MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Obama numa sinuca de bico



Obama envia 17 mil ao Afeganistão

Insegurança só cresce e número de civis mortos no país aumentou 40% em um ano

Cabul e Washington

Numa tentativa de interromper o avanço das milícias talibãs no Afeganistão, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, aprovou o envio imediato de um reforço de 17 mil soldados para a guerra no país, informaram ontem fontes da Casa Branca. A medida - a primeira de seu governo no combate aos talibãs - faz parte da promessa de campanha do presidente de enviar até 30 mil militares para a região. No mesmo dia, um relatório alarmante da ONU mostrou que o número de civis mortos nos conflitos no Afeganistão aumentou 40% em 2008 e é o maior desde a queda do regime talibã em 2001.

Enquanto a guerra no Iraque era a prioridade no governo Bush, a ofensiva no Afeganistão já começa a ser chamada em Washington de "a guerra de Obama". Apesar do envio dos 30 mil militares ainda não ter sido confirmado - o que segundo os críticos do governo seria um sinal de fraqueza - o reforço imediato de 17 mil soldados, segundo analistas e fontes próximas ao presidente, é um sinal de que a Casa Branca não vai tolerar o fortalecimento dos talibãs. Obama também deixou claro ontem que a ofensiva vai além das ações militares. Segundo ele, será necessário utilizar uma "estratégia ampla" no país, com "diplomacia e políticas de desenvolvimento".

- Estou convencido de que a comunidade internacional não poderá resolver os problemas do Afeganistão e vencer o extremismo islâmico na região usando apenas meios militares. Diplomacia e políticas de desenvolvimento serão de extrema importância - disse o presidente, demonstrando também preocupação com o vizinho Paquistão. - É preciso evitar que os extremistas busquem refúgio no Paquistão.

Ontem, a Otan e o governo americano demonstraram preocupação com a decisão do governo paquistanês de implantar a sharia (lei religiosa islâmica) no Vale do Swat, noroeste do país, como parte de um acordo de paz com os radicais. O porta-voz da Otan, James Appathurai, disse que a medida poderá representar "a criação de um local seguro para terroristas e minar os esforços ocidentais no Afeganistão":

- Trata-se de uma medida que pode fortalecer o extremismo e isso vai contra os esforços da Otan de combater os radicais no Afeganistão. Acredito que o governo paquistanês deseja que o terrorismo seja combatido - disse ele.

Atualmente há cerca de 36 mil soldados americanos no Afeganistão. Na semana passada, o secretário de Defesa, Robert Gates, apresentou a Obama várias opções para o aumento do número de tropas. Uma delas seria enviar imediatamente uma ou duas brigadas do Exército e dos Marines, com 3.500 ou 7 mil soldados. A outra opção seria enviar logo 10 mil militares. A terceira seria aguardar um pouco mais e, então, mandar de uma vez 15 mil soldados, e o restante em seis meses. O reforço autorizado ontem deve partir em dois ou três meses. Para cumprir o envio, as tropas no Iraque serão reduzidas e o anúncio deverá ser feito em questão de semanas, ainda segundo as fontes.

A preocupação da Casa Branca em conter o avanço de radicais no Afeganistão foi reforçada ontem por um relatório da Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (Unama), que mostra que 2008 foi o ano mais violento desde o início da guerra no país, em 2001. Os ataques de tropas da Otan e de radicais foram responsáveis pela morte de 2.118 civis, 40% a mais que no ano anterior. De acordo com a ONU, os militantes radicais foram os culpados por 55% destas mortes. Já a coalizão ocidental e as forças afegãs foram responsáveis por 39%, diz o documento.

Segundo a ONU, os insurgentes são os responsáveis pela maioria das mortes em ataques com bombas, com "aparente descaso pelos grandes danos causados aos civis".

Mas os pesquisadores responsáveis pelo relatório também estimam que dois terços dos 828 afegãos mortos pelas forças a favor do governo foram vítimas de ataques aéreos, alguns deles realizados durante a noite, que tinham militantes como alvo.

A alegação do relatório foi rejeitada por um porta-voz das tropas lideradas pela Otan, que afirmou que o número de civis mortos pelas forças internacionais foi de 237.

A equipe da ONU afirma ainda que cerca de 130 civis foram mortos em fogo cruzado e, por isso, não foi possível determinar exatamente os responsáveis por essas mortes.

Na semana passada, o presidente Hamid Karzai anunciou que as forças lideradas pela Otan aceitaram os novos procedimentos propostos pelo governo do país para tentar reduzir o número de mortes de civis.

Em meio à divulgação do relatório, uma consultoria patrocinada pelo Congresso americano, o Instituto para Paz, afirmou que é improvável que os Estados Unidos e a Otan derrotem os insurgentes no Afeganistão. A consultoria diz ainda que é preciso enviar mais soldados para o país para que eles treinem as forças de segurança afegãs.


Fonte: O Globo, 18/02/2009

Obs.: Durante a campanha presidencial, Obama não havia dito que em pouco tempo retiraria as tropas americanas do Afeganistão e do Iraque? Por que, então, está aumentando o número de soldados para combater o Talibã? Ora, campanha é uma coisa, governo é outra totalmente diferente. A rigor, ninguém sabe quando finalmente os soldados americanos irão deixar esses países. Uma retirada imediata seria um desastre total, tanto para a imagem dos EUA, quanto para as populações desses países, que ficariam nas mãos de milícias ferozes. Que sinuca de bico, hein Obama? (F. Maier)