, terra de Dona Beija."
Surpreendente foi o próprio José Dirceu, que durante o programa Roda Viva, levado ao ar, em rede nacional ao vivo, pela TV Cultura, no dia 24 de outubro de 2005, confirmou ter tratado "a questão do nióbio" com banqueiros mineiros...
Ato falho ou um recado para o presidente?
Na manhã de 22 de fevereiro de 2005, a comentarista econômica da Rede Globo e da rádio CBN, Miryan Leitão, em sua "análise" matinal para as duas emissoras, fazia o tipo da mulher desinformada sobre as constantes noticias da contínua valorização do real frente ao dólar, não sabendo explicar o paradoxo da manutenção do ritmo das nossas exportações mesmo com a moeda nacional super valorizada.

"Governantes" nossos, prepostos deles
Dizia que não tinha explicações para o fenômeno, mas, gaguejando, dava a entender que a política econômica do "governo" estaria no rumo certo, etc.
No cassino das finanças internacionais o jogo da moda é chamado de mico preto, cujo perdedor será aquele que ao fim do carteado ficar com a carta do mico, denominada dólar.
A vítima, aqui no Brasil, é o povo por causa da má fé, da incompetência ou da burrice do seu jogador, o ministro da Fazenda.
O mico preto, também conhecido como papel pintado, moeda sem lastro, dinheiro falso, massa podre, etc., emitida, sem lastro e sem limites, por 12 bancos particulares "norte-americanos" — de que as grandes economias do mundo como a chinesa, a japonesa, a coreana, inglesa, são possuidoras de gigantescas somas desse "dinheiro", tanto na forma de reservas líquidas como em títulos do tesouro norte-americano —, estando portanto com a carta fatal nas mãos.
Uma corrida intempestiva em direção à conversão dessa "moeda" em euros, por exemplo, ou à venda antecipada desses títulos precipitaria rapidamente o fim do jogo, não dando tempo suficiente para se passar adiante o "mico" para os outros players.
Então, sem chamar a atenção, se valendo do artifício da compra de matérias primas, insumos básicos, etc, usando o "papel pintado", estão, inteligentemente, transformando esterco em ouro. Por isso, no momento, pouco importa o valor relativo do dólar frente ao real porque, mesmo assim, eles vão continuar importando tudo o que puderem.
Perante ao apresentado não restam dúvidas, podemos afirmar que o Brasil está pagando para ter todo o seu nióbio roubado e que os nossos últimos "governantes", para não perderem os seus assentos em Davos, Washington, Zurick, Frankfurt, Nova Iorque, Amsterdã e..., vão continuar fiéis discípulos e feitores da pavorosa doutrina da subjugação nacional.

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Ronaldo Schlichting - Administrador de empresas e membro da Liga da Defesa Nacional.



NIÓBIO - MINERAL ESTRATÉGICO



Mineral estratégico:
Nióbio - O maior inimigo do Brasil é o brasileiro

Por Ronaldo Schlichting
De Curitiba/PR
Justiça se faça, apesar da sua manifestação contraria aos reais interesses do Brasil em seu artigo, "Nióbio e o besteirol nacionalista", publicado pelo jornal Folha de S.Paulo em 10/01/06, o renomado físico da UNICAMP, Rogério César de Cerqueira Leite, em outra oportunidade, como presidente da SBPC, os defendeu com unhas e dentes ao se posicionar contra algumas das cláusulas do famigerado "Acordo de Salvaguardas Tecnológicas - Brasil/USA", assinado por Ronaldo Sardenberg em 18/04/00, que visava passar o controle do uso da base aeroespacial de Alcântara aos norte-americanos.

