MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

terça-feira, 29 de junho de 2010

As conseqüências do derramamento da BP e sua origem

http://www.heitordepaola.com/publicacoes_materia.asp?id_artigo=1936

As conseqüências do derramamento da BP e sua origem

Donald Hank

O respeitado diário “The Houston Chronicle” informou que em 25 de abril deste ano, a administração Barack Obama recebeu uma oferta do governo da Holanda para o uso de naves dotadas de succionadores de último modelo, dois pares dos quais são capazes de remover 20.000 toneladas de petróleo e resíduos. Além disso, ofereceram tecnologia sofisticada para construir barreiras de areia na costa dos estados expostos a uma possível contaminação.

Segundo afirma Geert Visser, o Cônsul Geral dos Países Baixos em Houston, depois de ter feito tal oferta, seu consulado recebeu uma carta da administração Obama rechaçando-a.

Segundo consta dessa carta, os Estados Unidos não necessitavam da ajuda porque já dispunham de todo o equipamento necessário. Porém, o petróleo continuou derramando por quase um mês e meio sem que nem o governo nem a BP tivessem podido com o derramamento, que continuou crescendo de forma alarmante (vocês devem ter visto fotos de animais e peixes mortos por este que é o pior derramamento de todos os tempos) e, agora, a administração Obama finalmente mudou de idéia e quer aceitar essa ajuda.

O derramamento persiste desde 22 de abril, data em que contou-se uma quantidade de 136.4 toneladas derramadas por dia.

Agora, calculando com base nesse número de 136.4 toneladas de petróleo por dia, determina-se que no total, até a data de hoje, derramou-se mais de 8.200 toneladas de petróleo.

Se Obama tivesse aceitado a ajuda imediatamente, os 4 pares de succionadores que finalmente estão sendo utilizados, teriam podido – ao menos teoricamente – recuperar todo o petróleo derramado até a data em menos de um só dia, evitando facilmente todos os danos às praias e ao meio-ambiente de milhões de peixes, aves e outra fauna mais, e evidentemente a perda do sustento de milhares de pescadores, hoteleiros, donos de restaurantes, trabalhadores no turismo e outros, assim como a erradicação de uma forma de vida no Golfo que tem perdurado por séculos. Porém, em vez de utilizar esta tecnologia oferecida pelos holandeses, a BP, com a aprovação do governo dos Estados Unidos, jogou no petróleo derramado milhões de galões de um dispersante, que fez com que grande parte do petróleo se convertesse em emplastro de betume e afundasse até o fundo do mar, piorando o problema, porque os succionadores trabalham principalmente na superfície. Além disso, experts afirmam que esse dispersante é tóxico e pode contaminar milhões de pessoas.

Em conseqüência desta decisão inexplicável da administração Obama e da BP, os emplastros de betume do petróleo já alcançaram as praias da Flórida, a uma distância de 400 milhas (640 km) do local do acidente, e estão contaminando a areia e as águas dali.

Muitos agora estão falando de uma total incompetência por parte da administração Obama. Entretanto, em um discurso agora famoso, Rahm Emanuel, o Chefe do Estado Maior de Obama, disse: “Nunca quisemos que uma grave crise se pusesse a perder. O que quero dizer é que é uma oportunidade para fazer coisas que alguém pensava não poder fazer antes”. (“You never want a serious crisis to go to waste. And what I mean by that is an opportunity to do things you think you could not do before”).

Sabe-se que Obama sempre quis proibir a exploração do petróleo fora da costa dos Estados Unidos, porém lhe faltavam os votos da legislatura. Todavia, por razões desconhecidas, ele emitiu uma permissão a BP para perfurar em águas profundas, de 5.000 pés, embora os riscos a esta profundidade sejam obviamente muito mais elevados. Desde o acidente Obama aproveitou a crise, não perdendo tempo em tentar proibir toda exploração de petróleo fora da costa dos Estados Unidos. (Essa tentativa foi frustrada pela Corte Suprema).

Porém, como explicar então que sua administração tenha emprestado bilhões de dólares à Petrobras do Brasil para exploração de petróleo fora da costa desse país?

A proibição da exploração petroleira fora da costa dos Estados Unidos custaria milhares de trabalhos num momento em que os trabalhos nos Estados Unidos estão mais escassos do que nunca. Se as conseqüências do derramamento da BP pudessem atribuir-se só a uma falha inerente ao negócio petroleiro ou ao sistema capitalista, Obama talvez tivesse razão. Porém, neste caso não fica nada claro quem causou mais dano ao meio-ambiente: se o governo ou a BP.
Também publicado em http://www.midiasemmascara.org/artigos/internacional/estados-unidos/11191-o-derramamento-da-bp-e-sua-origem.html

Ler mais em:

http://www.chron.com/disp/story.mpl/business/steffy/7043272.html
http://www.newpatriotjournal.com/Articles/White_House_is_Making_Oil_Recovery_Harder
Edit this entry.

Tradução: Graça Salgueiro

Fonte: LAIGLES FORUM

Chico Dólar responde a oficial do Exército Brasileiro

Prezado Ten Cel de Mat Bel RICARDO CORDEIRO MARINHO, bom dia!

Respeito sua opinião em relação ao meu comportamento hoje e também na época que combati os guerrilheiros do PC do B na Guerrilha do Araguaia, junto com Curió e o Ten Cel Lício Maciel, defendendo este regime Democrático que hoje temos.

O Senhor está na ativa servindo no CMR em Recife-PE, é da turma de 1987, é jovem e realmente tem que cumprir o Juramento Militar: "Incorporando-me ao Exército Brasileiro, prometo cumprir rigorosamente... cuja honra integridade e INSTITUIÇÕES (BRASIL), defenderei com o sacrifício da própria vida".

Como me disse: "Cai na real. Guarde suas energias para proteger nossos salários e previdências". É realmente o que estou fazendo, não tive medo de morrer na guerrilha e não tenho também agora.

Leia abaixo outro comentário de um oficial do nosso Exército Brasileiro, igual ao senhor.

Respeitosamente.

Tenente Vargas - SELVA!
"BRASIL ACIMA DE TUDO!"

Repassando aos amigos militares para reflexão.

Respeitosamente.

Tenente Vargas - SELVA!


Mensagem enviada ao Tenente Vargas pelo oficial do EB Elias Giffon.

BRAVO COMPANHEIRO VARGAS!!! Li a sua Audiência Pública que se realizou na Câmara dos Deputados Federais, no Congresso Nacional em Brasília-DF. Ha muito tempo que as Forças Armadas (FFAA) vem sendo comandadas por "GENERAIS BUNDÕES", cegos, surdos e mudos, ha mais de um ano, parece que estava prevendo o que de pior poderia acontecer, em uma solenidade tive a oportunidade de me encontrar frente a frente com um Cmt Militar e relatei a ele vários assuntos como: Desaparelhamento das FFAA, revanchismo e perdas, lhe sugeri, que ficasse atento e convidasse os 3 CMTs e adentrassem no gabinete do SAPO BARBUDO e dissessem a ele como a como a banda deveria tocar e que deixassem os militares no seu lugar no que ele respondeu: "O PRESIDENTE TEM SIDO MUITO BONZINHO P/ COM AS FORÇAS ARMADAS". É lamentavel, a revolta é muito grande, estamos entregues a própria sorte, como vc bem disse. Hoje vivemos em um Brasil de covardes e bandidos Braços, Att ELIAS.


Obs.: Leia o "fichamento" de Bacaba, livro de Chico Dólar, em http://www.webartigos.com/articles/2928/1/Chico-Dolar-Narra-A-Guerrilha-Do-Araguaia/pagina1.html

Veja a Audiência Pública com Chico Dólar em http://resistenciamilitar.blogspot.com/2009/01/audincia-pblica-com-chico-dlar-heri-da.html

Carta ao Procurador-Geral da República

domingo, 27 de junho de 2010

Ao Procurador–Geral da República

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net

Por João Vinhosa

Em 26 de junho de 2010, encaminhei formalmente a V. Exª. carta cuja íntegra encontra-se a seguir transcrita.

Conforme pode ser visto no anexo artigo intitulado “Ao Embaixador dos Estados Unidos” (endereço eletrônico ao final), tornei pública a carta que encaminhei ao Embaixador Thomas Shannon em 29 de abril de 2010.

Pode ser visto, também, que solicitei ao embaixador norte-americano providências no sentido de fazer tal carta chegar ao Departamento de Justiça e à Comissão Federal de Comércio – autoridades de defesa da concorrência que representam aquela nação no Acordo firmado com o Brasil para combater cartéis (endereço eletrônico ao final).

Pode ser visto, ainda, que sugeri a referidas autoridades a elaboração de estudos com a finalidade de modificar o Acordo para torná-lo realmente capaz de atingir seu principal objetivo: a troca de informações entre as duas partes.Nesta oportunidade, dirijo-me a V. Exª. – titular da Procuradoria Geral da República, órgão no qual foi discutido exaustivamente o aspecto do Acordo cuja modificação eu estou sugerindo – com o intuito de apresentar um breve arrazoado sobre os motivos que me levaram a fazer a sugestão de modificação em questão. É o que se segue.Em novembro de 2004, a Procuradoria da República no Distrito Federal instaurou o Procedimento Administrativo n° 1.16.000.002028/2004-6 a partir de representação por mim formulada. Segundo tal representação, nossas autoridades estavam descumprindo o Acordo, pelo fato de não notificarem os Estados Unidos sobre as investigações aqui realizadas contra o “Cartel do Oxigênio”.

Passados quatro anos, em setembro de 2008, o relator do Procedimento Administrativo decidiu pelo seu arquivamento, afirmando que, segundo o Acordo, a notificação só seria cabível se fossem coletados – dentro da própria investigação do “Cartel do Oxigênio” – indícios que seus integrantes também praticavam o mesmo crime no território norte-americano.Inconformado, em outubro de 2008, apresentei Recurso à Procuradoria Geral da República contra tal decisão de arquivamento.Em abril de 2010, a 3ª Câmara de Coordenação e Revisão da Procuradoria Geral da República indeferiu meu Recurso, homologando o arquivamento.

Dessa maneira, passados mais de cinco anos de meu questionamento inicial, a decisão da Procuradoria Geral da República levou-me a duas dolorosas conclusões.

Primeira conclusão: minha ignorância jurídica não me permitiu ver (como viu a Procuradoria Geral da República) que – nas entrelinhas – estava previsto que “O tratado apenas obriga as partes soberanas a notificarem uma à outra a respeito de investigações que coletem indícios de que os cartéis apurados também atuam no território da contraparte”.

Segunda conclusão: minha prepotência intelectual fez-me pensar erradamente que o Acordo não deixaria brechas capazes de inviabilizar a troca de informações sobre cartéis tão danosos à economia popular dos dois países como o “Cartel do Oxigênio” – organização criminosa que explora os consumidores brasileiros (em especial nossos miseráveis hospitais públicos) e cujos integrantes dominam também o mercado norte-americano.

Nesta altura, Excelência, permito-me as reflexões a seguir sobre a incapacidade de nosso país combater cartéis, tomando como exemplo o caso do “Cartel do Oxigênio”.

Conforme se sabe, em qualquer lugar do mundo, é extremamente difícil comprovar o crime de formação de cartel, mesmo nas oportunidades nas quais tal prática salta à vista.

O caso do “Cartel do Oxigênio” só foi comprovado porque um anônimo muito bem informado deu o nome dos executivos que participavam das conversações como representantes das empresas integrantes do cartel.Quebrado o sigilo telefônico de tais executivos, foram obtidas provas que justificaram uma Operação de Busca e Apreensão nas dependências das empresas investigadas.

A Operação de Busca e Apreensão, realizada em fevereiro de 2004, foi repleta de êxito. O material recolhido incluía um autêntico “estatuto do cartel” – que determinava, até mesmo, as penalidades às quais estariam sujeitas as integrantes que o transgredissem. Referido material possibilitou a Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça (SDE) instaurar um Processo Administrativo contra as empresas por formação de cartel, e o Ministério Público do Estado de São Paulo processar, por formação de quadrilha, os executivos que representavam as empresas nas negociações.

Como era de se esperar, as empresas integrantes do cartel, em vez de contestarem as acusações baseadas nas provas apreendidas na Operação de Busca e Apreensão, entraram na Justiça alegando que tais provas foram obtidas de maneira irregular. Como era de se esperar, tal estratégia provocou grande atraso no Processo Administrativo.Somente em maio de 2008, após liberada pela Justiça, a SDE encaminhou seu Relatório final ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), propondo a punição máxima para as empresas acusadas. Fato raro: a existência do cartel ficou mais que comprovada.

