MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

MEMORIAL DO COMUNISMO





A História Soviética - Vídeos

Memorial do Comunismo: China e a Grande Fome

Memorial do Comunismo: Hospitais psiquiátricos na China

Memorial do Comunismo: Prisioneiros do gulag cubano

1968: 40 anos do AI-5

O mov. da esquerda punitiva e a revisão da Lei da Anistia

Memorial do Comunismo: O genocídio do povo da Ucrânia

O Livro Negro do Comunismo - Adquira a obra

Arquivos I - Uma História da Intolerância

O socialismo do século XXI

Memorial do Comunismo: Os nexos de Lula com as FARC

Alemanha destrói Memorial às Vítimas do Comunismo

Che Guevara, el chancho (o porco)

Memorial do Comunismo: A vala do cemitério de Perus

Livro retrata Che como homem sanguinário

Seminário Brasil: 1968-2008

Morre Alexandre Soljenítsin, autor de Arquipélago Gulag

Sistema métrico da intolerância

Memorial do Comunismo: Mentira temível

Memorial do Comunismo: A defesa Brilhante do coronel Ustra

O novo comunismo tem raízes fascistas

ALBA - Alternativa Bolivariana para as Américas

Posição firme, clara, expressa e oportuna

Memorial do Comunismo: A transformação do PC Italiano

Memorial do Comunismo: Protesto na Praça da Paz Celestial

Memorial do Comunismo: Genocídio na Ucrânia

PT de luto: morreu Tiro Certeiro, fundador das FARC

Círculos Bolivarianos - Coordenadora Continental Bolivariana

Conselho Sul-Americano de Defesa: a serviço de quem?

Memorial do Comunismo: os mortos e os algozes milionários

A crítica de Meira Penna à Teologia da Libertação

Os barbudinhos do Itamaraty e o investimentchi grêidji

Operação Brother Sam, uma operação fantasma

Livro Negro do Terrorismo no Brasil: acesse os arquivos

A história oficial de 1964

URSAL: a mãe do monstro

A América Latina na contramão

Chico Dólar narra a Guerrilha do Araguaia

ORVIL: Leia o livro secreto do Exército

Memorial do Comunismo: Argentina, 8 mil desaparecidos

Círculos Bolivarianos: ameaça à democracia

Memorial do Comunismo: Prestes e outros mitos

Olavo de Carvalho e o pensamento brasileiro

Memorial do Comunismo: Requiem pelos 110.000.000 de mortos

Memorial das Vítimas do Comunismo

Aprendendo com Peña Esclusa

Efeito didático

Ainda sobre a República Socialista dos Bandidos

O Ministro e a doutrinação

O MST e a guerra irregular moderna

O bárbaro crime contra o capelão argentino

Memorial do Comunismo: Ucrânia, o holocausto esquecido

Memorial do Comunismo: Avanço do retrocesso vermelho

Che Guevara: Mortífera máquina de matar

Memorial do Comunismo: O expurgo de nomes

Memorial do Comunismo: A História agredida

Memorial do Comunismo: Depoimento de militante da AP

O governo, o PT e a propriedade

Memorial do Comunismo: Cultura comunista

Memorial do Comunismo: A maior seita de assassinos

Memorial do Comunismo: O III Congresso do PT

Por que eles odeiam tanto os EUA?

O stalinismo de Hugo Chávez

Memorial do Comunismo: Os Demônios

Memorial do Comunismo: O revanchismo da Peste Vermelha

Memorial do Comunismo: Falsificações da História

Política Partidária e Ideologia na Educação

Revanchismo contra militares quer rever Lei da Anistia

Memorial do Comunismo: Ação Popular Socialista

O manifesto comunista do PT

Memorial do Comunismo: Fahrenheit 451

A sombra do estado policial

Memorial do Comunismo: Polilogismo - Karl Marx e os Nazistas

Memorial do Comunismo: O Livro Negro do Comunismo

A necessidade da deposição do desgoverno petista

Memorial do Comunismo: Petition on line para Quartim

Memorial do Comunismo: Lenin, segundo o PCdoB

Memorial do Comunismo: Edição extra de O Cruzeiro

Memorial do Comunismo: A trajédia chilena sob Allende

Memorial do Comunismo: A Grande Mentira

Memorial do Comunismo: O modelo educativo cubano

Memorial do Comunismo: Ajuda financeira de Lula a Fidel

Memorial do Comunismo: A verdade histórica do Chile

Memorial do Comunismo: O Eixo do Mal Latino-Americano

Memorial do Comunismo: A facínora Olga Benário

Memorial do Comunismo: A volta da ditadura czarista

A Caçada ao Outubro Vermelho e os atletas cubanos

Lula, o Capitão do Mato, a serviço de Fidel Castro

Memorial do Comunismo: Necessidade de condenar os crimes

Memorial do Comunismo: Os crimes do Comunismo

Memorial do Comunismo: O caso Wielgus

Memorial do Comunismo: O drama cubano e o silêncio Vaticano

Memorial do Comunismo: A incerteza nos julgamentos

Memorial do Comunismo: O genocídio da Peste Vermelha

Memorial do Comunismo: Tribunal Internacional do Camboja

Memorial do Comunismo: Volta aos anos 70

Memorial do Comunismo: Por que Médici é de fato odiado?

Memorial do Comunismo: O PT é antidemocrático

Memorial do Comunismo: Drogas Esportivas

Memorial do Comunismo: Operação Condor

Memorial do Comunismo: Hospedaria dos subversivos

O desastre do aparelhamento do Estado

Memorial do Comunismo: A indecente indenização de Genoino

Memorial do Comunismo: O PT e o MST

O Liberalismo e os inimigos da liberdade

Os ataques de Chávez à evangelização

Memorial do Comunismo: Política de escritório, versão KGB

Memorial do Comunismo: Os serviços secretos da Rússia

Memorial do Comunismo: O Nazismo é o álibi do Comunismo

Memorial do Comunismo: Os anos de chumbo

Memorial do Comunismo: 25 de julho de 1966

Esquerdismo barato: apostila de História do sistema COC

Memorial do Comunismo: Ciência e ideologia

Memorial do Comunismo: Partidos Comunistas no mundo

Memorial do Comunismo: Anticomunistas famosos

Memorial do Comunismo: Chineses comem fetos humanos

Memorial do Comunismo: Histórias de canibalismo na China

Empreendedorismo: Delmiro Gouveia e sua fábrica no Sertão

Memorial do Comunismo: El cóndor pasa...

Memorial do Comunismo: A Guerra dos Seis Dias soviéticos

Memorial do Comunismo: Liberais x Totalitários

Memorial do Comunismo: Trilogia suja de Havana

Obstáculos à Liberdade na América Latina

Memorial do Comunismo: O terror comunista

Memorial do Comunismo: Os crimes políticos na RDA

Memorial do Comunismo: Memorial 1935

Memorial do Comunismo: Memorial 1964

Memorial do Comunismo: O Gulag e os dissidentes soviéticos

Memorial do Comunismo: Comunista come criancinha!

Memorial do Comunismo: Gulag e a torrente dos kulaks

Memorial do Comunismo: Olga Benário

Memorial do Comunismo: FSP ou cubanização da América Latina

Memorial do Comunismo: A Comissão Trilateral

Memorial do Comunismo: Escola do Komsomol

Memorial do Comunismo: Universidade Patrice Lumumba

Memorial do Comunismo: TV Lumumba entrevista Hugo Chávez

Memorial do Comunismo: Os crimes do Comunismo

Memorial do Comunismo: A Teologia da Libertação

Memorial do Comunismo: O Foro de São Paulo

Memorial do Comunismo: As esquerdas e o monopólio da Tortura

Memorial do Comunismo: Museu Virtual do Comunismo

Memorial do Comunismo: O Livro Negro do Comunismo

Memorial do Comunismo: Lysenko e as sementes transgênicas

Memorial do Comunismo: Guerrilha do Araguaia, Licio Maciel

Memorial do Comunismo: Sobre a moralidade de Karl Marx

Memorial do Comunismo: Tio Arno Preis

Memorial do Comunismo: Castello Branco e o 31 de março de 64

Memorial do Comunismo: A TV Lumumba e o AI-5

Memorial do Comunismo: Cogumelo atômico

Memorial do Comunismo: Recuerdos de La Habana

Memorial do Comunismo: As libélulas da USP

Memorial do Comunismo: Bete, Mentes?

Memorial do Comunismo: Guerrilha Desarmada

Memorial do Comunismo: Allende e Pinochet

Memorial do Comunismo: A Pedra de Roseta do Caribe

Memorial do Comunismo: Revanchismo no Brasil

Memorial do Comunismo: Atentado ao QG do II Exército

Memorial do Comunismo: os crimes do PCBR

Memorial do Comunismo: O Conselho Mundial de Igrejas

Memorial do Comunismo: A USP depreda o Mackenzie

Memorial do Comunismo: Celso Lungaretti às ordens de Lamarca

Memorial do Comunismo: Monumento de Washington

Memorial do Comunismo: Cuba, há 48 anos, refém de Fidel

Memorial do Comunismo: O genocídio da Peste Vermelha

Memorial do Comunismo: Marechal Castelo Branco

Memorial do Comunismo: UNE, organização-pelego, de Getúlio a Lula

Memorial do Comunismo: a FBI das esquerdas

Memorial do Comunismo: Onde eles estão?