Porém, dessa feita parece que o mestre não está jogando a nosso favor ao tentar, através da coluna Tendência/Debates, desqualificar o nióbio como metal altamente estratégico e de altíssimo valor comercial. Entretanto, o jornal Folha de S.Paulo de 28/06/05, publicou:

"Delegação da Comissão Européia pode visitar o Brasil em breve para estudar alternativas de inclusão no projeto (ITER). O Brasil pode se envolver com o Projeto ITER - Reator Experimental Termonuclear Internacional. A participação brasileira seria graças à reserva de nióbio localizada em Minas Gerais...
A maior do mundo, ... .
O metal, um poderoso condutor, será usado para construir molas -(bobinas)- gigantes e gerar um campo magnético para conduzir o processo de fusão nuclear dentro do reator...".

Com este magnífico feito o homem passará a dominar também o fogo termonuclear, aquele que ocorre no interior das estrelas pela fusão de átomos de hidrogênio a uma temperatura de 15 milhões de graus centígrados, gerando hélio e uma brutal quantidade de energia limpa, barata e inesgotável, pois, o trítio isótopo pesado do hidrogênio usado como combustível é abundante na face da Terra na forma de água pesada.

Assim, as usinas termonucleares limpas e muito mais seguras que as nucleares, geradoras de energia farta e barata, se multiplicarão sem restrições pelo planeta exigindo milhares de toneladas de nióbio puro para manter o fogo solar aceso.

Por isso, a partir de agora os Ministérios da Fazenda, de Minas e Energia, da Industria e Comércio e a Polícia Federal terão, por dever de oficio, que cuidar das nossa reservas de nióbio a ferro e fogo porque o preço de metal, num futuro próximo, deverá ir ao espaço na bolsa de metais de Londres.

* Ronaldo Schlichting é administrador de empresas.

Entrevista de Dilma ao jornal argentino La Nación

ENTREVISTA DE DILMA AO JORNAL ARGENTINO ‘LA NACIÓN’

"NINGUÉM PODE afirmar que o REAL não vaI deSvalORIZAr"

A presidente falou do real antes de sua viagem à Argentina

Domingo, 30 de janeiro de 2011

Por: Alberto Armendariz – Correspondente no Brasil

TRADUÇÃO DE FRANCISCO VIANNA

BRASÍLIA – Todos os refletores estão sobre ela e ela sabe muito bem disso. A poucas horas de aterrissar em Buenos Aires em sua primeira viagem ao exterior desde que tomou posse no cargo de presidente do Brasil, em 1 deste mês, Dilma Rousseff se mostra muito cautelosa em suas declarações à imprensa argentina. Escolhe com precisa objetividade cada palavra, cada gesto, e até seu sorriso mostra um ritmo metódico que se funde com o apuro de sua discreta maquiagem.

Está consciente de que, após herdar o poder do popularíssimo Luiz Inácio Lula da Silva, as expectativas em torno dela são enormes. De um dos temas mais sensíveis para a relação bilateral do Brasil com a Argentina – como uma possível desvalorização do real – disse que "no mundo de hoje ninguém pode afirmar" que a moeda brasileira não desvalorizará. E intuí também que, na sua primeira reunião oficial com a presidente Cristina Kirchner, as comparações estarão na ordem do dia.

"Pretendo ter uma relação extremadamente próxima da presidente Kirchner", adverte a mandatária durante uma entrevista conjunta com os jornais argentinos ‘La Nacion’, ‘Clarín’ e ‘Página 12’, numa sala de reuniões contígua a seu gabinete de despacho no terceiro andar do Palácio do Planalto.

A sóbria, mas um tanto alegre decoração da sala – com orquídeas, jarras coloridas e um tapete com motivos florais – assinala que esta tecnocrata e ex-guerrilheira, de 63 anos, que fez história ao converter-se na primeira mulher presidente do Brasil, está disposta a marcar um estilo diferente, mais austero do que o de seu predecessor. “Destoa” apenas a presença de um crucifixo barroco de madeira e prata, talvez colocado no local para marcar um esforço de marcar uma ‘boa vontade’ com a igreja católica, com a qual teve problemas durante a campanha eleitoral, quando foi acusada por clérigos de ateísmo marxista e favorável ao aborto.