O processo administrativo ainda aguarda o julgamento do CADE. É certo que, caso o CADE penalize as integrantes do “Cartel do Oxigênio”, as empresas recorrerão às varias instâncias da Justiça para anular a penalidade. Na realidade, elas poderão ser inocentadas sem nem mesmo entrar no mérito das acusações – incontestáveis, como se vê no Relatório da SDE. Em outras palavras, grande é a chance de tudo acabar em pizza.É impossível negar, Excelência: mais uma vez, o país se encontra diante da dobradinha de procedimentos que o tornou o país da impunidade. Por um lado, os acusados usam das diversas brechas legais para permanecerem impunes e, por outro lado, nossas autoridades abrem mão das armas que dispõem para evitar as malícias protelatórias.

No caso, nossas autoridades abriram mão da mais eficiente arma para combater tal cartel: provocar investigações, nos EUA, de possíveis práticas de cartel levadas a efeito pelas matrizes dessas multinacionais, que – conforme comprovado pela SDE – fraudam o caráter competitivo das licitações para superfaturar contra nossos miseráveis hospitais públicos.

Ninguém pode ter qualquer dúvida, Senhor Procurador-Geral da República: caso nossas autoridades tivessem provocado uma investigação nos Estados Unidos, as matrizes das multinacionais envolvidas ordenariam a imediata moderação da rapinagem contra o consumidor nacional levada a efeito por seus braços brasileiros.

Acontece que, como, pelo Acordo, o Brasil “não está obrigado a informar”, nossas autoridades agiram como se o Brasil “estivesse obrigado a não informar” dados sobre o “modus operandi” do “Cartel do Oxigênio”. Daí, perderam a oportunidade de envolver a matriz das integrantes do “Cartel do Oxigênio” com as temíveis autoridades que combatem a prática de cartel nos Estados Unidos.Diante do exposto acima, e convencido que organizações integradas por multinacionais tão capacitadas como as que integram o “Cartel do Oxigênio” nunca deixam pistas sobre sua atuação cartelizada em outro país, sugeri a modificação em questão.Resumidamente, o objetivo da modificação sugerida é tornar, de fato, eficaz a cooperação entre as duas partes. Para tanto, é indispensável acabar com a exigência (para a troca de informações) de obtenção de indícios, na própria investigação, que as investigadas praticam o crime de formação de cartel também na outra parte.

Para seu conhecimento, Excelência, informo que, em decorrência do alto teor de interesse público da qual se acha impregnada, a presente carta será divulgada pelos meios a meu alcance.

Finalizando, apresento os endereços eletrônicos referidos. Eles permitirão que qualquer interessado possa tomar conhecimento dos fatos, e – caso também fique indignado com a gravidade da situação – possa sugerir algo que venha em defesa do consumidor brasileiro.

HTTP://www.alertatotal.net/2010/06/ao-embaixador-dos-estados-unidos.html
HTTP://www.cade.gov.br/internacional/acordo_brasil_estados_unidos.pdf

João Vinhosa é engenheiro. E-mail: joaovinhosa@hotmail.com

José Goldemberg: "O Brasil quer a bomba atômica"


Revista Época

José Goldemberg: “O Brasil quer a bomba atômica”

Para o físico, ao defender o direito nuclear do Irã, Lula deixa a porta aberta para fazer a bomba

Peter Moon

O Brasil aderiu ao Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) em 1998, durante o governo FHC. O tratado tem 189 signatários. Entre as exceções estão Israel, Paquistão, Índia e Coreia do Norte – países detentores de arsenais nucleares. Desde 2008, os Estados Unidos pressionam o Brasil a assinar o Protocolo Adicional do TNP. Mais restritivo, o protocolo obriga os países a abrir quaisquer instalações suspeitas à inspeção. O Irã não aderiu e construiu uma usina secreta, revelada em 2009. O Brasil se recusa a assinar o protocolo e defende o direito do Irã de ter a energia nuclear – oficialmente apenas para fins pacíficos. Para o físico José Goldemberg, uma autoridade internacional em assuntos de energia, essas são evidências, somadas a outras, de que o Brasil busca a posse de armas nucleares.

ÉPOCA – Por que o senhor afirma que o governo Lula vê com simpatia a posse da bomba?

José Goldemberg – Motivos não faltam. Eles vão desde o apoio ao programa nuclear do Irã até as declarações de membros do primeiro escalão, como o vice-presidente José Alencar. Ele defende o desenvolvimento de armas atômicas. Parece uma volta aos tempos da ditadura.

ÉPOCA – Qual era a posição dos militares com relação à construção da bomba?

Goldemberg – O governo Geisel fez o acordo nuclear com a Alemanha. Era caríssimo. Previa a construção de oito reatores com grau crescente de nacionalização. Cobria todas as etapas da tecnologia nuclear, incluindo o enriquecimento e o reprocessamento de urânio. Lê-se na ata de uma reunião do Conselho de Segurança Nacional, em 1975, que o projeto era para fins pacíficos, mas seria mantida aberta a opção militar. Do ponto de vista técnico fazia sentido. Para quem domina o ciclo nuclear pacífico, o militar não é tão diferente. Claramente, em 1975, o governo deixou a porta aberta para fazer armas nucleares.

ÉPOCA – O programa não andou.

Goldemberg – A Alemanha iria repassar a tecnologia de supercentrífugas para enriquecer urânio, mas os EUA vetaram. Em troca, os alemães ofereceram outra tecnologia, experimental e duvidosa, a das centrífugas a jato. Aí veio a crise dos anos 1980, tornando o programa nuclear inviável. Das oito usinas, só Angra 1 saiu do papel (em 1984). No governo Sarney, em 1986, revelou-se a existência do poço cavado pelos militares para testes nucleares subterrâneos na Serra do Cachimbo, no Pará. Em 1988, a nova Constituição proibiu o uso da energia nuclear para fins militares. Em 1990, o governo Collor contrariou os militares ao desativar o programa nuclear do Exército e da Força Aérea. A Marinha continuou enriquecendo urânio, nominalmente para fins pacíficos – e sonhando com o submarino nuclear. Em 1998, o governo Fernando Henrique aderiu ao Tratado de Não Proliferação Nuclear.

ÉPOCA – O que prevê o TNP?

Goldemberg – Foi criado em 1968 para impedir a proliferação de armas nucleares. Sua posse ficou restrita às potências que já as possuíam: EUA, União Soviética, Inglaterra, França e China. O TNP visa o desarmamento nuclear e o uso pacífico da energia nuclear. Até hoje deu certo. Nenhuma bomba foi usada desde 1945. Os americanos cogitaram usar na Guerra da Coreia (1950-1953) e na Indochina, em 1954, para evitar a derrota francesa. A Crise dos Mísseis de 1962 foi o auge da Guerra Fria. Os EUA e a União Soviética tinham 65 mil ogivas. Hoje, EUA e Rússia têm 2 mil cada um.

ÉPOCA – Como é a fiscalização do TNP?

Goldemberg – É feita pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Ela tem acesso às instalações nucleares oficiais dos signatários – não às secretas.

ÉPOCA – Como assim?

Goldemberg – A AIEA só pode fiscalizar instalações oficiais. O TNP não permite à AIEA investigar instalações suspeitas. Os EUA temiam o desenvolvimento de programas nucleares secretos no Iraque, no Irã e na Coreia do Norte. Em 1997, criou-se o Protocolo Adicional do TNP. Ele autoriza inspecionar qualquer instalação passível de uso nuclear – como o reator secreto do Irã, revelado em 2009.

ÉPOCA – O Brasil apoia o direito do Irã de desenvolver energia nuclear para fins pacíficos. Há relação com o protocolo?

Goldemberg – Claro. Desde 2008, os EUA pressionam o Brasil a assinar o Protocolo Adicional. O governo se recusa. O Irã de hoje poderá ser o Brasil de amanhã.

ÉPOCA – O secretário de Assuntos Estratégicos, Samuel Guimarães, diz que “foi um erro assinar o TNP” porque a Constituição brasileira já proíbe o uso militar do átomo.

Goldemberg – Ele tem razão. Mas, se um dia algum governo decidir mudar a Constituição, não abrirá nenhum precedente. A Constituição de 1988 é a oitava desde a Independência e acumula 62 emendas. Em comparação, os EUA têm a mesma Constituição desde 1776, só com 27 emendas, e a Inglaterra nem Constituição escrita tem. Quando pressionam Brasília a assinar o protocolo, as potências devem estar olhando com atenção nosso histórico constitucional.



”O silêncio de Lula encoraja a desconfiança de que o Brasil teria intenções de fazer armas nucleares para exercer sua soberania”



ÉPOCA – Ter o submarino nuclear na defesa do pré-sal é o argumento do ministro da Defesa, Nelson Jobim, contra a assinatura do protocolo.

Goldemberg – Não assinar o protocolo pode tornar o Brasil alvo de sanções internacionais, como as impostas ao Irã pelas Nações Unidas (ONU).

ÉPOCA – Nossa economia é muito maior e mais diversificada que a do Irã. Neste cenário, qual sanção teria efeito contra o Brasil?

Goldemberg – A ONU pode congelar os bens e as contas bancárias brasileiras no exterior, paralisar o comércio externo e barrar transferências de tecnologia. Se nossa economia é maior e estamos mais integrados ao mundo, isso nos torna mais vulneráveis às sanções, não menos.

ÉPOCA – O vice-presidente José Alencar disse o seguinte: “Arma nuclear usada como instrumento dissuasório é de grande importância para um país com 15.000 quilômetros de fronteiras e um mar territorial com petróleo na camada pré-sal. Dominamos a tecnologia nuclear. Temos de avançar nisso aí”.

Goldemberg – Alencar pode dizer o que quiser. Ele foi eleito, não é um político nomeado. Mas não concorrerá às eleições. Está doente e no fim da vida. O que me preocupa é ver o ministro da Defesa e o secretário de Assuntos Estratégicos, auxiliares diretos do presidente da República, se manifestarem contra o Protocolo Adicional. Em nenhum momento o presidente veio a público desautorizá-los. O silêncio de Lula encoraja a desconfiança de que o Brasil teria intenções de fazer armas nucleares para exercer sua soberania. O Brasil quer a bomba.

ÉPOCA – Alencar vê a posse da bomba como uma via de acesso ao assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Ele citou o exemplo do Paquistão, um país pobre, mas com assento em vários organismos internacionais.

Goldemberg – Não me parece que passe pela cabeça de alguém de bom-senso ceder ao Paquistão uma vaga no Conselho de Segurança. O Paquistão é uma fonte de preocupação. Está em guerra civil. Suas instituições estão desmoronando e parte do território caiu sob controle da guerrilha islâmica e da rede Al Qaeda. Se o Paquistão deixar de existir, quem será o primeiro a tentar pôr as mãos numa de suas bombas? Osama Bin Laden.

ÉPOCA – Temos gente para fazer a bomba?

Goldemberg – Sim, muita. A tecnologia não é nova. Havendo vontade governamental e recursos, bastaria alguns anos.

ÉPOCA – Não basta ter a bomba. É preciso meios de lançá-la.

Goldemberg – O governo retomou o projeto de lançador de satélites. Se existisse, poderia levar ogivas.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Dilma, a foice e o boné


Dilma, a foice e o boné.

Em 1990, Dilma Rousseff(PDT) era Diretora-Geral da Câmara dos Vereadores de Porto Alegre, na cota do então vereador Carlos Araújo, um ex-guerrilheiro dos mais violentos, seu ex-marido e pai da sua filha. A poucos metros do seu gabinete, o cabo Valdeci de Abreu Lopes era degolado com uma foice ao tentar conter os distúrbios causados pelo MST. Foi o primeiro de muitos assassinatos cometidos por integrantes do "movimento social". Vinte anos depois, agora já petista e candidata à presidência da República na cota de Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff(PT) coloca o boné do MST. Vinte anos depois, o sangue que correu pelo chão da Praça da Matriz, em Porto Alegre, banha os seus pés e tinge as suas mãos, ao apoiar oficialmente um movimento de guerrilha rural que, por sinal, está oficialmente integrado à campanha eleitoral do PT. Um dia, os iguais sempre acabam se unindo. E o que a ideologia une, o tempo não separa.
No vídeo, o fundador do MST, João Pedro Stedile, informa o apoio do movimento à candidata petista, mas continua pregando a guerrilha. Junto a ele, o coordenador da campanha de Dilma no Rio Grande do Sul, o prefeito Ari Vanazzi, de São Leopoldo, além de Olívio Dutra, ex-governador que pendurou a bandeira de Cuba na janela do Piratini, no dia da sua posse.

