MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

O que está por trás da condenação de Israel?

Simpatizantes nazistas em Melbourne, Austrália

Amigo

O autor do artigo abaixo, Prof. Efraim Karsh, responde, ele mesmo, à pergunta-título:

a condenação a Israel se deve ao milenar e obsessivo preconceito contra os judeus.

E a seguir deixa em aberto uma segunda questão:

"Mas, será que existe qualquer outra explicação para o fato...?"

E nos fica a dúvida: é cabível tanta ingenuidade num expert deste porte?


Ou é a velha tática do joão-sem-braço que deixa a outro questionar o por quê da curiosa unanimidade da grande mídia internacional nesta condenação? Unanimidade ainda mais singular pela utilização de - exatamente! - uma mesma linha argumentativa? E ainda mais bizarro, o uso das mesmíssimas frases, qualquer fosse o idioma?

Igualmente presentes nos discursos acusatórios de políticos e figuras públicas?

Será que o professor espera que encontremos o denominador comum a esta mídia e a tais políticos - sabidamente, todos, esquerdistas?

Deixou-nos, a seus leitores, trabalhar o espanto ante tal condenação à patente legítima defesa por parte de um Estado agredido?


Ou o viés intereseiro, manifesto no uso - pelos críticos - de dois-pesos-e-duas-medidas, ignorando deliberadamente genocídios, massacres de minorias cristãs, democídios de centenas de milhares, gritantes crimes contra a humanidade - por governos esquerdistas, por terroristas islâmicos - optando, em vez disto, pela carnavalesca censura à justa resposta por um povo longa e covardemente hostilizado?

Quem sabe, aguarda que percebamos que a mídia - hoje - nada tem a ver com os antigos antigos órgãos de informação, dedicados a descrições isentas dos fatos relevantes. Que ao contrário do que deveria, neles, são os fatos que - tão estranhamente! - se amoldam, maquiam-se, travestem-se, para vincar uma mesma cosmovisão.


Curiosamente, sempre esquerdista...

Ou que esta mídia já não reflete a mente popular, não mais representa a voz de seus próprios públicos, que deixou de ser a exteriorização reflexiva do consenso quanto a valores culturais e antes, busca moldá-los a óticas - ou interesses? - estranhos a seu povo

E se tais eram as intenções do autor, por que cargas d'água não as abriu em linguagem clara? Ou, considerando a malícia venenosa que embasa estes fatos, não abriu uma boca em chamas, em vitupérios candentes contra este estado de coisas?

Meio óbvio, não?

Faltam-lhe cojones - ( -- Sacumé? tenho que pensar no leitinho das crianças... )


Estes mesmos ausentes nas manifestações liberal-democratas, sempre tão comportadinhas, tão delicadamente 'civilizadas'... e tão estupídamente inócuas.

Que puta saudade de Carlos Lacerda!!!


De sua inflamada oratória "de uivos e pedradas", peitando a canalha com coragem desabrida e lúcida, chamando lixo ao lixo, porco ao porco - e que os ofendidos aparecessem, se lhes restasse vergonha nas caras!

Hoje, há dois homens públicos com aquela valentia exemplar:


o deputado Jair Bolsonaro, que de quando em vez fustiga a fuça de um ministeriado com o paradoxo "Vossa Excelência é um canalha!", e Olavo de Carvalho.

Este último, em seus textos jornalísticos, não obstante o comedimento vocabular imprescindível à natureza do órgão, dá nome aos bois com uma clareza que terá - nos bois - o impacto agônico de um chute nos testículos.


Já em seu Blog TalkRadio.com (abaixo), no ar toda segunda-feira às 20h, despe-se de peias e usa o idioma popular da mais fervente indignação - esta ira santa necessária para acordar os anestesiados e os infelizes que, respeitosa e civilizadamente, chamam Excelência ao canalha.

Que o bom Deus os fortaleçam.




E nos multiplique seus exemplos.

Ouça Olavo aqui toda segunda às 20h. http://www.blogtalkradio.com/profile.aspx?userid=1285

M.

[Márcio Del Cistia]

***

O que está por trás da condenação de Israel?

Professor Efraim Karsh, chefe de Estudos do Mediterrâneo e Oriente Médio na King's College/Universidade de Londres, e membro do Grupo de Especialistas Internacionais do Instituto de Assuntos Contemporâneos no Jerusalem Center for Public Affairs

Com uma unanimidade, que se tornou completamente habitual, os políticos, a mídia, as ONGs e os líderes de igrejas por todo o mundo usaram sua forte influência para denunciar o ato de autodefesa legítimo de Israel contra uma das organizações terroristas mais extremistas do mundo. Este coro de desaprovação contrasta inteiramente com a mais absoluta indiferença a conflitos muito mais sangrentos que têm ocorrido ao redor do mundo. Por que cidadãos, que habitam em países democráticos, adotam entusiasticamente a causa de um grupo islâmico radical que, não apenas procura a destruição de uma outra democracia, como também é abertamente dedicado à substituição da ordem internacional existente por um califado islâmico no mundo todo?