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Memorial do Comunismo: A Guerrilha do Araguaia II

Memorial do Comunismo: Alguns crimes do PCB

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Memorial do Comunismo: A Intentona Comunista de 1935

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Memorial do Comunismo: Os incríveis exércitos de Brizoleone

Memorial do Comunismo: O assassinato de Elza Fernandes

Memorial do Comunismo: As madraçais do MST

Memorial do Comunismo: Operação Limpeza

Memorial do Comunismo: Opeação Thomas Mann

Memorial do Comunismo: Grécia e suas vítimas

Memorial do Comunismo: O Muro de Berlim

Memorial do Comunismo: Orçamento Participativo e Governo Paralelo

Memorial do Comunismo: Operação Registro

Memorial do Comunismo: Macartismo

Memorial do Comunismo: Movimento de Massa

Memorial do Comunismo: Batismo de Sangue

Memorial do Comunismo: Organizações terroristas brasileiras

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Memorial do Comunismo: Organizações de Frente

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Memorial do Comunismo: Apolônio de Carvalho, o general de Stálin

Memorial do Comunismo: A Guerrilha do Araguaia I

Memorial do Comunismo: A verdade s/ o terrorismo no Brasil

Memorial do Comunismo: Quem foi Leonel Brizola?

Memorial do Comunismo: O discurso de Brizola em 1/4/1964

Memorial do Comunismo: A Bulgária sob o jugo comunista

Memorial do Comunismo: Pequeno Dicionário

Memorial do Comunismo: memorial cubano

Memorial do Comunismo: O Arquipélago Gulag

Memorial do Comunismo: Revolução Cultural Chinesa

Fundação do Memorial das Vítimas do Comunismo

Bush inaugura monumento em honra às vítimas do comunismo

A 3ª tentativa de tomada do poder: Os anos da matraca

A 2ª tentativa de tomada do poder: A Revolução de 1964

A 1ª tentativa de tomada do poder: Intentona Comunista

Nacionalismo e esquerdismo nas Forças Armadas

Lamarca, o general de Stálin e Fidel Castro

O Arquipélago Gulag e os dissidentes soviéticos

Dias de fascismo guasca

Comunista come criancinha. Culpa? Da Igreja Ortodoxa!...

O treinamento de guerrilhas em Cuba

Arquipélago Gulag: A torrente dos kulaks

Lamarca: a trajetória de um desertor

A verdade sobre o caso Parasar

O mito dos ossos de Che Guevara

Pequena história da subversão e da espionagem

PT e PSDB são irmãos siameses

Foro de São Paulo: a cubanização da América Latina

Esquerdismo: 140 verdades

História: Jango fala aos sargentos; é o princípio do fim

Escola do Komsomol

TV Lumumba entrevista Hugo Chávez

Os crimes do Comunismo

Foro de São Paulo: um onagro que não ousa dizer seu nome

Ascensão comuno-fascista no Brasil

FBI: um onagro franco-argelino-brasileiro

Tribunal Bertrand Russel: um onagro (quase) esquecido

Brizola, o último dos maragatos

Ensaio sobre a Contra-revolução de 1964

Sobre a moralidade de Karl Marx

Lei da Anistia deturpada pelas esquerdas

Guerrilha do Araguaia: relato de um oficial do Exército

Os idos de março e os brasilianistas

A TV Lumumba e o AI-5

El cóndor pasa (e os urubus tapam o nariz)

VAR-Palmares: conheça o grupo terrorista de Dilma Rousseff

31 Mar 1964: bandidos e heróis, disciplina e hierarquia

A esquerda e o Islã de mãos dadas - Partes I e II

Memorial do Comunismo: Tentando desvendar Prestes

Mikhail Gorbachev: Uma história oculta do mal

Lembrai-vos de 35!

Segredos do Exército São Revelados por um Oficial

A vida clandestina de Dilminha Bang Bang

A intervenção cubana em Angola

O Foro de São Paulo não é uma fantasia

Memorial 1964: A Contra-Revolução de 1964

Gramsci e a comunização do Brasil

Memorial do Comunismo: Parlamento Europeu contra o Comunismo

Neocomunismo:Conquista dos aparatos ideológicos da sociedade

Uma falseia e a outra frauda a História

General Médici, o Grande Comandante

Cesari Battisti, o amiguinho dos petistas

O Orvil e as elucubrações do jornalista Lucas Figueiredo

Como agem os fascistóides da USP

O surgimento do império neocomunista

Resenha do livro O eixo do mal latino-americano

Katyn, massacre comunista e mídia amestrada

Memórias Reveladas: O que falta no Arquivo Nacional

A Verdade Sufocada: O revanchismo e as indenizações

Dilma Rousseff e suas atividades terroristas

Revolução de 1964: Muleta dos (falsos) intelectuais

Lembrar é preciso: Médice e a Contra-Revolução de 1964

A História Soviética: veja o vídeo antes que o tirem do site

Uma Teoria sobre o Socialismo e o Capitalismo

Livro Contra toda a esperança, de Armando Valladares

Lembrar é preciso: MST é obstáculo para lei antiterrorismo

Está tudo dominado: Cadê os caras-pintadas?

A revolução silenciosa


Leia os textos postados por Félix Maier no site Usina de Letras

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Acesse o blog da Unemfa - http://www.unemfa.blogspot.com/

Participe do panelaço no Bandeirão - dia 7 de agosto de 2011, às 08:00 h (domingo)
Local: Praça dos Três Poderes - Brasília/DF
Valorização do profissional militar das Forças Armadas brasileiras
Salário digno já!

segunda-feira, 25 de abril de 2011

VAR-Palmares: O arsenal de guerra de Dilminha Bang Bang

Arsenal de guerra da VAR-Palmares



VAR-Palmares planejou execução de militares

Qui, 14 de Abril de 2011 10:59 Estadão

Armas do grupo guerrilheiro VAR-PalmaresDocumentos do grupo guerrilheiro, no qual militou a presidente Dilma, indicam planos para 'justiçamento' de oficiais do Exército

BRASÍLIA - Documento da Aeronáutica que foi tornado público nesta quarta-feira, 13, pelo Arquivo Nacional, após ter sido mantido em segredo durante três décadas, revela que a organização guerrilheira VAR-Palmares, que contou em suas fileiras com a hoje presidente Dilma Rousseff, determinou o "justiçamento", isto é, o assassinato de oficiais do Exército e de agentes de outras forças considerados reacionários nos anos da ditadura militar.

Com cinco páginas, o relatório A Campanha de Propaganda Militar, redigido por líderes do grupo, avalia que a eliminação de agentes da repressão seria uma forma de sair do isolamento. O texto foi apreendido em um esconderijo da organização, o chamado aparelho, e encaminhado em caráter confidencial ao então Ministério da Aeronáutica.

O arquivo inédito, revelado pelo Estado no ano passado e aberto à consulta pública anteontem, faz parte do acervo do Centro de Segurança e Informação da Aeronáutica (CISA). No Arquivo Nacional, em Brasília, novo endereço do acervo que estava em poder do serviço de inteligência da Aeronáutica, há um conjunto de documentos que tratam da VAR-Palmares. Mostram, entre outras coisas, a participação de militares da ativa e a queda de líderes do grupo em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo.

Os nomes dos integrantes do grupo receberam uma tarja preta, o que impede estabelecer relações diretas entre eles e as ações relatadas. É possível saber, por exemplo, que militantes de Belo Horizonte receberam em certa ocasião dez revólveres calibre 38 e munição, mas não os nomes desses militantes.

Na primeira página, o relatório de cinco páginas destaca que o grupo não tem "nenhuma possibilidade" de enfrentar os soldados nas cidades. Sobre o justiçamento de militares observa: "Deve ser feito em função de escolha cuidadosa (trecho incompreensível) elementos mais reacionários do Exército."

Extermínio. Na época da redação do texto, entre 1969 e 1970, a ditadura tinha recrudescido o combate aos adversários do regime. Falava-se em setores das forças de completo extermínio dos subversivos. Em dezembro de 1968, o regime havia instituído o AI-5, que suprimia direitos civis e coincidia com o início de uma política de Estado para eliminar grupos de esquerda.

A VAR-Palmares surgiu em 1969 com a fusão do grupo Colina (Comando de Libertação Nacional), em que Dilma militava, com a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), do capitão Carlos Lamarca. Dilma, à época com 22 anos, foi presa em janeiro de 1970 em São Paulo. Ela só foi libertada em 1972, após passar por uma série de sessões de tortura. Sempre que fala sobre seu envolvimento com a resistência ao regime militar, Dilma costuma ressaltar que sua visão atual da vida não tem "similaridade" com o que pensava durante o tempo de guerrilha.