Postado por O EDITOR às 09:16:00

Veja o vídeo em http://coturnonoturno.blogspot.com/2010/06/dilma-foice-e-o-bone.html

Humor: O Garanhão de Garanhuns


O Garanhão de Garanhuns ataca novamente. O presidente Luis Brochácio da Silva disse que faz sexo 5 vezes por semana:

- Tem semana que é 5 vezes, quando é com uma mão. Na semana seguinte é 4 vezes, porque uso a outra – declarou o chefe da nação.

Para não perder tempo pra chegar em casa, Luis Brochácio tem se deslocado com um grande esquema de segurança, precedido por 12 batedores da Polícia Federal:

- Eles são bons batedores, batem mais que eu – disse o presidente. E eu penso sempre na Marisa. Penso que ela não está aqui, que estou com outra. Senão a coisa não acontece – completou.

Sandra Starling: Carta de uma ex-petista

CARTA DE UMA EX-PETISTA

MANDA QUEM PODE, OBEDECE QUEM TEM JUÍZO”

O ADEUS de Sandra Starling ao seu Partido exprime uma grande desilusão e falta, quem sabe, de conhecimento da história. Ela, pela experiência vivida já deveria saber que nos PARTIDOS de direita ou de esquerda não há lugar para discordar dos LÍDERES que os dominam. Na URSS ou na Alemanha, os que ficaram contra ou tiveram a idéia de pensar diferente, foram eliminados. Aqui, no Brasil, não poderia ser diferente. Onde se encontram Paulo de Tarso Venceslau, Heloisa Helena, Luciana Genro os prefeitos de Santo André, Campinas e tantos outros? No Maranhão acontecerá a mesma coisa. È só terminar a eleição e haverá uma varredura violenta no Partido. Eles, os chefes, alegam que é preciso defender o PARTIDO. Qual o PARTIDO? O DELES OU o SEU, SANDRA STALRLING? O deles.

O GRUPO GUARARAPES, QUE É BRASIL, sente que estamos marchando para uma situação bem parecida da Venezuela ou CUBA. “Democracia” quando se pensa como eles ou o Partido.

Seus amigos se curvaram e a senhora foi embora. E O Brasil que a senhora sonhava como nós sonhamos onde fica nisso tudo? A senhora, uma IDEALISTA E SONHADORA foi enganada por quem mente. A MENTIRA é a principal doença do nosso País. Não há mais palavra nem sonhos. HÁ MENTIRAS e TRAIÇÕES.

GRUPO GUARARAPES


Adeus ao Partido dos Trabalhadores

Sandra Starling

Ao tempo em que lutávamos para fundar o PT e apoiar o sindicalismo ainda “autêntico” pelo Brasil afora, aprendi a expressão que intitula este artigo. Era repetida a boca pequena pela peãozada, nas portas de fábricas ou em reuniões, quase clandestinas, para designar a opressão que pesava sobre eles dentro das empresas.

Tantos anos mais tarde e vejo a mesma frase estampada em um blog jornalístico como conselho aos petistas diante da decisão tomada pela Direção Nacional, sob o patrocínio de Lula e sua candidata, para impor uma chapa comum PMDB/PT nas eleições deste ano em Minas Gerais.

É com o coração partido e lágrimas nos olhos que repudio essa frase e ouso afirmar que, talvez, eu não tenha mesmo juízo, mas não me curvarei à imposição de quem quer que seja dentro daquele que foi meu partido por tantos e tantos anos. Ajudei a fundá-lo, com muito sacrifício pessoal; tive a honra de ser a sua primeira candidata ao governo de Minas Gerais em 1982.

Lá se vão vinte e oito anos! Tudo era alegria, coragem, audácia para aquele amontoado de gente de todo jeito: pobres, remediados, intelectuais, trabalhadores rurais, operários, desempregados, professores, estudantes. Íamos de casa em casa tentando convencer as pessoas a se filiarem a um partido que nascia sem dono, “de baixo para cima”, dando “vez e voz” aos trabalhadores. Nossa crença abrigava a coragem de ser inocente e proclamar nossa pureza diante da política tradicional. Vendíamos estrelinhas de plástico para não receber doações empresariais. Pedíamos que todos contribuíssem espontaneamente para um partido que nascia para não devermos nada aos tubarões.

Em Minas tivemos a ousadia de lançar uma mulher para candidata ao Governo e um negro, operário, como candidato ao Senado. E em Minas (antes, como talvez agora) jogava-se a partida decisiva para os rumos do País naquela época. Ali se forjava a transição pactuada, que segue sendo pacto para transição alguma.

Recordo tudo isso apenas para compartilhar as imagens que rondam minha tristeza. Não sou daqueles que pensam que, antes, éramos perfeitos. Reconheço erros e me dispus inúmeras vezes a superá-los. Isso me fez ficar no partido depois de experiências dolorosas que culminaram com a necessidade de me defender de uma absurda insinuação de falsidade ideológica, partida da língua de um aloprado que a usou, sem sucesso, como espada para me caluniar.

Pensei que ficaria no PT até meu último dia de vida. Mas não aceito fazer parte de uma farsa: participei de uma prévia para escolher um candidato petista ao governo, sem que se colocasse a hipótese de aliança com o PMDB. Prevalece, agora, a vontade dos de cima. Trocando em miúdos, vejo que é hora de, mais uma vez, parafrasear Chico Buarque: “Eu bato o portão sem fazer alarde. Eu levo a carteira de identidade. Uma saideira, muita saudade. E a leve impressão de que já vou tarde.”

Política externa rebolation de Lula, um desastre!

A urubuzada: Ahmadinejad, Dilma, Lula e Chávez


Shalom

Dalton Melo de Andrade

dandrade@supercabo.com.br

Com essa palavra hebraica, “Shalom”, que significa “paz”, encerrou o nosso presidente o seu discurso no Knesset, o Parlamento israelense. É bem possível que tenha usada a palavra equivalente em árabe, “Salaam”, em suas arengas aos palestinos. Segundo ele, buscava a paz em sua viagem à Israel e sua visita aos palestinos.

Os comentários internacionais, inclusive em Israel e países árabes, além de poucos, não foram positivos. É que chegou à região acompanhado da figura negativa de Ahmadinejad, cuja imagem por lá, como aliás em todo o mundo, não é boa. Além, obviamente, da pouca tradição que temos em participar de negociações nessa região, até por estarmos afastados dos problemas da área.

Essa viagem, totalmente política, e que, segundo comentários diversos, visa materializar um fugaz sonho em sermos membros efetivos do Conselho de Segurança da ONU, não teve sucesso. Traz ainda um outro sonho, ainda não expressado pelo presidente, mas já muito comentado na mídia, de uma possível candidatura sua à Secretário-Geral da ONU. Pelo contrário, os resultados dessa visita parecem nos ter afastado ainda mais desses objetivos. A repercussão internacional foi ínfima, muitas vezes negativa, e não trouxe resultados palpáveis nem para nós nem para os israelenses e palestinos.

Para o Brasil, ser membro do Conselho de Segurança poderá trazer certo prestigio internacional, mas trás implicações onerosas, tanto políticas como financeiras. Teremos que assumir, ao lado dos demais membros desse Conselho, responsabilidades pela condução da política da ONU, o que poderá implicar em termos que usar, quase de forma obrigatória, não somente recursos financeiros, que seriam melhor aplicados dentro do país, mas também recursos humanos, com os riscos inerentes à tais missões, como já estamos sentindo no Haiti. A candidatura do presidente à ONU é ainda mais incerta.

Ao examinar com frieza os resultados dessa viagem, e fazendo coro com a grande maioria do já expressado em nossa imprensa e por muitos de nossos comentaristas internacionais, só temos que lamentar esse sonhos megalomaníacos, que não podem ser diretamente imputados ao presidente, mas que resultam da duvidosa influência do proponente maior de nossa política externa, o Sr. Marco Aurélio Garcia, seguida sem discussões pelo ministro do Exterior, cuja formação especializada não se faz sentir.

Em política externa, temos sofrido derrotas constantes em nossas proposições, as quais sempre se revestem de um conteúdo ideológico já superado, reduzindo nossa influência à poucos países sem expressão, conduzidos por dirigentes que pregam a mesma política atrasada. E isso passa por assuntos importantes, desde o nosso desejo de sermos membros permanentes do Conselho de Segurança, até a indicação de diretores de agencias internacionais, ou, agora, à Secretária-Geral da ONU. Derrotas que são resultados evidentes da condução dessa politica."

Bolsa Terrorismo: Anistiado pobre fica sem receber indenização


O Estado de S. Paulo - 28/6/2010

Anistiado pobre fica sem receber indenização

Processos referentes a vítimas mais humildes são tão demorados que elas estão morrendo sem ter recebido nenhum centavo

Leonencio Nossa

Vítimas do regime militar das camadas mais humildes da população têm ficado à margem da concessão de indenizações pela Comissão de Anistia. Os processos referentes a barqueiros, agricultores, lavadeiras e pequenos comerciantes que sofreram tortura são tão demorados que eles estão morrendo de velhice sem ter recebido um centavo sequer.

Esse é o caso do comerciante Renovato Pereira Neto, de 71 anos, de São Geraldo do Araguaia. Acusado pelo Exército de vender munição para integrantes da Guerrilha do Araguaia, no começo dos anos 1970, ele passou quase três décadas sofrendo os traumas de choques elétricos. Em 2004, conseguiu entrar com pedido de indenização. Renovato morreu dois anos depois sem conseguir receber o benefício.

Dos 44 anistiados do Araguaia, 5 já morreram. "A Justiça tem de tomar uma decisão definitiva. Ou permite os pagamentos ou acaba de vez com a esperança do pessoal", afirmou Sezostrys Alves da Costa, representante da Associação dos Torturados da Guerrilha do Araguaia. A associação conta com 280 integrantes.

O Estado revelou na edição de ontem que indenizações de R$ 4 bilhões pagas ou aprovadas pela Comissão de Anistia para perseguidos políticos poderão ter os valores revistos pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Proposta em análise no órgão prevê a possibilidade de reduzir os benefícios concedidos aos anistiados. As indenizações já aprovadas somam um total de R$ 4,2 bilhões.

Suspensos. Em junho do ano passado, o então ministro da Justiça Tarso Genro entregou simbolicamente, numa praça de São Domingos, no Sul do Pará, a indenização à família de Renovato e a outros 43 moradores pobres que passaram pelos campos de tortura e foram reconhecidos como anistiados políticos. Os pagamentos, no entanto, foram suspensos por decisão da Justiça Federal.

De 1995 até 2007, o governo só tinha concedido duas anistias para pessoas de camadas mais pobres. Tarso afirmou que, a partir dali, o Ministério da Justiça priorizaria as vítimas esquecidas da ditadura.

Desde a suspensão dos benefícios dos agricultores do Araguaia, no ano passado, a Advocacia-Geral da União não conseguiu, porém, derrubar a liminar que bloqueou os pagamentos.

A decisão que suspendeu indenizações que variavam de R$ 83 mil a R$ 142 mil aos moradores do Araguaia foi tomada bem longe dali. O juiz José Carlos Zebulum, da 27.ª Vara Federal do Rio de Janeiro, aceitou pedido de suspensão apresentada pelos advogados do deputado estadual Flávio Bolsonaro (PP-RJ). O pai de Bolsonaro, Jair, deputado federal também pelo PP, representa setores conservadores das Forças Armadas no Congresso.

O presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, Paulo Abrão, reclama que o governo e os agricultores do Araguaia não foram ouvidos pela Justiça do Rio. "Não me surpreendem ações ideológicas de determinados grupos militares e reacionários. O que me surpreende é um juiz conceder essa liminar sem ouvir o Estado brasileiro e os camponeses", disse Abrão.

Tumulto. Na justificativa de sua decisão, o juiz José Carlos Zebulum escreveu que ouvir os camponeses "causaria evidente tumulto processual, prejudicando a eficiência e celeridade da prestação jurisdicional".

Sezostrys Costa disse que a suspensão dos pagamentos causou desespero entre os anistiados do Sul do Pará, pessoas que vivem em situação de miséria e com problemas de saúde.

Zé da Rita. José Francisco Pinto, o Zé da Rita, que participou de patrulhas militares era um dos perseguidos por grupos de direitos humanos. Ele reivindicava indenização por "trabalhar como escravo" dos militares. Zé da Rita morreu em abril deste ano.

Irã já tem urânio para duas bombas


JB Online - 28/6/2010

Irã já tem urânio para duas bombas

O diretor da CIA, Leon Panetta, surpreendeu a comunidade internacional ao afirmar que o Irã já teria urânio para produzir duas bombas nucleares até 2012. Em entrevista à rede de TV ABC, ontem, ele disse que este prazo é suficiente para que o país enriqueça o urânio e construa um sistema de lançamento.