Décadas de um péssimo tratamento dado aos palestinos pelos estados árabes passaram virtualmente despercebidos. Apenas quando eles interagem com Israel é que os palestinos ganham a atenção do mundo. O fato de que a cobertura internacional do conflito árabe-israelense tem invariavelmente refletido um grau de intensidade e envolvimento emocional muito acima do nível normal a ser esperado de observadores imparciais poderia sugerir que isto seja uma manifestação do preconceito existente de longa data, que foi trazido à tona pelo conflito. Os palestinos são apenas o mais recente coletor de raios a serem liberados contra os judeus, com sua suposta vitimização usada para reafirmar a demonização milenar dos judeus em geral, e o libelo de sangue medieval – significando que os judeus se deliciam com o sangue de outros.

Assim que Israel optou por interromper os ataques do Hamas à sua população civil, após anos de comedimento auto-inflingido, foi confrontada com uma tsunami de indignação internacional. Com uma unanimidade que se tornou completamente habitual, quando se trata de pronunciamentos do mundo sobre Israel, os políticos, a mídia, as ONGs, e os líderes de igrejas por todo o mundo, usaram sua forte influência para denunciar o ato de autodefesa de uma democracia soberana contra uma das organizações terroristas mais extremistas do mundo, abertamente dedicada à sua destruição, que, por muitos anos tem feito chover milhares de foguetes e morteiros em comunidades civis (para não mencionar uma longa cadeia de ataques a homens-bomba).

Ecoado pela cobertura abrangente da mídia internacional da resposta de Israel em Gaza, mas não das ações e ideologia assassinas do Hamas, este coro de desaprovação sobre o uso de força "desproporcional" do Estado judeu, está em total contraste com a mais absoluta indiferença a conflitos muito mais sangrentos que têm ocorrido ao redor do mundo, desde o genocídio que já vem ocorrendo há muito tempo em Darfur, com seus estimados 400.000 mortos e no mínimo 2,5 milhões de refugiados, à guerra no Congo, com mais de 4 milhões de mortos ou destituídos de suas casas, à Chechênia, onde se estima que entre 150.000 e 200.000 pessoas morreram e até um terço da população foi desalojada pelas mãos do exército russo. Nenhuma destas tragédias viu manifestantes afluírem em bandos nas ruas de Londres, Paris, Berlin, Milão, Oslo, Dublin, Copenhagen, Estocolmo, Washington, e Fort Lauderdale (para dar uma breve lista), como tem sido o caso durante a crise em Gaza.

Como pode ser isso? Por que cidadãos que habitam em países democráticos adotam entusiasticamente a causa de um grupo islâmico radical que, não apenas procura a destruição de uma outra democracia, mas também é abertamente dedicado à substituição da ordem internacional existente, baseada em estados-nação territoriais, por um califado islâmico (ou umma) no mundo todo? Não por compaixão dos palestinos, cuja má condição nunca atraiu um interesse internacional verdadeiro, especialmente dos países árabes (e no que diz respeito a esse assunto, da liderança palestina), cujas décadas de péssimo tratamento dos palestinos passaram virtualmente despercebidas. Entre 1949 e 1967, o Egito e a Jordânia governaram os palestinos da Faixa de Gaza e Judéia e Samária respectivamente. Não apenas eles falharam em colocar esta população na trilha da cidadania, mas mostraram pouco interesse em proteger seus direitos humanos ou mesmo em melhorar a qualidade de vida deles – o que é uma das razões pelas quais 120.000 moradores da margem ocidental (Judéia e Samária) terem se mudado, cruzando para a margem oriental do Rio Jordão e em torno de 300.000 outros terem emigrado para o exterior entre 1949 e 1967. Ninguém na comunidade internacional prestou nenhuma atenção a isso, da mesma forma que não prestaram mais recentemente ao contínuo abuso dos palestinos por todo o mundo árabe, desde a Arábia Saudita até o Líbano, um país que foi condenado em um relatório da Anistia Internacional, de junho de 2006, "por sua discriminação e abusos, de longa data, dos direitos fundamentais econômicos e sociais dos refugiados palestinos".

Também não houve nenhum clamor internacional quando países árabes massacraram palestinos em grande escala. Em 1970, o Rei Hussein da Jordânia ordenou o bombardeio indiscriminado dos campos de refugiados palestinos, durante o combate ao levante palestino no "Setembro Negro". Isto deixou entre 3.000 e 5.000 refugiados palestinos mortos. Mas, o fato de que Hussein matou mais palestinos durante um único mês do que Israel em décadas nunca foi usado contra ele ou afetou a percepção amplamente difundida sobre ele como um homem da paz. Como colocou em suas recentes memórias, o jornalista supostamente pró-palestino, Robert Fisk, o Rei Hussein era "frequentemente difícil de culpar".

