MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Olimpíada de Matemática: Colégio Militar de Brasília faz bonito


Correio Braziliense - 6/2/2009

Ensino

Craques dos números

Na quarta edição da Olimpíada de Matemática, 32 medalhas de ouro vieram para o DF, 13 delas trazidas por alunos do Colégio Militar

Raphael Veleda

Da equipe do Correio

Estudantes do CMB foram o destaque da capital na competição. Maioria tem intimidade com as contas desde o início da vida escolar

Eles praticamente aprenderam a somar e subtrair antes de lerem as primeiras palavras, de tão apaixonados pela matemática desde o início da vida escolar. Assim são (quase) todos os campeões da olimpíada da disciplina, promovida pelo Ministério da Educação. Eles estudam no Colégio Militar de Brasília (CMB), instituição que mais se destacou no evento, ganhando 13 das 32 medalhas de ouro que vieram para o Distrito Federal. Esta, que foi a quarta edição da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep), teve a participação recorde de 18 milhões de estudantes de 98% das cidades do país. Serão premiados 3 mil deles, sendo 300 medalhas de ouro, 900 de prata e 1.800 de bronze distribuídas entre todas as séries. Todos receberão bolsas de Iniciação Científica Júnior, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico Tecnológico (CNPq/MCT). Os professores dos campeões e as escolas onde eles se destacaram também receberão incentivos.

O destaque do CMB no DF é retrato do que aconteceu no resto do país, onde as escolas federais foram melhores do que as estaduais e municipais. De cada 100 medalhistas de ensino médio, 74 estudam em escolas técnicas, colégios militares e colégios de aplicação de universidades federais. Mas não foi apenas o CMB que produziu campeões em Brasília. Ao todo, foram 32 medalhistas de ouro no DF. Entre as escolas que os abrigam está outro colégio militar, o Dom Pedro II, além dos Centros de Ensino Fundamental Polivalente, o CEF 08 de Taguatinga e o CEF 01 do Núcleo Bandeirante. Os CEFs 1 e 5 de Brasília, o CEF 11 de Ceilândia e a Escola Classe 412 de Samambaia tiveram estudantes que receberam prata.

O segredo do sucesso, para os campeões do CMB, passa pela vocação para os cálculos, mas depende de muito trabalho. O campeão de todo o DF, Gabriel Sena, 13 anos e aluno do 8º ano do Ensino Fundamental, jura que tenta relaxar em casa, mas é ótimo aluno e presta muita atenção nas aulas. “Treinei para as olimpíadas. Sabia que estava preparado, só não esperava ser o primeiro”, confessa, num misto de animação e timidez. O resultado dele, que pensa em fazer um curso superior na área de ciências exatas, foi muito festejado pelos pais, mas ele prefere não se vangloriar. “Se fico espalhando demais, acabo ganhando fama de metido na escola”, explica.

Mecatrônica

Outro desempenho que impressiona é o de Henrique Fiúza, do 9º ano. Menino de fala mansa e sorriso difícil, ele também ganhou o ouro em sua categoria, mas aos 12 anos — dois a menos do que a média dos colegas. E, nessa idade, ele já tem opinião formada sobre os rumos do futuro. “Quero fazer engenharia mecatrônica por aqui mesmo ou tentar o ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica, em São José dos Campos, São Paulo)”, diz decidido. A mecatrônica, um curso não muito comum nas ambições de estudantes tão jovens, também é o objetivo das duas meninas que ganharam o ouro pelo CMB. Lusana Ornelas, 14, do 8º ano, sempre teve facilidade com as contas, mas se envolveu mesmo com matemática ao estudar para o concurso que o colégio destina a filhos de não militares. “É bem focado em matemática e português”, atesta ela, que explica a admiração pela engenharia: “Me interessei por mecatrônica quando vi uma reportagem no Correio falando de alunos da UnB que constróem veículos e participam de torneios nacionais”, revela.

A outra interessada na mecatrônica, Isabella Godoy, 13, do 7º ano, é também a única que contou não gostar de matemática desde bem pequena. “Lá pelo 4º ano que fui perceber que levava jeito”, conta, dando um lindo sorriso. “Hoje prefiro fazer contas do que estudar disciplinas das ciências humanas”, completa. Ela descobriu a engenharia ao pesquisar sobre o curso para o qual a irmã de uma amiga tinha passado na UnB há um ano. “É fascinante”, garante.

Entre os campeões da matemática, também há o que pode ser chamado de estranho no ninho. É Fernando da Silveira, 13, do 8º ano. “Tenho facilidade em matemática, mas prefiro estudar história”, revela. “Mas quero fazer faculdade no Instituto Militar de Engenharia (IME)”, apressa-se em dizer. Profissões que exijam muito conhecimento em números também devem ser o destino dos outros dois entrevistados. Gabriel Martins, 14, do 8º ano, ainda não pensou em um curso específico. “Sei que será na área de exatas, porque é o que eu domino”, argumenta. Já Marcos Paulo Soares, 12, 8º ano, está entre ser engenheiro ou contabilista, que é a profissão da mãe. Nele, a paixão pela matemática vem de família. “Meu irmão, que está no segundo grau, também já ganhou medalha em olimpíada”, conta.

Conteúdo e planejamento

Os alunos do Colégio Militar de Brasília conseguiram se destacar mesmo estudando um conteúdo bem similar ao das demais escolas públicas. “Os livros didáticos são os mesmos das escolas públicas, alguns até enviados pelo próprio MEC”, conta o subdiretor de Ensino da instituição, coronel Fernando Pires. “Mas aqui não temos mazelas que afetam o sistema, como falta de salas ou de professores, greves e estrutura ruim. Conta, também, o fato de todo o conteúdo planejado ser realmente ministrado. Não há dias sem aula, não há horário livre”, completa ele.

O CMB oferece, ainda, uma extensa lista de atividades extracurriculares que vão do apoio pedagógico, passando por diversas atividade esportivas e chegando a aulas de balé e teatro. O difícil concurso pelo qual os filhos de civis passam para estudar no colégio também é apontado por Pires como um diferencial. “São cerca de 700 que entraram por concurso, entre os quase 3.300 alunos que temos, mas eles costumam ser os ponteiros em competições assim, apesar de termos muitos bons alunos entre os filhos de militares”, afirma. O concurso é sempre realizado em novembro.