MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

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Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Operações do Exército não têm dinheiro


O Globo - 16/12/2010

Operações do Exército não têm dinheiro


Em ofício, o Comando do Exército reclama da falta de recursos e alerta que o orçamento não é suficiente para suas atividades, o que pode prejudicar as operações nos morros do Rio. Sem citar a Força de Pacificação, o Exército diz que ações como essas podem estar comprometidas com a redução no número de recrutas.

Guerra à falta de recursos


Exército diz que escassez de verbas pode comprometer ações como as realizadas em favelas do Rio


Evandro Éboli

O comando do Exército reclama da falta de recursos e argumenta que o orçamento não é suficientes para garantir as suas atividades, o que pode colocar em risco a ação dos militares nos morros do Rio de Janeiro. Num ofício de final de novembro, o comando diz que a falta de dinheiro vai reduzir bastante o número de jovens que farão o serviço militar obrigatório no ano que vem: a quantidade cairá do mínimo de 70 mil recrutas para 44 mil. Desde 26 de novembro, equipes do Exército ajudam na ocupação do Complexo do Alemão. Agora, está sendo planejada a entrada em ação de uma força de paz da instituição tanto no Alemão como no Complexo da Penha.



Sem citar o Rio, o Exército afirma que ações como as que estão em prática na capital fluminense - e várias outras - podem estar comprometidas com a redução no número de recrutas. "A não incorporação normal de 70.000 homens reduzirá o poder dissuasório do Brasil, trará prejuízo ao patrulhamento de fronteiras, reduzirá a tropa em condições de ser empregada em operações de garantia da lei e da ordem e da defesa externa, bem como diminuirá a força de trabalho para as missões subsidiárias", diz o ofício, obtido pelo GLOBO e assinado pelo general Gilberto Arantes Barbosa, secretário de Economia e Finanças do Comando do Exército. No Rio, a atividade dos militares no Complexo do Alemão é de garantia da lei e da ordem.



Para recompor suas finanças de 2011 e garantir o ingresso de pelo menos 70 mil recrutas, o Exército reivindica uma suplementação de R$453,9 milhões no orçamento da União. O comandante do Exército, general Enzo Peri, reuniu-se anteontem com a relatora do orçamento, a senadora Serys Slhessarenko (PT-MT), e discutiu a destinação de mais dinheiro para o seu comando.



O orçamento já aprovado no relatório setorial no Congresso Nacional destina R$60,6 bilhões para todo o Ministério da Defesa. Desse total, estão destinados para o Comando do Exército R$25,13 bilhões. Entre as três forças, é a maior beneficiada. A Aeronáutica terá R$13,6 bilhões e a Marinha, R$15,7 bilhões.



Exército quer R$1,3 bi a mais no orçamento


No documento, o general Arantes Barbosa afirma que os recursos orçamentários dos últimos anos têm sido insuficientes para atender às necessidades mínimas, não só em relação a investimentos - como reaparelhamento, modernização, pesquisa e desenvolvimento tecnológico -, como também para a simples manutenção da operação da instituição.



"O Exército não tem condições de incorporar efetivo ideal para a manutenção de suas atividades e preparação para o cumprimento de sua missão constitucional... O Exército somente poderá receber, em suas mais de 600 organizações militares, cerca de 44 mil jovens para a prestação do serviço militar obrigatório. Esse efetivo fica bem aquém do mínimo de 70 mil recrutas, necessários ao cumprimento normal da missão constitucional", diz o documento.



O general avisa também que a falta de recrutas vai acarretar a suspensão de postos de defesa em diversos quartéis, além da redução de folgas dos soldados nas escalas de serviço.



Um dos projetos prejudicados pela falta de recursos é o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron), concebido pelo Exército e que prevê a instalação de sensores ao longo das fronteiras. O programa é chamado de Setor Cibernético 2011. Esse sistema de comunicação sofisticado, cobiçado pelas operadoras de telefonia, deverá equipar também as brigadas do Exército localizadas nas 12 cidades-sedes da Copa do Mundo 2014. Para a sua implantação, o Comando do Exército quer R$874,4 milhões adicionais no orçamento. Ao todo, o Exército quer R$1,3 bilhão a mais. "A alocação desses recursos para o Comando do Exército permitirá dar consequência aos objetivos e orientações contidos na Política de Defesa Nacional, bem como na Estratégia Nacional de Defesa", diz o texto.



Os militares chegaram a procurar o ex-relator do orçamento, senador Gim Argello (PTB-DF). Ele se colocou à disposição do Ministério da Defesa para "discutir e avaliar a necessidade de ajustes na proposta orçamentária", como afirmou no mês passado. Gim deixou a relatoria sob a suspeita de ter apresentado emenda destinada a empresas fantasmas.