O diretor da agência de inteligência americana, a CIA, Leon Panetta, afirmou ontem que o Irã teria capacidade para fabricar duas armas nucleares até 2012.

– Achamos que o Irã têm urânio levemente enriquecido suficiente para duas armas nucleares – declarou Panetta, em entrevista concedida ao programa This week, do canal ABC.

Teerã precisaria de um ano para enriquecer este urânio, de forma a produzir uma bomba, e levaria pelo menos “outro ano para desenvolver o sistema de lançamento da arma para tornála viável”, acrescentou o diretor da CIA.

Os Estados Unidos não descartam a opção militar contra o Irã, assim como Israel, principal aliado de Washington na região, onde é o único país com poderio nuclear bélico – o que não nega, mas também não reconhece.

– Israel está muito preocupado com o que acontece no Irã – afirmou Panetta.

– Continuamos compartilhando informação de inteligência sobre qual é a capacidade exata do regime iraniano.

Panetta afirmou também que há alguns anos o serviço de inteligência dos EUA não tem uma boa informação sobre o paradeiro de Osama Bin Laden, líder da rede terrorista Al Qaeda, embora todos imaginem que ele esteja no Paquistão.

O diretor da CIA fez um relato preocupante sobre a guerra no Afeganistão, ao dizer que o Talibã parece estar se fortalecendo com um crescente aumento da violência, mesmo enquanto as forças lideradas pelos EUA minam o movimento islâmico, com ataques às suas lideranças. A guerra no Afeganistão, que completa nove anos, tem sido “mais dura e mais lenta que o previsto”, afirmou Panetta.

Por outro lado, o funcionário defendeu a estratégia do presidente Barack Obama, cuja decisão de enviar, a partir de dezembro passado, 30 mil militares adicionais e alcançar, em agosto deste ano, 150 mil homens no Afeganistão, enfrenta questionamentos.

Nomeado para dirigir a CIA em 2009, Panetta insistiu em que “a questão fundamental é se os afegãos aceitam a responsabilidade” do combate à insurgência se forças estrangeiras deixarem o país.

– Se puderem fazer isto, então acho que poderemos conseguir o tipo de progresso e de estabilidade que o presidente pretende – enfatizou.

Venezuela-Síria: Eixo dos valentões de araque


O Globo - 28/6/2010

Relações estratégicas

Venezuela e Síria firmam aliança e a batizam de 'Eixo dos Valentes' contra o imperialismo

CARACAS

O “Eixo do Mal” de Bush — composto por Síria, Iraque, Coreia do Norte e Irã — acaba de ganhar um contraponto.

É o “Eixo dos Valentes”, constituído durante encontro dos presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e da Síria, Bashar al-Assad, sábado à noite no Palácio de Miraflores, em Caracas.

Os dois definiram o eixo como “uma aliança estratégica por um mundo novo contra o imperialismo”. Chávez e Assad destacaram que pretendem não apenas trabalhar pela permanência da anunciada aliança entre Damasco e Caracas, mas também ampliar a cooperação entre os dois países, em diferentes âmbitos.

— Chávez fixou a imagem de resistência da Venezuela no cenário internacional.

Estou feliz de cruzar o Atlântico pela primeira vez e de começar minha visita aqui em Caracas, capital de um país bonito e símbolo, junto com seu presidente, na luta contra os ventos que vêm do Norte — elogiou Assad, que da Venezuela seguiu para Cuba e chega ao Brasil quarta-feira.

Para Assad, a Venezuela não se limitou a conservar e preservar a vida dos imigrantes sírios, tendo apoiado as causas de seu país. Ele convocou a comunidade síria na Venezuela a participar do novo pacto de cooperação.

— Devemos ser fortes para que o mundo nos respeite e, para isso, não podemos ficar isolados — disse.


Fundo para ajudar projetos bilaterais

Chávez, que visitou a Síria em 2006 e 2009, qualificou como estratégica a aliança entre as duas nações, depois de destacar que é a primeira vez que um presidente sírio visita Caracas.

Ele reafirmou seu apoio à luta pacífica para que as Colinas de Golã, território ocupado por Israel em 1967 depois da Guerra dos Seis Dias, sejam devolvidas à Síria.

— O território algum dia voltará às mãos do povo sírio, pois pertence ao povo das Colinas de Golã, e queremos que isso ocorra pacificamente, pois não desejamos mais guerra — disse Chávez, depois de chamar Israel, país com o qual a Venezuela rompeu relações em 2009, de “Estado genocida”.

Ministros dos dois governos assinaram quatro acordos nas áreas de agricultura e de cooperação científica e tecnológica. Também acertaram o projeto de elaboração de uma empresa mista para a produção e distribuição na Venezuela de azeite de oliva sírio.

Chávez informou ainda que os dois países decidiram criar um fundo misto de financiamento com aporte de US$ 50 milhões por parte de cada um para impulsionar projetos bilaterais.

Durante a cerimônia no Palácio de Miraflores, Assad recebeu de Chávez uma réplica da espada do herói nacional venezuelano Simón Bolívar.

Colégio Militar de Porto Alegre: Formando hoje o cidadão do amanhã!

CMPA: Formando Hoje o Cidadão do Amanhã!

Por Coronel Hiram Reis e Silva, Cidreira, RS, 27 de junho de 2.010

“(...) Na nossa escola forja-se a grandeza,
Temos no peito amor juvenil,
Em nossas cores, toda a natureza,
Nós somos filhos do Brasil. (...)”
(Canção do CMPA)


- Colégio Casarão da Várzea (CMPA)

Entrei, mediante concurso, como adolescente, no Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA) nos idos de 1965 e dali saí homem feito em 1971 para ingressar na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN). Foram sete magníficos anos em que aprendi a importância da disciplina, cultivei os valores cívicos e morais, a camaradagem, o patriotismo e desfrutei de um ensino do mais alto nível. O CMPA é reconhecido, nacional e internacionalmente como uma das melhores Instituições de Ensino do país e lembrado pelas várias personalidades influentes na História do Brasil, do Rio Grande do Sul e de Porto Alegre que fizeram e fazem parte de seu corpo docente e discente.

Há dez anos tenho a honra de pertencer a seu seleto e empreendedor corpo docente. O CMPA forma hoje, como no passado, líderes que conduzirão os destinos de nossa amada Pátria. A presença marcante nos destinos da vida regional e brasileira transformou o CMPA em um patrimônio gaúcho e nacional.

Recentemente um artigo intitulado “A Falsa História nas Escolas Militares”, assinado pelo escritor e jornalista Urariano Mota (urarianoms@uol.com.br) afirma, dentre outros devaneios, que nossos alunos são: “obrigados a decorar algo como uma História vazia e violentadora (...)”.

O alienado escritor continua seu artigo fazendo suas idiotizadas considerações alicerçadas numa visão distorcida da “História do País”, reescrita pelos ideólogos de PlanTão. Reproduzo, abaixo, um texto do Coronel Leonardo Roberto Carvalho de Araújo, do CMPA, que mostra a preocupação do Colégio, desde a sua criação, com a Excelência no Ensino e o sucesso alcançado.


- Personagens Históricos

“(...) Dos primórdios da antiga Escola Militar até o ano de 1911, pode-se destacar a atuação de várias personagens dessa instituição nas mais diferentes áreas.

Nas décadas de 70 e 80 do Século XIX, alunos, professores e instrutores da Escola Militar, direta ou indiretamente tiveram participação ativa em questões ligadas à abolição da escravatura e à proclamação da república. (...)

Também na área da educação, é impossível deixar de mencionar a relevante atuação do Capitão João José Pereira Parobé, professor da Escola Militar do RS. Além de ter sido Deputado Estadual e Secretário de Obras do RS, esteve diretamente ligado à fundação da Escola de Engenharia em 1896, precursora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), onde foi diretor por dezessete anos. O Capitão Parobé também foi o fundador do Colégio Júlio de Castilhos, da Escola Técnica que hoje leva seu nome e de vários dos institutos da atual UFRGS. Por sua enorme colaboração para a educação do Rio Grande do Sul, o Capitão Parobé constitui-se no maior expoente gaúcho nessa área. Da Escola Militar do RS também saíram, em 1896, os cinco tenentes professores que fundaram a Escola de Engenharia. De maneira semelhante, o primeiro reitor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS, (anteriormente também reitor da UFRGS), Armando Pereira da Câmara, foi aluno do CMPA.

Ainda no campo da Educação, é lícito ressaltar que a Escola Militar foi o primeiro curso de ensino superior do Estado e que contribui de forma decisiva, através de seus fundadores e primeiros professores, para a criação e a evolução da UFRGS.

Nos campos do tradicionalismo e da etnografia, é notória a participação do Major João Cezimbra Jacques, instrutor da Escola Militar, idealizador e fundador do Grêmio Gaúcho em 1898, primeira entidade destinada ao estudo e ao culto das tradições rio-grandenses, motivo pelo qual foi consagrado como Patrono do Tradicionalismo Gaúcho. (...) É com orgulho, pois, que o Casarão da Várzea reivindica ser o berço do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG). (...)

Pelas centenárias arcadas do Velho Casarão da Várzea transitaram, como alunos, oficiais ou praças, oito presidentes da república (João de Deus Menna Barreto, Getúlio Dornelles Vargas, Eurico Gaspar Dutra, Humberto de Alencar Castelo Branco, Arthur da Costa e Silva, Emílio Garrastazu Médici, Ernesto Geisel e João Baptista de Oliveira Figueiredo), o que o fez ser alcunhado como "Colégio dos Presidentes", além de um primeiro-ministro (Francisco de Paula Brochado da Rocha), um vice-presidente (Adalberto Pereira dos Santos), vários heróis militares brasileiros (Mal. Câmara, Cel. Plácido de Castro, Mal. Mascarenhas de Morais, Gen. Góes Monteiro, Mal João N. M. Mallet e outros), vários ministros, governadores e ocupantes de outros altos cargos políticos, um elevado número de oficiais-generais e outros militares de destaque, eminências da vida civil em todos os campos do conhecimento, como o poeta Mário Quintana, o artista plástico Vasco Prado, o escritor e advogado Darcy Pereira de Azambuja, os ex-reitores da UFRGS Armando Pereira da Câmara e José Carlos Ferraz Hennemann, o presidente da Intel/Brasil Oscar Vaz Clarke e o vice-presidente mundial do Google Nélson Mendonça Mattos, além de outras destacadas personalidades que podem ser vistas no link “ex-integrantes ilustres”.

É relevante ressaltar que a primeira publicação das poesias de Mario Quintana e das gravuras de Vasco Prado foi feita nas páginas da revista Hyloea, em 1922 e 1933, respectivamente. A Hyloea - revista literária fundada em 1922 pelos alunos integrantes da então Sociedade Cívica e Literária - é até hoje publicada pelo CMPA. (...)

Ainda no campo esportivo, já na década de 40, o Capitão Olavo Amaro da Silveira, instrutor da Escola Preparatória de Cadetes, junto com outros oficiais e civis, fundava a entidade que é hoje a Escola de Educação Física da UFRGS, tornando-se seu primeiro diretor.

Outro fato que o distingue pelo pioneirismo educacional no Estado é o de, entre 1915 - ano em que a primeira turma de alunos se formou - e 1938 – quando foi transformado em Escola Preparatória de Cadetes – seus formandos receberem também o diploma de "Agrimensor", já saindo com uma profissão definida. Assim, o CMPA antecipou-se em mais de meio século à introdução do ensino profissionalizante na educação básica do Estado”. (Araujo)


- Atualidade

“Atualmente, o CMPA é a única escola de educação básica do País a possuir um observatório astronômico (Observatório Capitão Parobé) dotado de um telescópio robótico de última geração. Construído em 2002, através de um convênio com a UFRGS, a USP e a Fundação Vitae, o observatório se destina a um ambicioso projeto multidisciplinar nacional que tem na Astronomia o mote para o estímulo ao aprendizado das ciências, da história, da geografia e das artes. (...)

Dois de seus alunos classificaram-se para representar o Brasil na VII Olimpíada Internacional de Astronomia (VIII OIA), realizada na Rússia em 2002, repetindo o feito em 2005, com um aluno participando da X Olimpíada Internacional de Astronomia, realizada em Pequim, na China. Em 2008, novamente dois alunos foram selecionados, uma para a 2ª Olimpíada Internacional de Astronomia, em Trieste – Itália, e outro para a Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica em Bandung – Indonésia. Em 2009, um aluno foi selecionado como um dos cinco brasileiros a compor a equipe olímpica que disputou a 3ª Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica, realizada Teerã no Irã.

