MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Tomada de Monte Castelo e o exercício da chefia militar


Centro de Comunicação Social do Exército

Brasília-DF, sábado, 21 de fevereiro de 2009

Noticiário do Exército - Ano LII Nº 10.552

Longos foram os anos de convívio pacífico com as demais nações até o momento em que o soldado brasileiro entrou em cena em defesa dos valores morais e éticos da humanidade. O mundo em crise defrontava-se com perdas democráticas que poderiam mudar o rumo da História. A posição de neutralidade não era mais sustentável, pois o perigo rondava ameaçador. Nesse capítulo da história universal, o Brasil entra em combate e, com ele, os nossos heróis.

A Força Expedicionária Brasileira (FEB) levou o Brasil ao teatro de operações na Itália. O primeiro contingente brasileiro embarcou em 30 de junho de 1944 rumo às terras européias.
Ao longo dos meses seguintes, outros quatro escalões seguiram para aquele cenário de batalha internacional. Em solo italiano, o Exército Brasileiro preparava-se para um dos feitos mais gloriosos da FEB em sua vitoriosa campanha na II Guerra Mundial, qual seja, a tomada de Monte Castelo.

A região, dominada pelos alemães, representava posição estratégica, já que impedia o 4º Corpo
de Exército de prosseguir a marcha até Bolonha, objetivo maior do comando das Forças Aliadas na Itália.

Em 24 de novembro de 1944, iniciou-se a primeira ofensiva. Depois de se apoderarem do Monte
Belvedere, ao lado do Castelo, os nossos combatentes sofreram uma violenta contra-ofensiva alemã que os obrigou a abandonar as posições já conquistadas. No dia 29 do mesmo mês, os Aliados partiram para a segunda ofensiva a Monte Castelo, igualmente barrada pelos regimentos de infantaria alemães. Já em dezembro, os expedicionários brasileiros efetivaram o terceiro assalto ao Monte, com duração inferior a cinco horas, e o resultado, mais uma vez, foi frustrante. Mesmo nessas circunstâncias, as vanguardas da FEB conseguiram chegar além da metade do caminho programado.

Observa-se que foram inúmeras as dificuldades enfrentadas pela nossa tropa e o clima de
tensão e ansiedade já assolava os n o s s o s pracinhas. No entanto, o Brasil, sob os fogos de
metralhadoras e de morteiros, A tomada de Monte Castelo – 64 anos e a lembrança viva!
perseverou e rompeu o ano de 1945 com a possibilidade de se tornar um ator influente na construção da nova ordem internacional. As tentativas de conquista anteriores, deflagradas
por tropas americanas e brasileiras, não foram bem-sucedidas. O inimigo era implacável e
experiente, dotado de excepcional capacidade de combate e desdobrado em uma posição
defensiva dominante. As condições meteorológicas rigorosas do inverno europeu, as minas terrestres, lançadas nas vias de acesso, e as diversas casamatas bem localizadas e camufladas aumentavam a dificuldade da operação. Iniciou-se a segunda quinzena de fevereiro. A defesa inimiga era primorosa e o ataque frontal poderia representar o extermínio de nossa Força. Com fé robustecida e o destemor comuns ao soldado brasileiro, a 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária cruzou a linha de partida e seguiu, resoluta, na direção do objetivo.

Depois de uma jornada de árduos combates, as forças brasileiras, estimuladas pelos sentimentos de honra e de dignidade, silenciaram a defesa contendora. Ao cair da tarde no Monte Castelo,
a Bandeira Brasileira tremulava. Esse feito heroico representava o resgate da dívida de sangue dos ataques fracassados que ceifaram tantas vidas.

A conquista do Monte serviu de estímulo para o prosseguimento das operações da FEB até a rendição incondicional de duas divisões adversárias. Foram quase oito meses de combate em solo italiano e, no curso desse tempo, cerca de meia centena de vilas e cidades haviam sido libertadas. Monte Castelo figura, nesse cenário, como símbolo maior de bravura, de amor à Pátria, de fé
inquebrantável, de destemor e de capacidade de superação do incansável soldado brasileiro.

Hoje, com o coração pulsante com o ardor cívico, vislumbramos os pracinhas como motivo de justa ufania para todos os brasileiros e a eles rendemos e t e r n a homenagem, registrando o
reconhecimento e a gratidão de toda a Nação Brasileira.


Página 2 - NE Nº 10.552, sábado, 21 Fev 09

O exercício da chefia no Exército Brasileiro tem peculiaridades que advêm da sua própria cultura, construída e consolidada ao longo dos mais de três séculos e meio que medeiam desde as guerras de expulsão dos invasores até os dias atuais. Como toda cultura coletiva, a nossa vem tendo seus padrões adaptados aos “tempos novos” percorridos pela formação da nacionalidade, porém com o notável cuidado dos nossos antecessores em nos manter coerentes com o que a Nação sempre esperou de nós.

Em grandes linhas, o povo brasileiro estimulou a edificação de um exército com os seguintes padrões culturais indutores das atitudes e balizadores dos comportamentos de seus membros:

• ENCAIXE NO ESTADO
• ESPÍRITO DE CORPO
• LIBERDADE
• DISCIPLINA
• DIGNIDADE DA PESSOA
• HIERARQUIA
• DEMOCRACIA
• ORDEM
• FAMÍLIA
• RESPONSABILIDADE
• PATRIOTISMO
• RIGOR
• NACIONALISMO
• AUSTERIDADE
• SOBERANIA
• SOBRIEDADE
• TRADIÇÃO
• DISCRIÇÃO
• VERDADE
• CORAGEM
• HONRADEZ
• ALTIVEZ
• LISURA
• BRIO PESSOAL
• CAMARADAGEM
• AUTOCONFIANÇA

Cada um desses vinte e seis atributos mereceria pelo menos um parágrafo de comentários, mas nosso tema e espaço nos obrigam a aplicar o foco nos conceitos denotados por disciplina, hierarquia, ordem, responsabilidade, rigor e camaradagem. Não podemos, todavia, deixar de mencionar que, do conjunto de padrões culturais, emergem os valores morais que serão a base de avaliação, pela rigorosa ética militar, dos comportamentos de natureza moral.

Independentemente das culturas das organizações, qualquer processo de gestão, do mais complexo ao mais simples, impõe uma sequência de atividades que podem ser sintetizadas na conhecida expressão planejar-executar-controlar-intervir. Não há escapatória: a boa administração requer ações nesses quatro campos, seja o gestor centralizador ou não.