Acompanhada de sua ministra de Comunicação Social, Helena Chagas, e seu porta-voz, Rodrigo Baena – que anotavam tudo –, Dilma procurou se apresentar sólida e afável, mas não chegou a se soltar senão no final da entrevista, quando se referiu a sua querida Buenos Aires e ao seu gosto pelo tango.

O que representa para a senhora o fato de os países mais importantes da América do Sul estarem, agora, presididos por mulheres?

- É algo para celebrar, uma demonstração de quanto evoluíram suas sociedades, no sentido de superar o tradicional preconceito contra a capacidade da mulher. Para mim é significativo também termos tido o exemplo da eleição de um indígena na Bolívia e de um operário metalúrgico no Brasil. A América latina está dando um exemplo ao mundo de que certos preconceitos e bloqueios econômicos e sociais estão sendo superados. Isso representa uma maior ‘democratização’ de nossas sociedades e de nossos países.

Quais são suas expectativas quanto às relações com a Argentina?

- Brasil e Argentina têm a responsabilidade perante a América latina de fazerem com que a nossa região tenha cada vez mais presença e ação no cenário internacional. E poderão conseguir isso de uma forma tanto mais efetiva, quanto mais próximas estejam suas economias, quanto mais elas se articulem e se desenvolvam, criando laços pelos quais ambos os povos ganhem com tal proximidade, em termos de desenvolvimento econômico e tecnológico, e de uma melhoria de suas condições de vida. Além disso, temos uma proximidade facilitada pelo fato de sermos mulheres que ora representamos duas grandes economias da região. Brasil e Argentina articulados, com líderes mulheres, terão chance de exercer uma presença maior nos organismos internacionais, como o G-20 o G-77. A relação bilateral é muito importante também para a UNASUL. O Brasil tem um compromisso – que assumiu fortemente desde o governo Lula, e ao qual vou hoje dar continuidade e aprofundar – é que percebemos que o destino do Brasil, seu desenvolvimento e a melhora das condições de vida do brasileiro tem que estar ligadas e compartilhadas com o resto da nossa América. Daí a importância que dou à UNASUL e ao MERCOSUL. O mundo globalizado exige a formação de blocos regionais. Para mim, é uma relação estratégica. Por isso, o primeiro país que vou visitar é a Argentina, porque creio que é nosso país ‘hermano’. Não estou subestimando nenhum outro vizinho, como Paraguai, Uruguai, Colômbia, Venezuela ou Peru, mas é até intuitivo politicamente para os outros países que a Argentina e o Brasil estejam juntos e, se possível, bem afinados.

Qual será o foco dessa primeira visita?

- Pela minha agenda, o foco é o seguinte: o governo brasileiro assume, uma vez mais, o compromisso com o governo argentino de praticarmos uma política conjunta e estratégica de desenvolvimento da região. Para nós, o desenvolvimento do Brasil tem que beneficiar o conjunto da região. Um exemplo: teremos uma política muito forte de criação e desenvolvimento de provedores para a exploração e processamento do petróleo da campa do pré-sal (nas profundezas marinhas). Nós temos uma política de conteúdo nacional e contemplamos uma política de conteúdo regional conjunta com a Argentina. Construímos uma agenda na qual Argentina e Brasil, que são países com grandes recursos alimentares e energéticos, possam aumentar o valor agregado e a oferta de emprego na região. Com a Argentina, queremos uma sociedade na área de tecnologia e inovação; uma sociedade no uso da tecnologia nuclear para fins industriais pacíficos. Vou me concentrar na idéia fundamental de uma relação especial, estratégica, com a Argentina. Essa é a idéia motriz, que se manifestará em todas as áreas de interesse dos dois países, ou seja, a de parceria justa e produtiva.