O CMPA teve os únicos alunos gaúchos selecionados para cursarem a Escola do Espaço em 2001, a Escola Avançada de Física em 2003, a 1ª, a 3ª e a 5ª edições da Jornada Espacial em 2005, 2007 e 2009, todas no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Desde 2007, em iniciativa pioneira, o Clube de Química desenvolve o Projeto Biodiesel, o qual visa produzir biodiesel a partir da utilização do óleo de cozinha que foi utilizado no preparo das refeições. Em 2008 foi comprovada a viabilidade do combustível através de um teste de campo realizado com um trator agrícola e com um caminhão do Exército.

Seus formandos têm o mais alto índice percentual de aprovação no vestibular da UFRGS entre as escolas gaúchas (42% em 2005, 44% em 2006, 44,79% em 2007, 61,11% em 2008, 48,70% em 2009 e 57,45% em 2010).

Há vários anos, é uma das poucas escolas gaúchas a aprovar alunos para o Instituto Militar de Engenharia (IME), para o Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), para a Academia da Força Aérea (AFA) e para a Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante (EFOMM).

Do "Colégio dos Presidentes" saíram as únicas duas gaúchas selecionadas para integrar as respectivas turmas pioneiras de mulheres da Aeronáutica: uma em 1996, para a Intendência da FAB, e a outra, em 2003, para realizar o curso de piloto de combate na Academia da Força Aérea Brasileira.

Em 2005, o Colégio obteve a primeira colocação entre todas as escolas gaúchas que realizaram o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), sendo a única a obter média superior a 70 pontos, o que a incluiu entre o seleto grupo das escolas brasileiras com conceito “excelente”. Em 2006, novamente houve-se muito bem nessa prova, classificando-se como a melhor escola pública do Rio Grande do Sul e a 11ª em todo o País. Em 2007, foi destacado como o melhor colégio gaúcho e único a atingir 80 pontos ou mais nessa prova. Em 2008, obteve a melhor colocação entre as escolas públicas do Estado e a 17ª colocação entre as brasileiras, sendo a única gaúcha a atingir o nível de excelência (70 pontos ou mais). Em 2009, repetiu o feito do ano anterior. Nos últimos anos, teve a satisfação de ver vários de seus alunos receberem medalhas de ouro, prata e bronze em olimpíadas intelectuais, como as de Matemática, Física e Química.

Em 2008 e 2009, os únicos gaúchos selecionados como Jovens Embaixadores junto aos Estados Unidos eram alunos do CMPA, e nesse país cumpriram quinze dias de atividades diplomáticas. O Colégio Militar também teve um dos cinco alunos gaúchos selecionados como Deputado Jovem junto à Câmara dos Deputados, lá passando uma semana em atividades legislativas. (...)

São feitos que orgulham os integrantes do Velho Casarão da Várzea, fazendo com que, apesar de todas as adversidades porventura encontradas, continuem a contribuir, através da educação em seu sentido mais amplo, para o engrandecimento do País. Assim, com base em uma tradição de eficiência, disciplina, valores morais, camaradagem, patriotismo e ensino de alto nível, o CMPA procura formar, não só o cidadão do amanhã, como também homens e mulheres aptos e dignos para serem os líderes que conduzirão os destinos da próspera Pátria com que todos sonhamos. Por essa presença marcante na vida regional e brasileira, o Colégio Militar de Porto Alegre, constitui-se hoje não apenas em um patrimônio de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul, mas também de todo o Brasil”. (Araujo)


- Características

(...) O Colégio Militar é mantido com verbas do Exército e sua estrutura administrativa (não-docente) é composta, prioritariamente, por militares, sendo uma escola que ministra a Educação Básica normal no País, com as particularidades previstas na Lei de Ensino do Exército. Apesar de seu nome, o CMPA não se dedica ao ensino das artes bélicas e nem visa unicamente à preparação para a carreira militar, sendo esta apenas uma opção de seus alunos.

O Colégio possui cento e vinte professores, dos quais setenta e cinco são civis concursados e quarenta e cinco são militares. (...)”(Araujo)


- Proposta Pedagógica

“Seu diferencial educacional consiste no fato de possuir uma proposta pedagógica que o particulariza, na busca da almejada educação integral. O objetivo desta é, não só proporcionar uma sólida base em conteúdos disciplinares, mas também preparar o jovem para a vida cidadã que encontrará ao sair do Colégio, com todas as suas exigências em valores morais e afetivos, ordem, disciplina e respeito, mas sempre dentro de um clima de sadia amizade e sã camaradagem.

Seus professores estão adaptados à era do conhecimento, procurando interagir com seus alunos e se tornando seus facilitadores no processo do "aprender a aprender", tudo inserido no bojo da interdisciplinaridade e da contextualização tão necessárias ao momento educacional que vivemos”. (Araujo)


- Síntese de algumas razões do sucesso do CMPA

“- Cerca 60% de seus docentes são mestres ou doutores. O Colégio busca e incentiva, incessantemente, o aperfeiçoamento profissional de seu corpo docente. (...)

- A carga horária anual é superior à mínima estabelecida pelo MEC.

- Além dos conteúdos disciplinares, são oferecidas ao aluno atividades extra-classe, como: diversas modalidades de esporte, xadrez, astronomia, coral, banda de música, teatro, clubes de disciplinas (matemática, história, literatura, ciências, filosofia, etc.) e grêmios sócio-recreativos. É incentivada a participação em olimpíadas educacionais, como: astronomia, física, biologia, matemática, etc., e em projetos sócio-assistenciais de apoio a pessoas carentes. (...)

- A educação não se limita aos conteúdos das disciplinas. São também trabalhados e cultuados valores, como: respeito, ordem, organização, honestidade, honra, princípios morais, lealdade e responsabilidade pessoal e social, mas sempre dentro de um clima de amizade e camaradagem. Esse fato motiva uma forte e perene ligação afetiva entre alunos e ex-alunos com o Colégio Militar.

- A educação está baseada na harmonia e interação, profícua e constante, entre três vetores: escola, aluno e família. (...)”(Araujo)


- Conclusão

Desafio o Sr. Urariano Mota a apresentar outra Escola Pública que apresente resultados similares aos do nosso querido “Casarão”, que jamais tenha desencadeado qualquer tipo de movimento ‘grevista’, que no dia do seu aniversário seja capaz de fazer que seus ex-alunos, jovens e sexagenários, civis e militares, desfilem emocionados e saudosos ...


Solicito Publicação


Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva
Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA)
Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS)
Acadêmico da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB)
Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS)
Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional

Site: http://www.amazoniaenossaselva.com.br
E-mail: hiramrs@terra.com.br

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Críticas de general abrem crise nos EUA

Folha de S. Paulo - 23/6/2010

Críticas de general abrem crise nos EUA

Comandante das forças americanas no Afeganistão é chamado a se explicar na Casa Branca por reportagem

ANDREA MURTA

DE WASHINGTON

Stanley McChrystal, general que comanda as forças dos EUA no Afeganistão, foi chamado a Washington ontem após ele e sua equipe lançarem insultos que vão de "intimidado" a "palhaço" ao presidente Barack Obama e a altos membros do governo.

Os comentários foram feitos a um repórter da revista "Rolling Stone" que passou meses com a equipe de McChrystal. O texto causou furor imediato ao ser publicado no site da revista e circular em Washington. Segundo a mídia local, o general pôs o cargo à disposição.

O episódio mancha a imagem do esforço americano em um momento particularmente difícil da guerra no Afeganistão.

O número de soldados americanos mortos desde 2001 passou recentemente de mil. Uma operação classificada como crítica (a tomada de Candahar) foi adiada. E há rumores de que a retirada das tropas, marcada para começar em um ano, pode ser mais lenta do que o previsto.

Na reportagem, o vice-presidente Joe Biden é alvo de um dos comentários mais ofensivos. Um assessor faz um trocadilho chamando-o de ""Bite Me [algo como "não enche"]". McChrystal ri.

O grupo também diz que o general Jim Jones, assessor de Segurança Nacional, "é um palhaço preso em 1985", e o general afirma que não quer nem ver e-mails de Richard Holbrooke, enviado da Casa Branca para Afeganistão e Paquistão.

Obama, que segundo fontes foi descrito por McChrystal como despreparado, "desconfortável e intimidado", ficou furioso, mas ainda não decidiu se aceitará a renúncia do general.

"Todas as opções estão na mesa", disse o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs.



HISTÓRICO

Não é a primeira vez que McChrystal é convocado para se explicar ao presidente.

Ele já foi repreendido após dizer que a visão de Biden para o Afeganistão transformaria o país no "Caosistão".

Obama terá dois encontros com McChrystal hoje, um deles em particular. Mas o presidente disse que "qualquer decisão será determinada inteiramente" por questões estratégicas. "Nosso foco está no sucesso da guerra."

O secretário da Defesa, Robert Gates, disse em nota que McChrystal cometeu "um erro significativo" e que as tropas não precisam "desse tipo de distração".

Além dos insultos aos líderes políticos, a reportagem da "Rolling Stone" apresenta também uma visão pessimista sobre a situação no Afeganistão, considerada a "guerra de Obama" -pouco após assumir, o presidente deslocou do Iraque para o país o principal eixo das preocupações militares americanas.

Há várias críticas à estratégia de contrainsurgência de McChrystal.

A estratégia exige alto número de soldados, não só para derrotar o inimigo, mas para viver entre a população e reconstruir um governo viável. Na prática, há uma expansão do papel das Forças Armadas a áreas tradicionalmente da diplomacia, Num esforço de prazo indefinido.

O analista Robert Dreyfuss diz que está mais do que na hora de o general ser demitido. À Folha ele disse: "Não é que ele seja incompetente, é que sua estratégia é insana".

Outros comentaristas dizem que não há boa saída.

"Obama pode demitir McChrystal e dar a impressão de que perdeu o controle da guerra, ou mantê-lo e dar a impressão de que perdeu o controle de seus generais", disse o apresentador da MSNBC Chris Matthews.

Um dos poucos a defender o general foi o controverso presidente afegão Hamid Karzai, que disse que ele "é o melhor comandante que os EUA enviaram [ao país]".

terça-feira, 22 de junho de 2010

Sai do ar portal do Planejamento que criticou o governo


http://www.averdadesufocada.com/index.php?option=com_content&task=view&id=3405&Itemid=34

20/06 - Sai do ar portal do Planejamento que criticou o governo

O ESTADO DE S. PAULO - Por Lu Aiko Otta / BRASÍLIA

Criado para formular políticas públicas, instrumento tinha "reflexões críticas", que apontavam a falta de resultados em programas federais

O Ministério do Planejamento resolveu ontem tirar do ar o recém-lançado Portal do Planejamento. Instrumento criado para auxiliar a formulação de políticas públicas, ele continha uma seção chamada "reflexões críticas", que apontava a falta de resultados em alguns programas do governo.

"Vários ministros me ligaram para dizer: "olha, estão fazendo críticas às políticas desenvolvidas pelo meu ministério, mas nós não fomos chamados a discutir"" , contou o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, em entrevista à rádio CBN. "Ficamos numa posição um pouco delicada de explicar que aquilo não era posição fechada do Planejamento, são técnicos fazendo debate."

De acordo com Bernardo, o ministro da Educação, Fernando Haddad, telefonou para dizer que o portal continha dados errados sobre sua pasta. "Eu pedi para o pessoal da secretaria revisar tudo isso, e eles acharam melhor suspender."

De acordo com a reportagem do jornal Valor Econômico que criou toda a celeuma dentro do governo, um texto do portal dizia que a política de reforma agrária não alterou a estrutura fundiária nem assegurou a devida assistência aos assentados. Os programas criados com esse fim não teriam sido capazes de melhorar a qualidade de vida dos assentamentos, que "permanece muitas vezes a mesma que era antes". Agricultores de menor renda estariam, hoje, dependentes do Bolsa-Família.

Em nota, a Secretaria de Planejamento e Investimentos Estratégicos (SPI), responsável pelo portal, diz que essa análise não se refere apenas ao governo Luiz Inácio Lula da Silva e que ela registra uma "inflexão" no apoio aos assentados. "Os textos indicam que os desafios para a área se dão a partir do aprofundamento das políticas que constituíram novos instrumentos de apoio à produção do campo e elevaram os investimentos, sobretudo para o pequeno agricultor."

Biodiesel. A reportagem informa também que, de acordo com o portal, a política de produção de biodiesel não é sustentável no curto prazo. A nota da SPI não desmente. Diz que o texto apenas constatou que a produção de biodiesel é dependente de incentivos fiscais, tal como ocorreu com o álcool no passado.

