MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Este é o país do José "Daniel" Dirceu...

José Dirceu e seus ídolos - Fidel e Marighela



15/03 - Cara de pau

http://www.averdadesufocada.com/index.php?option=com_content&task=view&id=4863&Itemid=1

Dirceu quer apurar os crimes dos militares na ditadura e deixar de fora os crimes da luta armada. Assim, é melhor trocar o nome e instituir a "Comissão da meia verdade
Por Carlos Newton - Tribuna da Imprensa - 15/03/2011
Com se sabe, a Comissão da Verdade, projeto de Lula que tramita no Congresso, visa a apurar exclusivamente os crimes (mortes, torturas, desaparecimentos, perseguições etc.) cometidos por militares na repressão à luta armada que tentou derrubar a ditadura de 64.
Seu mais ardoroso defensor chama-se José Dirceu. Em seu blog, dia 10 de março, Dirceu deixou bem clara a posição.
Texto completo
“Ao ler a nota elaborada pelo Exército, endossada pela Marinha e a Aeronáutica e entregue ao Ministério da Defesa contra a aprovação pelo Congresso da Comissão da Verdade, sinto que a posição externada pelo conjunto das Forças Armadas no documento é mais grave do que pareceu à primeira vista, até mesmo para os jornais que a publicaram e repercutiram a partir de ontem”, destacou o deputado cassado, acrescentando:
“Não dá para aceitar. Querem a reciprocidade, investigar a oposição e a resistência à ditadura? Investigar quem foi preso, torturado, condenado? Quem foi demitido e exilado, perseguido e viu sua família se desintegrar? Quem teve que viver na clandestinidade e no exílio para não ser preso e assassinado? Mas, estes todos já foram julgados. A maioria, apesar de civis, por tribunais militares de exceção e, quando condenados, cumpriram pena. Querem que sejam investigados e julgados duas vezes ou mais?”.
Como se vê, Dirceu só quer investigar o lado de lá, deixando o lado de cá previamente absolvido, mediante uma espécie de “habeas corpus preventivo”, que os isenta de investigação. Isso seria compreensível, se a luta armada tivesse sido organizada por democratas, que sonhavam em derrubar a ditadura e convocar eleições livres e diretas. Mas não era esta a nossa realidade. A gente só queria substituir uma ditadura de direita por uma ditadura de esquerda. E digo “a gente”, porque eu também estava nessa.
Há exatamente um ano, houve uma espécie de minicongresso das esquerdas de 64, no restaurante Lamas, para comemorar os 80 anos do jornalista Milton Coelho da Graça. Eu partilhava a mesma mesa de Marcelo Cerqueira, Edson Khair, Henrique Caban, Gloria Alvarez e Moyses Fuchs, entre outros. A conversa era muito animada, comandada por Alfredo Marques Viana.
Com a tarde já avançando, muitos participantes já tinham saído, nosso pequeno grupo começou a falar sobre a reação à ditadura militar. Até que Marcelo Cerqueira e eu levantamos a tese de que não havia democratas nessa disputa.
João Goulart sonhava ser Getúlio Vargas e ficar no poder indefinidamente. Miguel Arraes também tinha o mesmo objetivo. Prestes, idem, idem. Já Lacerda sonhava com uma revolução de direta, para depois empolgar o poder. Por isso, estava aliado aos militares. Juscelino também se aliou a eles. Era o mais democrata de todos e queria disputar as eleições que nunca viriam, mas acabou apoiando Castelo Branco.
O quadro na época tinha apenas duas correntes: a ditadura militar, que já estava estruturada e tinha apoio incondicional das elites e de considerável parcela da classe média; e a reação, armada ou não, que lutava para implantar uma ditadura de esquerda, inspirada na revolução cubana, com “paredón” e tudo o mais. Os verdadeiros democratas, que só pretendiam a normalidade institucional, eram raríssimos.
Essa era a realidade daquela época. Fidel e Guevara eram nossos maiores ídolos. Na mesa do velho Lamas, que reunia históricos oponentes à ditadura militar, ninguém discordou dessa tese. Foi unanimidade, porque naquela época, todos reconhecemos, ninguém lutava mesmo por democracia.