O documento tornado público classifica as ordens como contraofensiva. Seria uma resposta aos "crimes" do regime militar contra a esquerda: "O justiçamento punitivo visa especialmente paralisar o inimigo, eliminando sistematicamente os cdf da repressão, os fascistas ideologicamente motivados que pressionam os outros."

O texto também dá orientações sobre como definir e vigiar possíveis alvos. A ideia era uma fazer uma lista dos oficiais "reacionários" e de pessoas ligadas à CIA, a agência central de inteligência dos Estados Unidos.

A VAR-Palmares tinha definido como alvos prioritários o delegado Sérgio Paranhos Fleury, do DOPS, e seu subordinado Raul Careca, acusados de comandarem a máquina da tortura nos porões de São Paulo: "Careca, Fleury são assassinos diretos de companheiros também. Trata-se de represália clara. Já outros investigados serão eliminados sob condição, conforme vimos acima."

Fonte: http://www.oriobranco.net/mundo/13350-var-palmares-planejou-execucao-de-militares.html

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Minhas postagens em Usina de Letras

Brasília, 18 de abril de 2011. Amigos, Por absoluta falta de tempo, não postarei mais textos no blog Resistência Militar. Os leitores e seguidores poderão ver minhas postagens em Usina de Letras (cliquem abaixo). Um abração a todos e muito obrigado! Félix Maier http://www.usinadeletras.com.br/exibelotextoautor.php?user=FSFVIGHM Conheça meu blog - http://www.felixmaier.blogspot.com/

quarta-feira, 23 de março de 2011

Comentário semanal do coronel Gelio Fregapani

Comentário nº 92– 23 de março de 2011

Assuntos: Visita de Obama, Ataque à Líbia e Pequenas Notícias

A Visita do Poderoso Chefão

Visitas de chefes de Estado são boas para estreitar laços e aparar arestas. Entretanto todas tem objetivos, declarados ou não, principalmente por parte de quem teve a iniciativa da visita..

Além de estreitar laços, o objetivo declarado de Obama era o comercial. Na perigosa crise financeira com o dólar rampa abaixo, o bom senso indica que os EUA tentarão voltar a ser a grande potência industrial que foram antes de transferir suas fábricas para países de mão de obra barata, mas para isto necessitarão de petróleo e dos minerais que não possuem, além de abrir mercados para seus produtos. O triste será quando seu papel pintado não for bem recebido, ou mesmo for recusado. Terão que desenvolver alguma outra forma de obter o que for indispensável. Talvez tomar a manu militarii, mas melhor seria, se possível, algum acordo.

Dentro dessas premissas podemos sentir um recado: Para não acontecer o que está ocorrendo com a Líbia, de quem o Reino Unido, Itália e França querem o petróleo, vende para mim o do pré-sal que eu lhe protegerei. Caso não venda, eu o tomarei, aliado a eles ou não.

Teria sido bom se o recado incluísse algo assim como “e continue a me fornecer nióbio a preço de banana. Forneça-me também terras raras, tantalita-volframita, urânio e tório e outros mais que necessito que você continuará com seu território inteiro. Até mesmo me comprometo a retirar minhas ONGs. Pagamento? Se o dólar não mais tiver valor, posso pagar com excelentes aeronaves de combate, com navios de superfície e com outros petrechos que garantirão sua soberania contra os demais ambiciosos (desde que eu concorde), mas nada poderiam contra a minha força”.

Um acordo assim seria uma volta ao semi-protetorado. Nada de mais. Já fomos semi-protetorado da Inglaterra que manteve a Amazônia para nós contra os EUA, e depois destes últimos que nos “protegeram” da ameaça (?) nazista, da União Soviética e do comunismo internacional. Claro tudo teve seu preço. Até tivemos que o acompanhar na guerra, mas foi o melhor para cada ocasião. Na verdade só deixamos de ser “protegidos” quando não havia mais ameaça, ou melhor, quando na ausência de um inimigo, o antigo protetor extrapolou suas ambições e passou a ser visto como a ameaça

Agora, a nova situação mundial força os EUA a buscar uma aliança conosco. Será a aliança ou o confronto. Certamente será melhor a aliança do que o confronto, mas como Vargas em 1942, caberá a Dilma tirar o Maximo proveito da necessidade do parceiro.

Uma aliança, mesmo que bem sucedida, sempre será provisória. Pode até haver simpatia entre países, mas não há amizades; há interesses. Os interesses forjam os tratados; e a garantia de cumprimento é a manutenção do interesse ou a força para o impor.

Não me venham falar em justiça. Isto, na terra, só existe para quem tem força para a assegurar.

A nação que confia mais em seus direitos do que em seus soldados, engana a si mesma e cava a sua ruína (Ruy Barbosa)


O ataque à Líbia

Não me move simpatia pelos regimes islâmicos. Além do endêmico radicalismo deles me preocupa a diferença das taxas de natalidade entre eles e o ocidente cristão, inclusive a do nosso País. É conhecido o resultado de pressões, e a pressão demográfica, a longo prazo é a mais forte. Entretanto, apresentar o ataque à Líbia como “proteção ao povo líbio chega as raias do cômico. Ontem seu amigável chefe de Estado era presidente, hoje é chamado de ditador. Os amigáveis reis sauditas e do Barhein, enquanto amigáveis continuarão majestades. É de estranhar que um “ditador odiado” distribua armas à população, se isto for verdade.

Hoje, invade-se a Líbia com o pretexto de defender a oposição a Kadafi. Amanhã, a "Nação Indígena" declara sua independência e o Brasil será atacado se quiser impor a união do seu território. O Índio, como o povo líbio servem para pretexto. A ONU vota a defesa dos índios pela força e a história se repete.

Quanto a Líbia, parece-nos certo que será colocado um governo títere ou será amputada de sua região petrolífera. Isto é o resultado de riquezas naturais e falta de força. Situação parecida com a de uma vasta área sul-americana que um dia se chamou “Terra de Santa Cruz”


Hidrelétricas do rio Madeira

O aparato internacional conseguiu o que queria: Interromper a construção das hidrelétricas. Já usara ONGs, índios e movimentos sociais e políticos locais sem sucesso. Contou, estou convicto disto, com o beneplácito da líder do Consorcio – a multinacional Suez, que suspeito desejava aproveitar as paralisações para arrancar mais dinheiro do governo. Decidiu-se agora por sabotagem.

Briga de motorista com usuário? Piada! É indispensável preparação anterior para mascarados reunirem gasolina suficiente para incendiar dezenas de ônibus e alojamentos do tamanho de uma pequena cidade.

Paranóia? Povos civilizados e desenvolvidos seriam incapazes de tais felonias? Bem, mas o que teria acontecido em Alcântara?


Código Florestal

Priorizado o interesse nacional, o novo Código proposto por Aldo Rabelo será aprovado. Os problemas são os entreguistas e a ala ingênua dos ambientalistas, que consideram a ação das ONGs como sendo de proteção às florestas. A Amazônia precisa de desenvolvimento econômico, não apenas de proteção ambiental É importante não permitir que o meio ambiente nosso Brasil, continue sendo gerenciado por gente que só fala nosso idioma com sotaque estrangeiro


Nova campanha de desarmamento das pessoas de bem

O estado com menor índice de armas registradas (Alagoas) tem, de longe, o maior índice de assassinatos. O min. da Justiça e outros ingênuos, (para não pensar coisa pior), acreditam que, se as pessoas de bem entregarem suas armas e confiarem seu patrimônio aos bandidos, o país será mais seguro e menos violento


Assento permanente no Conselho de Segurança

Com a ONU desmoralizada e sem poder de veto, será que vale a pena pleitear uma vaga? As resoluções, só serão respeitadas quando houver interesse dos EUA. No caso do Iraque, pela primeira vez a ONU disse não. Adiantou?

Creio que só o nosso País acha que deve cumprir ar resoluções tomadas naquela organização de fachada. E sem armas atômicas...

Que Deus guarde a todos vocês

Gelio Fregapani

De um Militar, à Presidente Dilma

Excelentíssima Senhora Dilma Rousseff

Presidenta da República Federativa do Brasil.

Senhora Presidenta.

Algumas casas existem, nesta República onde os homens não fazem greve, não protestam, não portam faixas, não paralisam, nas ruas, o trânsito, não realizam operações-padrão, não estão, pela imprensa, a vociferar vitupérios contra seus chefes e nem se reúnem em sindicato que os defenda.

Apenas, senhora, para eles existe a disciplina, diariamente pregada e executada, desde o alvorecer até aos exaustivos plantões noturnos, porque aos seus membros se ensina também e, desde cedo, que as Forças Armadas destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer delas, da lei e da ordem - Art, 142 da Constituição.

Os homens, dessas casas, acostumaram-se às afirmações de seus chefes de que tudo deve ser resolvido, rigorosamente, dentro dos parâmetros impostos pela hierarquia e pela disciplina, sempre buscando o entendimento, e absolutamente, através dos canais competentes.