Na área de educação, a avaliação constante do portal aponta para poucos avanços em relação a 2003 no que se refere a acesso a escola, repetência, evasão e baixa qualidade do ensino. O analfabetismo funcional está em 21% de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2008, um avanço pequeno em comparação com os 24,8% registrados em 2003.

O portal também classifica os planos militares do governo Lula como altamente custosos, embora os considere positivos. Aponta para o risco de fracasso da política de reconstrução da indústria de defesa, por falta de planejamento e recursos. Na nota, a SPI diz que a indústria bélica sofre risco de sustentabilidade, se mantiver sua orientação voltada para o mercado interno e para a independência tecnológica.

Bernardo já convocou uma reunião com os responsáveis pelo portal para segunda-feira. Se ele voltar ao ar, porém, não terá seu conteúdo totalmente aberto. "Me parece que um site para discutir políticas de governo deve ter um nível de acesso para quem é gestor, outro para quem é jornalista e outro para o público em geral", disse o ministro.

***

O Globo 23/6/2010

Merval Pereira

Fogueira das vaidades

O portal do Ministério do Planejamento que foi retirado do ar um dia após o seu lançamento, na semana passada, porque ministros reclamaram das críticas sobre suas respectivas áreas, não é, como o ministro Paulo Bernardo tentou classificar, apenas um portal “de debates”, com opiniões de técnicos que não podem ser atribuídas ao pensamento oficial do governo ou do próprio Ministério do Planejamento.

Vários ministros foram consultados sobre seu conteúdo, e ele foi revisado por membros do primeiro escalão do Ministério do Planejamento.

A divulgação de parte de seu conteúdo crítico pelo jornal “Valor Econômico” desencadeou uma crise interna no governo.

O portal fazia diversas críticas a políticas do governo, desde a reforma agrária, que, segundo a avaliação, não alterou a estrutura fundiária do país nem assegurou a assistência aos assentados, sendo que agricultores de menor renda estariam dependentes do Bolsa Família, até o biodiesel, cuja política de produção não seria economicamente sustentável.

O portal fez também uma avaliação da educação, que teria tido poucos avanços no que se refere a acesso à escola e qualidade do ensino, que continua baixa, entre outros pontos negativos.

Até mesmo os planos do Ministério da Defesa, como a indústria bélica, são considerados inviáveis, embora importantes, por falta de planejamento e recursos.

Eu mesmo, em um comentário para a CBN com o Carlos Alberto Sardenberg, aventei a possibilidade de o portal ser obra de “um burocrata bem intencionado que havia esquecido de conversar com os políticos” do ministério.

Foi quase assim, mas há detalhes que tornam o episódio mais interessante politicamente.

Acontece que o trabalho de criação do Portal do Planejamento foi coordenado pelo secretário de Planejamento e Investimentos Estratégicos (SPI), Afonso Oliveira de Almeida, que não é apenas um simples burocrata, mas um dos mais destacados homens de confiança de Dilma Rousseff, colocado no Ministério do Planejamento para acompanhar as obras do PAC.

Segundo informações de dentro do ministério, ainda que o dirigente seja um funcionário de carreira, é um antigo militante petista que já foi dirigente do partido no Distrito Federal, e ocupou uma diretoria no Banco BRB, o banco regional.

Como representante destacado do que se acusa ser um aparelhamento da máquina do Estado pelo esquema petista, ele costuma defender veementemente a tese de que “o Governo não deve prescindir de uma burocracia partidária”.

O trabalho foi integralmente revisado (ou censurado, como alguns comentaram) pela Diretoria do SPI e pelo secretário pessoalmente.

Houve relatos em reuniões internas de inúmeros fins de semana gastos “lendo, relendo e corrigindo” os documentos.

Muitos técnicos que participaram da versão original ficaram indignados com os cortes.

O próprio secretário Afonso Oliveira de Almeida se gabava de ter submetido alguns textos a ministros, tendo citado nominalmente em uma reunião o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE).

A Direção do SPI assumiu internamente toda a responsabilidade pela retirada do portal do ar, provavelmente para sustentar a tese de que o ministro Paulo Bernardo não sabia de nada.

Diversos técnicos se manifestaram frustrados pela retirada do portal do ar e pediram seu imediato restabelecimento, pois o Ministério do Planejamento estaria apto a defender seu conteúdo.

A decisão de lançar o portal neste momento delicado da vida política é atribuída a um arroubo de vaidade do secretário Afonso Oliveira de Almeida, que gostaria de se promover e assim se habilitar a uma posição de maior destaque num eventual governo Dilma, inclusive com as críticas a certos setores do governo.

Apesar de ter havido diversos debates quanto ao risco político da medida, ele insistiu na divulgação e convenceu o ministro Paulo Bernardo da sua importância.

Segundo relatos, Afonso Oliveira de Almeida tem feito vários desafetos no governo, protegido por sua proximidade com a candidata oficial Dilma Rousseff.

Recusa-se a trabalhar em parceria com os demais ministérios, buscando sempre a autossuficiência. É também acusado de perseguições internas contra pessoas e de iniciativas identificadas como herança do governo anterior.

Havia uma confiança do secretário de que as revisões houvessem tornado o documento informativo, mas não tão crítico a ponto de comprometer o governo.

E muitos dos problemas apontados vêm ainda de governos anteriores, o que na sua visão diluiria a responsabilidade do atual governo.

O secretário mostrava-se também “indignado”, e apressado para lançar o produto, pois o Ipea, outro órgão do Ministério do Planejamento, “pode falar besteiras em suas publicações recentes e a SPI ainda não pôde publicar seu produto, com visões corretas sobre questões importantes”.

Essa disputa de egos, uma verdadeira “fogueira das vaidades”, parece estar disseminada pela Esplanada dos Ministérios, uma tendência de ano eleitoral em que os integrantes do segundo escalão ambicionam uma posição de destaque maior num futuro governo Dilma Rousseff.

O inimigo das FARC chega à presidência



Rodrigo Craveiro

Correio Braziliense

Juan Manuel Santos, ex-ministro da Defesa de Uribe, confirma o favoritismo e derrota filósofo em eleição marcada pela alta abstenção

Os grupos armados até tentaram, mas não impediram que seu maior inimigo vencesse ontem as eleições na Colômbia, marcada pela violência e pelo alto índice de abstenção. Até as 21h30 de ontem (hora de Brasília), com 99,91% das urnas apuradas, o governista Juan Manuel Santos (leia o perfil abaixo) — ex-ministro da Defesa do atual presidente Álvaro Uribe — derrotou o filósofo e matemático Antanas Mockus, ao obter 9.004.221 (69,05%) dos votos, contra 3.588.819 (27,52%). Mais que a confirmação das pesquisas eleitorais, que davam a Santos cerca de 65% dos votos, a vitória de ontem teve um significado histórico. Pela primeira vez em 51 anos de democracia, um candidato a presidente conseguiu praticamente unificar o mapa político do país: 31 dos 32 departamentos (estados) da Colômbia votaram em Santos, que só perdeu em Putumayo (sudoeste).

De acordo com a Comissão Eleitoral, cerca de 13,3 milhões dos 29,9 milhões de cidadãos inscritos exerceram o direito de escolher seu presidente. A alta taxa de abstenção (56%) teria sido provocada pela chuva e pela partida da seleção brasileira contra a Costa do Marfim, pela Copa do Mundo.

Por volta das 20h de ontem (hora de Brasília), Mockus reconheceu a derrota e cumprimentou o rival. “Felicito o doutor Juan Manuel Santos e a todos aqueles que votaram por ele”, disse, prometendo que seu Partido Verde terá independência e deliberação em relação ao novo governo. Em seu primeiro discurso como presidente eleito, Santos afirmou que “chegou a hora da unidade nacional”. “A partir desse momento, sou o presidente eleito de todos os que me apoiaram e de todos os que não me apoiaram”, declarou.

Pouco antes, Uribe havia telefonado para Santos, parabenizado o ex-ministro. “O presidente disse que se une à alegria por sua vitória”, disse César Mauricio Velázquez, assessor de imprensa da Presidência. “Uribe afirmou: ‘Peço a Deus todo sucesso para você e sua família’.”

Por telefone, o colombiano Vicente Torrijos, professor de ciências políticas e relações internacionais da Universidad del Rosario (em Bogotá), disse ao Correio que três fatores explicam o triunfo incontestável do ex-ministro. “O primeiro deles é a habilidade de Santos de fazer alianças com o conservadorismo e com o liberalismo. Depois do primeiro turno, ele deixou de ser o escudeiro do presidente Uribe para passar a construir seu próprio projeto hegemônico. Apenas a esquerda marxista ficou de fora desse processo”, disse. “O segundo é a combinação entre a segurança democrática — a luta contra o terrorismo — com uma iniciativa de pleno emprego, cujo lema era ‘trabalho, trabalho e mais trabalho’. Isso passou a ocupar um lugar muito importante no imaginário político dos colombianos”, acrescenta.

Segundo Torrijos, o terceiro fator envolve o intervencionismo do presidente venezuelano, Hugo Chávez, nos assuntos internos da Colômbia, durante o primeiro turno. “A população cerrou fileiras em torno de Santos, como numa espécie de apoio moral nacionalista”, comenta. Para o cientista político, Mockus também comentou erros decisivos. “Foram tantos os enganos processuais e jurídicos, que ele mesmo chegou a se definir como o campeão dos gols contra do Partido Verde”, lembra. Desde o fim do primeiro turno, Mockus não conseguiu forjar uma aliança sequer, nem mesmo com a esquerda marxista do Polo Democrático.

Tão logo tome posse como presidente da Colômbia, em 7 de agosto, Santos dará continuidade à política de segurança de defesa. “Ao elegê-lo, a população praticamente escolhe o ministro da Defesa, responsável pela luta contra o terrorismo e contra os países hostis”, acredita Torrijos. “Ele contará com uma folgadíssima maioria no Congresso e com uma oposição frágil.”

Confrontos

No departamento de Norte de Santander, sete policiais morreram em uma emboscada com explosivos na zona rural. “Temos um fato muito lamentável: o ataque a uma patrulha da polícia com explosivos que deixou sete policiais mortos”, disse à France-Presse a secretária de governo, Margarita Silva. O atentado ocorreu no município de Timbú, às 11h (13h em Brasília) e foi reivindicado pelos rebeldes do Exército de Libertação Nacional. Quatro militares foram assassinados nos departamentos de Antióquia (noroeste) e de Meta (centro-leste).

Brasil neoliberal? Como, se nunca foi, sequer, liberal?

IMPLANTAÇÃO E CONSOLIDAÇÃO DO NEOLIBERALISMO

O PAPEL DE FHC E LULA

RONALD SANTOS BARATA

As recorrentes crises do capitalismo impõem mudanças periódicas para sobrevivência do sistema. O Estado liberal foi substituído pelo Estado do Bem Estar Social (Welfare State), em diversas formas e trajetórias. Na crise de 1970, foi substituído pelo monetarismo de Milton Friedman e pelo Estado neoliberal que impõe rígido controle da inflação, equilíbrio fiscal e estabilização total do câmbio. Nova crise, e juntam-se a essas três premissas, as receitas do Consenso de Washington. Acrescentam-se então a exigência de privatização de ativos públicos, desregulamentação da economia, liberalização comercial, garantia da propriedade intelectual, superávit primário, metas de inflação e, com muita ênfase, o livre fluxo de capitais e autonomia de bancos centrais.

Para implementação dessas premissas, a desregulamentação das legislações de proteção aos trabalhadores e redução de todas as conquistas sociais, inclusive a previdenciária, tornam-se necessárias.

No Brasil, esse arcabouço de medidas começa a ser implantado a partir de 1990, no governo Collor de Melo, mas os governos que sucederam, aprofundaram e consolidaram. Com doses diferentes e algumas nuanças, a política econômica é exatamente a mesma nos últimos 15 anos.

