MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

O grito escondido na garganta


O grito escondido na garganta

Por Carlos Chagas - Tribuna da Imprensa

BRASÍLIA – Mais passa o tempo, mais se consolida a evidência de que nada de novo existe sob o sol. Falamos da última pesquisa da CNT-Sensus. A popularidade do presidente Lula continua em alta: agora, dispõe de 84%, maior que a aceitação de seu governo, em 72,5%. Mesmo assim, José Serra lidera os percentuais para presidente da República, com 42,8%. Importa menos que tenham caído dois pontos, dada sua vantagem sobre os demais concorrentes. Dilma Rousseff quebrou a barreira de um dígito, está com 13,5%, quer dizer, a diferença entre ela e o governador de São Paulo permanece tão grande que apenas um milagre abriria perspectivas reais para sua candidatura.

Então... Então, partindo-se da premissa de que os companheiros e penduricalhos farão tudo para não entregar o País aos tucanos, prevalece o que vimos alertando faz dois anos: só o Lula baterá o Serra.
À medida que os meses deste ano crucial se escoarem, permanecendo os números conforme a natureza das coisas, e apesar das sucessivas declarações do presidente Lula de não aceitar o terceiro mandato, logo se tornará impossível aos detentores do poder conter o grito que escondem na garganta. Bem antes que o Natal se aproxime a palavra de ordem será “FICA!”

Importa menos verificar tratar-se de um golpe de estado em gestação adiantada, de um casuísmo abominável, tão parecido com outros já acontecidos em nossa crônica política. Infelizmente, é assim que as coisas funcionam entre nós. Da prorrogação do próprio mandato pelo marechal Castelo Branco ao aumento progressivo dos períodos presidenciais que com Costa e Silva e Médici ficaram em quatro anos, com Ernesto Geisel, cinco, e com João Figueiredo, seis, quem protestou? Desembocamos no crime perpetrado por Fernando Henrique contra as instituições democráticas, pois eleito para um mandato, arrancou do Congresso a reeleição para outro, no exercício do cargo. Valeu-se Luis Inácio da Silva da mesma prerrogativa e, agora, deverá decidir no tempo oportuno: entrega o palácio do Planalto a José Serra, antítese de seus programas e concepções de governo, ou cede ao império das circunstâncias?

Quem quiser que duvide, a começar pelo próprio Lula, mas é assim que o processo político brasileiro funciona. Com crise ou sem crise, o PT e aliados não entregarão o ouro ao bandido, encontrando todo tipo de argumentos para a viabilização do terceiro mandato. Ou vão para o sacrifício, com Dilma Rousseff?

Fonte: http://www.averdadesufocada.com/index.php?option=com_content&task=view&id=1668&Itemid=34