- Regularmente, nossos países têm arestas comerciais bilaterais e agora também problemas relativos ao sistema cambial. Como se situará o Brasil com relação a isso?

- Brasil e Argentina sofrem, como todos os emergentes, as consequências da política de desvalorização monetária praticada pelas duas maiores economias do mundo. Nossa posição no G-20 deve ser a de reagir contra essa política – a de desvalorização da moeda –, que sempre trouxe ao mundo situações de relacionamento internacional que se mostraram complicadas e até perigosas. As desvalorizações competitivas provocaram várias crises econômicas e disputas políticas e ela não é boa para qualquer país emergente. Os Estados Unidos, especialmente, que detêm a moeda que é a reserva mundial de valor, deve considerar isto. Por outro lado, não temos que aceitar políticas de dumping ou mecanismos de competição inadequados que não se baseiem em práticas transparentes e justas; devemos reagir perante tais desvios. Mas, também, sabemos que o protecionismo no mundo não leva a lugar nenhum. As perdas não se restringem aos que estão se defendendo, mas se estendem a todo o sistema.

- As medidas que o Banco Central brasileiro vem adotando para evitar a supervalorização do real frente ao dólar não estão dando o resultado esperado, e na Argentina existe o temor de uma eventual desvalorização do real. A senhora poderia afirmar que isso não vai ocorrer?

- Ninguém, no mundo, pode afirmar isso. Nos tempos mais recentes, temos conseguido manter o dólar dentro de uma faixa de flutuação, ou seja, não temos tido nenhum ‘derretimento’ como se diz por aí. O real oscilou todo esse tempo entre 1,6 e 1,7 (real por dólar). Agora, ninguém no mundo pode dizer que garante que isso irá continuar [a não desvalorização]. Por isso, os organismos multilaterais são tão importantes para discutir essa questão: é imprescindível que haja responsabilidade dos países desenvolvidos nessa questão.

- Esta semana, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou que visitará o Brasil em março. Significa isso uma virada de página nas relações entre Washington e Brasília depois das tensões com o governo Lula, em função do Irã?

- A relação do Brasil com os Estados Unidos é histórica e vem se transformando à medida que os dois países se desenvolverão. Hoje, fantasticamente, o Brasil tem superávit na relação comercial com os Estados Unidos; algo inconcebível pouco tempo atrás. É importantíssimo ver os Estados Unidos como um grande sócio comercial dos países da América latina. Para o Brasil, os Estados Unidos são – e sempre serão – um sócio muito importante. E, para nós, devemos sempre aumentar e melhorar o nível dessa relação. Tivemos uma boa experiência nos últimos anos e também tivemos diferenças de opinião. Mas, o que importa é perceber que esta é uma sociedade que tem um horizonte de desenvolvimento muito grande. Então, achamos que, a cada ano, vamos ter que virar a página do ano anterior.

- Tem-se dito que a senhora dará muita importância aos direitos humanos. Como se traduzirá na prática esse interesse em sua política externa?

- Não vou negociar os direitos humanos, não vou fazer concessões nessa área. Mas, tampouco aceito que os direitos humanos possam ser vistos como restritos a um país ou a uma região; essa é uma falácia. Os direitos humanos são um tema que devemos cuidar tanto em nosso país como no resto do mundo. Não vale fazer vista grossa com relação ao que ocorre em casa e ficar criticando o que ocorre em outros países. Os países desenvolvidos já tiveram problemas terríveis, como os das prisões de Abu Ghraib, e Guantánamo, mas também creio que apedrejar uma mulher [no Irã] não é algo aceitável em termos de direitos humanos. Então não creio que ter uma posição firme em torno dos direitos humanos seja simplesmente a de apontar com o dedo outros países que não os respeitam, mesmo que, em casa, nós os respeitarmos. É bom que cada um olhe para o próprio rabo, como diz a Bíblia. Muitas vezes se utilizam os direitos humanos não para proteger as pessoas, mas para fazer política, para usá-los como instrumento político. Em nome disso não vou defender a quem abusa dos direitos humanos. Mas, tampouco, sou ingênua que não possa ver quando o seu uso é meramente político.

