MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Deputado distrital apela para a carteirada

Correio Braziliense

Brasília, terça-feira, 08 de dezembro de 2009

TRÂNSITO

Deputado apela para a carteirada

Cabo Patrício, presidente interino da Câmara Legislativa, tenta usar influência política para receber atendimento privilegiado da Polícia Militar após colisão na Asa Sul


Tiago Pariz


Kleber Lima/CB/D.A Press



Não acho que é correto. É que eu estava indignado, eles estavam demorando uma hora para mandar o atendimento. Estava revoltado. Mas não liguei para ninguém, assumi a responsabilidade”
Deputado Cabo Patrício



Quase uma semana depois de uma avalanche de denúncias abaterem a cúpula do governo do Distrito Federal, o presidente interino da Câmara Legislativa, Cabo Patrício (PT), valeu-se da autoridade do governador José Roberto Arruda (DEM) na madrugada de quinta-feira passada para agilizar o atendimento de um serviço público após envolver-se em colisão com dois carros.

Em gravação da conversa telefônica obtida pelo Correio, o deputado demonstra irritação com a forma como transcorre o atendimento. No início do telefonema, Cabo Patrício identifica-se como parlamentar e presidente da Câmara Legislativa e pede que seja enviada uma viatura da Polícia Militar para fazer a ocorrência.

A telefonista tenta prosseguir com o registro, mas o nervosismo do deputado aumenta quando ela pede a confirmação de seu nome. O petista responde: Deputado Cabo Patrício. Presidente da Câmara. Pode vir uma viatura aqui? Se não puder, eu ligo pro governador. Ou então pra algum lugar aí. Pode ser?, diz.

Cabo Patrício afirmou, em entrevista ao Correio, por telefone, reconhecer que sua atitude não foi correta. Não acho que é correto. É que eu estava indignado, eles estavam demorando uma hora para mandar o atendimento. Estava revoltado. Mas não liguei para ninguém, assumi a responsabilidade, disse.

Segundo versão dada pelo próprio deputado, pouco depois da 1 hora de quinta-feira da semana passada, ele cochilou ao volante e bateu em um carro, que atingiu outro. Foi um acidente de trânsito comum. Diante de tantas reuniões nas madrugadas, nos finais de semana, acabei cochilando e dormindo, explicou.

Na gravação, a atendente pergunta se ele estava usando veículo oficial e Cabo Patrício nega. O veículo é meu, particular. Eu sou motorista, não dirijo com motorista. Não tenho segurança, não tenho nada. Pode mandar uma viatura aqui, tá? A telefonista pede, então, para ele repetir o local do acidente. O deputado se confunde nas diversas versões que apresenta. Primeiro, diz que está na 414/415 Sul, corrige para 414/415 Norte, mais à frente na ligação afirma que se encontra na comercial da 114/115 da Asa Norte. Sua assessoria de imprensa informou que ele estava na Quadra 414 da Asa Sul.

O presidente interino da Câmara, que chegou ao poder depois que o titular do cargo, Leonardo Prudente (DEM), pediu licença por ter sido flagrado colocando dinheiro vivo na meia, negou que estivesse embriagado. Não tinha envolvimento de álcool. Fiz conforme a legislação. Se eu tivesse, teriam chamado a viatura e iríamos para a delegacia, disse.

De acordo com as três ocorrências dos telefonemas às quais o Correio teve acesso, a primeira ligação ocorre à 1h10 do último dia 3 e a terceira, 11 minutos depois informando que os condutores estão em vias de fato. A PM chega ao local 17 minutos mais tarde e constata não haver briga no local.

Diálogo

Cabo Patrício: Boa noite. É o deputado Cabo Patrício. Tudo bom?
Atendente: Tudo bom, senhor.
Cabo Patrício: Vê se você manda uma viatura aqui, por favor?
(Qual a quadra aqui? — pergunta a um interlocultor)
Voz: Comercial local
Cabo Patrício: Comercial Local
Voz: da 414
Cabo Patrício: Da 414/415 Sul… Norte. Não, 414/415 Norte.
Voz: O que está acontecendo aí?
Cabo Patrício: Eu… eu… colidi meu carro aqui no estacionamento. Pede para uma viatura da PM vir aqui por favor?
Atendente: Tem vídeo?
Cabo Patrício: Não tem não. Mas pede para (inaudível) vir aqui, por favor
Atendente: Qual o nome do senhor?
Cabo Patrício: Deputado Cabo Patrício, presidente da Câmara Legislativa.
Atendente: É Cabo Patrício?
Cabo Patrício: Deputado Cabo Patrício, presidente da Câmara. Pode vir uma viatura aqui? Se não puder, eu ligo pro governador. Ou então pra algum lugar aí. Pode ser?
Atendente: Eu vou registrar a ocorrência, tá?
Cabo Patrício: Pode registrar, minha filha, tranquilo.
Atendente: Esse veículo…
Cabo Patrício: Eu tô tranquilo
Atendente: Esse veículo é oficial?
Cabo Patrício: Oi?
Atendente: Esse veículo é oficial?
Cabo Patrício: Não. O veículo é meu, particular. Eu sou motorista, não dirijo com motorista. Não tenho segurança, não tenho nada. Pode mandar uma viatura aqui, tá?
Atendente: Colidiu onde, senhor?
Cabo Patrício: Na comercial da 114, 115 Norte
Atendente: Foi em algum poste?
Cabo Patrício: Não, não foi em nada. Foi em outro carro, tá bom?
Atendente: Em outro carro?
Cabo Patrício: É.
Atendente: Tem alguma referência aí?
Cabo Patrício: Mas se eu passar 10 minutos informando, então, é melhor tirar o serviço terceirizado e botar a PM de novo, aí, né?
Atendente: São os procedimentos, senhor. Tem que fazer..
Cabo Patrício: Não, tudo bem, normal. Mas se for assim, se eu tô indignado, imagina o cidadão
Atendente: Pois é, tem alguma referência aí?
Cabo Patrício: Não, não tem referência nenhuma. É na comercial, tá?
Atendente: O.k. Vou fazer o registro,
Cabo Patrício: Tá bom, obrigado. Pode fazer o registro, obrigado
Atendente: Nada