A esses homens, senhora, que, desde cedo, foram levados a aceitar como verdades absolutas que: no cumprimento do dever o sacrifício é um gozo. Que nunca é tarde para mudar de profissão e que o exercício das atividades castrenses e, antes de qualquer coisa, um sacerdócio, é exigida a obrigatoriedade de dedicação exclusiva, sendo-lhes vedado o exercício de qualquer outro tipo de profissão ou atividade, como também, exigido o desempenho de suas atividades funcionais, em regiões diferentes e, às vezes, inóspitas, e sem a mínima estrutura de apoio ao grupamento familiar, no que tange aos aspectos básicos relativos à saúde, à educação, à alimentação e à moradia.

Para eles, senhora, não há, no exercício destas atividades, horários fixos nem limites para as suas cargas horárias e, no cumprimento das missões que lhes são atribuídas, não há diferença entre o que se entende por dia ou noite. As suas semanas têm, quase sempre, mais de sete dias.

Em seus calendários, os sábados, domingos e feriados não podem ser, de antemão, prometidos para o lazer ou para o repouso (como soe acontecer em outras casas desta República), e a execução de tarefas, por estes homens e nestes dias, não têm, sob qualquer título ou hipótese, nenhuma compensação financeira.

Sujeitos, senhora, a contínuas transferências, isto lhes causa sérios transtornos na organização familiar, pois, não raras vezes, seguem sozinhos, a fim de que não se esboroe o pequeno alicerce que, a duras penas, conseguiram firmar para a construção do seu lar.

É a eles, senhora, determinado o afastamento por períodos de tempo, às vezes longo, em razão das manobras ou dos exercícios de adestramento que realizam e, nestas condições, estão sujeitos a toda ordem de vicissitudes, sem que, para tal, haja a menor compensação pecuniária ou espécie de seguro.

Para eles, senhora, a oportunidade de crescimento, dentro de suas casas profissionais, está na ordem direta de um constante aprimoramento técnico-profissional, físico e intelectual, que lhes determina uma série de desajustamentos, com incidência direta na situação orçamentária familiar, e em alguns casos, mesmo impossibilitados, não se podem furtar à determinação de que se apresentem para reciclagem.

Esses homens, senhora, estão sujeitos à “letras” de rigorosos Regulamentos e Normas Gerais de Ação que os tornam passíveis de penalizações, mesmo que por atitudes tomadas “fora de suas casas profissionais”, estando, à luz do Regulamento Disciplinar, sujeitos a pena de prisão, sem direito à Hábeas Corpus e, sob o güante do Regulamento de Administração, são total e absolutamente responsáveis pelo material que confiado a sua guarda.

E alguns deles, senhora, não podem, sem permissão, transitar sem o uniforme, casar-se, ausentar-se da região de aquartelamento, e toda uma série de restrições impeditivas, sem que lhes caiba a menor chance de queixa ou recurso, estendendo-se, algumas dessas imposições regulamentares, mesmo aos que já estão na reserva, sendo que estes podem ainda ser reconvocados.

“A esses homens, senhora, como fazê-los crer que para eles a Constituição não vale. Como fazê-los entender que para eles a Constituição possui apenas o Art. 142 e mais nada... e que, mesmo assim, têm eles a obrigação patriótica de defender, disciplinadamente e com o sacrifício da própria vida, esse mais nada...” (Saulo Ramos).

Os homens dessas casas, senhora, têm se mantido, disciplinadamente, a espera do reconhecimento das reivindicações que fazem, através de seus chefes, mesmo quando enganados pelos subterfúgios legais do processo da Isonomia que os obrigou, pelos resultados, a buscar, e sempre através dos canais competentes (sem anarquia ou desobediências), pela justiça, a paridade de seus vencimentos; mesmo quando o Diário Oficial da União de 21 de setembro de 1992 lhes reduziu o soldo.

Mesmo quando tiveram alteradas as regras para o cálculo do Adicional de Inatividade, em detrimento de suas parcas bolsas.

Mesmo quando se viram atingidos pela redução da Gratificação de Habilitação Militar e, ainda, quando foram, duramente atingidos pela supressão dos direitos que lhes eram assegurados pela centenária Lei das Pensões.

Mas esses homens que, disciplinada ordeiramente, esperam, também observam, pelo comportamento de outras casas desta República, que não tem sido este o melhor caminho, para que se lhes sejam assegurados os seus direitos, posto que “aquelas”, ao atropelo da própria Constituição, estão se impondo na marra.

Atenciosamente.

Aécio Kauffmann Colombo da Silva
Cel Cav Ref - Anistiado Político.

Fonte: Pequenas Histórias e Portal Militar

Maria "La Pecosa" do Rosário e a nostalgia das ossadas

Cemitério da Vila Formosa, São Paulo



Rosário prega busca a ossadas ‘sem revanche’

Ministra diz que projeto da Comissão da Verdade não prevê punição, pois reconhece Lei da Anistia

22 de março de 2011 23h 00

Fausto Macedo, de O Estado de S. Paulo

A ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência, declarou nessa terça-feira, 22, à beira da sepultura onde se presume que estavam os restos mortais do desaparecido político Virgílio Gomes da Silva, o Jonas: "Não estamos movidos hoje pela punição de quem quer que seja, mas pelo direito das famílias de sepultarem seus mortos".

Rosário foi ao Cemitério da Vila Formosa, zona leste de São Paulo, onde acompanhou durante cerca de 40 minutos os trabalhos dos peritos da Polícia Federal que desde dezembro buscam, em parceria com a Procuradoria da República e o Ministério da Justiça, vestígios de militantes capturados pela repressão.

O Vila Formosa, maior cemitério da América Latina, teria sido usado como depósito clandestino de corpos de prisioneiros dos anos de chumbo. Há um mês, os técnicos escavaram túmulos da quadra 47, onde estaria a ossada de Jonas - guerrilheiro da Ação Libertadora Nacional (ALN) preso pela Operação Bandeirantes em 29 de setembro de 1969.

Ao lado dos procuradores federais Eugenia Fávero e Marlon Weickert, a ministra defendeu a criação da Comissão da Verdade. "É muito importante aprovarmos uma Comissão da Verdade. Mas, se nesse momento estivéssemos em uma posição de revanche ou movidos pelo ódio, não conseguiríamos unir o Brasil com essa causa", ressalvou.

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A nostalgia das ossadas

Por Roberto Campos

"Uma revolução não é o mesmo que convidar alguém para jantar, escrever um ensaio, ou pintar um quadro... Uma revolução é uma insurreição, um ato de violência pelo qual uma classe derruba a outra" (Mao Tsé-Tung).

Dizia-me um amigo argentino, nos anos 60, que seu país, rico antes da Segunda Guerra, optara no pós-guerra pelo subdesenvolvimento e pelo terceiromundismo. E não se livraria dessa neurose enquanto não se livrasse de três complexos: o complexo da madona, o fascínio das ossadas e a hipóstase da personalidade. Duas madonas se tinham convertido em líderes políticos - Evita e Isabelita. As ossadas de Evita foram alternativamente sequestradas e adoradas, exercendo absurdo magnetismo sobre a população. E a identidade nacional era prejudicada pelo fato de o argentino ser um italiano que fala espanhol e gostaria de ser inglês...

A Argentina parece ter hoje superado esses complexos. Agora, é o Brasil que importa (sem direitos aduaneiros como convêm ao Mercosul) um desses complexos.

Os estrangeiros que abrem nossos jornais não podem deixar de se impressionar com o espaço ocupado pelas ossadas: as ossadas sexuais de PC Farias, as ossadas ideológicas dos guerrilheiros do Araguaia e as perfurações do esqueleto do capitão Lamarca! Em vez de importarmos da Argentina a tecnologia de laticínios, estamos importando peritos em "arqueologia moderna", para cavoucar as ossadas do cemitério da Xambioá. Há ainda quem queira exumar cadáveres e ressuscitar frangalhos do desastre automobilístico que matou Juscelino, à procura de um assassino secreto. Em suma, estamos caminhando com olhos fixos no retrovisor. E o retrovisor exibe cemitérios.

Na olimpíada mundial de violência, os militares brasileiros da revolução de 1964 não passariam na mais rudimentar das eliminatórias. Perderiam feio para os campeões socialistas, como Lênin, Stálin e Mao Tsé-Tung. Seriam insignificantes mesmo face a atletas menores, como Fidel Castro, Pol Pot, do Camboja, ou Mengistu, da Etiópia.

Os 136 mortos ou desaparecidos em poder do Estado, ao longo das duas décadas de militarismo brasileiro, pareceriam inexpressivos a Fidel, que só na primeira noite pós-revolucionária fuzilou 50 pessoas num estádio. Nas semanas seguintes, na Fortaleza La Cabaña, em Havana, despachou mais 700 (dos quais 400 membros do anterior governo). E ao longo de seus 37 anos de ditadura, estima-se ter fuzilado 10 mil pessoas. Isso em termos da população brasileira equivaleria a 150 mil vítimas. Tiveram de fugir da ilha, perecendo muitos afogados no Caribe, 10% da população, o que, nas dimensões brasileiras, seria equivalente à população da Grande São Paulo.