- Nesse contexto, como a senhora vê a situação de Cuba?

- Com a libertação de prisioneiros políticos por opinião, Cuba deu um paso adiante. Tem que continuar trabalhando nesse sentido, dentro do um processo de construção de melhores condições econômicas, democráticas e políticas do país. Respeito também o tempo deles. Há que se entender que a política se faz numa determinada temporalidade. De Cuba prefiro dizer que existe um processo de transformação e creio que todos os países devem incentivar tal processo. Devemos protestar contra todas as falhas que possam existir com relação aos direitos humanos em Cuba. Não tenho nenhum problema em dizer se algo me parece que está ruim por lá, ou por aqui também, porque nós não somos um país que não tem dívidas a pagar com relação aos direitos humanos; nós as temos.

- A Venezuela está a ponto de entrar no MERCOSUL. Como a senhora vê o seu ingresso no bloco?

- É importante que a Venezuela ingresse no MERCOSUL; é bom para o bloco que outros países se somem. Isso muda o nível do MERCOSUL. A Venezuela é um grande produtor de petróleo e de gás. Tem muito a ganhar estando no MERCOSUL e nós também temos muito a ganhar com a Venezuela. Vejo com excelentes olhos a sua participação no bloco.

- Após a morte de Néstor Kirchner, qual é a sua posição frente a eleição do novo secretário geral da UNASUL?

- Isto está em processo de negociação, mas creio que sempre que se possa é benéfico que haja uma rotatividade no cargo. É um bom método porque a UNASUL é uma reunião de países na qual somos todos iguais, sentados numa mesa redonda onde não há ninguém na cabeceira. O cargo é meramente administrativo e a rotatividade nos garante que todos tenham sua hora de ocupá-lo. Nada mais justo que cada um tenha a sua vez. Esse é um princípio democrático essencial entre países soberanos. Ninguém é mais importante do que qualquer outro; cada país, um voto.

O livro secreto do Exército

A Verdade Sufocada

Editorial

O fim do regime militar e a Lei da Anistia não trouxeram a pacificação desejada. Crédulos, os militares voltaram às suas atribuições, confiantes na reconciliação de todos os brasileiros. As mãos foram estendidas em sinal de paz, por um dos lados - as mãos dos vencedores da luta armada -, porém, para os vencidos, o combate continuou. Os derrotados trocaram as armas pelas palavras, fazendo questão de não deixar cicatrizar as feridas que procuram manter abertas até os dias de hoje.

Com a chegada ao Brasil dos primeiros banidos e auto-exilados a História começou a ser reescrita. Com os direitos políticos readquiridos, muitos voltaram a seus cargos, outros foram acolhidos por governos simpatizantes e outros ingressaram em partidos políticos recém fundados.

Aos poucos, a maioria dos “perseguidos políticos” ocupava cargos públicos, setores da mídia e universidades. Bons formadores de opinião, passaram a usar novas técnicas na batalha pela tomada do poder e pela tentativa de desmoralização das Forças Armadas.
A esquerda revanchista passou a descrever e a mostrar, da forma que lhe convinha, a luta armada no Brasil.

E o fez de maneira capciosa, invertendo, criando e deturpando fatos, enaltecendo terroristas, falseando a história, achincalhando as Forças Armadas e expondo à execração pública aqueles que, cumprindo com o dever, lutaram contra a subversão e o terrorismo em defesa da Nação e do Estado.

Passou a predominar no País a versão dos derrotados, que agiam livremente, sem qualquer contestação. As Forças Armadas, disciplinadas, se mantiveram mudas.
Aos poucos, a farsa dos revanchistas começou a ser aceita como “verdade” pelos que não viveram a época da luta armada e do terrorismo e que passaram a acreditar na versão que lhes era imposta pelos meios de comunicação social.

