MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Erenice, cria dileta de Dilma Duchefe, muda versão: é outra mentirosa!


O Globo - 26/10/2010

Erenice muda versão

Ex-ministra agora admite que recebeu lobista, o que Casa Civil havia negado

Jailton de Carvalho

Em depoimento ontem na Polícia Federal, a ex-ministra Erenice Guerra entrou em contradição com a versão da Casa Civil e reconheceu, pela primeira vez, que teve uma reunião com o lobista Rubnei Quícoli, da empresa EDRB, interessada num financiamento de R$ 9 bilhões do BNDES. Quando o caso veio a público em setembro, a Casa Civil negara que a ex-ministra tivesse estado no encontro com Quícoli e dirigentes da EDRB.

Erenice — ex-braço-direito da candidata à Presidência Dilma Rousseff (PT) — também confirmou dois encontros com o lobista Fábio Baracat, da Master Top Airlines (MTA), empresa que estava tentando renovar contratos com os Correios.

Sobre o encontro com Quícoli, a exministra disse que, por meio de levantamento, soube que a reunião ocorreu em 10 de novembro de 2009, no Centro Cultural Banco do Brasil, sede provisória da Presidência, e foi presidida pelo assessor Vladimir, da Casa Civil. Erenice alega que “participou da reunião por alguns minutos, salvo engano, por 20 ou 30 minutos”, conforme consta no depoimento.

Erenice negou, porém, que tenha encaminhado o pedido da EDRB para a Chesf. A empresa reivindicava o empréstimo do BNDES para executar um projeto de energia solar na área da Chesf.

O depoimento começou às 9h30m e levou quatro horas. Erenice teve de responder a mais de cem perguntas do delegado Roberval Vicalvi sobre tráfico de influência e nepotismo, entre outras supostas irregularidades quando foi secretária-executiva e ministra da Casa Civil. Para a maioria das indagações, a resposta foi a mesma: não sabia, não conhecia.

Dois encontros com Baracat

Erenice deixou o governo em 16 de setembro, quando as denúncias sobre tráfico de influência vieram à tona. A polícia investiga o suposto envolvimento da ex-ministra nos negócios da Capital Assessoria, empresa do filho Israel Guerra, e de várias empresas do marido, José Roberto Camargo Campos.

Um dos sócios de Israel na Capital Assessoria é Vinícius Castro, ex-assessor de Erenice na Casa Civil. Erenice sabia que o filho pretendia criar uma empresa de assessoria com Vinícius.

Mas alegou que “não era do seu conhecimento que Vinícius e Israel estavam fazendo assessoria para empresas, se é que tal fato realmente aconteceu”. O encontro entre dirigentes da EDRB e Erenice foi agendado por Vinícius. Após a reunião na Casa Civil, Vinícius tentou negociar um contrato de lobby com a EDRB.

Pelos entendimentos iniciais, a Capital cobraria da EDRB R$ 40 mil/mês por seis meses e mais 5% dos R$ 9 bilhões em que estava orçado o projeto (cerca de R$ 450 milhões). Vinícius e Quícoli chegaram a trocar emails sobre os termos do contrato.

Sobre a MTA, a ex-ministra confirmou que teve dois encontros com Fábio Baracat, intermediados por Israel.

Um deles, na casa de Erenice. O outro, num restaurante. A ex-ministra alega que não se tratou de negócios e que teriam conversado sobre amenidades.

Erenice disse que não desconfiou das intenções de Baracat porque ele é muito jovem: “Na sua concepção, seria um amigo de seu filho do dia a dia; que, caso fosse um amigo mais velho, poderia ter despertado sua atenção como alguém interessado em se aproximar devido à intenção de criar vínculo de amizade visando interesses posteriores”.

Baracat disse à PF que pagou cerca de R$ 200 mil à Capital. A empresa de Israel ajudou a MTA a obter uma licença na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e, a partir daí, renovar um contrato com os Correios. A ex-ministra afirma que só tomou conhecimento de que “Fábio representava a MTA através de reportagens”, e que “Israel não comentou que estava assessorando Fábio”.

No depoimento, Erenice reconheceu ainda que contratou Paulo de Tarso Viana, sócio do marido José Roberto na Global Energy Investments, para trabalhar na Casa Civil.

Ela negou que tenha ajudado a Unicel e a Matra, empresas que contrataram os serviços de Camargo. Negou ainda que tenha ajudado Israel a liberar patrocínio de R$ 200 mil da Eletrobras para o ex-piloto de motovelocidade Luís Corsini. O ex-piloto disse que pagou R$ 40 mil a Israel.

Ao fim do interrogatório, a ex-ministra abriu mão do sigilo bancário, fiscal, telefônico e de seus e-mails.

Erenice confirmou ainda que o marido usou passaporte diplomático para viajar para a China e os EUA como representante da Unicel. Como marido da então ministra, ele tinha direito a passaporte especial. O visto foi pedido diretamente ao Itamaraty.