Definitivamente, na ginástica do extermínio, os militares brasileiros se revelaram singularmente incompetentes. Também em matéria de tortura nossa tecnologia é primitiva, se comparada aos experimentos fidelistas no Combinado del Este, na Fortaleza La Cabaña e nos campos de Aguica e Holguín. Em La Cabaña havia uma forma de tortura que escapou à imaginação dos alcaguetes da ditadura Vargas ou dos "gorilas" do período militar: prisioneiros políticos no andar de baixo recebiam a descarga das latrinas das celas do andar superior.

O debate na mídia sobre os guerrilheiros do Araguaia precisa ser devidamente "contextualizado" (como dizem nossos sociólogos de esquerda). Sobretudo em benefício dos jovens que não viveram aquela época conturbada. A década dos 60 e o começo dos 70 foram marcados mundialmente por duas características: uma guinada mundial para o autoritarismo e o apogeu da Guerra Fria. Basta notar que um terço das democracias que funcionavam em 1956 foram suplantadas por regimes autoritários nos principais países da América Latina, estendendo-se o fenômeno à Grécia, Coréia do Sul, Taiwan, Cingapura e à própria Índia, onde Indira Ghandi criou um período de exceção.

Na América Latina, alastrou-se o que o sociólogo O'Donnell chamou de "autoritarismo burocrático". O refluxo da onda democrática só viria nos anos 80, que assistiria também à implosão das ditaduras socialistas.

Uma segunda característica daqueles anos foi a agudização do conflito ideológico. Na era Kennedy (1961-63), que eu vivenciei como embaixador em Washington, houve nada menos que duas ameaças de conflito nuclear. Uma, em virtude do ultimato de Kruschov sobre Berlim, e outra, a crise dos mísseis em Cuba. Em meados da década, viria a tragédia do Vietnã.

É nesse contexto que deve ser analisado o episódio dos guerrilheiros do Araguaia e da morte de Lamarca. Não se tratavam de escoteiros, fazendo piqueniques na selva com canivetes suíços. Eram ideólogos enraivecidos, cuja doutrina era o "foquismo" de Che Guevara: criar focos de insurreição, visando a implantar um regime radical de esquerda. Felizmente fracassaram, e isso nos preservou do enorme potencial de violência acima descrito.

Durante nossos "anos de chumbo", não só os guerrilheiros sofreram; 104 militares, policiais e civis, obedecendo a ordens de combate ou executados por terroristas, perderam a vida. Sobre esses, há uma conspiração de silêncio e, obviamente, nenhuma proposta de indenização. Qualquer balanço objetivo do decênio 1965-75 revelará que no Brasil houve repressão e desenvolvimento econômico (foi a era do "milagre brasileiro"), enquanto nos socialismos terceiromundistas e no leste europeu houve repressão e estagnação.

É também coisa de politólogos românticos pensar que a revolução de 1964 nada fez senão interromper um processo normal de sucessão democrática. A opção, na época, não era entre duas formas de democracia: a social e a liberal. Era entre dois autoritarismos: o de esquerda, ideológico e raivoso, e o de direita, encabulado e biodegradável.

Hoje se sabe, à luz da abertura de arquivos, que a CIA e o KGB (que em tudo discordam) tinham surpreendente concordância na análise do fenômeno brasileiro: o Brasil experimentaria uma interrupção no processo democrático de substituição de lideranças. Reproduzindo o paradigma varguista, Jango Goulart, pressionado por Brizola, queria também seu "Estado Novo". Apenas com sinais trocados: uma república sindicalista.

As embaixadas estrangeiras em Washington, com as quais eu mantinha relações como embaixador brasileiro, admitiam, nos informes aos respectivos governos, três cenários para a conjuntura brasileira: autoritarismo de esquerda, prosseguimento da anarquia peleguista com subsequente radicalização, ou guerra civil de motivação ideológica. Ninguém apostava num desenlace democrático...

Parece-me também surrealista a atual romantização pela mídia (com repercussões no Judiciário) da figura do capitão Lamarca, que as Forças Armadas consideram um desertor e terrorista. Ele faz muito melhor o perfil de executor do que de executado. Versátil nos instrumentos, ele matou a coronhadas o tenente Paulo Alberto, aprisionado no vale da Ribeira, fuzilou o capitão americano Charles Chandler, matou com uma bomba o sargento Mário Kozell Filho, abateu com um tiro na nuca o guarda-civil Mário Orlando Pinto, com um tiro nas costas o segurança Delmo de Carvalho Araujo e procedeu ao "justiçamento" de Márcio Leite Toledo, militante do Partido Comunista que resolvera arrepender-se.

Aliás, foram dez os "justiçados" pelos seus próprios companheiros de esquerda. Se o executor acabou executado nos sertões da Bahia, é matéria controvertida. Os laudos periciais revelam vários ferimentos, mas nenhum deles oriundo de técnicas eficientes de execução que o próprio Lamarca usara no passado: tiro na nuca (metodologia chinesa), tiro na cabeça (opção stalinista) ou fuzilamento no coração (método cubano). As Forças Armadas têm razão em considerar uma profanação incluir-se Lamarca na galeria de heróis.

As décadas de 60 e 70, no auge da Guerra Fria, foram épocas de imensa brutalidade. Merecem ser esquecidas, e esse foi o objeto da Lei de Anistia, que permitiu nossa transição civilizada do autoritarismo para a democracia. Deixemos em paz as ossadas. Nada tenho contra a monetização da saudade, representada pela indenização às famílias das vítimas. Essa indenização é economicamente factível no nosso caso. Os democratas cubanos, quando cair a ditadura de Fidel Castro, é que enfrentariam um problema insolúvel se quisessem criar uma "comissão especial" para arbitrar indenizações aos desaparecidos. Isso consumiria uma boa parte do minguado PIB cubano!

Nosso problema é saber se a monetização da saudade deve ser unilateral, beneficiando apenas as famílias dos que se opunham à revolução de 1964. Há saudades, famílias e ossadas de ambos os lados..

Roberto Campos, economista e diplomata, foi deputado federal pelo PPB do Rio de Janeiro. Foi senador pelo PDS-MT e ministro do Planejamento (governo Castello Branco). É autor de A Lanterna na Popa (Ed. Topbooks, 1994).


Mapa de ossos no Museu do Genocídio Tuol Sleng


Obs.: Ossadas de terroristas em Vila Formosa? Pode até existir, pois muitos deles, quando mortos, portavam identidades falsas e podem muito bem ter sido enterrados como indigentes, já que os familiares não se interessaram ou não souberam de suas mortes. Para os nostálgicos das ossadas, como Maria "La Pecosa" do Rosário, recomendo clicar em http://www.youtube.com/user/mnogall - Museu do Genocídio Tuol Sleng, Camboja (F. Maier).

O que essas criancinhas estavam fazendo no Araguaia?


http://brasecxx1.blogspot.com/2011/03/o-que-essas-criancinhas-estavam-fazendo.html



terça-feira, 22 de março de 2011

O que essas ¨criançinhas¨ estavam fazendo no Araguaia? Ensinando o povo para rezar e a partir daí construirem uma nova sociedade?

Assim a continuidade de uma realidade que se pretendem impor ao povo brasileiro. Da revolução comunista sem sangue, conforme dialética do Gramsci e em voga pelas autoridades da esquerda escocesa, que hora reina no paraíso da corrupção: Brasília. Sob hegemonia polítca da Esquerda Escocesa do Brasil, sob comando do Lula, da Dilma Rousseff e demais PeTralhas.

Mas aprendemos que o exemplo não é a melhor forma de educação para nossos filhos. É a única. O Lula, por ser a principal porta-voz e ter sido a mais importante autoridade da nação, quando presidente, que deu péssimos exemplos para a ¨Massa Ignara¨ brasileira.

Não poderíamos ter melhor resultado, poderá ter sido o principal objetivo do Lula e sua trupe:Uma nação em decomposição, sem respeito pela Leis e aos Deveres que devemos ter pelo próximo. Uma ¨Massa ignara¨, lamentável, porque não tem vizão política e por não ter compromissos com a história. E porque vende seu voto, com míseras formas de assistencialismo, tais como a uma bolsa-família, como uma isca oferecida ao peixe. Uma ¨Massa ignara¨ porque não desperta para sua cidadania, para ser elevada a Povo, o verdadeiro agente da história. Quando o Povo, na verdade, faz a diferença. Então, o Lula e suas ¨topeiras¨ abusam da ¨Massa ignara¨, além de debochar das pessoas honestas e das instituições brasileiras, na amálgama da utopia e da burguesia falida, estimulando a ¨Massa ignara¨ contra os seus ¨adversários¨ taxando-nos de ¨direita¨Todavia, a questão de ser de direita ou esquerda, é uma questão superada, sobretudo para mentes obtusas que não veem o óbvio. O estágio de desenvolvimento que permeia e fertiliza todos setores das nações de cultura ocidental, as nações civilizadas.E nós que estamos no Ocidente, no Novo Mundo.E para nós brasileirtos não adianta a radicalização, de posições de intolerância ideológica ou religiosa, mas trabalhar pela democracia, pela liberdade, pela prosperidade e pelos reais valores do povo brasileiro, do seu tom de pluralidade e diversidade.Todavia, os petistas e seus arautos perdidos das Guerrilhas do Araguaia, da periferias do ABC paulista, dos sindicatos da CUT, etc, que estão construindo um modelo de sociedade soberbamente perversa e animalesca, certamente sem futuro por se tratar de uma sociedade embriagada pelo crime, pela individualidade e pela corrupção; um modelo de sociedade sem princípios cristãos. E uma sociedade sem Deus, não é modelo de sociedade, mas o retorno à barbárie e de práticas. Numa teiomosa trama contra o Povo Braileiro, orquestrada por essa leva de vulgaridades e de corruptos.
Postado por José de Araujo Madeiro às 05:10