Senão, vejamos como os dois últimos governos trataram as prescrições do Consenso de Washington acima citadas:

a) Enfraquecimento dos direitos trabalhistas – Necessariamente não precisa modificar a legislação; basta tolerar a terceirização, a informalidade, as PJ, o contrato por tempo certo, avulsos etc. Essas ilegalidades alcançaram níveis absurdos. O estudo “Trabalho Decente e Juventude no Brasil”, realizado pela OIT, informa que a informalidade entre os jovens de 15 a 24 anos, alcança 67,5%. Houve indulgência no governo FHC como há no de Lula. Ilegalidades que podem até ser tipificadas como Crime Contra a Organização do Trabalho (art. 198 C.Penal). Pior: o tucano denunciou (suspendeu a vigência) a Convenção 158 da OIT, que impede demissões imotivadas. Criou o famigerado Fator Previdenciário. O operário não recolocou em vigência a Convenção 158 nem implantou a Convenção 151, fez a Reforma da Previdência de 2003, vetou o fim do Fator Previdenciário. Além disso, cometeu o maior crime que se possa impor contra os trabalhadores e a sociedade: manietou o movimento sindical, através da cooptação, da corrupção e do fisiologismo. As “lideranças” sindicais (a maioria dos sindicatos e todas as Centrais), absorveram o “transformismo” denunciado por Antonio Gramsci. Formou-se uma super-burocracia sindical que se afastou das bases e freqüenta a cúpula do aparato do Estado, muitas vezes em gabinetes comprometidos com denúncias de corrupção. Não mais mobilizam as massas, levando as reivindicações trabalhistas para os conchavos políticos. Da mesma forma, sufocou os movimentos sociais.

b) Liberdade absoluta para fluxo de capitais – igual nos dois governos, mas Lula exacerbou, pois concedeu isenção de impostos para os aplicadores estrangeiros. Só agora, ao apagar das luzes, voltou a cobrar. Podem entrar, faturar e sair à vontade. A remessa de lucros e dividendos, que Getulio limitou e Jango denunciou, e por isso caíram, é sem limites. Em 2009, foram remetidos ao exterior R$ 33,9 bilhões a título de remessa de lucros.

c) Autonomia do Banco Central/metas de inflação – tudo igual nos dois governos, mas Lula foi mais prático. FHC nomeou para a presidência do BACEN os srs. Pérsio Arida, Gustavo Loyola, Gustavo Franco e Armínio Fraga, que tornaram-se banqueiros após a saída do BACEN. Lula nomeou diretamente um banqueiro de banco norte-americano, Henrique Meireles.

d) Privatizações – FHC escancarou; vendeu na bacia das almas, ativos públicos. Lula faz de forma sibilina: derrama, através dos bancos públicos, dezenas de bilhões de dólares nos cofres de empresas privadas para adquirirem outras empresas, formando cartéis, mega corporações, principalmente (mas não só), algumas empreiteiras, o que demonstrarei em outro artigo.

e) juros elevados/cambio flexível – Não há diferença entre os dois. Os erráticos capitais especulativos (mercado) fixam o preço do câmbio e dos juros, os mais importantes para a Economia. Impõem suas vontades, garantidos pelo BACEN.

O modelo neoliberal foi implantado a ferro e fogo por Margareth Tatcher e Ronald Reagan. Na América Latina, a primeira experiência foi no Chile, após o golpe que matou Salvador Allende. Seguiram-se os demais países, à exceção de Cuba. Hoje, Venezuela, Equador, Bolívia, Nicarágua e Argentina, estão saindo das garras desse modelo.

Para manter a farra dos capitalistas, praticam-se elevadíssimos impostos. E a maior carga é em impostos indiretos que sacrificam mais as camadas mais pobres. Segundo a CEPAL-Comissão Econômica para a América Latina e Caribe, as famílias com renda de até dois salários mínimos pagam o dobro de impostos das que ganham mais de trinta salários. A tabela de imposto de renda apresenta apenas quatro faixas; quem percebe R$ 4.000,00 mensais é enquadrado na mesma faixa (27,5%) dos que ganham dez ou cem vezes mais.

Também são idênticos no que deixaram de realizar: Reforma Agrária, Reforma Tributária, Reforma Política. Não permitiram a abertura dos arquivos da ditadura nem a apuração dos crimes cometidos pelos torturadores; não acabaram a ditadura dos oligopólios midiáticos. Em corrupção, também são muito parecidos.

FHC, patrocinou a formação de grandes conglomerados financeiros e acabou com o limite de 30% de capitais estrangeiros em bancos nacionais.. Lula patrocina, com recursos dos bancos públicos, fusões e incorporações entre empresas brasileiras e estrangeiras. Propiciou o Surgimento de grandes conglomerados: Sadia/Perdigão, Aracruz Celulose/Votorantin Celulose (Fibria), Norsk Hydro/Statoil (Statoi Hydro), Monsanto/Xanxerê, Telemar/Brasil Telecom, (OI), com R$ 7 bilhões do BNDES. As empreiteiras criaram inúmeras subsidiárias e hoje atuam em vários setores como mineração, petroquímica, telefonia, produção de etanol, açúcar, energia elétrica etc. Os supermercados maiores engoliram os menores. É a oligopolização da economia.

Conforme a consultoria Deloitte, a entrada de capitais estrangeiros, acentuada em 2009, cresceu 98% no primeiro trimestre de 2010. Em todo o ano de 2009 houve 58 investimentos estrangeiros e no primeiro trimestre/2010 chegou a 65. Destina-se à compra de empresas nacionais, ou de terras, ou simplesmente especulação.

O sociólogo mandou que esquecessem tudo o que ele escrevera. O operário, hoje detentor de uma grande fortuna, deixou de lado tudo o que pregava quando era candidato: estatização do sistema financeiro, apuração das privatizações (principalmente das Teles), defesa do meio ambiente, impedir o desenvolvimento de transgênicos, acabar com o desmatamento na Amazônia, gestão quadripartite na Previdência Social, auditar a dívida externa, império da ética etc. etc.

Afinal, quem é o mais neoliberal, o intelectual corrompido ou o operário que fez curso na Johns Hopkins University, Baltimore–Mariland-EUA, em 1973?

Em junho de 2010

RONALD SANTOS BARATA

Movimento de Resistência Leonel Brizola


Comentário

Félix Maier

O articulista, dentro da linha nacionalisteira de Leonel Brizola, é contra a entrada de capital no Brasil. Graças a Collor e FHC, deixamos de ter "carroças" no Brasil. Hoje, podemos escolher vários tipos de modelos de automóveis fabricados no Brasil, que antes não estavam disponíveis, pelo menos para a maioria dos brasileiros, devido ao alto preço de importação.

Brasil neoliberal? De onde o articulista tirou essa asnice? Vivemos, literalmente, num capitalismo torto, todo gerenciado pelo Estado quase totalitário, em que o Poder Central manda em tudo, jogando no lixo a Federação que deveria existir no Brasil, tirando todo o poder de Estados e Municípios. Aliás, o modelo brasileiro nunca foi liberal, nem neoliberal. Aproxima-se mais do mercantilismo dos tempos de Pombal.

O sonho dos nacionalisteiros brizolistas é que todos andassem de Gurgel, ao preço de Mercedes Benz. Para quem não sabe: um Honda Civic fabricado no Brasil, que aqui custa mais de R$ 60.000,00, é vendido no México por volta do equivalente a R$ 25.000,00. Temos que dar graças a Deus a Collor e a FHC, que abriram o Brasil ao mundo. Não fossem eles, hoje estaríamos fechados como a Coreia do Norte, onde predomina a perseguição política, o atraso e a fome.

Alguém ainda tem saudade da "reserva de informática" dos tempos de Geisel, quando o Brasil passou a fabricar equipamentos com peças e sofware pirateados, que custavam o dobro de um produto importado e já era obsoleto quando lançado no mercado? Os nacionalisteiros brizolistas têm saudade daqueles tempos, ainda que a asnice tenha ocasionado um atraso de pelo menos duas décadas, na inserção do Brasil na era digital. Naquela época, não se permitiu que a IBM instalasse uma fábrica de microcomputadores no Brasil, nem para exportação. É mole? Deram-se bem a Índia e a China.

Alguém tem alguma dúvida das vantagens das privatizações feitas por FHC na área da telefonia? Antes, um telefone fixo, no Rio de Janeiro, custava entre R$ 8.000,00 e R$ 15.000,00, dependendo do bairro. Em Brasília, em 1992, eu comprei um telefone fixo pelo equivalente a 800 dólares. Hoje, as linhas não custam nada, você só paga pelo serviço prestado. E qualquer pé-rapado tem seu telefone celular - o Brasil já tem quase 200 milhões desses aparelhos!

O mesmo ocorreu com a Vale do Rio Doce. Antes, era um antro de corrupção, um cabide de empregos para a companheirada, onde mandavam e desmandavam os caciques políticos. Depois da privatização, a Vale multiplicou o número de seus funcionários e a arrecadação de impostos passou a crescer exponencialmente. Somente foram contra as privatizações de FHC os idiotas e aqueles que anteriormente se beneficiavam politicamente daquelas estatais paquidérmicas.

Finalizando, os países "bolivarianos" (Venezuela, Equador, Bolívia, Nicarágua e Argentina), ao contrário do que sugere o articulista, estão todos encalacrados politica e economicamente. O Chile "neoliberal" é o país que mais tem crescido nas últimas décadas, em toda a América Latina. Nosso País só não cresceu o mesmo devido ao "custo Brasil": corrupção, amarras nas leis trabalhistas, infraestrutura precária (portos, estradas, aeroportos etc.), burocracia exasperada e outros entulhos esquerdoides que nos garantem o perpétuo atraso.

Tributar os ricos penaliza mais os pobres

http://www.if.org.br/artigo.php#authorInfo

Tributar os ricos penaliza mais os pobres

Artigo de Alfredo Marcolin Peringer, em 20/06/2010.

É famosa no anedotário econômico a história de dois indivíduos, um social-democrata e outro liberal clássico, discutindo sobre economia, em que o primeiro, querendo mostrar as vantagens do distributivismo, afirma que em seu país estavam conseguindo eliminar os últimos ricos. Já o liberal, com certa ironia, responde: “... já em meu país estamos acabando com os últimos pobres”.

O gracejo me veio à mente ao saber que a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal aprovara o imposto sobre grandes fortunas. Aliás, lembrei do chiste quando li que a Receita Federal anunciara haver “fechado o cerco às grandes empresas” e, agora, “mapearia os cidadãos mais ricos do país”. Alarmei-me mais ao ouvir o presidente Lula dizer, na Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), em Brasília, que: “Quem tem carga tributária de 10% do PIB não tem Estado”.

Urge, nessas horas, repensar as atribuições do Estado e dos governos em nosso país. John Locke (1632-1704) e David Hume (1711-1776), autoridades no assunto, ensinaram que o Estado nasceu para assegurar três direitos básicos aos indivíduos: a vida, a liberdade e a propriedade (sistema conhecido como minarquia, com custo inferior para a população de 5% do PIB). Frederic Bastiat (1801-1850) deu mais consistência ao tema. No seu The Law, diz: “A vida, a liberdade e a propriedade não existem em razão das leis. Ao contrário, pelo fato de a vida, a liberdade e a propriedade já existirem, é que foram criadas as leis”. Bastiat é responsável ainda por antever que se o Estado buscar outras atribuições, não atenderá nenhuma delas satisfatoriamente.

Já Hans-Hermann Hoppe (1949-), filósofo e economista alemão, é cético a qualquer tipo de governo. Baseado nas leis praxeológicas de Ludwig Von Mises, ensina que os indivíduos agem no interesse próprio, estejam no serviço privado ou público. E os agentes do governo, usando “seus privilégios monopolísticos para maximizar as próprias riquezas e os próprios poderes”, logo farão crescer as funções e os gastos governamentais (Democracy, the God that Failed). De fato, quando os recursos não têm dono, ou quando são bens livres, as pessoas tendem a abusar no seu uso. Os tributos até podem ser criados apenas para gravar os ricos; mas depois passam e pegar os remediados; no fim, incluem os pobres e, até, os mendigos. Não é retórica: os tributos incidentes sobre a cadeia produtiva fazem essa maldade.

Mas o erro maior ainda está em achar que os tributos sobre os ricos não prejudicam os pobres. Abraham Lincoln, político sábio, já ensinava: “Não ajudarás os pobres se eliminares os ricos”. O conselho é axiomático. A alta tributação sobre os ricos atinge relativamente mais os pobres: reduz o capital intermediário, inibe a poupança, os investimentos e os empregos.

Publicado originalmente em O próprio autor

Sobre o autor: Mestre em economia pela universidade de Michigan EUA e atualmente economista da FEDERASUL.

Fonte deste artigo: No definida

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Juan Manuel Santos vence as eleições na Colômbia

Juan Manuel dos Santos, candidato governista
vencedor das eleições presidenciais na Colômbia
(Foto: AFP)



http://g1.globo.com/mundo/noticia/2010/06/juan-manuel-santos-vence-eleicoes-na-colombia.html


20/06/2010 18h51 - Atualizado em 21/06/2010 14h28

Juan Manuel Santos vence as eleições na Colômbia

Candidato governista teve 68,9% dos votos neste domingo (20).
Ex-ministro da Defesa bate Antanas Mockus, prefeito de Bogotá.

Do G1, com agências internacionais





Juan Manuel Santos, candidato governista à Presidência da Colômbia, venceu as eleições realizadas neste domingo (20). Ele recebeu 68,9% dos votos segundo a agência EFE e derrotou Antanas Mockus, candidato de oposição e ex-prefeito da capital Bogotá, que ficou com 27,5% dos votos.

