MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Marolinha: Crise econômica no Japão pode trazer até 30 mil dekasseguis de volta ao Brasil


Crise econômica no Japão pode trazer até 30 mil dekasseguis de volta ao Brasil

Marcus Vinicius Gomes

Especial para o UOL Notícias

Em Curitiba (PR) - 19/02/2009 - 10h27

Os efeitos da crise econômica no Japão - em que o PIB do último trimestre de 2008 caiu 12,7% quando comparado com o mesmo período de 2007 - podem trazer entre 10 mil e 30 mil dekasseguis de volta ao Brasil até março deste ano.

A estimativa é do Consulado do Japão no Paraná e do Sebrae, que mantêm um programa de atendimento de dekasseguis nos dois países. O número, se confirmado, representa um enorme crescimento no retorno de brasileiros descendentes de japoneses ao Brasil. A média, em igual período, nos anos anteriores era de 500 dekasseguis.

Segundo dados oficiais, existem atualmente 316.967 brasileiros (descendentes ou não) trabalhando no Japão. Destes, cerca de 80 mil são oriundos do Paraná. Os demais são originários, em sua maioria, do Estado de São Paulo.

De acordo com Marcos Aurélio Gonçalves, coordenador no Japão e no Brasil do Projeto Dekassegui Empreendedor do Sebrae, o reflexo das demissões de dekasseguis faz parte de uma reprogramação das indústrias japonesas entre os meses de outubro e novembro e pode ser reavaliada no próximo período, caso haja sinais de crescimento nas exportações.

"Como o ano fiscal no Japão termina em março, há um sentimento de retomada da atividade industrial que pode fazer com que esse número de regresso de dekasseguis caia, mas mesmo assim ainda será expressivo", afirmou.

Os setores mais atingidos são o automoblístico e o eletro-eletrônico. Em contrapartida, segundo Gonçalves, há uma oferta de empregos nos setores de hotelaria, turismo e de rede de alimentos, que estão empregando brasileiros, mas cuja remuneração não é tão atraente quanto nas indústrias. "Geralmente eles pagam, em média, 20% a menos do que os dekasseguis receberiam nas fábricas".

Pouco atrativo
Dados da Embaixada e do Sebrae mostram que a estabilidade da economia brasileira e a crise no Japão desenhada a partir de meados da década já haviam produzido efeitos que fizeram com que o salário oferecido pelos japoneses deixasse de ser um atrativo para os dekasseguis.

O pico de brasileiros residentes no Japão ocorreu em 2004, quando a Embaixada brasileira registrou a entrada de 322 mil brasileiros no país. De lá para cá, o retorno ao Brasil tem sido constante e só não se expressa nas estatísticas porque nascem cerca de 4.000 filhos de brasileiros anualmente no Japão.

"O salário de hoje não é mais o que era 20 anos atrás. Se os dekasseguis tivessem investido o mesmo tempo em Educação e profissionalização no Brasil, hoje estariam recebendo salários semelhantes ao que ganham no Japão trabalhando em expediente de oito horas", avalia Maria Isabel Guimarães, também coordenadora do Programa Dekassegui Empreendedor do Sebrae.

Descendente de japoneses, o dekassegui Edemar Takeo Ishi, 54 anos, concorda. Ishi passou 15 anos no Japão. Viajou para o país pela primeira vez, em 1990, e só retornou em 2000, depois de passar dez anos cumprindo expedientes de 12 horas, com apenas uma folga por semana, em fábricas de auto-peças e de cerâmica.

No Brasil decidiu investir em um caminhão bitrem (com duas carrocerias) e contratar um motorista para dirigi-lo. Um ano e meio depois estava falido. Decidiu então retornar ao Japão, em 2003, com a mulher, Eva Fátima, 45 anos, e o filho, Tiago, 22 anos, que estudou em escolas japonesas e fala a língua fluentemente.

Com a crise no Japão, desistiu de retornar ao país e pensa agora em vender alguns imóveis que adquiriu no Brasil e investir em um restaurante de comida japonesa.

"No Japão você ganha bem, mas gasta muito. Meu salário médio era de US$ 3.500 mas só o aluguel do meu apartamento era de US$ 800", lembra. "Não era o meu caso, mas quando um empregado estrangeiro é demitido no Japão, perde também a moradia, porque a empreiteira que o contratou manda que você desocupe o imóvel. Essa é uma realidade que muitos brasileiros enfrentam", completa.

De acordo com Maria Isabel, os dekasseguis chegam ao Brasil com o pensamento de investir o dinheiro que economizaram em um negócio próprio. O ramo preferido é o da alimentação. Só no Paraná, os dekasseguis enviam anualmente para o país cerca de US$ 600 milhões (R$ 1,3 bilhão) que são aplicados em imóveis ou custeiam parte das despesas de membros da família que permaneceram no Brasil.

A colônia japonesa representa 1,5 milhão de habitantes no país. Destes, 54% estão concentrados em São Paulo e 24,6% no Paraná. Os demais estão espalhados por vários Estados.