Memórias Reveladas - O dossiê do braço armado de Brizola


MEMÓRIA 1964 - O dossiê do braço armado de Brizola

http://cbn.globoradio.globo.com/hotsites/grupo-dos-onze/GRUPO-DOS-ONZE.htm

No fim de 1963, em meio à crescente radicalização do ambiente político do governo de João Goulart, Leonel Brizola era a liderança que unificara as esquerdas na Frente de Mobilização Popular. Entrincheirado na Rádio Mayrink Veiga, onde discursava todas as noites, ele pregava a criação dos Grupos de Onze Companheiros, compostos por cidadãos que marchariam unidos quando a esquerda tomasse o poder. A CBN teve acesso a documentos daquela época – que estavam em poder dos militares – que detalham como Brizola idealizou os Grupos de Onze: uma militância que pretendia utilizar mulheres e crianças como escudos civis; realizar ataques a centrais telefônicas, de rádio e TV; e previa a execução de prisioneiros.

Grupos de Onze: o braço armado de Brizola

Por: Mariza Tavares

Edição de arte: Fernanda Osternack

"Este é o documento a que me referi. O Exército não sabe que este dossiê ainda existe, porque foi dada uma ordem para que fosse destruído." Este era o texto do curto bilhete que acompanhava o pacote que recebi pelo correio, enviado por uma ouvinte fiel da CBN. Dentro, um calhamaço de 64 páginas já amareladas, no qual chamava atenção o carimbo no alto, em letras garrafais: SECRETO. A ditadura militar brasileira incinerou regularmente documentos sigilosos. Este dossiê estava em poder de um militar que preferiu desobedecer à ordem e decidiu guardar os papéis em casa.

Datado de 30 de setembro de 1964 e assinado pelo general-de-brigada Itiberê Gouvêa do Amaral, o documento ostenta a classificação A-1, que até hoje é utilizada pela área militar e que significa que é de total confiança. A classificação varia de A a F para a confiabilidade da fonte; e de 1 a 6 para a confiabilidade do conteúdo.

No tom formal e meticuloso típico dos relatórios dos serviços de inteligência, o texto de abertura, a circular de número 79-E2/64, anunciava que havia sido identificada a criação de diversas células dos chamados "Grupo de onze companheiros" no interior do Paraná e de Santa Catarina.

"Os grupos constituíam a célula de um grande contingente, no qual seriam arregimentados homens das mais variadas categorias e profissões para servirem de instrumento a um pseudolíder, Leonel Brizola, em sua política de subversão do regime e implantação de um Governo de tendências antidemocráticas", explicava o documento.
Os militares já haviam deposto o presidente João Goulart e tomado o poder naquele ano; e a circular festejava a ação ao afirmar, categoricamente, que, "com o advento da revolução de 31 de março, foi cortado o processo ainda na fase inicial". No entanto, o documento assinalava: "Há indícios de que, no futuro, possa ser novamente equacionada a reestruturação dos grupos." Leonel Brizola já se encontrava no exílio no Uruguai desde maio daquele ano, mas a circular assinalava que havia informes de contatos entre "antigos elementos" que integravam esses grupos. Daí a necessidade de mobilização de oficiais para mapear qualquer atividade suspeita.

Jorge Ferreira: "Houve quem se inscrevesse apenas porque gostava de Brizola. Teve gente que pôs até o nome de filhos pequenos nas fichas de inscrição."

Os chamados Grupos de Onze Companheiros – simplificadamente, Grupos de Onze ou Gr-11 – e também conhecidos como Comandos Nacionalistas foram concebidos por Brizola no fim de 1963. Tomando por base a formação de um time de futebol, imagem de fácil assimilação e apelo popular, Brizola pregava a organização de pequenas células – cada uma composta de onze cidadãos, em todo o território nacional – que poderiam ser mobilizadas sob seu comando.

Jorge Ferreira, professor-titular de História da UFF (Universidade Federal Fluminense), doutor em História Social pela USP (Universidade de São Paulo) e autor do livro "O imaginário trabalhista", explica que um dos poucos documentos disponíveis sobre o Grupo de Onze é o modelo de ata de adesão. "Há poucos estudos sobre este movimento e praticamente não há documentação a respeito. As atas, com os dados dos participantes, eram enviadas para a Rádio Mayrink Veiga e depois ficaram em poder da repressão. Como os Grupos de Onze foram criados no fim de 1963, o clima de radicalização já se generalizara. A imprensa também supervalorizava sua capacidade de ação, mas a verdade é que houve quem se inscrevesse apenas porque gostava de Brizola e nunca teve participação efetiva. No Sul, muitos achavam que iam ganhar terra, sementes. Teve gente que pôs até o nome de filhos pequenos nas fichas de inscrição."

O dossiê a que a CBN teve acesso disseca o manual de ação desses militantes e foi criado quando Brizola, eleito deputado federal pelo PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) com 300 mil votos – até então, o mais votado da antiga Guanabara – ocupou quase que diariamente o microfone da Rádio Mayrink Veiga entre 1962 e 1963. A tradicional emissora do antigo Distrito Federal, existente desde 1926, funcionava como palanque para Brizola, que ali destilava inflamados discursos pela aprovação das reformas de base – pilar do governo João Goulart e que compreendiam da reforma fiscal à agrária, com a desapropriação de terras de grandes proprietários rurais. E garantia que elas seriam aprovadas, "na lei ou na marra". A Mayrink Veiga estava tão identificada com o projeto político brizolista que uma cópia do documento assinado pelos integrantes de cada recém-criado Gr-11 deveria ser enviada para a emissora. A militância da Mayrink Veiga provocou uma reação dos empresários de comunicação Roberto Marinho (Rádio Globo), Manoel Francisco Nascimento Brito (Rádio Jornal do Brasil) e João Calmon (Rádio Tupi): a criação da Rede da Democracia, uma cadeia radiofônica para combater a política do presidente Jango. Também selou sua sorte: a emissora foi fechada pelo presidente militar Castelo Branco um ano depois da queda de João Goulart.

O documento é composto de anexos que detalham o modus operandi dos Grupos de Onze. O primeiro deles tem cinco páginas dedicadas aos "companheiros nacionalistas", numa espécie de cartilha para a promoção e organização de um comando nacionalista. Na abertura, uma afirmação categórica de vitória: "A ideia de organização do povo em Comandos Nacionalistas (CN) ou em Grupos de Onze (Gr-11) está amplamente vitoriosa. Milhões e milhões de patriotas integram os Comandos Nacionalistas formados em todo o território pátrio: a palavra de ordem, organizados venceremos, penetrou na consciência de todos os nacionalistas brasileiros."

Para organizar um Gr-11, a primeira providência era a leitura e o estudo das instruções, "quantas vezes forem necessárias até uma segura compreensão dos fins e objetivos da organização." A etapa seguinte era "procurar os companheiros com os quais têm convivência e ligações de confiança". Vizinhos ou colegas de trabalho eram os mais indicados, e sempre em grupos reduzidos, de três ou quatro pessoas. Diante de receptividade para a ideia de organizar um Gr-11, "tal decisão significará um verdadeiro pacto de solidariedade e confiança entre os companheiros."

O objetivo era reunir 11 pessoas, mas as instruções reconhecem que arregimentar este contingente poderia ser um pouco difícil e estabelece que, com sete integrantes, a célula de militantes poderia começar a atuar. Ao alcançar este quorum mínimo, o grupo é fundado oficialmente e, depois da leitura do manual e do "exame da situação política e da crise econômica e social que estamos atravessando", é escolhido o dirigente do Gr-11; seu assistente – e eventual substituto – e o secretário-tesoureiro. "Tomadas estas decisões", prosseguem as instruções, "proceder à leitura solene, com todos os onze companheiros de pé, do texto da ata e da carta-testamento do presidente Getúlio Vargas." Os integrantes devem assinar seus nomes logo abaixo da assinatura de Vargas e do seguinte texto: "O presidente Vargas sacrificou sua vida por nós. Nosso sacrifício não conhecerá limites para que o nosso povo, de que ele foi escravo, conquiste definitivamente sua libertação econômica e social." Entenda-se que a "libertação" passava por reforma agrária e fim da espoliação internacional.