Novamente, mais de duas décadas atrás, Abu Iyad, o homem número dois da OLP, declarou publicamente que os crimes do governo sírio contra o povo palestino "ultrapassaram os do inimigo Israel". Além disso, como consequência da libertação do Kuwait em 1991, o povo do Kuwait não apenas tomou providências para punir a OLP por seu apoio à ocupação brutal de Saddam Hussein, cortando sua ajuda financeira à organização demasiadamente exaltada e corrupta de Yasser Arafat, como também houve uma matança generalizada de palestinos que viviam no Kuwait. Esta vingança contra trabalhadores palestinos inocentes no emirado foi tão grave que o próprio Arafat reconheceu: "O que o Kuwait fez ao povo palestino é pior do que o que Israel fez aos palestinos nos territórios ocupados". Ainda assim, não houve cobertura da mídia ou reuniões da ONU, especialmente convocadas, porque apenas quando eles interagem com Israel é que os palestinos ganham a atenção do mundo.

Em outras palavras, a extraordinária preocupação internacional com os palestinos é um corolário de sua interação com Israel, o único estado judeu a existir desde tempos bíblicos, com um ardor refletido da obsessão milenar com os judeus nos mundos cristão e muçulmano. Se sua disputa fosse com um árabe, muçulmano, ou qualquer outro adversário, teria atraído uma pequena fração do interesse que a presente disputa provoca. De vez em quando, particularmente entre devotos e/ou renascidos cristãos evangélicos, esta obsessão tem se manifestado em admiração e apoio à ressurreição do Estado nacional judeu na Terra Santa. Na maioria dos casos, no entanto, o preconceito e a animosidade anti-judaicos, ou o anti-semitismo como é comumente conhecido, têm exacerbado a desconfiança e o ódio a Israel. Na verdade, o fato de a cobertura internacional do conflito árabe-israelense e os libelos contra o sionismo e Israel, tais como as desprezíveis comparações de Israel com os nazistas e com o apartheid da África do Sul, invariavelmente refletir um grau de intensidade e envolvimento emocional muito acima do nível normal a ser esperado de observadores imparciais, poderia sugerir que, em vez de ser uma resposta concreta a atividades de Israel, isto seja uma manifestação do preconceito existente de longa data, que foi trazido à tona pelas vicissitudes do conflito.

Existe um outro lado desta questão. Por milênios o sangue judeu tem sido barato, se não gratuito, através dos mundos cristão e muçulmano, onde o judeu se tornou um exemplo típico de falta de poder, um perpétuo saco de pancadas e um bode expiatório para quaisquer calamidades que acometessem a sociedade. Não existe razão, portanto, pela qual Israel não devesse seguir os passos destas gerações passadas, evitando antagonizar seus vizinhos árabes e exercendo o comedimento sempre que atacado. Mas não, em vez de se colocar em seu devido lugar, o insolente Estado judeu faltou com seu papel histórico, ao cobrar um preço pelo sangue judeu, e derrotar os covardes valentões que até agora podiam atormentar os judeus com impunidade. Esta dramática inversão da história só pode ser imoral e inaceitável. Por isso a indignação da comunidade global e por isso a provisão de recursos ilimitados para cobrir cada minuto da resposta "desproporcional" de Israel, mas nenhum da devastação e deslocamentos causados a cidades israelenses e seus residentes. Colocado de forma diferente, os palestinos são apenas o mais recente coletor de raios a serem liberados contra os judeus, com sua suposta vitimização reafirmando a demonização milenar dos judeus em geral, e o libelo de sangue medieval – significando que os judeus se deliciam com o sangue de outros – em particular. Nas palavras de David Mamet, "O mundo soube que os judeus usavam este sangue no decorrer de suas cerimônias religiosas. Agora, parece, que os judeus não necessitam do sangue para utilizá-lo em cozimentos, mas meramente para se deliciar em derramá-lo no chão".

Tal posicionamento será, sem dúvida, descartado como "propaganda sionista" por muitos oponentes de Israel. Mas, de fato, isto não apenas está na contramão da sabedoria prevalecente entre acadêmicos e intelectuais israelenses, para os quais estes argumentos são um anátema, mas também confronta um dos mais fundamentais princípios do sionismo – que a criação de um Estado judeu, para onde as diásporas judaicas convergiriam e se normalizariam, resolveria o "problema judaico" e melhoraria, senão eliminaria inteiramente, o fenômeno do anti-semitismo. O que esta linha de pensamento, dos pais fundadores do sionismo, falhou em considerar, entretanto, é que o preconceito e a obsessão, que tinha até agora sido reservada para indivíduos e comunidades judaicas, seria transferida para o Estado judeu. Como o poeta Heinrich Heine, ele mesmo um convertido do judaísmo, escreveu uma vez, o judaísmo é "a maldição familiar que dura mil anos" e não importa o quanto Israel se esforce, nunca será capaz de se livrar desta perturbadora realidade. Um pensamento entristecedor de verdade. Mas será que existe qualquer outra explicação para o fato de que, sessenta anos após seu estabelecimento, por um ato de autodeterminação, reconhecido internacionalmente, Israel permanece como o único Estado do mundo que é sujeito a uma constante efusão de teorias conspiratórias e libelos de sangue dos mais bizarros; cujas políticas e ações são obsessivamente condenadas pela comunidade internacional; e cujo direito de existir é constantemente debatido e questionado, não apenas pelos seus inimigos árabes como por segmentos de opinião elevada no Ocidente?

Tradução: Irene Walda Heynemann