No segundo semestre de 1985, em razão das acusações formuladas no livro Brasil: Nunca Mais e pelas suas repercussões na mídia, a Seção de Informações do Centro de Informações do Exército (CIE) - atual Divisão de Inteligência do Centro de Inteligência do Exército - recebeu a missão de empregar os seus analistas - além de suas funções e encargos normais -, na realização de uma pesquisa histórica, considerando o período que abarcasse os antecedentes imediatos da Contra-Revolução de 31 de março de 1964, até a derrota e o desmantelamento das organizações e partidos que utilizaram a luta armada como instrumento de tomada do poder.

As pesquisas iniciais, realizadas ainda em 1985, mostraram, com clareza, que o trabalho ficaria incompleto e, até mesmo, impreciso historicamente, se fosse cumprido o planejamento inicialmente estabelecido. Assim, ampliou-se, no tempo e no espaço os limites físicos e cronológicos da pesquisa, retroagindo-se a Marx e Engels, passando pelos pólos irradiadores do Movimento Comunista Internacional e pela história do PCdoB – desde a sua criação em 1922 com a denominação de Partido Comunista do Brasil/Seção Brasileira da Internacional Comunista -, prolongando-se até a primeira metade da década de 1980.

Foi um trabalho minucioso, realizado em equipe, em que, inicialmente, os documentos existentes àquela época no CIE foram estudados, analisados e debatidos, conduzindo a novas indagações e a novos interesses. Com isso, as pesquisas foram ampliadas significativamente, incluindo processos, inquéritos, depoimentos de próprio punho de presos, jornais, revistas, gravações de programas de televisão, entrevistas, uma extensa bibliografia nacional e estrangeira e alguns livros de ex-militantes da luta armada.
Todas as pesquisas contribuíram para a elaboração desse livro, diferentemente do trabalho da equipe de D. Paulo Evaristo Arns que, para o livro “Brasil Nunca Mais”, pesquisou os processos e os inquéritos disponíveis na Justiça Militar, de onde extraiu, apenas, o que interessava, desde que fossem acusações e críticas aos militares e civis que os combateram e os derrotaram.

Visando a resguardar o caráter confidencial da pesquisa e a elaboração da obra, foi designada uma palavra-código para se referir ao projeto - Orvil -, livro escrito de forma invertida.

Em fins de 1987, o texto, de aproximadamente mil páginas, estava pronto.
A obra recebeu a denominação de “Tentativas de Tomada do Poder” e foi classificada como “Reservado”, grau de sigilo válido até que o livro fosse publicado oficialmente ou que ultrapassasse o período previsto na lei para torná-lo ostensivo.

Concluída e apresentada ao ministro do Exército, General Ex Leônidas Pires Gonçalves, este não autorizou a sua publicação - que seria a palavra oficial do Exército -, sob a alegação de que a conjuntura política não era oportuna, que o momento era de concórdia, conciliação, harmonia e desarmamento de espíritos e não de confronto, de acusações e de desunião.

Assim, a instituição permaneceu muda e a farsa dos revanchistas continuou, livre e solta, a inundar o País.

Muitos militares, considerando que a classificação sigilosa “Reservado” já ultrapassara o sigilo imposto pela lei e dispostos a divulgar o livro, resolveram copiá-lo e difundi-lo nos últimos 12 anos, na expectativa de que um número cada vez maior de leitores tomasse conhecimento de seu conteúdo.