A primeira reunião formal do grupo tinha objetivo bem burocrático: montar a estrutura do Gr-11. As funções estão bem detalhadas e cada integrante tem um papel específico (esta é a transcrição da descrição das tarefas):

Líder, dirigente ou comandante: representa, orienta e coordena as atividades do grupo, de acordo com as instruções partidárias e os objetivos da organização. Está previsto que seu mandato será a duração de um ano;

Assistente: prestar colaboração direta ao dirigente ou comandante do grupo, substituindo-o em seus impedimentos;

Secretário-tesoureiro: responsável pela gestão dos recursos financeiros e guarda de papéis e documentos (líder, assistente e secretário-tesoureiro formam a comissão executiva do Gr-11);

Comunicações: dois integrantes ficam encarregados das comunicações, que englobam a troca de informações entre os elementos do Gr-11, inclusive no caso de ser preciso avisar aos companheiros sobre a necessidade de esconderijo ou fuga;

Rádio-escuta: acompanhamento pelo rádio dos acontecimentos nacionais e locais;
Transporte: coordenação das possibilidades de transportes para os membros do grupo no caso de atos e concentrações públicas;

Propaganda: responsável por faixas, boletins, pichamentos, notícias para a imprensa;
Mobilização popular: contatos e ligações com o ambiente local, visando a formar um círculo de relações e colaboração em torno do grupo, principalmente para garantir o comparecimento em comícios ou outros atos públicos;

Informações: atribuição de fazer contatos e o levantamento de informações sobre a situação política e social, além de outros problemas que interessem o grupo. Também fica responsável pela organização partidária local;

Assistência médico-social: o companheiro deve ser, se possível, médico, enfermeiro ou assistente social, "ou no mínimo com alguma noção ou treinamento para prestar assistência ou orientação a todas as pessoas necessitadas no ambiente onde atuar o Comando Nacionalista (por exemplo, aplicar injeção, conseguir medicamentos, curativos de emergência)".

A proposta era criar sucessivos grupos de 11 integrantes até atingir 11 células com estas características, quando, como relata o documento, "seus onze líderes formarão um Gr-11-2, isto é, um grupo de onze de 2º. nível, reunindo um total de 121 companheiros."

Esta seria a matriz de multiplicação dos comandos nacionalistas: os 11 líderes escolheriam, entre si, um comandante de segundo nível, cuja responsabilidade seria a coordenação dos onze grupos; e os outros dez companheiros deste Gr-11-2 dariam apoio ao novo chefe. Mas nada de parar por aí, porque cada nova célula deveria perseguir sua clonagem ao infinito: "se num município, numa cidade, área ou bairro, se organizarem onze grupos de onze, portanto um Gr-11-2 e depois onze grupos de 2º. nível, teremos um total de 1.331 companheiros na organização, os quais serão orientados e dirigidos por um Gr-11-3, ou seja, um grupo de onze de 3º. nível, integrado pelos onze líderes dos grupos de 2º. nível."

As "recomendações gerais" sugerem que os Gr-11 deveriam ser integrados inicialmente por companheiros de "maior capacidade de direção e liderança". Os demais grupos seriam compostos por militantes de capacidade "aproximada ou igual". O documento frisa que o movimento recebe, de braços abertos, gente de todas as procedências: "No mesmo Gr-11 poderão estar um trabalhador da mais modesta atividade, ao lado de um médico; um trabalhador ou técnico especializado, um estudante, um agricultor, um intelectual, um motorista, ao lado de um camponês, um militar."

O contato com a liderança nacional era de responsabilidade de um delegado de ligação (DL); enquanto não chegavam novas instruções, cabia ao Gr-11 realizar reuniões para estreitar os laços entre seus militantes e analisar a conjuntura, além de buscar adesões em sua área de atuação. "Os companheiros devem estimular, particularmente, a formação de Gr-11 entre a mocidade e estudantes. É da maior significação esse ponto das presentes instruções. A nossa causa depende fundamentalmente do apoio e da integração dos jovens e das classes trabalhadoras."

Embora não fizesse restrições a analfabetos, a arquitetura dos Gr-11 praticamente ignorava uma militância integral das mulheres: "As companheiras integrantes do Movimento Feminino ou simpatizantes devem formar seus próprios Gr-11. Oportunamente serão enviadas instruções especiais sobre a estrutura desses grupos de companheiras."
O chamado Anexo C é composto de documentos de Leonel Brizola com o sugestivo título de "Subsídios para a Organização dos Comandos de Libertação Nacional". Tem oito seções, todas subdivididas num minucioso roteiro para a militância. E começa pelo nome a ser dado ao grupo. No capítulo "Denominação", há cinco sugestões, por ordem preferencial: Comandos de Libertação Nacional (Colina); Comando Revolucionário de Libertação Nacional (Corlin); Comando Revolucionário dos Onze (Cron); Comando de Libertação Brasileira (Colb); e Comando dos Onze Revolucionários (Core).

O capítulo seguinte é o da "Justificativa": "A palavra revolucionária, como é sabido, exerce poderosa atração nas pessoas entre 17 e 25 anos – fator que servirá à etapa de arregimentação". O documento aposta na força de atração do termo: "A sigla onde aparece a ideia de revolução pode, com maiores possibilidades, ser difundida com certo mistério e mística de clandestinidade, complementada por instruções secretas, senhas, códigos, símbolos etc...", diz o texto que exibe rudimentos de técnica de marketing e motivação.

Vitor Borges: "Os militares queriam saber como pretendíamos envenenar o reservatório de água e perguntavam onde estavam os sacos de veneno."

O gaúcho Vitor Borges de Melo, natural de Alegrete, cidade que fica a cerca de 500 quilômetros de Porto Alegre, é um bom exemplo de arregimentação de jovens que queriam um pouco de ação. "Eu e meus companheiros éramos simpatizantes de Brizola desde a Cadeia da Legalidade, em 1961. Eu já tinha me apresentado como voluntário nesta época. Depois passei a acompanhar os discursos na Rádio Mayrink Veiga e decidi entrar para o Grupo de Onze. Todos usavam nomes de guerra e o meu era Tavares." Aos 63 anos, embora seja citado como ex-integrante do Gr-11, Vitor na verdade só se lembra de ter participado de uma reunião. Mesmo assim ficou preso, incomunicável, por 31 dias. "Os militares queriam saber como pretendíamos envenenar o reservatório de água de Alegrete e perguntavam onde estavam os sacos de veneno. Não sei de onde tiraram isso, como é que faríamos uma coisa dessas?", lembra Vitor, hoje aposentado, filiado ao PTB e beneficiado, pela Lei da Anistia, com uma indenização de R$ 12 mil. Provavelmente, por só ter ido a uma reunião, Vitor não foi "iniciado" em todas as propostas de ação do movimento.

No dossiê, a delimitação de áreas de ação é meticulosa e pretende cobrir todo o território nacional. Do contingente inicial de 11 membros, a proposta é multiplicá-los de forma que um distrito tenha 11 unidades de 11 membros, contabilizando 121 almas. A província terá 22 distritos, ou 2.662 membros; e a região será composta por 11 ou mais províncias, com 29.282 membros. O documento divide o país em sete regiões, mas exclui a Região Norte, provavelmente por problemas de logística:

1ª. Região: Guanabara, Rio de Janeiro e Espírito Santo;
2ª. Região: Bahia e Sergipe;
3ª. Região: Minas Gerais;
4ª. Região: São Paulo e Paraná;
5ª. Região: Santa Catarina e Rio Grande do Sul;
6ª. Região: Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte;
7ª. Região: Ceará, Piauí, Maranhão e Fernando de Noronha.

A estrutura administrativa nacional também previa um organograma que contava com um comandante supremo (CS); dois inspetores regionais (IN); e oito conselheiros regionais (CR), uma elite de burocratas encarregados de escolher, nomear ou destituir as camadas inferiores de militantes. Mas, abaixo deles, também havia espaço para muita gente se acomodar. O desenho da burocracia interna do poder é rico em categorias e deixaria qualquer analista de RH impressionado com o número de cargos. Sob a estrutura nacional, há estruturas administrativas regionais, provinciais e distritais, com direito a chefias, secretarias-executivas, assessorias e monitorias. Ao todo, são listados 32 cargos de alguma relevância – uma longa carreira que se descortinava para os aspirantes à militância.

Especialmente suculento é o capítulo sobre instruções gerais aos companheiros que quisessem organizar um Gr-11. Uma das principais preocupações diz respeito à seleção de indivíduos: "Procure conhecer bem as ideias políticas de cada uma das pessoas que você pretende convidar", ensina a cartilha, batendo na tecla da prudência: "Convide a pessoa para uma conversa reservada. Peça sigilo sobre o assunto. Procure certificar-se de que ela manteve sigilo. Mande alguém, seu conhecido, testá-la nesse pormenor."

A paranóia pela segurança se estende aos deveres dos dirigentes. Entre os dez itens listados, cinco dizem respeito ao controle da informação e dos membros do grupo: "manter severa vigilância em sua jurisdição para evitar infiltrações de inimigos entre os seus comandados"; "alternar, sempre, os locais de reuniões de seu grupo, fazendo as convocações sempre em código ou através de senhas"; "manter sob rigoroso controle os arquivos secretos e os dados sigilosos sobre a organização e seus membros"; "não discutir assuntos referentes aos planos dos Comandos de Libertação Nacional exceto com as pessoas autorizadas"; "procurar organizar em sua jurisdição um esquema de rápida mobilização popular para enfrentar golpistas, reacionários e grupos antipovo."