Agora, vêm José Dirceu e seus áulicos do PT, que o seguem cegamente, a empurrar o governo de Dilma Rousseff para um despenhadeiro político. Mas por quê? Só Freud explica, e o faz facilmente. Qualquer um pode imaginar o inveja e o ódio que Dirceu devota a Dilma Rousseff. Em seu inflado ego, quem devia estar agora no Planalto era ele, o verdadeiro mentor do governo Lula, e não ela, uma simples substituta. Entao, se a presidente entrar em fria, o problema é dela.
A atual ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, que apoia Dirceu e defende ardentemente a Comissão da Verdade, naquela época nem tinha nascido, não sabe nada por vivência. Entrou facilmente no canto do cisne entoado por Dirceu, que se comporta como se a reação à ditadura tivesse sido empreendida por grandes defensores da democracia, e todo o pessoal da luta armada sonhava em convocar eleições livres e diretas. Negativo. Isso não existiu. Éramos todos marxistas, fidelistas e guevaristas, estávamos obcecados pela charmosa revolução cubana. Queríamos pegar em armas, como eles fizeram, e descer vitoriosos a Sierra Maestra, digo, a Serra do Mar. Esta era a realidade, não se pode mudar a História, mas Dirceu insiste.-
A esse respeito, merece destaque um comentário enviado ao blog por Welinton Naveira e Sila:
“A questão das torturas, seqüestros, assassinatos e terrorismos, largamente praticados pela ditadura militar, a meu ver, de há muito que tudo deveria ter sido esclarecido, em definitivo. Se isso tivesse acontecido, todo esse grande mal decorrente de nosso recente e trágico passado, ainda não sepultado, já teria sido morto e enterrado. Com certeza. A coragem e hombridade são importantes atributos que nunca podem faltar ao nosso militar. Portanto, passa da hora de começar abrir todos os arquivos e documentações escondidas, pondo tudo em pratos limpos, as vistas de todos os interessados. Vai doer sim, mas logo, o grande tumor estará esgotado e cicatrizado. Além do que, ninguém será punido pelos crimes cometidos. Punidos, continuam sendo os pais e parentes dos desaparecidos. Esses sim, continuam sendo castigados, sem nada ter feito. Depois de anos de tantas buscas e recursos exauridos, extenuados e desiludidos, a essa altura já não sabem mais a quem recorrer para localizarem o paradeiro de seus entes queridos. Também, se algum crime foi cometido pelo pessoal da esquerda, que seja posto bem a luz dos esclarecimentos, sem dúvida alguma. Cometer grandes erros faz parte da miséria humana. Temos que reconhecer essa cruel e dura realidade. Por isso mesmo, estamos aqui neste mundo, espiritualmente, muito atrasado. Acreditem.”
Perfeito o comentário de Naveira e Silva. Se o Congresso aprovar o projeto de Lula e determinar a instalação da Comissão da Verdade, destinada a investigar exclusivamente os crimes (mortes, torturas, desaparecimentos, perseguições etc.) cometidos por militares na repressão à luta armada que tentou derrubar a ditadura de 64, será um erro histórico. Não merece ser chamada de Comissão da Verdade, porque só vai apurar meias verdades. A revolução precisa ser passada a limpo, mas a luta armada também precisa. Ao apontar os crimes dos outros, não podemos esconder nossos crimes. Isso não é democracia.
Por fim, já ia esquecendo. Milton Coelho da Graça, nosso homenageado no Lamas, é uma figura lendária das esquerdas. Foi perseguido, torturado, perdeu os dentes de tanta pancada. Sua carreira foi interrompida, sofreu muito, sem nunca perder a altivez e a dignidade. Recorreu à Comissão de Anistia, pedindo a pensão a que faz jus. Mas seu pleito foi negado, sob alegação de Milton não ter sido prejudicado pela ditadura.
Lula nunca foi torturado e tem pensão, Fernando Henrique, o enganador-mor, nunca nem foi preso e tem pensão da USP. Milhares de enganadores recebem a tal bolsa-ditadura. Mas o lendário Milton Coelho da Graça não tem o mesmo direito. Que país é esse, Francelino? É o país do José Dirceu.