Destino
Segundo Marcos Aurélio Gonçalves, a maioria dos dekasseguis que retornam ao Brasil escolhem o Paraná como destino. "Eles levam em conta a qualidade de vida e a segurança para criar os seus filhos", afirma.

Londrina e Maringá, no Norte do Estado, e Curitiba são as cidades preferidas onde os descendentes de japoneses estabelecem residência. "Geralmente eles vêm para a cidade sem conhecer ninguém, gostam, compram uma casa e montam um negócio com a esperança de trazer os parentes para o mesmo lugar", afirma Gonçalves.


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"Deixei de pensar como um dekassegui", diz brasileiro que morou no Japão

Marcus Vinicius Gomes

Especial para o UOL Notícias

Em Curitiba (PR) 19/02/2009 - 19/02/2009 - 10h29

Nascido em Palotina, no Oeste do Paraná, o descendente de japoneses, Fabio Miura, 37 anos, retornou ao Brasil em 3 de janeiro deste ano, no rastro da crise financeira global.

Miura foi trabalhar no Japão em duas ocasiões. Na primeira temporada, passou cinco anos. Na segunda, três anos e meio. Para Miura, o problema dos dekasseguis está em acreditar que sempre podem retornar ao Japão, caso as coisas no Brasil não dêem certo. "A crise mostrou que não teremos uma segunda chance", afirma. A seguir os principais trechos da entrevista.


UOL - Quanto tempo o senhor trabalhou no Japão?
Fábio Miura - Na primeira vez, cinco anos, entre 1991 e 1996. Fui para lá com 18 anos. Voltei em 1996, passei sete anos no Brasil e decidi retornar em 2005. Fiquei até janeiro deste ano.

UOL - Qual era o seu objetivo?
Miura - O de todo dekassegui. Eu e minha mulher, Cristiane, deixamos nossos dois filhos no Brasil e fomos para o Japão com o pensamento de ganhar dinheiro suficiente para comprar uma casa e investir em nosso próprio negócio, o que parte da minha família também estava fazendo.

UOL - O senhor conseguiu?
Miura - Não. Quando voltei, em 1996, investi o que havia ganho em uma loja de auto-peças, mas acabei quebrando por falta de conhecimento. Descobri que para abrir um negócio é preciso 70% de experiência e 30% de capital.

UOL - O senhor aprendeu algo?
Miura - Eu diria que deixei de pensar como um dekassegui. Todo brasileiro que vive no Japão ganha em iene, mas converte o salário em reais e diz: "estou melhor do que no Brasil". Mas acontece que ele gasta em iene. Vive uma vida de classe média baixa em um apartamento apertado, mas crê que se estivesse no Brasil seria um membro da classe média alta.

UOL - A crise mundial vai mudar isso?
Miura - Terá que mudar, porque os dekasseguis que retornarem agora ao Brasil sabem que, se errarem novamente, não poderão embarcar para o Japão e retomar a sua rotina de trabalho. Nâo vale a pena.

UOL - Por quê?
Miura - Porque os salários não são mais vantajosos, mesmo com a rotina de horas extras. Se eu tivesse investido na minha educação, por exemplo, poderia estar bem mellhor.

UOL - O que o senhor pretende fazer agora?
Miura - Voltar a ser brasileiro e esquecer que sou um dekassegui. Vou viver de acordo com os meus padrões e investir em um negócio que eu tenha conhecimento. É o que todo descendente de japoneses deveria fazer.

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A coisa tá feia...

Grupo de cassinos de Donald Trump pede concordata

Dívida da companhia chega a US$ 1,7 bilhão e já tem pagamentos em atraso

Portal EXAME - 17.02.2009 11h57

Famoso por comandar o reality show The Apprentice (O Aprendiz), um dos mais bem-sucedidos da TV americana, o magnata Donald Trump sofreu nesta terça-feira o constrangimento de assistir uma de suas organizações recorrer à concordata.

O Trump Entertainment Resorts, grupo de cassinos do qual Trump detém 28%, pediu concordata com base no capítulo 11 da lei americana de falências, que permite a reestruturação de uma empresa em amparo dos credores.

Com uma dívida de 1,7 bilhão de dólares, o grupo de cassinos não efetuou o pagamento de 53 milhões de dólares em juros em dezembro. A empresa tinha até esta terça para quitar o débito. De acordo com o jornal britânico Financial Times, não é a primeira vez que o grupo recorre ao tribunal de falências, repetindo o feito de quatro anos atrás.

O maior credor dos cassinos é o banco E.U., que está atuando como agente dos acionistas. Trump havia deixado o conselho da empresa no início do mês afirmando não concordar com as decisões equivocadas tomadas pelos representantes.

O Trump Entertainment Resorts possui diversas áreas de jogos em Atlantic City e em Nova Jersey, onde moradores de Nova York costumam fazer suas apostas. A cidade já sentiu os abalos da recessão global com uma queda de 7,6% nas apostas. Para Trump essa turbulência deve piorar ainda mais a situação das empresas de cassino na região.