MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Torturador do Khmer Vermelho vai a julgamento


Camboja

O torturador do Khmer Vermelho vai a julgamento

17 de fevereiro de 2009

Com agência France-Presse

O principal torturador do Khmer Vermelho, Kaing Guek Eav, conhecido como "Duch", compareceu nesta terça-feira a um tribunal cambojano patrocinado pela ONU para o primeiro e aguardado julgamento pelas atrocidades cometidas há mais de 30 anos pelo regime comunista cambojano. "Duch", de 66 anos, compareceu a uma audiência preliminar sob a acusação de ter comandado o principal centro de detenção e tortura do Khmer Vermelho em Phnom Penh.

"Esta primeira audiência representa a materialização dos importantes esforços para criar um tribunal honesto e independente, encarregado de julgar os que ocuparam funções de direção no aparelho dos khmeres vermelhos", declarou o juiz Nit Nonn, que presidiu a audiência. Quase dois milhões de pessoas (25% da população) morreram sob o regime de Pol Pot, que impôs o terror entre 1975 e 1979, obrigando as pessoas a abandonar as cidades e se mudar para o campo.

O regime massacrou a população com trabalhos forçados e eliminou sistematicamente todos os "traidores da revolução". "Duch" dirigiu o campo S-21, conhecido também com o nome de Tuol Sleng, um centro de interrogatórios que funcionava num antigo colégio secundário de Phnom Penh, onde mais de 12.00 pessoas foram torturadas e assassinadas em função da repressão em massa organizada pela equipe no poder de Pol Pot. Ele poderá ser condenado à prisão perpétua.

O acusado, um antigo professor de matemática convertido ao cristianismo nos anos 90, será julgado por crimes de guerra e crimes contra a humanidade. "Este é um dia muito importante para mim", disse Chum Mey, um dos raros sobreviventes de Tuol Sleng. "Serei testemunha. Quero ver o 'Duch' e preguntar por que me prendeu." Detido em 1999 pelas autoridades cambojanas, o "Duch" foi levado em 2007 a um tribunal especial em Phnom Penh patrocinado pela ONU.

Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/torturador-khmer-vermelho-vai-julgamento-422016.shtml

Obs.: Quando é que facínoras, como Fidel Castro, irão também a julgamento? Há uma condescendência inexplicável da mídia e dos intelectuais com os crimes dos comunistas. O mesmo não ocorreu com os nazistas, que foram, muito justamente, julgados e condenados à morte no Tribunal de Nuremberg. Na verdade, o nazismo é o mais perfeito álibi de que se valem os comunistas para esconder seus pérfidos crimes - Cfr. texto de minha autoria a respeito do assunto em http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=8606&cat=Ensaios&vinda=S (F. Maier).



O Globo - 18/02/2009

Torturador do Khmer Vermelho pede perdão

Julgamento é o primeiro de alto membro do regime que governou Camboja e promoveu genocídio de 1,7 milhão

PHNOM PENH. Trinta anos após o fim de um regime responsabilizado pela morte de 1,7 milhão de pessoas, começou ontem a ser julgado no Camboja o principal torturador do Khmer Vermelho. Kaing Guek Eav, conhecido como Duch, era o comandante da temida prisão de Tuol Sleng, na capital, Phnom Penh, e é acusado de crimes contra a Humanidade. Um dos cinco altos membros do Khmer Vermelho que serão levados a julgamento, ele, ao contrário dos demais, manifestou arrependimento pelos fatos ocorridos durante o regime e pediu perdão às vítimas.

O réu, um ex-professor de matemática de 66 anos, foi o comandante da prisão também conhecida como S-21, que funcionou como um centro de interrogatório e onde cerca de 15 mil homens, mulheres e crianças foram torturados ou assassinados. Os que sobreviviam eram enviados para os chamados "campos da morte". Duch permaneceu calado durante toda a audiência, enquanto centenas de vítimas, incluindo monges budistas que foram perseguidos durante a era do Khmer Vermelho, lotavam as galerias, manifestando sua revolta diante do homem acusado de supervisionar pessoalmente as torturas.

Duch poderá incriminar outros 4 líderes do Khmer

Duch admitiu que crimes ocorreram na prisão e manifestou seu arrependimento, mas alegou que cumpria ordens.

- Duch admite os fatos dos quais é acusado. Ele deseja pedir perdão às vítimas e também ao povo cambojano. Ele o fará publicamente. É o mínimo que deve às vítimas - disse seu advogado, o francês François Roux, após a sessão.

Com a audiência de ontem, a Justiça trata finalmente de um dos episódios mais obscuros do século passado, durante o qual o regime maoísta de Pol Pot tentou, de 1975 a 1979, converter o país numa utopia agrária comunista, esvaziando cidades, abolindo o dinheiro, a propriedade privada e a religião, perseguindo intelectuais e executando suspeitos. A audiência marcou o início dos procedimentos, sendo que o julgamento propriamente dito começará em março e o veredicto está previsto para setembro.

O réu tem cooperado com os promotores e espera-se que seu testemunho seja crucial nos processos contra os outros quatro detidos: Nuon Chea, ideólogo do regime e chamado de "Irmão Número 2"; Ieng Sary, ex-ministro do Exterior; a esposa deste e ex-ministra de Assuntos Sociais, Ieng Thirith; e o ex-presidente Khieu Samphan. Os quatro negam ter conhecimento de qualquer atrocidade durante o regime, uma época em que 1,7 milhão de pessoas morreram de fome, doenças, trabalhos forçados e execuções.

Réu viveu sob nome falso e se converteu ao cristianismo

O julgamento foi uma rara oportunidade para as poucas vítimas que sobreviveram estarem diante de seu algoz.

- Não sou apenas eu que peço justiça hoje, mas todo o povo cambojano que tem esperado por 30 anos - disse o artista plástico Vann Math, um dos menos de 20 sobreviventes do S-21, mantido vivo para pintar quadros de Pol Pot. - Olho hoje para Duch e ele parece um homem velho e gentil, mas era muito diferente há 30 anos.

Após a queda do regime, Duch desapareceu por duas décadas, viveu sob nomes falsos e se converteu ao cristianismo. Ele foi localizado por um jornalista britânico no noroeste do país em 1999, um ano depois de Pol Pot morrer na selva, sem nunca ter sido julgado. Duch é acusado de crimes de guerra, tortura e homicídio.

- As mãos de Duch estão cheias de sangue. É hora de pagar por suas ações - disse Norng Chan Phal, de 39 anos, que foi prisioneiro na infância.

O julgamento marca um momento decisivo para o país, onde quase todas as famílias perderam alguém durante o regime, e é o resultado de décadas de difíceis negociações. Ele marca também o fim de adiamentos no tribunal estabelecido pela ONU e pelo Camboja, devido a disputas relativas à jurisdição e fundos. Mas críticos dizem que a integridade da corte está ameaçada por acusações de corrupção e interferência política sobre a quem acusar. Roux, por sua vez, reclamou do fato de Duch ter ficado preso por mais de nove anos sem ir a julgamento.