Em um pleito com 55% de abstenção, Mockus, candidato do Partido Verde colombiano, venceu apenas em um dos 32 departamentos do país, em Putumayo.

O recém-eleito Santos é o candidato indicado pelo presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, que tem aprovação de 70% da população do país andino. No início da noite, Mockus reconheceu a derrota e desejou boa sorte a Santos. "Eu desejo a Santos todo o sucesso como líder para o bem da nossa querida nação", declarou.

"Uma vez mais agradeço a Deus, à Colômbia, obrigada pela confiança que 9 milhões de colombianos depositaram em nós", disse Santos em um discurso diante de milhares de seguidores que durante horas esperavam no El Campín, de Bogotá. Ele afirmou que foi "a maior votação jamais obtida na Colômbia", de mais de 9 milhões de votos.

Santos, do Partido Social da Unidade Nacional, reconheceu seu rival, o independente Antanas Mockus, do Partido Verde, e agradeceu o presidente Alvaro Uribe, a quem qualificou como "um dos melhores presidentes da Colômbia". "O professor Mockus foi um rival à altura, que pôs a Colômbia para pensar no valor da vida, da transparência e da legalidade", disse.

A Colômbia começou a votação às 8h locais - 10h de Brasília. O pleito ocorria com tranquilidade, sem muitos incidentes, segundo o ministro do Interior, Fabio Valencia. No mais grave, uma explosão matou sete policiais no departamento de Norte de Santander, próximo à fronteira com a Venezuela. Quatro militares morreram em outros incidentes.

Aos 58 anos, Santos por pouco não venceu no primeiro turno, em 30 de maio, quando recebeu 46,6% dos votos. Seu concorrente, Mockus, também com 58 anos, obteve 21,5% dos votos.

Segundo a última pesquisa anterior ao segundo turno, do instituto Invamer Gallup, Santos ganharia com 65,1% dos votos, contra 28% de Mockus.

Santos, que foi três vezes ministro (Comércio, Tesouro e Defesa) e se formou em Harvard, fez uma campanha profissional e organizada. Prometeu proteger a herança do atual presidente, cuja taxa de popularidade segue rondando os 70% graças a sua política de firmeza contra a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Colégios Militares ensinam História; a esquerda quer a versão mentirosa

Re: FW: ENSINO NAS ESCOLAS MILITARES: Reportagem retirada do Blog daDilma‏
De: Miguel Nagib (miguel.nagib@gmail.com)
Enviada: segunda-feira, 21 de junho de 2010 15:37:52
Para: Félix Maier (ttacitus@hotmail.com)

Caro Felix,

A notícia saiu na Folha e eu republiquei no ESP. Dê uma olhada:

http://www.escolasempartido.org/?id=38,1,article,2,330,sid,1,ch

Também escrevi para a Folha a seguinte mensagem, que foi publicada no painel do leitor, com pequenas alterações (para pior, mas tudo bem) no dia 16 se não me engano:

Mesmo não conhecendo o tal livro de História do Colégio Militar, duvido que ele seja mais tendencioso a favor do regime de 64 do que a média dos livros didáticos o é contra ele. Em ambos os casos, quem perde são os estudantes; e quem ganha – dada a absoluta desproporção de forças – são os adversários do regime de 64. Na falta de um esforço sincero de objetividade científica por parte de quem ensina, os alunos do Colégio Militar deveriam ler os livros utilizados nas outras escolas; e os alunos das outras escolas, o livro do Colégio Militar. Pelo menos assim, todos poderiam conhecer a versão do “outro lado”; e do confronto, afinal, surgiria, talvez, para esses estudantes, uma visão menos falsa da História.

abraço

Miguel

[Miguel Nagib - Coordenador do site Escola Sem Partido]



http://www.escolasempartido.org/?id=38,1,article,2,330,sid,1,ch

Livros Didáticos

Denúncia da Folha de São Paulo

Livro do Exército ensina a louvar ditadura

(Comentário do ESP: o título da matéria não corresponde ao seu conteúdo. A reportagem não permite concluir que o livro ensine os alunos a louvar a ditadura.)

Colégio militar usa material de história com perfil diferente do indicado pelo MEC

ANGELA PINHO
DE BRASÍLIA

A história oficial contada aos alunos dos 12 colégios militares do país omite a tortura praticada na ditadura e ensina que o golpe ocorrido em 1964 foi uma revolução democrática; a censura à imprensa, necessária para o progresso; e as cassações políticas, uma resposta à intransigência da oposição.
É isso que está no livro didático "História do Brasil -Império e República", utilizado pelos estudantes do 7º ano (antiga 6ª série) das escolas mantidas com recursos públicos pelo Exército.
Nelas, estudam 14 mil alunos, entre filhos de militares transferidos ou de civis aprovados em concorridos vestibulinhos. De cada aluno é cobrada uma taxa mensal de R$ 143 a R$ 160, da qual estão isentos os que não podem pagar. Mas 80% das despesas são custeadas pelo Exército.
As escolas militares poderiam utilizar livros gratuitos cedidos pelo Ministério da Educação a todas as escolas públicas. Mas, para a disciplina de história, optaram pela obra editada pela Bibliex (Biblioteca do Exército), que deve ser adquirida pelos próprios alunos. Na internet, o preço é R$ 50, mais um caderno de exercícios a R$ 20. O Exército afirma que o material "atende adequadamente às necessidades do ensino de História no Sistema Colégio Militar".
O livro de história mais adquirido pelo MEC para o ensino fundamental, da editora Moderna, apresenta a tomada do poder pelos militares como um golpe, uma reação da direita às reformas propostas por João Goulart (1961-64). A partir disso, diz a obra, seguiu-se um período de arbítrio, com tortura e desaparecimentos, em que a esquerda recorreu à luta armada para se manifestar contra o regime.
Já a obra da Bibliex narra uma história diferente: Goulart cooperava com os interesses do Partido Comunista, que já havia se infiltrado na Igreja Católica e nas universidades. Do outro lado, as Forças Armadas, por seu "espírito democrático", eram a maior resistência às "investidas subversivas".
No caderno de exercícios, uma questão resume a ideia. Qual foi o objetivo da tomada do poder pelos militares? Resposta: "combater a inflação, a corrupção e a comunização do país".

TORTURA
A obra não faz menção à tortura e ao desaparecimento de opositores ao regime militar. Cita apenas as ações da esquerda: "A atuação de grupos subversivos, além de perturbar a ordem pública, vitimou numerosas pessoas, que perderam a vida em assaltos a bancos, ataques a quartéis e postos policiais e em sequestros".
A censura é justificada: "Nos governos militares, em particular na gestão do presidente Médici [Emílio Garrastazu, 1969-1974], houve a censura dos meios de comunicação e o combate e eliminação das guerrilhas, urbana e rural, porque a preservação da ordem pública era condição necessária ao progresso do país."
As cassações políticas são atribuídas à oposição do MDB (Movimento Democrático Brasileiro). "Embora o governo pregasse o retorno à normalidade democrática, a intransigência do partido oposicionista motivou a necessidade de algumas cassações políticas", diz trecho sobre o governo Ernesto Geisel (1974-79).
Para o historiador Carlos Fico, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), o livro usado nos colégios militares é problemático tanto do ponto de vista das informações que contém como pela forma como conta a história.
"O principal motivo do golpe foi o incômodo causado pela possibilidade de que setores populares tivessem uma série de conquistas."
Mas, para Fico, mais grave ainda é a forma como o livro narra o período, com uma "história factual" carente de análise, focada apenas na ação dos governos. "Trata-se de uma modalidade desprezada inclusive pelos bons historiadores conservadores", avalia.


ANÁLISE

A "história oficial" e os argumentos interessados

HÉLIO SCHWARTSMAN
ARTICULISTA DA FOLHA

Permanece aberta a questão do estatuto epistemológico da história. Definir se ela é uma ciência e o grau de objetividade de seus juízos envolve uma controvérsia que dificilmente vai se resolver antes do fim dos tempos.
Numa linha mais pragmática, pode-se afirmar que é do confronto entre diferentes concepções de historiografia e de como ela se relaciona com os fatos que se forja a visão que cada época elabora de seu próprio passado. Assim surge a história oficial, que sempre poderá ser revista de acordo com novas interpretações, numa demonstração de que às vezes nem o passado é imutável.
Essa frouxidão epistêmica, típica das chamadas ciências do espírito, está longe contudo de significar um vale-tudo. Por mais difícil que seja depurar a ideologia constante de qualquer discurso, enquanto a linguagem conservar algum valor, haverá narrativas mais ou menos precisas e relatos mais ou menos honestos.
É perfeitamente razoável debater, por exemplo, os rumos que tomava o governo de João Goulart. Pode-se também discutir o alcance e o significado social do chamado Milagre Brasileiro. São questões que comportam legitimamente interpretações mais à esquerda ou à direita.
A argumentação politicamente interessada, porém, através de eufemismos, omissões ou falsificações, pode dar lugar a crimes de lesa-historiografia. É o que faz o livro adotado pelo Exército quando deixa de informar que a "Revolução levada a efeito, não por extremistas, mas por grupos moderados e respeitadores da lei e da ordem" derrubou pelas armas um regime democraticamente eleito -o que, em bom português é golpe de Estado.
Ainda pior, a obra simplesmente deixa de mencionar que setores ligados às Forças Armadas se valeram de tortura para desbaratar os grupos de esquerda, o que, independentemente das intenções dos militantes, era proibido pelas leis editadas pelo próprio regime militar.
Em 2007, setores da mídia conservadora protestaram com razão contra os excessos esquerdistas de um livro didático, "Nova História Crítica", que foi distribuído para algumas escolas pelo MEC. Será curioso observar como reagirão agora ao mesmo erro com sinal invertido.

Comentário do coordenador do ESP: A sonegação deliberada de fatos históricos – como os episódios de tortura ocorridos durante o regime militar – é um claro cerceamento à liberdade de aprender dos estudantes – direito assegurado pela Constituição Federal. Se é para tratar de um assunto, nada que seja relevante deve ser omitido. Por isso temos defendido a afixação, nas salas de aula ou, pelo menos, nas salas dos professores, do cartaz com os Deveres do Professor, entre os quais se destaca o seguinte: “Ao tratar de questões políticas, sócio-culturais e econômicas, o professor apresentará aos alunos, de forma justa – isto é, com a mesma profundidade e seriedade –, as principais versões, teorias, opiniões e perspectivas concorrentes a respeito.”

Em todo caso, mesmo não conhecendo o livro de História do Colégio Militar, duvido que ele seja mais tendencioso a favor do regime de 64 do que a média dos livros didáticos o é contra ele. Em ambos os casos, quem perde são os estudantes; e quem ganha – dada a absoluta desproporção de forças – são os adversários do regime de 64.

Na falta de um esforço sincero de objetividade científica por parte de quem ensina, os alunos do Colégio Militar deveriam ler os livros utilizados nas outras escolas; e os alunos das outras escolas, o livro do Colégio Militar. Pelo menos assim, todos poderiam conhecer a versão do “outro lado”; e do confronto, afinal, surgiria, talvez, para esses estudantes, uma visão menos falsa da História.


OUTRO LADO

Não há juízo de valor, afirma comandante

DE BRASÍLIA

O coronel Silva Alvim, comandante do colégio militar de Brasília, o maior do Exército, afirma que as escolas militares abordam "apenas o fato histórico", sem juízos de valor sobre o regime militar.
Questionado sobre a omissão dos torturados e desaparecidos no livro do 7º ano, diz que se trata de um tema proibido. "Dentro desse culto aos valores e tradições do Exército, esse tipo de assunto [tortura e desaparecidos] nós buscamos não tratar. Até porque, no âmbito do Exército brasileiro, essas questões não são permitidas", diz.
Curiosamente, no ensino médio, a apostila adotada pelo colégio militar de Brasília, feita pelo sistema Poliedro, fala em "ditadura" e "tortura". Mas "não enfaticamente", responde o coronel ao ser indagado sobre a diferença de abordagem.
Questionado sobre o livro, o Centro de Comunicação Social do Exército afirmou apenas que a linha didático-pedagógica da obra, adotada desde 1998, "atende adequadamente às necessidades do ensino de História no Sistema Colégio Militar".
O Ministério da Defesa disse, via assessoria de imprensa, que o teor do livro "será levado ao conhecimento das autoridades competentes".

Confira o ensino da mentira propalada pelas esquerdas em http://dilma13.blogspot.com/2010/06/falsa-historia-nas-escolas-militares.html