Milhares de exemplares foram distribuídos a amigos, em corrente, e alguns exemplares foram entregues a jornalistas. Nós também recebemos um e nossos visitantes têm nos cobrado, permanentemente, a difusão do mesmo. Hoje, até órgãos do governo o possuem. Não o difundem porque a eles não interessa a divulgação do que ele contém.
Em abril de 2007, o Diário de Minas e o Correio Braziliense publicaram, por vários dias, extensa matéria sob o título “Livro Secreto do Exército é revelado”, em que abordaram, de forma irresponsável e panfletária, alguns aspectos que mais lhes interessavam sobre o livro. Logo em seguida, os telejornais fizeram coro à campanha.
Um procurador, mais afoito e atirado, afirmou que os militares sonegam dados sobre os desaparecidos. E de repente, não mais que de repente, o assunto bombástico desapareceu da mídia, como sempre. Os críticos do livro se recolheram, deixando no ar algumas meias verdades e muitas mentiras.

O silêncio prolongado, embora excepcionalmente revelador, sugere algumas indagações, dentre outras:

a - Por que os jornais não difundem o livro sequencialmente em capítulos?

-Teriam matéria gratuita por um longo período e, por certo, bateriam recordes de venda;

- Mostrariam à Nação um pouco das “ações heróicas” dos angelicais ex-terroristas, que receberam treinamento de guerrilha em Cuba, União Soviética e na China. Terroristas, que mataram, “justiçaram”, seqüestraram e assaltaram.

- Alertariam a população para as verdadeiras intenções da luta armada - implantar no Brasil o comunismo - seguindo as idéias de Fidel Castro e Che Guevara. As mesmas intenções do atual bolivarismo.

b- Se o livro teve a mais baixa classificação sigilosa – “Reservado” -, porque denominá-lo de Livro Secreto?

-Para criar impacto e vender mais?

-Para criar falsas expectativas no leitor?

- Por que não permitir ao leitor conhecer toda essa História?

-Por que não publicá-lo ostensivamente, se a classificação “Reservado” já está caduca?

Assediado pela imprensa, o General Leônidas confirmou a missão atribuída ao CIE de elaborar o livro em 1985 e a decisão de não publicá-lo em 1988, em nome da concórdia, do desarmamento de espírito e da pacificação nacional, como o fora em 1979 a “Lei da Anistia”.

Em 29 de agosto último, a Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República lançou, no Palácio do Planalto, em badalada cerimônia, que contou com a presença do presidente Lula, o livro “Direito à Memória e à Verdade”, praticamente uma cópia do livro “os filhos deste solo” de Nilmário Miranda e Carlos Tibúrcio. Para os autores desses dois livros, os crimes praticados pelos militantes da luta armada, simplesmente, não existiram. São ”heróis” que precisam ser permanentemente homenageados.

No texto de uma matéria publicada no Correio Braziliense de 31/08/07, o articulista Lucas Figueiredo estabeleceu um ponto de contato, um elo de integração entre o livro “Direito à Memória e a Verdade” e o livro do CIE “As Tentativas de Tomada do Poder”, quando afirmou: “a versão oficial do Exército sobre a morte de desaparecidos políticos é incorporada à história formal do período militar – Livro secreto agora é oficial”, como se o Orvil desse credibilidade às versões publicadas no livro” Direito à Memória e a Verdade”.

Em razão de uma afirmação descabida, desonesta e mal intencionada e para que os leitores possam comparar, avaliar e concluir, resolvemos divulgar o “Projeto Orvil” no site - www.averdadesufocada.com , para consulta livre e gratuita.

Ao mesmo tempo, o divulgaremos para todos os endereços eletrônicos disponíveis – particularmente os de jornais, revistas, escolas, universidades, associações de classe, etc - e o colocamos à disposição de outros sites que, como o nosso, estejam interessados em mostrar aos leitores que o livro não é secreto e nada tem a esconder, pelo contrário, ele mostra tudo aquilo que a esquerda não quer que o Brasil conheça.

Os editores do site www.averdadesufocada.com

LINK PARA DOWNLOAD DO LIVRO - http://www.averdadesufocada.com/images/orvil/orvil_completo.pdf