MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Lula e sua candidatura a presidente da Internacional Socialista

Uma escolha inevitável

Vittorio Medioli

Lula prepara sua candidatura a presidente da Internacional Socialista, meca dos movimentos socialistas. Ao sair do Planalto, essa presidência conferirá a Lula o status de papa socialista, colocando-o em evidência e, de certa forma, ao reparo de ataques rasteiros que enfrenta um ex-presidente qualquer. O PT, que vive diuturnamente imerso em assuntos de poder e política, passaria a ter (com ele no vértice da Internacional) uma consagração sem fronteiras e um eficaz remédio para tratar das sequelas do mensalão e outros escândalos ainda não resolvidos.
Bem por isso, as relações, cada vez mais intensas, apesar de aparentemente estéreis, com os presidentes bolivarianos e socialistas da América Latina aproximam Lula da presidência da prestigiosa entidade.

Quem cuida da empreitada "socialista" é Felipe Belisário Wermus, codinome Luis Favre, marido franco-argentino de Marta Suplicy, antigo assessor do ex-primeiro-ministro francês Leonel Jospin, e, ainda amigo do atual presidente dos PSF, François Hollande.

Chegar à presidência da Internacional passa pelos socialistas franceses, talvez os mais ortodoxos e radicais, apesar de artificiais e pouco pragmáticos, da Europa. Favre conhece de perto o ambiente parisiense e a nata socialista desde a década de 90 quando se casou com a fervorosa petista Marília Andrade (herdeira da Andrade Gutierrez). O casal instalado num fabuloso apartamento em Paris era anfitrião de intelectuais, artistas, escritores e figuras socialistas do mundo inteiro. Hospedaram sob seu teto a própria Lurian, filha mais velha de Lula, que trataram com grande atenção, proporcionando-lhe estudos, amparo e cirurgias plásticas.

Precisa lembrar dessa época para entender o caso Cesare Battisti. O affair que abala as relações diplomáticas com a Itália tem tudo a ver com Felipe Belisário, mais que com a primeira dama francesa Carla Bruni Sarkozy, como divulgam desinformados colunistas brasileiros.

As filigranas dos episódios atestam a ação de Favre desde o dia da prisão do terrorista italiano, interceptado pela PF no calçadão de Copacabana ao término de uma ação conduzida pelos Serviços de Inteligência da França (sob influência de Sarkozy).

Naquele dia, quem conduziu a PF até Battisti foi uma mulher de 55 anos, francesa, que desembarcou poucas horas antes no Rio proveniente de Paris, trazendo consigo 9.400 euros. Ela tentou esconder sua identidade se registrando com o nome de solteira, Lucie Genevieve Oldés. Detida em Copacabana, em pleno calçadão, foi interrogada e liberada de imediato pela PF quando o normal teria sido ficar presa dias, inocente ou culpada que fosse. Na liberação a jato, pesou algo poderoso: a interferência de Favre junto ao Ministério da Justiça. Assim, Lucie Oldés se refugiou na residência carioca da escritora francesa Fred Vargas, hoje líder do Comitê de apoio a Battisti, e ainda a escritora que assina o prefácio do último romance policial do italiano ("Ma Cavale"). Oldés, na realidade, é conhecida como Lucie Abadia, que, botando de novo os pés na França, declarou ao "Le Figaró" não conhecer Battisti e nunca ter falado com ele.

O jornal nota que Abadia mente. Mostra os laços estreitos entre ela, presidente de uma Associação de escritores Noires de Pau (estilo policial praticado por Battisti e Fred Vargas) e o terrorista italiano. No site Noires de Pau, mantido pela Abadia, o italiano é tratado com veneração entre devaneios radicais que chegam a lamentar até a queda do Muro de Berlim (!).

Precisa lembrar que Favre, em Paris, foi dirigente da Quarta Internacional (fundada por Leon Trotsky em 1938) cuja missão era editar livros e opúsculos de inspiração socialista e subversiva.

Agora, dar refúgio e passaporte brasileiro a Cesare Battisti, para o presidente Lula (que ambiciona a presidência da Internacional Socialista) é uma decisão obrigatória e inevitável. Sem esse gesto, perderia a possibilidade de chegar a presidir a Internacional Socialista; com ele, na prática, garantiu o cargo.

Favre reafirma sua fama de bem-sucedido condutor de estratégias. Mais uma vez a dele prevaleceu sobre qualquer outra.

E-mail: vittorio.medioli@otempo.com.br

Publicado em: 03/02/2009