MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

PAC: Plano de Ação Cosmética

Os fatos e a cosmética

Ediotorial do Instituto Federalista

Publicado em 06/02/2009.

A semana se passou e o fato mais importante e comentado parece ter sido a cosmética do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento. Diz a regra da arte da guerra e da política que o ataque é a melhor defesa. Mesmo que tenha que ser cosmético. O governo federal aumentou em R$ 142 bilhões o montante previsto para o referido programa para as obras até 2010 e, para o período pós 2010, foram acrescentadas obras que somam mais 313 bilhões. Com isso, o programa soma agora R$ 1,14 trilhão, R$ 455 bilhões a mais do que o previsto no lançamento, há dois anos.

Mas apenas 15% do valor original foi executado (?)."Não consideramos atraso um problema que pode ser resolvido. Para nós, é atraso quando há risco de não ser feito". Uma declaração cosmética de quem, aliás, acabou de passar por uma plástica. Interessante lembrar que 95% desse valor é apenas parte integrante do Plano Plurianual de investimentos federais ou seja, parte do orçamento normal, obrigação constitucional. O Plano Plurianual recebeu outra denominação, mas, o tempo vai evidenciando o fato: a expressão PAC, pura cosmética para o que é obrigatório, pode-se aplicar mais mesmo, como radical da palavra “empacado”. Números e propaganda – positiva ou negativa - sempre fizeram parcerias perfeitas. Certamente o trilhão projetado para alguns anos soa melhor do que os bilhões que não foram aplicados nos últimos dois anos.

Diante da crise – mesmo que no Brasil se anuncie como “marolinha” – uma boa providência seria sem dúvida, um programa de redução de impostos, mas o governo aproveita o ensejo para reduzir juros. Convenhamos, esse é um discurso que só serve para quem opera grandes volumes – a redução de apenas um ponto percentual faz sensível diferença. Mesmo que se reduzisse à metade da taxa Selic, os juros pagos pelo consumidor em um cheque especial continuam na ordem de 8% ao mês. Cartões de crédito com incríveis e inacreditáveis 13% ao mês!

Confrontados os fatos, só mesmo com muita propaganda do governo central para criar mais um elemento cosmético de sua “gestão”.

A cosmética sobre fatos esconde a realidade nua e crua de um ambiente econômico perverso para se fazer negócios. Mais do que juros, mais do que a falta de crédito, está a carga tributária sobre tudo que se faz no Brasil. Junto com isso, a carga trabalhista, hoje uma das piores do mundo – ruim para empresas e para empregos, pois sempre se esquece que estes últimos dependem do sucesso das empresas. Acresça-se a carga burocrática que asfixia não apenas a vida empresarial mas a de qualquer cidadão. Todos os índices que medem eficiência, liberdades civis e ambiente para se fazer negócios, como o IndexWorld Economic Freedom, colocam o Brasil próximo da ponta final, atrás de países que poderiam ser considerados como “piores” do que o nosso.

Infelizmente a verdadeira pauta de governos centrais, em especial no Brasil, não são os
problemas a serem resolvidos, é a próxima eleição. Nem poderia,quando o interesse é esse, pois os problemas citados, dentre outros, tem origem no modelo de Estado centralizado, do qual, os ocupantes dos três primeiros escalões vivem e sobrevivem, em uma máquina estatal que chega próxima dos três milhões de felizes e estáveis empregados, pagos com o suor de outras dezenas de milhões não tão felizes e à mercê das instabilidades de um ambiente perverso. Não há cosmética no dia a dia que disfarce isso.

Fonte: http://www.if.org.br/editorial.php