O código de segurança detalha os cuidados a serem adotados e a ordem é clara: desconfiar o tempo todo. Por isso o telefone fica banido na transmissão de mensagens. O militante também deve anotar tudo o que ouvir sobre a organização, especialmente quando partir de um "reacionário": "até as piadas têm sua importância. Não as despreze."

Os comandantes são instruídos a buscar subordinados para os Grupos de Onze que sejam "os autênticos e verdadeiros revolucionários, os destemerosos da própria morte."

Os comandantes regionais, devido à sua importância na estrutura do movimento, recebem instruções secretas que só devem ser compartilhadas com os companheiros do Grupo de Onze "com as devidas cautelas e ressalvas". O filé mignon da pregação revolucionária brizolista se encontra no Anexo D, cuja abertura tem o pomposo título "Preâmbulo Ultra-secreto" e determina que "só os fortes e intemeratos podem intentar a salvação do Brasil das garras do capitalismo internacional e de seus aliados internos. Quem for fraco ainda terá tempo de recuar ante a responsabilidade que terá que assumir com o conhecimento pleno destas instruções."

Os comandantes são instruídos a buscar subordinados para os Grupos de Onze que sejam "os autênticos e verdadeiros revolucionários, os destemerosos da própria morte, os que colocam a Pátria e nossos ideais acima de tudo e de todos." E a recomendação seguinte é evitar arregimentar parentes ou amigos íntimos.
Findo o preâmbulo, as instruções secretas têm dez seções. A primeira, sobre os objetivos, volta a pregar a importância do Gr-11 como a "vanguarda avançada" do movimento e compara esta célula à Guarda Vermelha da Revolução Socialista de 1917. Por ser revolucionária, ela não precisa prestar contas dos seus atos: "Não nos poderemos deter à procura de justificativas acadêmicas para atos que possam vir a ser considerados, pela reação e pelos companheiros sentimentalistas, agressivos demais ou até mesmo injustificados." Sem sombra de dúvida, os fins justificam os meios.

O quesito seguinte, que tem o título genérico de "Observações", descreve o que seria uma espécie de estado de espírito permanente dos participantes: "Os Grupos dos Onze Companheiros, como vanguardeiros da libertação nacional, terão que se preparar devidamente (...) devendo considerar-se, desde já, em REVOLUÇÃO PERMANENTE e OSTENSIVA." A revolução cubana vitoriosa de Fidel Castro é a principal referência: "A condição de militantes dos gloriosos Gr-11 traz consigo enormes responsabilidades e, por isso, embora para formação inicial de nossas unidades não seja condição sine qua o conhecimento da técnica propriamente militar, torna-se absolutamente necessário o da técnica de guerrilhas e a leitura, entre outras importantes publicações, do folheto cubano a respeito daquele mister."

No terceiro capítulo, sobre a ação preliminar, os companheiros são instados a tentar conseguir o quanto antes armamentos para o "Momento Supremo". E a lista contempla desde espingardas a pistolas e metralhadoras. Com um lembrete: "Não esquecer os preciosos coquetéis Molotov e outros tipos de bombas incendiárias, até mesmo estopa e panos embebidos em óleo ou gasolina." A instrução reconhece a escassez de armas no movimento, mas conta com aliados militares (segundo o documento, "que possuímos em toda as Forças Armadas") e garante ter o apoio da população rural. "Os camponeses virão destruindo e queimando as plantações, engenhos, celeiros e armazéns."

O descolamento entre propostas e realidade é flagrante, mas não diminui o grau de virulência da ação que, pelo menos em tese, seria desencadeada pelos Grupos de Onze. Juarez Santos Alves, de 61 anos, é contemporâneo e até hoje amigo de Vitor Borges de Melo. O pai, dono de farmácia, e o tio, militar, eram militantes do PCB (Partido Comunista Brasileiro) e foram sua inspiração. No entanto, no que diz respeito à sua passagem pelo Grupo de Onze, a monotonia imperava. "Considero mais um grupo poético, porque nunca demos um passo além das reuniões. Falava-se em tomar o quartel, mas como é que iríamos resistir se no máximo tínhamos armas pessoais ou de caça?", rememora Juarez, que depois ingressou na Vanguarda Popular Revolucionária. Preso e torturado, foi beneficiado com uma indenização de R$ 100 mil.

A cartilha de ação inclui escudos humanos, saques e incêndios de edifícios públicos e empresas particulares, além da difusão de notícias falsas.

Em centros urbanos, a tática adotada será assumidamente a de guerra suja, com a utilização de escudos civis, principalmente mulheres e crianças. "Nas cidades, os companheiros (...) incitarão a opinião pública com gritos e frases patrióticas, procurando levantar a bandeira das mais sentidas reivindicações populares, devendo, para a vitória desta tática, atrair o maior número de mulheres e crianças para a frente da massa popular." Agitação é a palavra de ordem, com direito a depredação de estabelecimentos comerciais, saques e incêndios de edifícios públicos e de empresas particulares. Também estão incluídos ataques a centrais telefônicas, emissoras de rádio e TV. O objetivo? "Com as autoridades policiais e militares totalmente desorientadas, estaremos, nesse momento, a um passo da tomada efetiva do Poder-Nação."

Sobre a tática geral da guerrilha nacional, tema do item quatro, a ênfase recai na guerra de informação. Depois de a autodenominada ação revolucionária ter provocado o caos, o passo seguinte seria cortar a comunicação entre as cidades e divulgar apenas o que interessasse ao movimento. "Difundindo-se notícias falsas, tendenciosas e inteiramente favoráveis aos nossos Gr-11 e aos nossos planos, com interceptação de comunicações telefônicas isolamento das cidades e de seus meios de comunicação."

Em "O porquê da revolução nacional libertadora", a explicação de cartilha revolucionária: a exploração do capital monopolista estrangeiro, principalmente americano; e a estrutura agrária baseada na concentração latifundiária. No capítulo sobre "o aliado comunista", não resta dúvida de que Brizola não via o Partido Comunista Brasileiro (PCB) com a menor simpatia. "Devemos ter sempre presente que o comunista é nosso principal aliado mas, embora alardeie o Partido Comunista ter forças para fazer a Revolução Libertadora, o PCB nada mais é que um movimento dividido em várias frentes internas em luta aberta entre si pelo poder absoluto e pela vitória de uma das facções em que se fragmentou." E continua, aumentando o tom da crítica: "São fracos e aburguesados esses camaradas chefiados pelos que veem, em Moscou, o único sol que poderá guiar o proletariado mundial à libertação internacional. Fogem à luta como fogem à realidade e não perderão nada se a situação nacional perdurar por muitos anos ainda."

"No caso de derrota do nosso movimento, os reféns deverão ser sumária e imediatamente fuzilados."

O trecho mais chocante das instruções secretas aos comandantes diz respeito à guarda e ao julgamento dos prisioneiros. Para esta tarefa, a orientação é clara: "Deverão ser escolhidos companheiros de condições humildes mas, entretanto, de férreas e arraigadas condições de ódio aos poderosos e aos ricos". Além da prisão, está previsto o julgamento sumário de oponentes ao movimento, onde se incluem autoridades públicas, políticos e personalidades. "No caso de derrota do nosso movimento, o que é improvável, mas não impossível (...) e esta é uma informação para uso somente de alguns companheiros de absoluta e máxima confiança, os reféns deverão ser sumária e imediatamente fuzilados, a fim de que não denunciem seus aprisionadores e não lutem, posteriormente, para sua condenação e destruição."

Para o professor Jorge Ferreira, entre 1961 e 1964 houve uma profunda mudança nos interesses que alimentavam a correlação de forças entre militares, partidos políticos e sociedade. "Em agosto de 1961", diz ele, "quando Jânio Quadros renuncia, os militares deram um golpe que foi rechaçado pelo Congresso, pelos partidos e pelas entidades civis. Os grupos progressistas e legalistas venceram. A sociedade brasileira não queria romper com o processo democrático." O período parlamentarista manteve o equilíbrio, ainda que precário, entre essas correntes. Jango sabia que precisava de maioria no Congresso ou não governaria, mas o plebiscito que lhe devolveu o presidencialismo acabou dando outro rumo aos acontecimentos, como afirma Ferreira: "a Frente de Mobilização Popular, encabeçada por Brizola, havia unificado praticamente todas as esquerdas, englobando o Comando Geral dos Trabalhadores, Ligas Camponesas, UNE, Ação Popular, a esquerda do Partido Socialista Brasileiro, a esquerda mais radical do PCB, os movimentos de sargentos e marinheiros. E a exigência dessas esquerdas era o rompimento com o PSD (Partido Social Democrático), a convocação de Assembléia Nacional Constituinte e o questionamento das instituições liberais vigentes. É quando se estabelece o confronto." Desta vez, o estado de direito não venceu.


Obs.: Leia, também, de minha autoria, Brizola, o último dos maragatos, clicando em
http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=4886&cat=Ensaios&vinda=S