MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Lula, o presidente em busca de um país


Lula, o presidente em busca de um país

Por Reinaldo Azevedo

Por que, afinal de contas, Lula não foi ao almoço com Barack Obama? A sua turma vazou para a imprensa que ele não queria ofuscar Dilma Rousseff. Huuummm… Naquele ambiente, ele ficasse tranqüilo: não havia a menor chance. E por várias razões: o oficialismo ama o poder e a caneta. Por mais “charmoso” e “atraente” que Lula seja, a estrela brasileira do encontro seria a presidente Dilma Rousseff, e o grande astro do evento, Barack Obama.

Estaria o Apedeuta bravo com Dilma a ponto de não comparecer? Seria contragimento por não falar inglês? Bobagem! Isso faria supor que Lula pode, em certos casos, duvidar de si mesmo, o que não é de sua natureza.

Ele não foi em razão de uma soma de motivações psicológicas e políticas. Lula tem uma personalidade vingativa. Sempre foi assim. Ele resgatou alguns dinossauros da política e lhes deu vida nova; eram seus adversários no passado. Os casos mais notórios são José Sarney e Fernando Collor. Se fez amigos os inimigos, esmagou alguns aliados. Aqueles aceitaram se submeter à sua liderança; estes, em algum momento, ousaram resistir. Ele não engole até hoje a rejeição de Obama ao acordo nuclear com o Irã e não perdoa ao outro ser, afinal de contas, quem é: o líder mais poderoso do mundo (a despeito de sua ruindade). Se Lula pudesse, esmagaria o presidente americano. Como não pode, dá uma de malcriado.

Há mais. Ele foi convidado para uma festa na qual seria mero coadjuvante, tendo de dividir a cena com seus parceiros de nicho: os ex-presidentes. A história de que ele temia ofuscar Dilma tem de ser lida pelo avesso: porque sabia que esse risco, ali, não existia, preferiu ficar em casa, roendo os cotovelos. E nem acho que tenha sido movido pela inveja. A exemplo do que se notou nos últimos dois meses de governo, quando passou a falar alucinadamente, está certo que lhe tomaram algo de seu.

O Lula real, como já disse aqui algumas vezes, deve mesmo acreditar que é o Lula do mito. No evento de ontem, ele seria só mais um. Tal papel não é compatível com a personagem que está na política há mais de 35 anos. FHC acabou sendo uma das figuras de destaque do dia porque sabe ser um ex-presidente. Ao chegar em casa, foi cuidar de outros assuntos. O Apedeuta não, coitado! Ele é hoje um presidente em busca de um país.